Entre nós

Ismael acorda sobressaltado, sentindo o corpo leve, mas a mente pesada. Ele olha ao redor e vê um quarto que lhe parece incrivelmente familiar. A cama de solteiro encostada na parede, pôsteres antigos pendurados e um computador em uma escrivaninha bagunçada. Era o seu antigo quarto.

Ele esfrega os olhos, tentando entender. "O que está acontecendo?" murmura. O cheiro de café e pão fresco invade o ar, algo que ele não sentia há meses.

Ele levanta-se devagar, os pés tocando o chão de madeira gelado. Ismael vai até a porta entreaberta e olha para o corredor. O corredor também era o mesmo que ele conhecia — o da sua antiga casa. Um misto de nostalgia e estranheza invade seus pensamentos.

Ao descer as escadas, ele escuta risadas. Na cozinha, vê uma cena que o faz congelar: sua mãe e seu pai sentados à mesa, tomando café e conversando alegremente, como se tudo estivesse normal.

"Filho, dormiu bem?" pergunta sua mãe, sorrindo de forma calorosa.

Ismael sente as pernas fraquejarem. "Mãe? Você está... viva?"

Ela franze a testa. "Claro que estou, querido. O que há de errado?"

Tudo parecia real demais para ser um sonho. Mas algo dentro dele gritava que não era certo. Ele tenta se concentrar, lembrar-se do que havia acontecido antes... da vila, do monstro, de Lívia e os outros. Mas cada vez que pensa nisso, a imagem desaparece como se fosse um borrão.

De repente, o telefone da cozinha toca. Sua mãe atende e, após alguns segundos, sua expressão muda. Ela coloca o telefone de volta no gancho e olha para Ismael com um sorriso sombrio.

"É para você," ela diz. "Alguém quer te ver."

Ismael sente um calafrio subir pela espinha. Relutante, ele pega o telefone e o leva ao ouvido.

"Alô?"

A voz que responde é rouca e ameaçadora. "Bem-vindo ao seu teste final, Ismael. Vamos ver se você consegue sair desta ilusão... antes que perca tudo de novo."

A ligação cai. Quando Ismael olha para trás, a cena perfeita da cozinha já não é mais a mesma. Sua mãe e seu pai desapareceram. Tudo ao redor começa a se despedaçar lentamente, como um espelho rachando.

De repente, um som de passos vindo do andar de cima ecoa pela casa. Ismael aperta os punhos e sobe as escadas novamente, determinado a descobrir o que está acontecendo.

Ismael franze o cenho, sentindo um desconforto crescente. Ele tenta falar com seu pai novamente. "Pai? Tá me ouvindo?" Mas não há resposta. Seu pai continua com um sorriso artificial, como se fosse apenas uma imagem estática. A xícara em suas mãos não se moveu um milímetro desde que Ismael desceu as escadas.

O desconforto vira pânico quando ouve passos vindo do corredor de novo. Ele olha para a escada e vê uma figura saindo de seu quarto. Seu coração quase para quando percebe: era ele mesmo. Ou, pelo menos, uma versão dele.

Esse "outro Ismael" desce as escadas lentamente, a expressão impassível, e senta-se à mesa sem dizer uma palavra. Ele não olha para Ismael diretamente. Em vez disso, pega a xícara na frente de seu "pai" e dá um gole.

Ismael fica em choque. "O que está acontecendo aqui? Quem... quem é você?"

O outro Ismael finalmente vira o olhar para ele. Seus olhos, porém, eram completamente pretos — como se fossem duas cavernas sem fundo. Ele sorri, mas o sorriso é frio e desprovido de qualquer emoção humana.

"Você ainda não entendeu?" a figura pergunta com uma voz distorcida, como se várias vozes estivessem falando ao mesmo tempo. "Isso não é uma memória. É uma lição."

"Lição?" Ismael se levanta, a adrenalina correndo em suas veias. "Que droga de lição é essa?"

O outro Ismael se levanta também, aproximando-se lentamente. "Lição de escolhas. De consequências. Você sempre quis ser o herói... mas não percebe que às vezes o herói é a causa do problema."

Ismael dá um passo para trás, tentando processar aquelas palavras.

"Quantas pessoas mais vão se machucar antes que você perceba? Quantas vão ficar para trás por causa das suas decisões?" A figura dá um passo à frente, ficando a centímetros de Ismael. "O tempo está acabando, e você vai ter que decidir logo quem vai salvar... e quem vai perder."

