O sol mal havia nascido quando Elias reuniu todos no centro da base. O vento gelado do deserto cortava a pele, trazendo consigo a sensação de que algo estava prestes a acontecer. Ismael esfregou os olhos, ainda sentindo o peso da noite mal dormida. Paulo estava quieto, mais sério do que o normal. Livia e Jaime se aproximaram juntos, trocando olhares apreensivos.
Elias estava parado diante de um grande monitor, as mãos nos bolsos, o olhar distante. Assim que todos se agruparam, ele pigarreou e foi direto ao ponto:
— Perdemos o contato com o helicóptero enviado para reconhecimento ao norte.
O silêncio caiu sobre o grupo.
— Perdemos como? — Ismael foi o primeiro a perguntar, cruzando os braços.
Elias olhou para ele, sem expressão.
— Simplesmente desapareceu. Última transmissão foi há quatro horas. Nenhum sinal desde então.
Paulo respirou fundo.
— Se foi só um problema técnico, por que tanta urgência?
Elias apertou os lábios e apertou um botão no painel. A tela mostrou um breve vídeo da última transmissão recebida do helicóptero. No meio da escuridão da madrugada, as câmeras térmicas captavam as silhuetas do deserto. O piloto falava algo para a equipe de solo, quando, de repente, uma interferência tomou a tela. Um chiado alto ecoou pelos alto-falantes. Então, por menos de um segundo, uma figura apareceu na imagem – alta, distorcida, de olhos brilhantes.
Elias pausou o vídeo bem nesse momento.
— Foi a última coisa que conseguimos ver.
Livia levou uma mão à boca, e Jaime deu um passo para trás.
— Isso é coisa daquele monstro que vimos anos atrás... — sussurrou Jaime.
Ismael não desviou o olhar da tela.
— Vamos atrás do helicóptero, não vamos?
Elias sorriu de canto.
— Exato. Dividam-se, peguem seus equipamentos. Partimos em uma hora.
A tensão no ar era palpável. Eles já sabiam que aquela missão não seria simples, mas a cada minuto parecia que estavam se aproximando de algo muito pior do que poderiam imaginar.
Livia ajeitou a alça da mochila no ombro e respirou fundo. O vento quente do deserto bagunçava seus cabelos ruivos enquanto ela olhava para Ismael. Ele estava parado ali, braços cruzados, tentando disfarçar a preocupação.
— Não faz essa cara. — Livia sorriu de leve. — Eu vou voltar inteira.
Ismael riu pelo nariz, balançando a cabeça.
— Você sempre diz isso. Mas agora é diferente, Livia. Isso aqui... — Ele apontou para o helicóptero e depois para o deserto. — Isso é real. Não estamos fugindo mais, estamos indo direto para o problema.
Ela assentiu, dando um passo à frente e segurando a mão dele.
— Eu sei. Mas nós dois sempre voltamos, não é?
Ismael suspirou, apertando os dedos ao redor da mão dela.
— Sempre.
Por um momento, ficaram apenas ali, se olhando, até que Jaime apareceu ao lado de Livia, batendo levemente no ombro dela.
— Hora de ir, Patrícia.
Ela deu um olhar atravessado para o apelido, mas sorriu. Antes de partir, se inclinou e deu um beijo rápido em Ismael.
— Cuida do Paulo.
Ele assentiu.
— Cuida de você.
Livia subiu no helicóptero ao lado de Jaime. As hélices começaram a girar, e o som ensurdecedor tomou conta do local. Ismael observou enquanto a aeronave levantava voo, desaparecendo no horizonte.
Vilarejo Abandonado
Jaime e Livia desceram do helicóptero, seus pés afundando levemente na areia seca. O vilarejo era pequeno, com casas de barro e tijolos de adobe, muitas delas destruídas pelo tempo. Não havia sinal de vida. Apenas o vento assobiava entre as estruturas, carregando poeira e um silêncio inquietante.
Jaime ajustou sua jaqueta, os olhos varrendo o local.
— Esse lugar tá me dando arrepios.
Livia puxou a arma da cintura e olhou ao redor.
— Vamos fazer isso rápido. Quanto menos tempo aqui, melhor.
Os dois começaram a caminhar pelas ruas desertas, sem saber que estavam sendo observados.
