passado e o futuro

Os cinco entraram na biblioteca, e imediatamente algo parecia errado.

As estantes eram altas e impecáveis, repletas de livros novos demais. O local não combinava com o resto da vila, como se tivesse sido tirado de um tempo diferente.

Jessica correu os olhos pelas prateleiras, pegando um dos livros.

— "Isso… não faz sentido." — murmurou.

— "O que foi?" — perguntou Lívia, ainda cautelosa.

Jessica virou o livro, mostrando a capa.

Era um livro de história moderna—de 2020.

Paulo pegou outro livro e franziu o cenho.

— "Isso é impossível… Olha isso. É um livro de matemática, igual ao do colégio."

— "Como essa biblioteca tem livros da nossa época?" — Jaime perguntou, cruzando os braços.

Ismael, mais afastado, percorreu o olhar pelo local. Algo o incomodava profundamente.

Paulo soltou um suspiro, decidido. — "Acho melhor a gente se separar pra cobrir mais área. Se esse lugar quer que a gente descubra os segredos de todo mundo, a Jessica é a próxima. Precisamos encontrar alguma pista sobre ela."

Jessica engoliu seco, tensa.

— "Certo... Mas sem ir muito longe, ok?"

Paulo dividiu o grupo:

Ismael e Lívia ficariam no setor de registros e documentos.

Paulo e Jaime vasculhariam a área de estudos e arquivos.

Jessica ficaria perto da entrada, examinando os livros históricos. Antes de se separarem, um frio percorreu o ambiente.

Algo os observava entre as estantes.

Paulo passou a mão pelo pescoço, desconfortável com o silêncio pesado do porão. O lugar era escuro, úmido, repleto de teias de aranha, e a única iluminação vinha de uma fraca lâmpada amarelada no teto.

Os dois caminharam por entre prateleiras velhas e caixas empoeiradas, tentando encontrar qualquer coisa que parecesse relevante.

Foi Jaime quem quebrou o silêncio primeiro:

— "Posso te perguntar uma coisa, rapaz?"

— "Manda." — Paulo respondeu, sem tirar os olhos de uma estante cheia de papéis embolorados.

Jaime se apoiou em uma das prateleiras, cruzando os braços.

— "O que você fazia no seu mundo antes de vir pra cá?"

Paulo parou por um instante, como se refletisse sobre a resposta.

— "Nada de especial… Eu só estudava, saía com os amigos, essas coisas."

Jaime arqueou uma sobrancelha e deu uma risada baixa.

— "Ah, para com isso. Sei reconhecer um líder quando vejo um. Desde que essa loucura começou, você tem saído muito bem. Parece que nasceu pra isso."

Paulo deu uma risada curta, mas havia um certo incômodo em seu olhar.

— "Eu só tento manter todo mundo vivo. Não é como se eu tivesse muita escolha."

Jaime o observou por um tempo antes de dizer:

— "Talvez. Mas a verdade é que algumas pessoas nascem pra liderar, e outras pra seguir. Você já sabe a qual grupo pertence."

Paulo não respondeu de imediato. Em vez disso, pegou um caderno antigo sobre uma das caixas e assoprou a poeira, revelando um título estranho escrito à mão:

"Os desaparecidos de Vila Aurora".

— "Acho que encontramos alguma coisa." — ele disse, mostrando o caderno para Jaime.

Jaime pegou o caderno das mãos de Paulo e olhou as páginas amareladas. As anotações eram estranhas, escritas com pressa, quase desesperadas, e o que mais chamava atenção era um padrão:

"1 dia \= 1 mês no mundo real."

O silêncio no porão ficou ainda mais pesado. Paulo desabou numa cadeira velha, passando as mãos pelo rosto.

— "Isso não pode estar certo…" — ele murmurou, mas sabia que fazia sentido.

Jaime fechou o caderno com um suspiro e olhou para ele.

— "Parece que estamos aqui há três dias…" — ele disse. — "Isso significa que no mundo real já se passaram três meses."

Paulo engoliu seco, os olhos fixos no chão.

— "Sete meses."

Jaime franziu a testa.

— "O que?"

Paulo respirou fundo antes de falar.

— "Já faz uma semana desde que a gente sumiu."

O peso daquelas palavras atingiu os dois como um soco no estômago. Paulo passou a mão pelo cabelo, os pensamentos acelerados.

— "Minha mãe…"

Jaime ficou quieto, esperando ele continuar.

