Ismael e Paulo estão parados na sala, os olhos fixos em Jessica, que aponta uma arma diretamente para eles. O silêncio é tenso, quase sufocante.
— O que é esse espelho? — Ismael pergunta, os punhos cerrados e os olhos fixos nela. Ele mantém a calma, mas está pronto para agir a qualquer momento.
Jessica dá uma risada baixa e amarga.
— Esse espelho é a chave para tudo. Vocês acham que estavam só presos aqui por coincidência? Que todas essas coisas estranhas aconteceram sem motivo? — Seus olhos estão sombrios, mas há algo mais: cansaço, ou talvez um pouco de arrependimento.
— Então, explica. — Paulo dá um passo à frente, mas Jessica ergue a arma mais firme.
— Cuidado, Paulo. Você acha que vai sair daqui se continuar jogando o jogo de vocês? Isso aqui é muito maior do que qualquer um de nós.
Ismael estreita os olhos. — Maior como?
Jessica hesita por um momento, os lábios tremendo, mas depois continua:
— O espelho... ele não só mostra segredos. Ele consome. Quanto mais tempo vocês ficam aqui, mais essas memórias, medos e segredos são usados contra vocês. E tudo isso alimenta ele.
— Ele? — Paulo ecoa, confuso.
Jessica respira fundo, mas antes que possa responder, o som de um vidro quebrando ecoa pela casa. Eles olham ao redor, tentando encontrar a origem.
De repente, uma figura sombria e indistinta aparece no corredor. Os olhos vermelhos brilham na escuridão, e o riso baixo e rouco preenche o espaço.
— Bem-vindos ao jogo final — diz a figura com uma voz cavernosa. — Vocês não podem mais sair.
Jessica empalidece, a mão que segura a arma começa a tremer.
Ismael dá um passo à frente, seus olhos cheios de determinação. — Se isso é um jogo, então acabou de começar nossa caça.
O monstro dá uma risada rouca.
— Porque você não pertence a este lugar, Ismael. Você é diferente. E é por isso que eu preciso de você.
Ismael estreita os olhos, dando mais um passo à frente, desafiador.
— Pode vir tentar.
Jessica, tremendo, aponta a arma para o monstro, mas a criatura apenas ergue uma mão e as luzes começam a piscar, lançando sombras distorcidas por toda a sala. De repente, o espelho começa a brilhar intensamente.
— Escolha agora, Jessica. O destino ou a sobrevivência? — o monstro sibila, seus olhos fixando nela com uma intensidade sufocante.
Paulo derruba Jessica com um golpe rápido e preciso, tirando a arma de suas mãos antes que ela pudesse reagir. Ela desmaia ao bater no chão, e ele rapidamente a puxa para longe do centro da sala, respirando pesado.
Ismael encara o monstro com fúria.
— Por que eu? Por que a gente? Que merda é essa de jogo final?
O monstro dá um passo para frente, os olhos brilhando com uma luz sombria.
— Porque vocês são as peças que faltavam. Um ciclo que começou há séculos, prestes a se encerrar. E só pode haver um vencedor, Ismael. Mas... o caminho para a vitória depende de escolhas. Suas escolhas.
Paulo, ainda segurando a arma, se aproxima lentamente.
— E se a gente não jogar?
O monstro sorri de forma sinistra.
— Já estão jogando. Desde o momento em que puseram os pés aqui.
De repente, o espelho na sala começa a se quebrar em mil pedaços, como se algo estivesse tentando atravessá-lo. Ismael estreita os olhos para os cacos brilhando no chão.
— Se é um jogo que você quer, é um jogo que vai ter. E eu não vou perder.
Paulo segura Jessica firme nos braços, enquanto Ismael, com o mapa enrolado em uma das mãos, mantém os olhos atentos ao redor. À medida que caminham de volta para casa, eles percebem que algo está profundamente errado.
As ruas estão estranhamente silenciosas. As pessoas da vila, que antes os cumprimentavam ou sequer notavam sua presença, agora estão paradas nas calçadas, imóveis. Seus olhos são um misto de raiva e medo, fixos neles como se fossem inimigos.