Antes que Ismael pudesse reagir, a figura se desfaz em uma fumaça negra e desaparece. A cozinha começa a desmoronar ao redor dele. Tudo volta a ficar escuro, e Ismael cai no chão, lutando para manter a consciência.

Ismael abre os olhos lentamente, piscando para ajustar sua visão à luz fraca que iluminava o local. O som de água pingando ecoava pela caverna. A primeira coisa que ele vê é o rosto preocupado de Lívia, ajoelhada ao seu lado, sacudindo-o levemente.

"Ismael, você tá bem?" A voz dela tremia de preocupação.

Ismael tenta se sentar, sentindo a dor latejante no corpo. "Onde... onde estamos?"

"Eu não sei exatamente. Depois que você desmaiou, eu te trouxe até aqui. A vila mudou... e as pessoas ficaram estranhas. Começaram a nos cercar, como se estivessem sob o controle de alguma coisa." Ela faz uma pausa, olhando para o chão. "Eu tive que te tirar de lá antes que algo pior acontecesse."

Ismael passa a mão pelo rosto, tentando se lembrar de tudo. A visão do "outro Ismael" ainda estava fresca em sua mente, assim como as palavras assustadoras sobre escolhas e consequências. "Eu... tive um tipo de visão."

Lívia franze o cenho. "Visão? Do quê?"

"Eu vi... eu mesmo. Ou uma versão distorcida de mim. Ele disse que eu teria que fazer uma escolha. Que pessoas vão se machucar por minha causa." Ele abaixa a cabeça. "Mas eu não sei o que isso significa."

Lívia coloca uma mão no ombro dele. "Seja lá o que isso signifique, você não está sozinho. Vamos descobrir isso juntos."

Antes que Ismael pudesse responder, um barulho distante ecoou pela caverna. Passos. E eles estavam vindo rapidamente na direção deles.

Lívia se levanta, puxando Ismael. "Temos que ir. Agora."

Os dois começam a correr pela caverna, as sombras dançando nas paredes ao redor deles. Enquanto corriam, Ismael sentia o peso da escolha que estava por vir, mesmo sem saber o que exatamente teria que decidir. Algo estava prestes a mudar, e não havia como voltar atrás.

Paulo e Jaime correm pelas ruas desertas e sombrias da vila, o ar pesado e frio ao redor deles. Paulo estava visivelmente perturbado, o suor escorrendo pelo rosto enquanto tentava processar tudo o que havia acontecido.

"Jaime, e se eles... e se eles não saíram a tempo?" Paulo pergunta com a voz trêmula, seus olhos arregalados de medo. "A gente não viu eles depois que tudo aconteceu. E aquela coisa — aquela criatura — tava controlando todo mundo! E Jessica... ela tá envolvida nisso desde o começo."

Jaime, apesar de ainda estar se recuperando do ferimento, coloca uma mão firme no ombro de Paulo, parando por um momento para olhar nos olhos dele. "Ismael e Lívia são mais fortes do que parecem. Se alguém pode sair dessa, são eles."

Paulo balança a cabeça, lutando contra os próprios pensamentos sombrios. "Eu só... eu só não posso perder mais ninguém. Não depois de tudo que aconteceu com a minha família. Não agora."

aulo e Jaime saem correndo da casa, os passos ecoando pelas ruas desertas da vila. O ar estava denso, quase sufocante, e uma névoa espessa começava a cobrir o chão. Paulo estava transtornado, o suor escorrendo pela testa enquanto tentava controlar o pânico.

"Jaime, e se... e se eles morreram?!" gritou Paulo, o desespero transbordando em sua voz. "Aquela cratera que o monstro abriu... a gente nem viu eles saírem de lá! E Jessica... aquela traição foi planejada desde o começo."

Jaime respirava com dificuldade, ainda sentindo os efeitos do ferimento mal cicatrizado. Mesmo assim, segurou o ombro de Paulo com força, obrigando-o a parar e olhar para ele.

"Paulo, ouve bem. Ismael e Lívia caíram, mas você conhece eles. Se tem alguém que pode sobreviver a uma queda dessas, são eles." Jaime apertou os olhos, tentando manter a calma apesar da tensão.

"Mas, e se não conseguiram sair a tempo?" Paulo murmurou, os olhos cheios de medo e culpa. "Eu não posso perder mais ninguém. Não depois do meu irmão. Não depois de tudo isso."

Antes que Jaime pudesse dizer mais alguma coisa, um som gutural veio das sombras — um rosnado longo e sinistro. Ambos congelaram no lugar. Algo estava vindo.