Lívia andava cautelosamente pelo vilarejo abandonado. O vento quente soprava areia contra seu rosto, enquanto Jaime chutava pequenas pedras no caminho, com as mãos nos bolsos.
— Isso aqui tá morto. — Ele murmurou, olhando ao redor.
Lívia abriu a boca para responder, mas então seu pé escorregou em algo e ela caiu de costas no chão.
— Merda! — Ela gritou, o susto travando sua respiração.
Jaime girou na direção dela num reflexo, sacando a arma.
— Que foi?!
Lívia apontou tremendo para o chão ao lado dela. Seu rosto estava pálido. Jaime abaixou o olhar e então viu.
Um esqueleto humano.
Os ossos estavam ressecados pelo sol, o crânio ainda parcialmente coberto por restos de couro cabeludo seco. A mandíbula aberta como se tivesse morrido gritando. Ao redor, pedaços de tecido desbotado indicavam que a pessoa usava roupas simples antes de morrer.
Jaime ajudou Lívia a se levantar, os olhos ainda fixos no esqueleto.
— Isso não é só um vilarejo abandonado... — Ele sussurrou, engolindo em seco.
Lívia respirou fundo, tentando se recompor.
— Precisamos achar mais pistas. Isso aqui... não é normal.
Ambos se entreolharam e então continuaram a exploração, agora mais atentos do que nunca. Algo aconteceu ali. E eles estavam prestes a descobrir o quê.
Lívia limpou a poeira da testa enquanto caminhava entre os destroços de uma casa parcialmente desabada. O calor sufocante e o cheiro de madeira velha e areia impregnavam o ar. Jaime, a alguns metros de distância, chutava o chão, impaciente.
— Nada aqui também... — ele murmurou. — Esse lugar foi varrido.
Lívia não respondeu. Algo chamou sua atenção no chão: uma alça de ferro parcialmente escondida sob um tapete empoeirado.
— Ei, vem cá. — Ela se ajoelhou e puxou o tapete, revelando uma porta de madeira.
Jaime correu até ela.
— Isso é...?
— Um porão. — Ela pegou um canivete e forçou a trava até ouvir um clique.
A porta rangeu ao abrir, revelando uma escuridão profunda. O cheiro de mofo e papel envelhecido subiu imediatamente. Lívia desceu devagar, a lanterna do celular iluminando degraus de madeira úmida.
Quando seus pés tocaram o chão do porão, ela se deparou com dezenas de papéis espalhados pelo local.
— Meu Deus... — murmurou, pegando um dos papéis amarelados.
Jaime se agachou ao lado dela e pegou outro. Sua expressão ficou séria.
— Isso tá tudo rabiscado...
Lívia virou o papel nas mãos. Palavras escritas repetidamente preenchiam cada canto da página.
"Esse é ele. Esse é ele. Esse é ele. Esse é ele."
Ela olhou ao redor. Cada papel, cada pedaço de madeira da parede tinha a mesma frase rabiscada desesperadamente.
Seus olhos pousaram em um canto mais escuro do porão, onde uma fotografia estava pregada na parede, amarelada pelo tempo. Lívia engoliu em seco ao pegá-la.
Na imagem, um grupo de pessoas estava reunido em frente ao vilarejo. Mas um rosto se destacava. Um homem alto, de terno escuro, parado na sombra de um prédio, seus olhos vazios encarando diretamente a câmera.
Jaime franziu a testa.
— Quem diabos é esse cara?
Lívia sentiu um calafrio.
— Eu não sei... Mas alguém achava que ele era importante o suficiente para perder a cabeça escrevendo isso.
O silêncio tomou conta do porão, e ambos sentiram que, seja lá o que tivesse acontecido naquele vilarejo, ainda não havia terminado.
Jaime passou a mão pela mesa de madeira, afastando uma fina camada de poeira, quando sentiu algo sólido debaixo dos papéis espalhados. Ele puxou o objeto e percebeu que era um livro antigo, a capa de couro rachada pelo tempo.
— Olha isso aqui. — Ele levantou o livro, mostrando para Lívia.
Ela se aproximou, franzindo a testa enquanto Jaime abria o volume. Algumas páginas estavam marcadas com dobras e outras tinham anotações escritas à mão. Ele passou os dedos sobre a caligrafia irregular e parou em uma página específica.