— Isso é exatamente o que o monstro disse, — murmura Paulo, olhando nervoso para os rostos petrificados. — A vila está mudando.
— E não para melhor, — completa Ismael, apertando o mapa com força enquanto seus olhos varrem o caminho à frente.
Quando chegam à casa, encontram Lívia e Jaime os esperando na porta, ambos tensos.
— O que aconteceu? — pergunta Lívia ao ver Jessica inconsciente nos braços de Paulo.
— Ela... teve um encontro com o monstro, — responde Paulo, entrando rapidamente.
Ismael fecha a porta atrás deles e coloca o mapa sobre a mesa.
— Temos um problema. A vila inteira está mudando, e agora nós somos os alvos.
Jaime observa os rostos cansados de todos e se aproxima lentamente do mapa.
— Isso só pode significar uma coisa... Esse jogo final acabou de começar.
Jaime está sentado no sofá da sala, olhando para Ismael com uma expressão séria enquanto ele fala sobre o espelho quebrado e o que sentiu durante o confronto.
— Aquele espelho não era apenas um objeto, Jaime. Ele estava nos observando. E, com tudo o que está acontecendo, sinto que... — Ismael hesita por um momento, olhando para suas mãos — talvez um de nós tenha que ficar para trás para que os outros possam escapar.
Jaime franze o cenho. — Isso é uma teoria ou um pressentimento?
— Um pouco dos dois, — responde Ismael, cruzando os braços e fitando o chão. — Mas seja como for, quero que você mantenha isso entre nós. Não conte a ninguém, especialmente Paulo e Lívia.
Mal sabiam eles que, escondida atrás da porta da cozinha, Lívia ouvia tudo com os punhos cerrados. Sua mente corria, lutando contra o medo e a dor que aquela ideia causava.
Enquanto isso, no andar de cima, Paulo amarrou Jessica em uma cadeira no quarto. Ele limpava cuidadosamente o ferimento dela quando ela abriu os olhos de repente.
Jessica encarou Paulo com um sorriso sarcástico, apesar de estar fraca. — Bonito laço, hein? Acho que alguém está aprendendo rápido.
Paulo ignorou o comentário, mas não conseguiu evitar o arrepio que correu por sua espinha. O olhar dela estava diferente, como se algo mais sombrio estivesse se formando dentro dela.
Paulo aproxima-se devagar, segurando um copo de água e um pequeno prato com comida. Ele se ajoelha ao lado de Jessica, que, ainda fraca, observa os movimentos cuidadosos dele. Com a voz embargada por uma mistura de lembranças e emoção, ele diz:
— Lembra daquele dia, quando vi meu irmão no campo de futebol? Você me abraçou, cuidou de mim... Aquilo foi real ou você estava apenas fingindo?
Seus olhos encontram os de Jessica com uma intensidade que parece arrancar a verdade do silêncio. Por alguns instantes, o ambiente parece congelar; o único som é a respiração trêmula de ambos.
Jessica hesita, seus lábios se partem em um sorriso triste antes de se firmarem enquanto ela responde, com voz baixa e sincera:
— Paulo, aquilo foi tão real quanto eu pude sentir... Eu me importava de verdade, mesmo que, depois, eu tenha me perdido e tentado esconder minhas fraquezas. Eu não estava fingindo, mas tentei me proteger das feridas que não conseguia curar.
Paulo permanece em silêncio por um momento, absorvendo cada palavra. Seus olhos, cheios de uma esperança cautelosa, buscam sinais de mentira no semblante dela, mas encontram somente dor e sinceridade.
—Então, tudo o que aconteceu naquele dia era genuíno? Mesmo depois de tudo...? — ele pergunta, a voz tremendo levemente.
Jessica respira fundo e, com um olhar que mistura arrependimento e determinação, responde:
— Sim. Eu errei, fiz coisas de que nem me orgulho, mas naquele momento, quando você me abraçou... eu senti algo real. Eu me importava, Paulo. E, mesmo que eu tenha escondido essa verdade por medo, não foi fingimento.