"O monstro..." sussurrou Jaime. "Ele está perto."

Os dois corriam o mais rápido que podiam, os pés mal tocando o chão. Primeiro foi o solo árido e arenoso, quente demais para ser natural. Depois, sem aviso, as dunas deram lugar a uma paisagem congelada, neve caindo suavemente do céu, apesar de não haver nuvens.

"Isso não faz sentido!" gritou Paulo, tropeçando na neve. "Nada aqui é real. Parece um cenário montado."

Jaime o ajudou a se levantar, os dois continuando a correr. Seus pulmões ardiam, o frio os cortava, mas eles se recusavam a parar. Não podiam. Tudo o que sabiam era que precisavam fugir.

De repente, o cenário começou a tremer. O chão se abriu em rachaduras, e uma força invisível os empurrou para trás com violência. A visão diante deles se distorceu como uma fita sendo rebobinada. As dunas, a neve, as árvores... tudo desapareceu em uma névoa escura.

Quando a névoa se dissipou, eles estavam de volta ao centro da vila. As mesmas ruas desertas, as mesmas casas em ruínas. O mesmo silêncio sufocante.

"Não... não pode ser..." murmurou Paulo, os olhos arregalados de horror. "A gente correu. Correu o mais longe que podia!"

Jaime olhou ao redor, pálido e em choque. "Isso é uma prisão. Não importa para onde a gente vá... sempre vamos voltar."

Atrás deles, um eco distante de passos se misturou com a risada cruel e distorcida do monstro.

Paulo parou de repente, ofegante, os olhos brilhando com uma ideia. "Espelhos..." ele murmurou, como se estivesse juntando peças de um quebra-cabeça invisível.

Jaime franziu a testa. "Espelhos? O que isso tem a ver com o monstro?"

"Ouça!" Paulo começou a correr, com Jaime logo atrás. "Na primeira vez que o monstro apareceu, o espelho explodiu. Depois, naquela casa com Ismael, o reflexo dele não apareceu no espelho. Eu pensei que fosse só coisa estranha... mas não! Os espelhos estão conectados ao monstro!"

Jaime finalmente alcançou Paulo e agarrou seu ombro. "Então o que você quer dizer? Como isso ajuda?"

Paulo girou, os olhos fervendo com determinação. "Precisamos de um espelho! Um grande, de preferência. Se o espelho tem algo a ver com o monstro, talvez seja a única coisa que possa derrotá-lo ou pelo menos revelar o que ele realmente é."

Jaime hesitou por um momento, depois assentiu. "Então vamos voltar para a casa. Deve ter algum espelho por lá."

"Não." Paulo apontou para a direção oposta. "A casa não é segura. Precisamos de um lugar que tenha um espelho grande... o armazém de livros! Eles têm aquele espelho antigo perto da seção de mapas!"

Jaime concordou rapidamente. "Então vamos lá. Antes que o monstro perceba o que estamos tentando fazer."

Os dois correram pelas ruas vazias da vila, enquanto as sombras ao redor deles pareciam se mexer. O ar ficou mais pesado, e o som distante de uma risada distorcida os seguiu. Mas, pela primeira vez em muito tempo, Paulo sentiu uma pequena faísca de esperança.

Após uma longa corrida, Paulo e Jaime invadiram uma casa abandonada nos arredores da vila. A sala principal estava coberta de poeira, mas no centro havia um grande espelho de moldura antiga, rachado em alguns pontos. Paulo e Jaime se aproximaram, ofegantes.

Quando se olharam no espelho, cada um viu algo diferente.

Paulo viu uma versão de si mesmo, mais jovem, segurando a mão de seu irmão. A cena parecia pacífica, mas os olhos da criança no reflexo estavam cheios de culpa e tristeza.

Jaime viu a si mesmo, mas com uma expressão que nunca tinha visto antes: ódio puro, direcionado para ele mesmo.

"Isso não é normal," sussurrou Jaime, se afastando do espelho.

De repente, a porta da frente da casa foi arrancada com um estrondo. O monstro invadiu, os olhos vermelhos faiscando com raiva. As sombras ao redor dele se contorciam como fumaça viva.

"Achou que poderiam fugir de mim?" rugiu o monstro, sua voz reverberando nas paredes. "Vocês não entenderam. Não há escapatória."

Paulo, com as mãos tremendo, instintivamente pegou o espelho e girou para apontá-lo na direção do monstro. O reflexo do monstro piscou e tremeluziu... e então algo estranho aconteceu.

