Ismael sentou-se na pequena sala de espera da delegacia, o olhar perdido e a mente em branco. O mundo ao seu redor parecia estranho, como se ele fosse um estrangeiro em sua própria vida. Ele sabia que era Ismael, mas tudo além disso estava envolto em névoa. Ele não reconhecia ninguém e, pior, não conseguia se reconhecer no reflexo do vidro ao seu lado.
A porta da delegacia abriu com um ranger pesado, e um homem alto, de aparência cansada, entrou. Era Antônio, o pai de Ismael. Seu rosto trazia uma mistura de alívio e tristeza, mas também havia algo mais profundo – uma dor antiga que nunca havia sido totalmente curada.
"Você está bem, filho?" perguntou Antônio, com uma voz que tentava ser firme, mas tremia nas bordas.
Ismael apenas olhou para ele, sem dizer nada. Havia uma parte dentro dele que queria se aproximar, mas outra parte gritava de raiva e frustração. Ele não sabia por quê.
O policial ao lado disse: "Esse é seu pai, Ismael. Ele veio te buscar. Você está livre para ir com ele."
Ismael hesitou por um momento. Ele não se lembrava desse homem, mas algo profundo dentro dele dizia que isso era verdade. No entanto, ao mesmo tempo, havia uma dor e raiva inexplorada que ele não conseguia explicar.
Antônio colocou a mão no ombro dele, e Ismael não se afastou, mas também não respondeu.
"Eu nunca pensei que diria isso, mas senti sua falta, rapaz." Antônio sorriu, mas seus olhos estavam tristes. "E... além disso, tem uma garota lá em casa esperando por você."
Essas palavras despertaram algo em Ismael, como uma centelha que tentava reacender uma memória enterrada. Uma garota? Quem era ela? Por que isso parecia importante?
"Vamos pra casa, filho."
Sem muita escolha, Ismael seguiu o pai para fora da delegacia, cada passo pesado e incerto.
Na Casa de Antônio
Ao chegar, Ismael observou cada detalhe da casa, tentando encontrar algo que parecesse familiar. Tudo estava arrumado, mas havia uma sensação vazia, como se muito tempo tivesse passado sem que alguém realmente vivesse ali.
Sentado na sala, Ismael viu uma figura feminina de costas para ele. Ela se virou lentamente – era Lívia. Seus olhos estavam cheios de alívio e lágrimas ao mesmo tempo.
"Ismael!" ela correu para ele, abraçando-o com força.
Mas Ismael não reagiu. Ele não se lembrava dela.
"Lívia... você me conhece?" ele perguntou, a confusão em sua voz clara.
Lívia se afastou um pouco, os olhos arregalados. "O que aconteceu com você?"
Ismael balançou a cabeça. "Eu não sei. Eu só... não consigo lembrar de nada."
O silêncio entre eles foi interrompido por Antônio, que entrou na sala com uma expressão sombria.
"Algo está errado. Vocês dois precisam descansar e colocar a cabeça no lugar. Mas não importa o que aconteça, vamos resolver isso juntos."
No entanto, Ismael sabia que descansar não resolveria nada. Algo muito maior estava em jogo, e ele sentia que a resposta estava muito perto... mas ainda fora de alcance.
Lívia estava sentada na cadeira ao lado da cama de Ismael, olhando fixamente para ele enquanto ele dormia, o rosto calmo, mas estranho para ela agora. Desde que ele perdera a memória, parecia que uma parte essencial dele havia se apagado, deixando um vazio difícil de preencher.
De repente, ouviu batidas suaves na porta. Ela abriu devagar e viu Paulo parado ali, os olhos cansados e o rosto sombrio.
"Jaime foi embora da cidade," disse Paulo, sem rodeios. "Mandou um abraço pra vocês, mas acho que ele precisava de um tempo... longe de tudo."
Lívia suspirou. "Ele merece. Depois de tudo aquilo, quem não precisaria de tempo?"