— Aqui... — murmurou, lendo em voz alta. — "À noite, ele corre. À noite, ele corre. No dia, ele manda suas múmias."
Lívia sentiu um arrepio percorrer sua espinha.
— Que diabos isso quer dizer?
Jaime virou outra página, revelando um desenho feito à mão. Era um esboço tosco de uma figura alta, esguia, com braços longos e dedos finos. Mas o que chamava atenção eram os olhos — dois buracos negros desenhados com tanta força que o papel quase rasgou.
— "Ele corre..." — Jaime repetiu baixinho. — Isso parece algum tipo de lenda local ou um aviso.
Lívia pegou o livro e olhou para outra anotação ao lado do desenho.
— "O deserto esconde seus servos. O vento carrega seus sussurros."
Ela engoliu em seco e olhou para Jaime.
— Eu não sei você, mas acho que alguém acreditava muito nisso...
Antes que ele pudesse responder, um som veio do lado de fora da casa. Um farfalhar baixo, como se algo estivesse arrastando pelo chão arenoso.
Jaime e Lívia congelaram.
E então, do lado de fora, algo raspou na madeira da porta da frente.
Jaime e Lívia trocaram um olhar rápido antes de subirem correndo as escadas de madeira rangente. Seus passos ecoavam pelo porão enquanto se apressavam para sair dali. Lívia segurava o livro com força contra o peito, sentindo o coração bater acelerado.
Ao chegarem ao andar principal, Jaime olhou para a porta. O som de algo arranhando a madeira havia cessado, mas o silêncio era ainda mais assustador. Ele fez um gesto para Lívia ficar atrás dele e avançou devagar, puxando uma faca que sempre carregava no bolso.
— Tem alguém aí? — sua voz soou mais baixa do que ele esperava.
Nenhuma resposta. Apenas o vento do deserto zunindo pelas frestas das janelas quebradas.
Lívia segurou o braço dele.
— Precisamos sair daqui agora.
Jaime assentiu e abriu a porta com cautela. Lá fora, o vilarejo continuava abandonado, mas algo parecia... diferente. O ar estava mais pesado, e um cheiro estranho de terra úmida misturada com algo podre invadiu o nariz dos dois.
Eles saíram, olhando ao redor. Não havia sinal de ninguém, mas as marcas no chão eram claras—pegadas desordenadas, arrastadas, como se alguém ou algo tivesse circulado a casa enquanto estavam lá dentro.
Lívia respirou fundo.
— Seja lá quem escreveu aquele livro... acho que eles não estavam mentindo.
Jaime concordou, os olhos fixos nas pegadas à sua frente.
— Vamos sair daqui. E rápido.
Jaime tirou o rádio do bolso e ajustou a frequência, a mão firme, mas o coração acelerado.
— Elias, aqui é Jaime. Precisamos de uma extração agora. — Sua voz saiu tensa.
A resposta veio rápida, mas com interferência:
— ...Parece que encontraram algo. Mandando um helicóptero. Fiquem onde estão.
Lívia fechou o zíper da mochila com um movimento rápido.
— Eu espero que esse helicóptero chegue logo.
Jaime olhou para ela e assentiu. Os dois se afastaram da casa e ficaram na estrada de terra batida, observando o céu já começando a escurecer. No horizonte, uma tempestade de areia se formava lentamente.
— Vamos torcer para que esse bicho da noite não decida correr hoje. — Jaime murmurou, ajustando a alça da arma no ombro.
O helicóptero os deixou em um local que parecia tirado de um pesadelo de tédio absoluto. Só areia e céu, sem nada ao redor.
Ismael olhou para todos os lados e bufou.
— Que maravilha, hein? Quanta coisa pra ver! Tem areia aqui... e ali... e olha só, mais areia! — Ele chutou o chão, levantando uma pequena nuvem de poeira.
Paulo, diferente dele, permaneceu calado, seus olhos fixos no horizonte.
— Ismael...
— Se você disser que encontrou mais areia, eu vou te socar.
— Não... — Paulo apontou para algo à frente. — Ali.
Ismael seguiu o olhar dele e estreitou os olhos. Bem ao longe, havia algo se destacando no deserto. Uma pequena estrutura de pedra...
Ou pelo menos o que restava dela.