O reflexo do monstro não era o mesmo que sua forma real. No espelho, ele parecia humano, com os mesmos olhos vermelhos, mas usando roupas familiares.

"Não..." Paulo sussurrou, reconhecendo a figura. "Isso não pode ser."

O monstro se contorceu, como se o espelho o queimasse. Ele rugiu de raiva e investiu para destruir o espelho. Paulo segurou firme, mesmo sentindo o peso do medo.

"Jaime, corre!" gritou Paulo. "Precisamos proteger esse espelho! É a chave!"

"Essas coisas são humanos, merda!" gritou Jaime, com o rosto pálido e a respiração acelerada.

Paulo congelou por um momento, absorvendo as palavras. O reflexo do monstro no espelho continuava a mostrar sua forma humana distorcida, como se estivesse presa em um ciclo de dor e fúria. As palavras de Jessica ecoaram em sua mente: "Os que chegaram comigo não tinham saída... esse é o destino..."

"O que ela quis dizer com isso?" Paulo murmurou, olhando fixamente para o reflexo. "Espera... esse é o destino? Não tem saída? Eles... iam virar monstros?"

Jaime assentiu, os olhos arregalados. "O monstro do piano, o monstro da vila... Eles eram como nós antes. Foram transformados."

De repente, o monstro investiu com força, rachando o espelho. Paulo e Jaime se jogaram para trás antes que os cacos caíssem no chão. O reflexo humano desapareceu, deixando apenas a criatura grotesca em sua forma real.

"O espelho era a última coisa mantendo o que restava de humanidade nele..." Paulo sussurrou.

O monstro rugiu, uma mistura de dor e ódio. Mas, em vez de atacar, ele recuou para a escuridão, desaparecendo nas sombras da casa.

Jaime respirava com dificuldade. "Se é isso que acontece com quem fica preso aqui... temos que encontrar Ismael e Lívia antes que seja tarde demais."

Paulo se levantou lentamente, o olhar determinado. "Temos que acabar com isso. Não vamos nos transformar em nada."

Eles se entreolharam, as palavras de Jessica ecoando em suas mentes, agora com mais peso do que nunca. E, pela primeira vez, perceberam: o tempo estava se esgotando.

Ismael e Lívia chegaram ao fim do túnel, mas o que viram não fazia sentido. Era como se tivessem saído da realidade e entrado em uma dimensão esquecida. Objetos aleatórios estavam espalhados pelo chão: móveis quebrados, brinquedos antigos, espelhos rachados, e até roupas espalhadas, como se tudo tivesse sido descartado ali.

No centro, havia uma porta de metal, pesada e fria, com uma pequena brecha na parte de baixo. Ismael se aproximou cautelosamente, agachando-se para olhar por baixo. O que viu o fez recuar de imediato, o coração batendo mais rápido.

"Que merda... É a casa!" disse ele, quase em um sussurro. "A casa onde estávamos... a festa... Essa porta leva pra fora."

Lívia arregalou os olhos, ajoelhando-se ao lado dele. "Você tem certeza?"

Antes que pudesse responder, um som estranho começou a preencher o túnel. Era como um zumbido crescente, distorcendo seus pensamentos. Ismael e Lívia taparam os ouvidos, mas isso não ajudou. A sensação era insuportável, como se suas cabeças estivessem prestes a explodir.

Lívia gritou, mas o som foi abafado pelo barulho insano. Ismael cambaleou para trás, mas seus olhos se fixaram em algo no chão: um livro empoeirado, com uma capa estranha e escrita incompreensível. Instintivamente, ele o pegou e escondeu na cintura, dentro da calça, antes de desmaiar ao lado de Lívia.

O barulho parou. Tudo ficou em silêncio.

Quando Ismael e Lívia caíram desacordados no chão, a porta de metal começou a emitir um leve som de tranca destravando, como se tivesse reagido à presença deles. A tensão no ar aumentou, e as sombras do túnel começaram a se mexer, como se algo estivesse esperando por eles... ou pelo que

Ambos acordaram com um susto, ofegantes. Ismael passou a mão pela testa suada, tentando processar o que havia acontecido. Ao sentir algo duro contra sua cintura, ele rapidamente verificou. O livro ainda estava com ele, intacto.

Antes que pudesse dizer algo, Lívia o abraçou com força, enterrando o rosto no peito dele. Ela tremia, e ele sentiu o medo real dela através do toque.