O silêncio volta a reinar por alguns segundos enquanto Paulo processa as palavras dela. Aos poucos, a tensão no ar se transforma em uma ponte de compreensão, um momento em que, mesmo no meio do caos e da violência que os cerca, eles encontram um resquício de humanidade.
— Eu preciso saber que posso confiar em você," diz Paulo, finalmente, com um misto de esperança e cautela em sua voz.
Jessica inclina a cabeça, os olhos marejados se enchem de uma sinceridade que transparece mais do que qualquer mentira poderia esconder:
— Eu prometo... tentarei mostrar a verdade, por mais difícil que seja.
Nesse instante, em meio ao caos da vila e às sombras que os cercam, esse diálogo abre uma pequena brecha de luz. Mesmo que o caminho à frente seja incerto, essa verdade compartilhada marca o início de uma nova aliança, onde, por um breve momento, a confiança começa a renascer entre eles.
Paulo se encontrava dividido por dentro. As palavras de Jessica, ainda ecoando em sua mente, o confortavam com uma promessa de sinceridade, mas, ao mesmo tempo, um instinto profundo sussurrava que havia mais por trás daquele sorriso e daqueles olhos – algo que ela não contava. Ele se debatia em um turbilhão de dúvidas: seria ela verdadeiramente vulnerável ou estava manipulando os sentimentos dele, escondendo segredos que poderiam destruir tudo?
Nesse momento, um grito estridente e cheio de raiva irrompeu da sala. O som, inconfundível, era o de Lívia, e a intensidade do desespero que nele se misturava fez o coração de Paulo acelerar. Sem hesitar, ele largou o copo de água, que tilintou ao bater no chão, e se levantou com passos apressados.
— Lívia? — murmurou para si mesmo, enquanto corria pelas escadas, sentindo o peso dos segundos se arrastar.
Cada degrau que descia parecia ecoar sua urgência. Em sua mente, as perguntas se misturavam: o que teria acontecido? Será que aquela voz carregada de fúria era o grito de uma dor profunda, ou algo ainda pior? Enquanto corria, Paulo não conseguia deixar de pensar que, talvez, a verdade de Jessica fosse apenas uma parte de um quebra-cabeça muito maior e mais sombrio.
O som do grito aumentava, e a adrenalina o guiava através dos corredores silenciosos da casa. O destino dos que ele amava parecia pender naquele instante, e a verdade – oculta nas sombras, entre mentiras e revelações – começava a se revelar a cada passo que dava em direção à sala onde a raiva de Lívia ressoava como um alarme.
Lívia, ainda ofegante e furiosa, avançou para o centro da sala, onde a tensão já era quase insuportável. Após ouvir a conversa entre Ismael e Jaime, ela não conteve a raiva e, com voz estridente, gritou:
— Você quer bancar o herói de novo?!
Ismael soltou uma risada curta, misturada com amargura, enquanto seus olhos se fixavam nela. Sua voz, tremula e carregada de uma tristeza profunda, se elevou num tom quase desafiador:
— Não me importa se eu volto ou não... Ninguém está esperando por mim. Meus pais já devem ter te enterrado num caixão vazio, dizendo que eu tava lá.
O ambiente parecia pesar sobre todos, cada palavra ecoando como um prenúncio de um passado que se recusava a ser esquecido. Lívia recuou por um instante, seus olhos brilhando de lágrimas de raiva e dor, enquanto o silêncio se instalava novamente na sala, carregado de ressentimento e segredos não ditos.
Ismael subiu as escadas atrás de Lívia, deixando Paulo para trás, que hesitou por um momento antes de voltar para o porão onde Jessica estava presa. Ele levou o mapa consigo, os olhos fixos em cada detalhe, enquanto sua mente corria em mil direções.
No sofá da sala, Jaime se remexia desconfortavelmente, colocando a mão sobre o ferimento. O corte estava piorando, e o pano improvisado que o cobria agora estava encharcado de sangue. Ele tentou se levantar, mas uma onda de dor o jogou de volta no estofado, gemendo baixinho.