Paulo deu um passo para dentro do quarto. "E Ismael? Como ele está?"
"Sem memórias. Ele não lembra de quem eu sou, nem de você. E... não parece confiar em ninguém, nem em si mesmo," disse Lívia com a voz trêmula. "Está cada vez mais difícil."
Paulo assentiu lentamente. "Eu também ando tendo sonhos estranhos. Sonhos com aquele lugar. Como se o que aconteceu lá ainda estivesse nos perseguindo."
Lívia franziu a testa. "O que você quer dizer?"
"Eu acho que nossa única saída é voltar à casa onde tudo começou. Aquela festa. Precisamos destruir o que quer que tenha nos levado para aquele lugar," explicou Paulo, os olhos queimando com uma determinação nova. "Algo ficou para trás, e talvez seja isso que esteja prendendo Ismael... e todos nós."
Lívia sentiu um calafrio percorrer sua espinha. "Acha que isso vai trazer as memórias dele de volta?"
"É a nossa única chance."
Paulo olhou para a janela e a abriu com um movimento rápido. A brisa fria da noite entrou no quarto, trazendo um cheiro úmido e pesado de tempestade iminente.
"Precisamos ir agora," disse ele, olhando para Lívia.
Ela olhou para Ismael mais uma vez. Queria acordá-lo, mas sabia que ele não estava pronto. Com um último suspiro, seguiu Paulo para fora da casa, determinada a enfrentar o que quer que estivesse os esperando.
Lívia e Paulo caminharam em silêncio pelas ruas escuras até chegarem à casa onde tudo havia começado. O lugar parecia ainda mais sombrio à noite, com as janelas escuras e o jardim abandonado coberto de folhas secas.
"O dono está viajando," murmurou Paulo enquanto puxava um pedaço de ferro fino do bolso. "Isso vai ser fácil."
Com um movimento rápido, ele quebrou uma das janelas laterais, abrindo um espaço estreito para entrarem. Lívia hesitou por um momento antes de seguir Paulo para dentro.
O ar dentro da casa estava parado, e o silêncio era quase sufocante. Tudo parecia exatamente como no dia da festa, como se o tempo tivesse parado. As luzes apagadas, móveis empoeirados e o cheiro de bebida velha ainda pairando no ar.
"Eu me lembro de tudo... cada detalhe," disse Paulo, os olhos percorrendo o ambiente. "Mas há uma coisa que não me lembro de ver naquela noite. Aquela porta ali."
Ele apontou para uma porta no final do corredor, encostada e coberta por uma leve camada de poeira.
Lívia franziu o cenho. "Não me lembro dessa porta também."
Eles começaram a caminhar em direção a ela. A madeira parecia estranhamente mais velha e desgastada do que o resto da casa, como se a porta tivesse sido colocada ali muito antes de a casa ser construída.
De repente, Lívia parou. "Espera. Ouvi alguma coisa."
Paulo virou-se rapidamente, mas tudo o que podiam ouvir era o som de suas próprias respirações. O silêncio denso se estendeu por um momento.
"Deve ter sido só a casa rangendo," disse Lívia, embora sua voz estivesse tensa.
Eles continuaram em direção à porta. Paulo colocou a mão na maçaneta, sentindo o metal frio em sua palma.
"Está pronta?" ele perguntou a Lívia.
Ela apenas assentiu, prendendo a respiração. Paulo girou a maçaneta, e a porta rangeu lentamente enquanto se abria, revelando o que havia do outro lado.
Paulo e Lívia abriram a porta com cuidado, mas antes que pudessem dar um passo, Lívia segurou o braço de Paulo com força.
"Espera! Temos que queimar essa casa," disse ela, os olhos arregalados com uma convicção repentina. "Eu não sei por quê, mas sinto isso. Se queimarmos a porta, destruímos a passagem."
Paulo hesitou. Ele sabia que Lívia tinha uma forte intuição, e depois de tudo que haviam passado, não podia ignorar o que ela sentia.