Ismael passou a mão pela testa, sentindo o suor escorrer. O calor estava de matar. Ele olhou para Paulo, que examinava a estátua com uma expressão séria.
— Cara, daqui a pouco você pega um bronzeado. Só vai faltar o shape. — Ismael soltou, rindo.
Paulo, para a surpresa dele, também riu, balançando a cabeça.
— Engraçado você falar isso...
Mas antes que continuasse, seus olhos se fixaram em um ponto específico da estátua. Seu sorriso desapareceu.
O mundo ao redor ficou em silêncio.
Então ele ouviu.
A voz dela.
"Se eu fosse você, cavava bem aqui."
O coração de Paulo disparou. Ele fechou os olhos por um segundo e depois os abriu rapidamente. A voz ainda ecoava na sua cabeça.
Ele olhou para o chão, exatamente onde a areia se acumulava ao lado da estátua.
— Ismael... — Sua voz saiu quase como um sussurro.
— O quê? — Ismael franziu a testa, notando que Paulo estava sério.
— Me ajuda a cavar aqui.
Ismael estreitou os olhos.
— Tá de brincadeira? Com esse calor?
— Só faz isso, cara.
Havia algo na expressão de Paulo que fez Ismael desistir de contestar. Ele se abaixou e começou a tirar areia com as mãos.
Pouco a pouco, algo começou a aparecer debaixo da areia.
E não era nada bom.
O sol castigava sem piedade, e Ismael já sentia os braços doloridos de tanto cavar. Seu humor, que nunca foi dos melhores, estava cada vez pior.
— Eu juro, Paulo, se isso for alguma pegadinha sua, eu vou te enfiar nessa cova e deixar você aí. — resmungou, passando a mão no rosto suado.
Paulo, por outro lado, estava claramente irritado, mas não com Ismael. Com a voz.
"Cava ali."
"Não, não, ali."
"Mais para a direita."
Ele apertou os punhos, sua paciência indo pelo ralo.
— CALA A BOCA! — gritou de repente, jogando um punhado de areia para o alto.
Ismael o encarou como se ele tivesse perdido completamente a sanidade.
— Tá falando comigo?
Paulo respirou fundo, massageando as têmporas.
— Não, cara... Só... continua cavando.
Ismael ergueu uma sobrancelha, mas decidiu não perguntar. Só queria acabar logo com aquilo.
Então, de repente, suas mãos bateram em algo sólido.
Os dois se entreolharam.
Paulo engoliu em seco e começou a tirar o restante da areia. Aos poucos, uma tampa de pedra apareceu, com marcas esculpidas que pareciam muito antigas.
— Isso não é bom... — murmurou Ismael.
— Mas é o que a gente tava procurando. — Paulo respondeu, a voz mais baixa do que gostaria.
A tampa estava coberta de símbolos. Mas um deles chamou a atenção de Paulo imediatamente.
Ele já tinha visto aquele símbolo antes.
E não era em um livro de história.
Era nos seus pesadelos.
A água começou a brotar da areia como se o deserto tivesse se cansado de ser seco. Ismael piscou algumas vezes, esfregando os olhos.
— Ok... Isso é uma miragem ou a gente acabou de achar um oásis por acidente? — perguntou, desconfiado.
Paulo, no entanto, não tirava os olhos do chão. Sua expressão estava séria, e a voz, firme.
— Cava mais rápido.
— Ah, claro. Porque passar as últimas duas horas cavando nesse calor já não foi o suficiente — resmungou Ismael, mas obedeceu, começando a arrancar a areia ainda mais depressa.
A água agora escorria entre os dedos dos dois, tornando a areia mais pesada. O chão parecia afundar levemente. Foi quando, enfim, algo duro surgiu.
Paulo limpou a superfície e o que apareceu foi uma madeira escura, resistente, com uma espécie de marcação esculpida nela.
Ismael se jogou para trás, exausto, ofegante e completamente indignado.
— Não. Não, não, não! Você tá me dizendo que a gente passou o dia inteiro cavando pra encontrar uma DROGA DE PORTA?!
Paulo nem respondeu. Apenas passou a mão lentamente sobre a madeira, sentindo as ranhuras do símbolo entalhado.
Então, algo fez seu estômago revirar.
A marca na porta... era a mesma da cicatriz em seu peito.