Enquanto isso, no porão, Paulo encarava Jessica mais uma vez. Ele estendeu o mapa na frente dela, os olhos escuros de determinação.
— Você sabe o que isso significa, não sabe?" — Ele perguntou, direto.
Jessica, ainda amarrada e com a voz rouca, apenas sorriu de forma enigmática:
— Talvez... mas você está preparado para ouvir a verdade?
Jessica inclinou a cabeça, observando Paulo atentamente, avaliando suas intenções. Ela respirou fundo e começou a falar, com a voz ainda trêmula, mas carregada de algo que parecia... genuíno.
— A vila sempre foi uma ilusão. É um ciclo. As pessoas que entram aqui... ou encontram uma saída, ou se tornam parte dela. E o mapa..." — ela olhou para o papel nas mãos de Paulo. — "É o caminho para o fim do jogo. Mas cada passo tem um preço. Cada lugar marcado ali é um teste, e um de vocês vai ter que pagar o preço final.
Paulo arregalou os olhos.
— Preço final? Que droga de jogo é esse?!
Jessica abaixou os olhos, como se revivesse algo doloroso.
— Eu também fui trazida aqui com meu grupo... e só eu sobrevivi.
Paulo sentiu uma onda de raiva e confusão.
— Então por que você está nos atacando? Por que trair a gente?
Jessica levantou os olhos, lacrimejando.
— Porque é isso que o monstro quer. Ele usa o medo e a culpa de cada um pra destruir todos. Se eu fizer o que ele quer... talvez ele me deixe sair. Mas... talvez eu só esteja cansada de lutar.
Paulo ficou em silêncio por um longo momento, processando cada palavra. Então, ele se inclinou para mais perto.
— Se tem uma saída, você vai mostrar o caminho. Mas não pense que vou confiar em você tão facilmente.
Jessica assentiu lentamente.
— Eu sei.
Os olhos de Paulo ficaram arregalados enquanto as peças começavam a se encaixar. Ele murmurou para si mesmo, juntando os fatos com rapidez.
— Então você já estava aqui antes… e o monstro trouxe nós quatro para esse jogo maluco. Por que a gente? Tudo parece conectado, mas como?
Jessica observava em silêncio, seu olhar cansado e derrotado. Paulo continuou, os pensamentos fluindo rápido demais para que ele os controlasse.
— "O monstro mencionou o passado de cada um. Me acusou de ter matado meu irmão… falou da mãe do Jaime … e Ismael não tem ninguém esperando por ele. Tudo isso… são nossas maiores culpas, nossas dores mais profundas."
Ele fez uma pausa, a mente rodando.
— "E a Livía? O que ela esconde? Por que todos nós?"
Jessica levantou o olhar lentamente.
— "Vocês não foram escolhidos aleatoriamente. Todo mundo que entra aqui tem algo a enfrentar. Algo que os consome por dentro. E o monstro usa isso para manipulá-los."
Paulo começou a andar de um lado para o outro.
— "Se esse ciclo já aconteceu antes, o que você fez para sobreviver? Por que você foi a única?"
Jessica hesitou.
— "Porque eu fiz o que o monstro queria. Eu… abandonei todos os outros. Fiquei sozinha, e sobrevivi. Mas não saí daqui."
Paulo sentiu uma onda de raiva e frustração, mas também uma pitada de medo.
— "Então... pra vencer, um de nós teria que fazer o mesmo. Mas isso não vai acontecer, Jessica. Eu não vou abandonar ninguém."
Jessica o observou, seus olhos se suavizando um pouco.
— "Se você realmente acredita nisso, talvez ainda haja uma chance."
Já dentro do quarto de Ismael livia está sentada na cama e Ismael da risada tentando entender a raiva dela ele diz que até 2 dias atrás ele se odiavam e ela nem ligaria se ele morresse o que mudou ?
Lívia olhou para Ismael com os olhos ardendo, a respiração pesada, mas não respondeu de imediato. Ela apertou os punhos, tentando conter as emoções que surgiam.