De repente, o som de pneus rangendo chamou a atenção de ambos. Um carro parou em frente à casa, e, para a surpresa deles, Jaime saiu apressadamente.
"Jaime?" Paulo exclamou, incrédulo.
Jaime correu até eles com um olhar sério e ofegante. "Eu fui ver um amigo que entende dessas coisas. Ele sabia tudo sobre o sobrenatural... e sobre essa porta."
"O que você descobriu?" perguntou Lívia.
Jaime olhou para a porta sombria com uma expressão sombria. "Isso não é só uma passagem qualquer. Eles chamam isso de Porta de CP9. O nome original era tão antigo que ninguém conseguia lê-lo. Ela aparece uma vez a cada 10 anos, sempre em casas, edifícios ou lugares abandonados. E sempre pega as quatro pessoas mais vulneráveis da casa no momento."
Lívia franziu o cenho. "Mas por que nós?"
"Porque estávamos emocionalmente destruídos naquele dia. A porta se alimenta de traumas e dores não resolvidas. Ela nos puxou porque éramos presas fáceis." Jaime parou e respirou fundo antes de continuar. "O único jeito de acabar com ela de vez... é destruí-la completamente. Precisamos queimar essa casa até que não sobre nem o pó da passagem."
Paulo e Lívia trocaram olhares tensos. "Então é isso," disse Paulo. "Sem porta, sem passagem. Sem mais vítimas."
Jaime assentiu. "Mas temos que fazer isso rápido. Se a porta sentir que estamos tentando destruí-la, pode lutar para se manter aberta."
Eles se prepararam para o que viria a seguir, sabendo que essa era sua única chance de se libertarem daquele pesadelo para sempre.
Jaime correu para o jipe e começou a despejar gasolina por toda a casa, movendo-se o mais rápido que podia. Ele sabia que o tempo estava contra eles. Quando terminou, voltou para onde Paulo e Lívia estavam, ofegante e tenso.
De repente, uma voz horripilante ecoou pela casa, reverberando nas paredes. Os três congelaram por um instante. O monstro do piano emergiu da sombra do corredor, mas agora não era apenas o que eles haviam visto antes. Ele se transformava diante de seus olhos: membros retorcidos, pele escura e rachada, olhos vazios, e uma boca que parecia se esticar além do possível, revelando fileiras de dentes afiados. Era a coisa mais macabra que já haviam visto, uma manifestação viva de seus pesadelos.
O monstro rugiu com uma fúria primordial e disparou em direção aos três.
"Corram!" Paulo gritou. "Precisamos queimar tudo agora!"
Eles correram em direção à porta da frente, mas o monstro estava ganhando terreno rapidamente. Jaime olhou para a cozinha e teve uma ideia.
"Vou abrir o gás da cozinha!" ele gritou. "Lívia, acenda algo para causar uma explosão!"
Jaime correu até o fogão e abriu todas as válvulas de gás, o cheiro forte se espalhando imediatamente. "O gás está vazando! Precisamos de luz!" ele berrou, tentando controlar o pânico.
Lívia pegou um isqueiro de emergência que Jaime sempre carregava no jipe e correu para ele. O monstro agora estava prestes a alcançá-los, suas garras quase tocando Paulo.
"Agora, Lívia!" gritou Jaime, seus olhos arregalados.
Paulo pulou pela janela, aterrissando com um baque pesado no chão. O impacto quebrou seu braço, mas ele conseguiu se arrastar para longe da casa. Com dor, mas determinado, ele gritou para os outros:
"Saia daí, Jaime! Sai logo!"
Jaime logo saltou pela mesma janela, ofegante, com o cheiro do gás preenchendo o ar ao redor da casa. Mas dentro, a situação estava pior.
Lívia estava encurralada entre a porta de saída e a criatura, que agora havia assumido a aparência grotesca de uma pessoa deformada e corrompida. A coisa sorriu com dentes podres e olhos vazios, estendendo uma mão retorcida para ela.
