No táxi, a caminho de casa, não conseguia parar de pensar no que aconteceu na casa de Zach. A mãe dele entrou em parafuso ao saber que ele havia se separado da Lucy, como se tivesse o direito de decidir com quem o filho, já com 30 anos, poderia namorar.
O táxi parou, e o barulho do fecho da bolsa se abrindo preencheu o silêncio. Retirei uma nota de vinte e a entreguei ao motorista, que agradeceu. Subi os cinco degraus com as chaves na mão e abri a porta, que rangeu.
Ao entrar em casa, respirei aliviada. As paredes brancas faziam um belo contraste com os sofás azul-turquesa e as almofadas coloridas. Ao ver apenas Victoria deitada ali, senti gratidão. Estava emocionalmente esgotada, e enfrentar as outras duas amigas seria demais para mim.
— Onde está a turma? — perguntei, fazendo menção de me dirigir para o corredor dos quartos.
— Benjamim já dormiu. Brenda e Jaqueline estão trabalhando no texto do reality show. — Ela se levantou, largou o livro e veio em minha direção. Meu coração disparou com medo de que minha amiga me pressionasse a contar sobre o que aconteceu na casa do Zach.
— Me conta tudo — disse Victoria, puxando-me. — Vamos para nosso cantinho. No pequeno trajeto, ela tagarelava animadamente; suas mãos inquietas denunciavam a expectativa pela fofoca do ano.
— Não aconteceu nada! — as palavras saíram apressadas enquanto minhas mãos coçavam nervosamente, tentando disfarçar em vão. Victoria lançou um olhar inquisidor.
— Sério? Vai mentir para mim na cara dura?
— Não consigo esconder nada de você — respondi, enquanto ela balançava o dedo em negativo à minha frente.
Fiz com que ela prometesse que mais ninguém saberia daquilo. Ela beijou os dedos em sinal de compromisso. Então, contei tudo sobre o que aconteceu na casa de Zach; não sou mulher de guardar segredos. Se não pudesse compartilhar com minhas amigas, iria enlouquecer.
— Ele contou para ela que você estava no vestiário? Qual é o sentido disso? — perguntou Victoria, franzindo a testa.
— Me fiz a mesma pergunta.
— Você acreditou na Lucy? — Vic entrou em modo investigativo. — Acho que ela foi à casa do Zach, ouviu vocês discutindo sobre o contrato e saiu ligando para a polícia, fazendo uma denúncia anônima só para ficar sozinha com você.
Seus olhos brilhavam com a emoção de desvendar um mistério.
— Faz mais sentido se ele realmente contou; afinal, ela saberia que o vídeo não existe mais — respondi pensativa.
— Agora é preciso ter cuidado; essa mulher é perigosa.
— O que será que ela e o pai dele conversaram para querer apagar isso?
— Jade, você vai ficar bem — a preocupação na voz dela era nítida.
— Boa pergunta.
Dei um sorriso que esperava ser tranquilizador. — Sim!
Me preparei para dormir, cheia de dúvidas. Meus sentimentos estavam confusos; deveria estar sentindo falta do Robert, certo? Mas, na verdade, minha mente insistia em pensar no cara mais irritante do mundo.
Virei-me na cama e abracei o travesseiro.
— Ah, Jade, ele só está te utilizando para provocar ciúmes na ex. — Imaginar uma convivência forçada se tornou um alerta vermelho em minha mente; não posso esquecer que somos inimigos. Com esse pensamento, acabei adormecendo.
No dia seguinte…
Os raios de sol filtravam-se pelas frestas das persianas, acariciando meu rosto enquanto eu emergia do sono. As memórias do domingo voltaram com força total. Um suspiro escapou de meus lábios e eu me afundei no travesseiro, tentando afastar os pensamentos da maluquice que transformou minha vida. Olhei para o relógio de pulso: sete e meia. Foi então que lembrei.
— Droga, com que roupa eu vou? — murmurei, já em pé, enquanto abria o armário; as dobradiças rangiam, pedindo por óleo.