— "É verdade," ela admitiu com a voz tensa. "Até dois dias atrás, eu não me importava com ninguém além de mim mesma. Mas esse lugar… o que estamos passando aqui... muda tudo. E você... você mudou."
Ismael cruzou os braços, ainda cético.
— "Mudou como?"
Lívia se levantou, andando até a janela. Ela olhou para fora, tentando encontrar as palavras certas.
— "Antes, você parecia um cara arrogante, sempre tão fechado, intocável. Eu odiava isso. Mas agora eu vejo que tudo isso era só uma defesa. Você se colocou na linha de frente por mim, sem pensar duas vezes. E... você é a única pessoa aqui que eu sinto que realmente me enxerga."
Ismael ficou em silêncio por um momento. Aquelas palavras eram inesperadas e desconfortáveis de ouvir. Ele coçou a nuca, tentando evitar encarar Lívia diretamente.
— "Eu não sou um herói, Lívia. Nunca fui. E se eu morrer por você ou por qualquer um, não vai ser porque eu quero me sacrificar. Vai ser porque… eu só não sei fazer diferente."
Lívia deu um sorriso triste.
— "Então talvez seja por isso que estou com tanta raiva. Porque, de repente, eu me importo demais para deixar você desaparecer."
Livia da um passo à frente de ismael e ele fica confuso e o que você tá fazendo?
Lívia parou bem na frente de Ismael, a poucos centímetros de distância. Seus olhos, que antes estavam cheios de raiva, agora mostravam uma mistura de confusão e vulnerabilidade.
— "Eu também não sei," ela respondeu baixinho.
Ismael, completamente desconcertado, sentiu seu coração acelerar. Ele não sabia o que esperar dela naquele momento. Lívia levantou os olhos para encontrá-lo, como se estivesse esperando que ele dissesse ou fizesse algo, mas ele permaneceu em silêncio.
— "Você sempre foi bom em esconder o que sente," Lívia continuou. "Mas agora eu quero entender… o que você realmente quer?"
Ismael abriu a boca para responder, mas nenhuma palavra saiu. Por um momento, o mundo ao redor parecia ter desaparecido, deixando apenas os dois ali, presos entre tudo o que tinham passado e tudo o que ainda estava por vir.
ívia puxou Ismael para mais perto e, sem hesitar, o beijou. Foi um gesto intenso, carregado de tudo o que eles haviam passado juntos até aquele momento—raiva, medo, e uma conexão que nenhum dos dois entendia completamente.
Ismael, pego de surpresa, hesitou por um segundo antes de se entregar ao momento. Sua mente estava um caos, mas ele não conseguia negar o que sentia. Quando o beijo terminou, ambos ficaram em silêncio, ofegantes e com os olhos fixos um no outro.
— "Isso foi... inesperado," Ismael murmurou, ainda processando tudo.
Lívia deu um meio sorriso, um pouco envergonhada, mas sem arrependimentos.
— "Acho que tem muitas coisas sobre mim que você ainda não sabe."
O silêncio se estendeu por alguns segundos, mas antes que pudessem dizer mais alguma coisa, os gritos de Jaime ecoaram pela casa, quebrando o momento.
— "Vamos," disse Ismael, já voltando ao foco. Lívia assentiu, e os dois saíram apressados, prontos para enfrentar o próximo desafio.
Ismael e Lívia saíram correndo do quarto e pararam bruscamente ao ver Paulo no chão, com um corte profundo na testa, sangue escorrendo pela lateral de seu rosto. Ele parecia tonto, tentando se levantar, mas sem força suficiente.
— "Paulo! O que aconteceu?" — Ismael correu até ele, segurando-o pelos ombros.
— "Jessica..." — murmurou Paulo, ainda desorientado. — "Ela escapou... pegou o mapa e me atacou."
Os olhos de Lívia se arregalaram. — "Ela está com o mapa? Para onde ela foi?"
— "Não sei... só lembro de ouvir ela dizer que ia para o coração da vila. Que tudo terminaria lá."