"Você e eu vamos queimar, vagabunda," a criatura sibilou com uma voz distorcida.
Antes que pudesse avançar, um facão atravessou o peito da criatura, com força suficiente para atravessar até o outro lado. Sangue preto e espesso escorreu do ferimento. Atrás da criatura, estava Ismael.
"Vagabunda? Nunca mais chame ela assim," Ismael rosnou, com uma raiva contida em sua voz. Ele empurrou a criatura para longe com um chute violento, derrubando-a no chão.
"Corre, Lívia!" ele gritou.
Os dois correram juntos em direção à saída. Lívia, com o isqueiro ainda nas mãos, acendeu a chama e jogou o fogo no caminho atrás deles, criando uma labareda que rapidamente se espalhou pela casa saturada de gás.
Eles pularam pela porta segundos antes de a casa explodir em uma enorme bola de fogo, lançando destroços por todos os lados. A onda de choque os jogou no chão, mas estavam vivos.
Deitados na grama, ofegantes e cobertos de fuligem, eles olharam para o céu iluminado pelas chamas.
"Acabou?" Lívia sussurrou, olhando para Ismael.
Ele não tinha certeza, mas por enquanto, eles haviam sobrevivido.
De repente, diversas almas translúcidas e brilhantes começaram a sair pelos escombros da casa, subindo lentamente para o céu. Algumas delas choravam de alívio, enquanto outras pareciam apenas em paz. Era como se uma maldição antiga tivesse finalmente sido quebrada.
Paulo, ainda sentado no chão e com o braço machucado, olhou para cima e viu uma figura familiar entre as almas. Era Jessica. Ela parecia diferente — seus olhos, antes sombrios e vazios, agora brilhavam com uma luz suave. Ela sorriu para ele, como se finalmente tivesse encontrado paz.
"Obrigado, Paulo," ela disse, sua voz suave e cheia de gratidão. "Você me libertou."
Antes que ele pudesse responder, Jessica desapareceu entre as luzes no céu. Paulo suspirou, um peso finalmente sendo retirado de seus ombros.
Lívia se virou para Ismael com uma expressão confusa e emocionada. "Como você... como nos encontrou?"
Ismael, ainda recuperando o fôlego, deu um sorriso cansado, mas sincero. "Eu não deixaria minha namorada morrer aqui."
Lívia congelou por um segundo, seus olhos arregalados. "Você... você lembra?"
Ele olhou para ela, sério e determinado. "Sim. Eu me lembro de você... e desses dois idiotas aí também," ele brincou, olhando para Paulo e Jaime com um leve sorriso.
Lívia não conseguiu segurar as lágrimas e pulou nos braços de Ismael, abraçando-o com força. Os dois caíram no chão, rindo e chorando ao mesmo tempo. Jaime, mesmo com o braço arranhado e a roupa suja de fuligem, olhou para eles com um sorriso.
"Finalmente," Jaime murmurou, sentindo que a batalha deles havia chegado ao fim.
Os quatro ficaram ali por um momento, observando as últimas luzes das almas subindo ao céu, sabendo que algo sombrio havia sido deixado para trás.
diversos policias e agentes do governo aparece um homem todo de preto e oculos escuros pega uma pasta entra num carro e vai em direçao a uma predio gigantesco ele solta a pasta numa mesa e diz " nossa fontes confirmaram os 4 desaparecidos estavam e nos detectamos magia pesada naquele lugar" o chefe um homem com diversas medalhas no peito abre a pasta e ver a ficha dos 4 e diz " vamos deixar eles viverem suas vida por enquanto mais manteremos o olho neles acho que nossos caminhos se cruzaram um dia"
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Atualizado até capítulo 20
Comments
Syl Gonsalves
quais as chances de dar merd*???? kkkk
2025-03-11
1
Syl Gonsalves
então: nunca entre em lugares abandonados!!
2025-03-11
1
Syl Gonsalves
hmmmmmm, o que será que aconteceu?
2025-03-11
1