Manter as aparências, mesmo que o encontro não fosse real, era importante; eu não queria parecer descuidada ao lado do astro dos Eagles. Porém, as roupas pareciam zombar de mim. Cada peça que descartava só reforçava a urgência de uma compra: precisava impressionar como a noiva do Zach. — Essa não, muito esportiva… esta é muito séria… e essa… bem, pareço uma parteira dos anos cinquenta.
— Melhor tomar banho ou vai se atrasar! — gritou Victoria da cozinha, sua voz vibrante cortando o ar.
Finalmente, encontrei um vestido preto com flores verdes que parecia me abraçar. Combinei com meias pretas e botas de salto médio. Um coque alto e uma maquiagem impecável completaram o visual.
— Os brincos! — quase deixei passar.
O aroma do café fresco invadiu a cozinha como um abraço acolhedor. Caminhei até Victoria e lhe dei um beijo suave; ela me ofereceu uma caneca fumegante que aquecia minhas mãos.
— Ainda tenho que alimentar as galinhas — disse ela, saboreando o café quente.
— Faço isso por você! Ele está lá na frente há meia hora!
— Por que você não me avisou antes? — Deixei a caneca escorregar no balcão; o barulho ecoou pela cozinha. Parecia que borboletas voavam dentro de mim.
Ao sair de casa, encontrei Zach encostado no carro, seu rosto uma máscara de descontentamento.
— Você está bonita, mas atrasada. — A vontade de retribuir o elogio ficou presa na garganta enquanto eu notava como suas calças jeans moldavam suas coxas torneadas e sua camiseta grudada contrastava com a jaqueta de couro preto que usava.
— Bom dia para você também! — respondi, tentando disfarçar meu aborrecimento.
— Marcamos às nove e já se passaram trinta e três minutos. Estou errado? — A expressão rabugenta dele era um desafio, pois tinha vontade de dizer um monte de desaforo. Respirei fundo e contive minha ânsia de agredi-lo.
Precisei me defender.
— Aconteceu um pequeno acidente. Se eu tivesse um celular, teria avisado. — Não mencionei o tempo perdido na busca pela roupa perfeita.
Ele não respondeu; entrou no carro enquanto eu dava a volta e me sentava emburrada ao seu lado. Ele achou-me bonita, mas usou isso para justificar sua frustração. O silêncio pairou e observei de canto de olho a bota preta dele enquanto diminuía a pressão que exercia sobre o acelerador, parando para aproximar do primeiro sinal; então, ele quebrou:
— Seus brincos combinam com seus olhos. Você realmente está linda! — jamais imaginei ouvir um elogio dele naquele tom de voz grave e forte.
— Obrigada! Eram da minha mãe — respondi automaticamente. As pequenas gotinhas reluziam na luz do dia; meu pai os deu à minha mãe no primeiro ano de casados, “para combinar com seus magníficos olhos”. Minha mãe sempre dizia que foi naquela noite que fui concebida; não sei como ela sabia disso, mas era o que acreditava.
— Estou falando sério — disse ele, fixando os olhos nos meus intensamente; um arrepio percorreu minha espinha.
Era hora de desfazer aquele clima sedutor.
— Se somos noivos, precisamos comprar um anel — declarei com firmeza.
— E se eu comprar um anel, ganho outro beijo? — ele provocou, um sorriso travesso curvando seus lábios.
Ignorei a proposta.
— Podemos usar alianças — sugeri cautelosamente.
— Não! Eu já escolhi um anel. Depois que você pegar suas coisas no jornal, vamos comprar um celular e depois passar na joalheria.
— Por quê? Não sou eu quem deveria escolher?
— Porque sou eu quem vai pagar! — Ele riu levemente, mas havia um tom sério em sua voz.
Bufei irritada.
— Fique sabendo que não vou devolver quando terminarmos! Será meu prêmio de consolação!
— Não espero que você faça isso!
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Atualizado até capítulo 51
Comments
Hanna
não chegou notificação de capítulo novo.... mas como eu sou curiosa (e um pouco à toa) vim olhar e tinha ..... êêêhhh/Smile//Smile/ kkkkkkk
2025-02-23
8
Luluzinha 10
É difícil mesmo esconder as coisas de amiga que te conhece bem.
2025-03-04
0
Hanna
kkkkkk como seria uma parteira dos anos 50??/Facepalm//Chuckle/
2025-02-23
0