"Eu tô com muito medo, Ismael," ela admitiu, com a voz abafada e os olhos marejados. "Isso... isso não é mais só uma vila estranha. Não sei como vamos sair daqui."

Ismael a sentou cuidadosamente no chão, mantendo um braço ao redor dela para tentar acalmá-la. Ele sentia o mesmo medo, mas não podia deixar isso transparecer. Ele precisava ser forte — por ela e por eles dois.

"Escuta," ele disse, com uma calma forçada. "A gente vai sair daqui, tá? Custe o que custar. Esse livro... ele tem alguma coisa. Se ele tava naquele lugar, é porque é importante."

Lívia olhou para ele, tentando recuperar a compostura, mas ainda com as mãos trêmulas. "E se não for? E se isso for só mais uma armadilha?"

"Então a gente quebra essa armadilha como quebramos as outras," respondeu Ismael, determinado. "Mas a única saída tá atrás daquela porta, e agora eu tenho um palpite de como podemos abrir ela."

Ele segurou a mão dela firmemente e a ajudou a se levantar. Os dois se prepararam, sabendo que o que estava por vir seria ainda mais sombrio e imprevisível.

Ismael abaixou-se e colocou Lívia cuidadosamente em suas costas. "Vou te carregar. Você lê o que tá nesse livro, ok? Qualquer coisa que possa nos ajudar, você me avisa."

Lívia segurou o livro com força, tentando ignorar a tremedeira em suas mãos. "Tudo bem. Vamos fazer isso."

Ismael começou a caminhar pelo túnel escuro e irregular. O peso dela não o incomodava, mas o medo constante de serem emboscados fazia seu coração bater com força. Ele sentia a tensão de Lívia, mas sabia que eles não podiam parar.

"Tem várias coisas escritas em símbolos estranhos," disse Lívia, folheando freneticamente as páginas. "Mas algumas partes estão em nosso idioma. Aqui diz algo sobre... reflexos e mudanças de forma."

Ismael apertou os olhos, lembrando-se dos espelhos e do que Paulo havia descoberto. "Continua. Isso pode ser importante."

"Espera, tem mais aqui," Lívia continuou, lendo em voz alta. "‘A saída só é revelada para aqueles que enfrentam sua própria sombra.’"

"Enfrentar minha sombra?" Ismael franziu a testa. "Isso é alguma metáfora estranha ou...?"

De repente, o túnel ao redor deles começou a tremer. Sons distorcidos ecoavam, e uma sombra enorme surgiu à frente, tomando a forma de... Ismael.

"Não parece muito metafórico," disse Lívia, agarrando-se mais a ele. "Ismael, o que a gente faz agora?"

Ismael colocou Lívia gentilmente no chão e encarou a sombra à sua frente. "Fique longe, Lívia. Chegou a hora de eu enfrentar meu maior medo... eu mesmo." Ele avançou com determinação, os olhos fixos no reflexo distorcido que parecia absorver toda a luz ao redor.

Enquanto isso, Paulo e Jaime saíram correndo da casa abandonada, com mais respostas... e ainda mais perguntas. Jaime respirava com dificuldade, tentando processar tudo o que haviam descoberto.

"Precisamos achar os outros," disse Jaime, ainda apertando o ferimento na barriga.

Paulo parou de repente, um arrepio percorrendo sua espinha. Ele virou-se devagar, e seus olhos se arregalaram. Jessica estava ali. Mas algo estava terrivelmente errado.

Seu corpo estava coberto de arranhões e cortes profundos, os braços machucados pendendo de forma estranha. Seus olhos, antes cheios de vida, agora estavam vazios e sombrios. E seus dentes... estavam afiados, pontiagudos e grotescos. Ela deu um passo em direção a eles, arrastando os pés com um movimento desumanamente lento.

"Eu só queria sair daqui..." disse Jessica, sua voz um sussurro que parecia vir de todos os lados ao mesmo tempo.

Paulo e Jaime trocaram um olhar tenso, ambos compreendendo que a situação estava prestes a piorar drasticamente.

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Comments

Syl Gonsalves

Syl Gonsalves

finalmente uma verdade: o herói sempre está consertando a merd* que ele próprio fez.

2025-03-11

1

Bela Black

Bela Black

Maluco então na. realidade eles tem que enfrentar o medo deles, que no fim de tudo é eles mesmo? Que lombra kkkk

2025-03-17

1

Bela Black

Bela Black

Mano, mano... autor que é isso aqui?

adorei kk eu já pensei em fazer algo assim em alguma história.

2025-03-17

1

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