Ismael apertou os punhos, claramente furioso. — "Essa louca está tentando acabar com a gente de uma vez por todas."
Lívia ajudou Paulo a se apoiar em uma cadeira. — "Nós precisamos ir atrás dela agora."
— "E rápido," completou Ismael. "Ou ela vai colocar todo mundo em perigo."
Jaime apareceu no topo da escada, ainda pálido pelo ferimento, mas determinado. — "Então vamos. Chega de fugir."
O grupo trocou olhares firmes. Não havia mais tempo para dúvidas ou segredos. Era hora de enfrentarem Jessica — e o que quer que estivesse à espreita no coração da vila.
Enquanto o grupo se preparava para sair, o chão da casa começou a tremer levemente, quase como se algo subterrâneo estivesse se movendo. O ar dentro da casa ficou mais denso, e uma sensação sufocante tomou conta do ambiente.
— "O que é isso agora?" — Lívia olhou em volta, alarmada.
Paulo, ainda tonto, olhou para Ismael. — "Esse lugar está mudando de novo, igual o monstro do espelho disse."
Ismael pegou um pedaço de madeira firme da lareira e apertou nas mãos, os olhos ardendo de determinação. — "Se essa vila quer nos engolir, vai ter que tentar mais do que isso."
Jaime desceu os últimos degraus com dificuldade, apoiando-se no corrimão. — "Acho que não temos muito tempo... ou enfrentamos Jessica e descobrimos o que está acontecendo agora, ou vamos ficar presos aqui para sempre."
De repente, a porta da frente foi arrombada com uma força descomunal. Uma rajada de vento gélido invadiu a casa, trazendo com ela uma névoa densa e inquietante. Por entre a névoa, uma figura alta e encapuzada se materializou lentamente no limiar da porta. Seu rosto estava coberto por sombras, mas seus olhos, de um vermelho intenso, brilhavam na escuridão.
— "Vocês estão chegando perto demais da verdade," a figura falou com uma voz grave e distorcida. "Mas a verdade tem um preço que nenhum de vocês está pronto para pagar."
O grupo congelou, a tensão no ar aumentando com cada segundo.
— "Quem é você?" — exigiu Ismael, avançando alguns passos.
A figura deu uma risada baixa e perturbadora. — "Vocês acham que são apenas peças neste jogo... Mas, na verdade, cada um de vocês carrega a chave para algo muito maior. E agora, vocês terão que provar seu valor."
Antes que pudessem reagir, o chão sob os pés de Ismael e Lívia cedeu, abrindo uma cratera que os sugou para um túnel escuro e sem fim. Jaime e Paulo correram para tentar alcançá-los, mas já era tarde demais.
A figura desapareceu na névoa, deixando Jaime e Paulo sozinhos na casa parcialmente destruída.
— Eles foram levados... para o coração da vila," disse Paulo, o rosto pálido. — "Tudo está acontecendo mais rápido do que imaginávamos.
Jaime fechou os olhos por um momento, tentando controlar a dor de seu ferimento e o desespero que sentia.
— Então não podemos mais esperar. Vamos atrás deles... e terminar o que começamos.
Enquanto isso, no túnel escuro, Ismael e Lívia tentavam se levantar, cobertos de poeira e terra. O mapa que Jessica roubara estava misteriosamente aos pés deles, mas rasgado ao meio.
Lívia olhou para Ismael, seus olhos cheios de determinação.
— Se vamos sair vivos daqui, precisamos enfrentar tudo o que vier... juntos.
E, nas profundezas escuras e sombrias da vila, uma risada maligna ecoava por todos os lados, prometendo que o pior ainda estava por vir.
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Atualizado até capítulo 20
Comments
Bela Black
Acho que essa parte não precisa aparecer no capítulo. Você pode colocar que teve ajuda no fim do livro. Com os créditos e tals.
2025-03-15
1
Bela Black
Meu queridinho sempre ousado, acho que é por isso que gosto dele haha
2025-03-15
1
Bela Black
Finalmente uma leve esperança de romance
2025-03-15
1