— "Eu era o único que ela tinha depois que meu irmão morreu. Ela nunca se recuperou direito. Começou a beber, fumar, se afastou de todo mundo… Eu cuidava dela, sabe?"

Ele soltou uma risada sem humor.

— "Agora eu sumi. E se ela… Se ela tiver piorado? Se tiver acontecido alguma coisa?"

Jaime não sabia o que dizer. Ele próprio entendia bem demais o que era perder alguém. Então, ele apenas pôs a mão no ombro de Paulo e apertou firme.

— "A gente vai sair daqui, garoto. E você vai ver ela de novo."

Paulo respirou fundo, tentando manter o controle. Depois de alguns segundos, ele se levantou com determinação e pegou o caderno de volta.

— "Então vamos dar um jeito de sair logo. Antes que seja tarde demais."

O ar gelado do porão ficou ainda mais denso. O cheiro de cigarro velho e álcool barato tomou conta do espaço, deixando Paulo e Jaime enjoados.

Jaime segurou Paulo pelo ombro, mas o garoto parecia petrificado.

Das sombras, a silhueta de um homem alto e esquelético surgiu. Sua pele era acinzentada e cheia de manchas, os dentes amarelados e podres, e seus olhos? Negros como o vazio, sem brilho, sem alma.

Ele abriu um sorriso nojento, puxando o ar como se tivesse acabado de tragar um cigarro, e soltou uma risada áspera e doentia, parecendo um fumante com a garganta corroída.

— "E aí, garoto... Qual é a sensação?" — sua voz era áspera, cortante, cheia de veneno.

Paulo sentiu seu coração disparar, os olhos arregalados.

— "Do que você tá falando?" — ele perguntou, a voz mais fraca do que queria.

O homem deu um passo à frente, saindo um pouco mais das sombras. Seu bafo pútrido fez Paulo querer vomitar.

— "A sensação de ter matado o próprio irmão, de ter feito sua mãe virar uma viciada."

O silêncio foi absoluto. Jaime ficou tenso, os olhos indo de Paulo para a criatura. Mas Paulo? Ele não se moveu. Não piscou.

Porque aquelas palavras...

Elas perfuraram ele.

Como se um buraco negro tivesse se aberto dentro do peito. O som metálico da arma batendo no chão ecoou pelo porão, fazendo Paulo engolir seco.

Jaime olhou para a arma e depois para Paulo, que parecia em choque.

O homem esquelético soltou uma tosse nojenta, como se tivesse litros de catarro preso na garganta, e depois riu de novo, um som macabro e sufocante.

— "Sua mãezinha..." — ele começou, arrastando as palavras. — "Ela está mal, garoto. Quase não se aguenta mais... Tá sozinha, bebendo, fumando... Suspirando seu nome e o do seu irmão morto."

Jaime ficou rígido.

Paulo sentiu a mão tremer.

— "Mas..." — o homem continuou, com um sorriso pútrido, os dentes apodrecidos aparecendo. — "Eu posso tirar você daqui. Posso te levar de volta pra casa."

Ele então apontou para a arma no chão com um riso maligno.

— "É só pegar a arma e atirar nesse velho aí."

O porão ficou ainda mais escuro, e sussurros começaram a ecoar no ambiente, como se o lugar estivesse reagindo à proposta do homem. — "Você quer ser livre, não quer?" — a voz do homem perfurou a mente de Paulo, como um veneno rastejando por suas veias.

Jaime apertou os punhos, percebendo o olhar desesperado de Paulo.

A arma estava ali.

A escolha estava feita.

Mas qual seria? Ismael folheava o livro de fotos, sentindo uma estranha sensação de déjà vu.

Cada página mostrava rostos conhecidos, mas havia algo estranho nas imagens.

Lívia, ainda meio desconfortável pelo que aconteceu antes, olhava de canto de olho para Ismael. O abraço que ela deu nele foi impulsivo, mas agora parecia que uma barreira invisível tinha se formado entre os dois.

— "O que foi?" — ela perguntou, tentando quebrar o silêncio.

Ismael virou outra página e travou.

Na foto, ele estava lá.

Lívia também.

Mas não era só isso.

Na imagem, eles estavam na vila, em algum momento antes de chegarem lá. Como se já tivessem vivido naquele lugar muito antes do que se lembravam.

Lívia se aproximou, os olhos arregalados.

— "Isso... não faz sentido."

Ismael fechou o livro com força, o coração disparado.

— "Nada disso faz sentido."

Antes que pudessem dizer qualquer coisa, um barulho alto veio do porão.

Algo estava acontecendo com Paulo e Jaime.