— Isso... não é uma porta qualquer. — murmurou, encarando Ismael com um olhar pesado.
Ismael arqueou uma sobrancelha, ainda irritado.
— Ótimo. Espero que tenha um elevador lá dentro, porque eu me recuso a subir essa duna de novo.
Paulo ignorou o comentário e pressionou a mão contra o símbolo.
O chão tremeu.
A água ao redor girou em um redemoinho e, com um estrondo abafado, a porta de madeira se abriu sozinha.
Uma escuridão profunda os aguardava do outro lado.
O silêncio de Paulo era o suficiente para Ismael entender que algo estava errado. O olhar fixo, a respiração pesada.
— Tem alguma coisa chegando perto da gente... — murmurou Paulo, quase sem mexer os lábios.
Foi quando começou.
Um chiado cortante, um som tão agudo e distorcido que parecia rasgar o ar ao redor. Ismael sentiu uma dor lancinante nos ouvidos, como se agulhas estivessem perfurando seu tímpano.
O chiado só aumentava, ficando insuportável.
— Ah, merda! — Ismael gritou, apertando as mãos contra as orelhas. Um filete quente de sangue escorreu entre seus dedos.
Ele tentou levar a mão ao rádio no colete tático.
— Lívia? Elias? Alguém? — Nada. Só estática. — Merda, os rádios não funcionam!
Paulo olhava fixamente para a areia além da porta aberta. Algo se movia ali. Algo rápido, algo que fazia a areia tremer sutilmente enquanto se aproximava.
— Não temos tempo! — gritou ele, puxando Ismael pelo braço. — Entra aqui, rápido!
A porta de madeira estava completamente aberta agora, revelando um buraco sem fundo. Não havia escadas, cordas, nada além de um túnel de pedra que descia para a escuridão absoluta.
Ismael arregalou os olhos.
— Ah, você tá brincando que a gente vai ter que pular!
O chiado se intensificou. Agora, o próprio ar tremia, e a areia ao redor começou a se mexer como se algo estivesse prestes a emergir debaixo dela.
Paulo não hesitou.
Ele agarrou Ismael pelo braço e se jogou para dentro da escuridão.
O vento cortou seus rostos enquanto caíam. O túnel parecia não ter fim.
E então... o impacto.
Tudo virou um borrão.
Eles bateram no chão de pedra com força, rolando por uma superfície inclinada antes de finalmente pararem. Ismael gemeu de dor, piscando algumas vezes para ajustar a visão.
— Que merda foi essa?! — exclamou, sentindo o corpo latejando da queda.
Paulo, ao lado dele, se levantava devagar. Seu olhar não estava mais preocupado com a dor da queda.
Ele olhava para frente.
Ismael seguiu o olhar do amigo e congelou.
Na penumbra, iluminada apenas por um feixe de luz fraca da abertura lá no alto, havia uma silhueta.
Alguém estava esperando por eles ali.
O silêncio dentro da câmara subterrânea era opressor. A única coisa que Ismael conseguia ouvir era sua própria respiração ofegante e os pequenos grãos de areia deslizando da borda da entrada por onde tinham caído.
Paulo continuava imóvel, os olhos fixos na silhueta à frente.
— Tem alguém aí? — Ismael quebrou o silêncio, a voz ecoando pelo túnel.
A sombra não respondeu. Mas se mexeu.
Um passo suave, controlado. Como se aquela pessoa já soubesse que eles estariam ali.
Paulo levou a mão até o coldre da arma, mas antes que pudesse sacá-la, uma voz rouca ecoou da escuridão:
— Vocês demoraram.
Ismael trocou um olhar com Paulo. Eles estavam esperando por nós?
A silhueta se aproximou mais um passo e, finalmente, entrou na pequena faixa de luz.
E foi então que Ismael sentiu um frio subir por sua espinha.
O rosto daquela pessoa... ele já tinha visto antes.
Paulo apertou os olhos, tentando lembrar. Mas foi então que ele percebeu algo ainda mais preocupante:
A poeira no chão estava mexendo sozinha.
Não era o vento. Não era tremor.
Era alguma coisa se movendo debaixo deles.
Algo grande.
E então, no segundo seguinte... o chiado voltou.
Dessa vez, de dentro do próprio túnel.
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Atualizado até capítulo 20
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