Lívia e Ismael se entreolharam e correram para ver o que estava acontecendo.

Ismael e Lívia congelaram na entrada do porão.

Jaime estava no chão, a mão pressionando o ferimento na barriga, o sangue escorrendo pelo casaco.

Paulo estava em choque, os olhos arregalados, as mãos trêmulas, sem conseguir reagir.

E Jessica…

Jessica segurava a arma.

O sorriso cruel e distorcido no rosto dela era algo que ninguém jamais imaginaria.

— "Aquela proposta vale pra mim também?" — perguntou ela, virando-se para o velho nojento, que ria com aquele riso arrastado de fumante.

Ele deu alguns passos à frente, suas roupas imundas, o cheiro de cigarro e bebida impregnando o ar.

— "Ora, ora… temos uma garotinha esperta aqui."

Lívia arregalou os olhos.

— "Jessica... o que você tá fazendo?"

Jessica riu baixinho, girando a arma no dedo.

— "Sobrevivendo."

O velho lambeu os lábios podres.

— "Muito bem, minha querida. É simples: atire neles e eu te tiro daqui. Você não quer voltar pra casa? Não quer escapar desse pesadelo?"

Jessica mordeu o lábio, pensativa. O cano da arma agora estava apontado para Ismael.

O silêncio foi agoniante.

Paulo finalmente saiu do choque, os olhos cheios de pavor.

— "Jessica… por favor…"

— "Cala a boca, Paulo." — Jessica interrompeu. "Você hesitou, agora é minha vez de agir."

O dedo dela começou a pressionar o gatilho.

Lívia deu um passo à frente.

— "Jessica, isso não é você."

Jessica deu um sorriso gelado.

— "Como você pode ter tanta certeza?"

O barulho do tiro ecoou pelo porão A tela escurece, e então se acende novamente, revelando uma casa grande, mas fria.

O som de talheres batendo na mesa ecoava no jantar de família.

Jessica estava sentada reta, com as mãos sobre o colo, sem olhar para os pais.

— "A senhorita tirou um nove e meio na prova de matemática?" — A voz severa de seu pai cortou o silêncio.

Jessica engoliu seco.

— "Sim, pai… foi a maior nota da turma."

Sua mãe soltou um suspiro de decepção.

— "Maior não é suficiente. Você deveria ter tirado um dez."

O silêncio se instalou novamente. Jessica sentia o peito apertar.

Ela queria gritar, queria dizer o quanto estava cansada de ser perfeita.

Mas ela nunca podia errar. Nunca podia demonstrar fraqueza.

Ser perfeita era a única forma de ser aceita naquela casa.

Então, ela aprendeu a fingir.

A fingir que era forte, que era correta, que era gentil.

Mas por dentro, Jessica odiava todo mundo.

Porque ninguém a via de verdade.

Ninguém sabia quem ela realmente era.

E se ela era invisível, então todos mereciam sofrer tanto quanto ela.

O tiro ecoou no porão, mas Ismael desviou a tempo, levando o tiro no braço em vez de Lívia.

A dor explodiu, mas ele não hesitou.

Ele se jogou para pegar a arma, mas Jessica foi mais rápida.

Ela segurou o revólver com as duas mãos, os olhos cheios de ódio e satisfação.

— "Chega de joguinhos." — Jessica sussurrou, apontando a arma para Ismael.

O monstro ao fundo riu, os dentes podres brilhando na escuridão.

— "Muito bem, garota…"

Paulo, ferido e tremendo, olhou para Ismael e Lívia. Paulo se lança contra Jessica com toda a força.

A luta é rápida e brutal. Jessica puxa o gatilho, mas Paulo agarra sua mão a tempo.

Os dois caem no chão, lutando pelo controle da arma.

Ismael, mesmo com o braço ferido, tenta se levantar.

Jessica dá uma joelhada no estômago de Paulo, mas ele segura firme.

Com um movimento rápido, ele torce o pulso dela, fazendo a arma cair no chão com um estrondo.

Paulo rola e agarra a arma.

Jessica fica imóvel por um segundo… então dá um passo para trás, rindo.

— "Vocês acham que ganharam?" — Ela murmura.

Antes que pudessem reagir, Jessica corre para a saída do porão e bate a porta com força.

— "VOCÊS VÃO MORRER AQUI!"

TRAVA A PORTA COM UMA CORRENTE.

Então…

Eles sentem o cheiro.

Fumaça.

Lá em cima, a biblioteca estava pegando fogo.

Lívia corre para a porta, tentando abri-la.

Jaime, ainda segurando o ferimento na barriga, força a porta também, mas não adianta.

O fogo se espalhava rápido.

Ismael, Paulo, Lívia e Jaime estavam presos.

E tinham poucos minutos antes de serem consumidos pelas chamas.

ismael se levanta sozinho e dá uma risada vaso ruim não quebra relaxa princesa

Lívia revira os olhos, mas dá um sorriso de canto.

— "Idiota..." — Ela murmura, ajudando Ismael a se equilibrar.

Paulo carrega Jaime, que solta um gemido de dor, mas faz força para se manter consciente.

O fogo se espalhava rápido, consumindo as estantes e os móveis. A fumaça já começava a sufocar.

— "TEMOS QUE SAIR DAQUI, AGORA!" — Paulo grita, olhando ao redor.

Ismael tampa a boca com a camisa e olha para cima, vendo um respiradouro na parede.

— "Ali! Dá pra sair por ali!"

Lívia olha para a abertura estreita.

— "E como a gente sobe até lá, gênio?"

Ismael olha ao redor, vendo uma estante ainda intacta.

— "Empurramos essa merda!"

Os quatro se apressam, usando suas últimas forças para inclinar a estante até que ela encoste na parede, formando uma espécie de rampa.

— "Vão primeiro!" — Paulo diz, colocando Jaime para subir.

Jaime geme de dor, mas com ajuda, consegue passar pelo buraco.

Depois, Lívia sobe com esforço. Paulo olha para Ismael, que estava pálido pelo sangue perdido, mas ainda se mantinha firme.

— "Vai, cara!"

Ismael dá um último olhar para o fogo, como se desafiasse as chamas.

Ele sobe rápido e Paulo vem logo atrás.

Assim que saem, a biblioteca desaba atrás deles.

Todos ficam ofegantes no chão, tentando recuperar o fôlego.

Jaime solta uma risada fraca.

— "Que porra foi essa...?"

Lívia limpa o rosto sujo de fuligem.

— "Foi a nossa quase morte, se quer saber."

Paulo se levanta, encarando a vila ao redor.

Jessica tinha fugido.

O monstro ainda estava à espreita.

E eles ainda não sabiam como sair dali. Após um tempo Paulo e Lívia ajudam Jaime pelo visto a bala não ficou dentro pegou de raspão ismael já estava melhor também conseguiram tirar a bala ismael se levante e da risada ótimo além de mostro te uma maluca por aí agora

Lívia cruza os braços, ainda ofegante.

— "Ótimo nada, Ismael! A gente quase morreu! E agora temos uma psicopata armada solta por aí!"

Paulo solta um suspiro pesado, passando a mão pelo rosto sujo de fuligem.

— "Jessica... Ela enganou a gente o tempo todo."

Jaime, ainda meio tonto, solta um riso fraco. — "Pelo visto, ninguém aqui é exatamente o que parece, né?"

Ismael estala o pescoço e se levanta, já parecendo melhor.

— "Bom, se ela quer brincar de vilã, então a gente brinca de caçadores."

Lívia levanta uma sobrancelha.

— "Você tá falando sério? A gente nem sabe onde ela tá!"

Paulo olha ao redor, sua expressão ficando mais séria.

— "Mas temos que encontrá-la. E rápido. Se esse lugar já tava estranho antes, agora tá pior."

Ismael sorri de lado, passando a mão no braço onde tinha levado o tiro.

— "Ótimo. Mais um dia normal nessa vila de merda."

Jaime força um sorriso, ainda tentando manter o humor.

— "Então... Por onde começamos?"

Ismael estava deitado na cama, olhando para o teto, perdido nos próprios pensamentos. O braço doía um pouco, mas ele já tinha passado por piores. Ele suspira, fechando os olhos por um momento, até ouvir passos leves no quarto.

Quando abre os olhos, vê Lívia parada na porta, meio hesitante, como se estivesse pensando se deveria ou não estar ali.

— "Que foi?" — Ismael pergunta, sua voz saindo baixa, sem sua habitual ironia.

Lívia respira fundo e entra, fechando a porta atrás de si.

— "Eu só..." — ela cruza os braços, olhando para o chão antes de encará-lo — "Eu queria te agradecer. Por ter me salvado lá no porão."

Ismael dá de ombros.

— "Foi reflexo."

Ela ri, balançando a cabeça. — "Você pode fingir o quanto quiser, mas eu sei que não foi só isso."

Ismael desvia o olhar, incomodado com a conversa. Lívia se aproxima mais, sentando na beirada da cama.

— "O que aconteceu entre a gente antes... o vídeo... todas aquelas coisas horríveis..." — ela morde o lábio, parecendo procurar as palavras certas — "Acho que, de alguma forma, a gente meio que se merece, né?"

Ismael solta uma risada curta, irônica.

— "A gente merece esse inferno?"

Lívia sorri de leve.

— "Talvez."

Por um momento, os dois ficam em silêncio, apenas se olhando. Não era exatamente um momento confortável, mas também não era ruim. Era... estranho. Finalmente, Lívia se levanta, indo até a porta.

— "Boa noite, Ismael."

Ele não responde, apenas observa enquanto ela sai do quarto, fechando a porta atrás de si.

— "Eu... achei que tinha perdido pra sempre." — Ela sorri de leve, segurando o colar contra o peito. — "Foi minha mãe que me deu quando eu fiz quinze anos."

Ismael observa o jeito que ela olha para o colar, mais vulnerável do que nunca. Algo dentro dele aperta, mas ele não diz nada.

— "Por que não me devolveu antes?" — Lívia pergunta, olhando diretamente para ele.

Ismael desvia o olhar, coçando a nuca.

— "Sei lá... Acho que só não queria te dar mais um motivo pra me odiar."

Lívia solta uma risada baixa, balançando a cabeça.

— "Você é um caso perdido, sabia?"

Ismael dá um sorriso de canto.

— "Já me disseram isso antes."

Ela prende o colar no pescoço novamente e dá um passo para trás.

— "Obrigada, Ismael."

Ele apenas assente. Lívia abre a porta e sai do quarto, fechando-a suavemente atrás de si.

Ismael suspira, jogando-se de volta na cama. Ele fecha os olhos, mas, pela primeira vez desde que chegaram ali, o sono vem um pouco mais fácil. Lívia cruza os braços e revira os olhos.

— "Cês têm certeza que é uma boa ideia sair assim? A gente quase morreu ontem."

Paulo ajusta a jaqueta e verifica a faca presa à cintura.

— "A gente não tem escolha. Se a Jessica continuar solta, estamos ferrados."

Ismael dá um sorriso de canto, mas seus olhos estão frios e calculistas. Ele estala os dedos, apertando os punhos com força.

— "Isso não é Salem… mas chegou a hora de caçar uma bruxinha."

Lívia suspira e olha para Jaime, que ainda está descansando no sofá.

— "Tá… Mas se vocês não voltarem até o pôr do sol, eu vou atrás de vocês."

Paulo e Ismael trocam olhares, mas não discutem.

— "Voltem vivos, idiotas." — Lívia diz, com um meio sorriso.

— "Sem promessas." — Ismael responde, enquanto ele e Paulo desaparecem pela porta, prontos para a caçada. Enquanto Ismael e Paulo caminham pela vila em ruínas, o vento gelado corta o silêncio, fazendo as folhas secas dançarem pelo chão. O céu está nublado, quase como se a vila soubesse que algo ruim estava por vir.

Eles seguem por uma trilha estreita até uma casa abandonada, onde Jessica foi vista pela última vez. A porta está entreaberta, rangendo com o vento.

— "Pronto pra isso?" — pergunta Paulo, segurando firme a faca.

— "Nem um pouco," — Ismael responde, com um sorriso sarcástico, empurrando a porta.

Assim que entram, um cheiro de podre toma o ar. O chão está cheio de marcas de arranhões e velas queimadas até a base. No centro da sala, um espelho trincado reflete apenas Paulo… Ismael não aparece no reflexo.

Paulo congela.

— "Ismael…"

Antes que possa dizer mais alguma coisa, a porta se fecha violentamente atrás deles. Uma risada familiar ecoa pelo cômodo, vinda de todos os cantos ao mesmo tempo.

— "Vocês demoraram…" A voz de Jessica soa distorcida.

Os olhos de Ismael brilham cheios de fúria enquanto ele cerra os punhos.

— "Então bora acabar logo com isso."

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Comments

Brennda Germany's

Brennda Germany's

vendo, como na caverna do dragão, só que lá era o contrário eles passaram num sei quanto tempo e no mundo real so tinha passado algumas horas

2025-03-14

1

Bela Black

Bela Black

Credo mano.... sempre fico na dúvida se é terror, suspense ou uma mistura, algo bem macrabo... em oração

2025-03-15

1

S.Kalks

S.Kalks

tão muito de boa para quem eram inimigos mortais até poucos minutos

2025-03-16

1

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