Capítulo 18 – Silêncios e Feridas
A luz da manhã filtrava-se pela pequena janela, banhando a casa com um brilho amarelado. O cheiro de café fresco misturava-se ao aroma do pão assando no forno.
Na cozinha, Alexander estava sentado à mesa, segurando uma xícara de café quente enquanto conversava com Isabelle.
Ela se movia pela cozinha, terminando de organizar tudo para o café da manhã, mas sua expressão estava carregada.
Tentavam se acertar.
Tentavam agir como se a noite anterior não tivesse acontecido.
Mas o silêncio entre eles era denso.
Do outro lado da casa, Ethan estava no quarto, terminando de vestir Milena.
Ela balançava as perninhas no ar, sem perceber o peso no olhar do pai.
– Papai, quando a gente volta? – a vozinha dela cortou o silêncio.
Ethan forçou um sorriso, amarrando os cadarços do sapatinho dela.
– Logo, princesa. Mamãe está terminando de arrumar as malas.
– E o tio Dante? Ele não vai se despedir?
A pergunta apertou o coração de Ethan.
Ele tentou não demonstrar nada, tentou manter o clima leve.
– O tio Dante ainda está dormindo, amor. Ele brincou muito ontem.
Milena sorriu.
– Quero brincar com ele de novo!
Ethan assentiu, bagunçando os cabelos dela.
– Ele também quer, meu amor.
Mas, por dentro…
Ele sabia que não era tão simples.
No quarto ao lado…
Dante ainda estava deitado na cama.
A dor permanecia em seu corpo.
Cada movimento era um lembrete da noite anterior.
O peso dos castigos não era apenas físico.
Agora, ele sentia a dor de Ethan.
Sempre o viu como um irmão superprotetor.
Sempre soube que Ethan nunca deixaria nada acontecer com ele.
Mas, dessa vez…
Ethan permitiu.
Ele aceitou.
Dante virou o rosto, olhando para o teto.
Seu peito se apertava de um jeito diferente.
Não era a dor dos golpes.
Era a dor da decepção.
Ele respirou fundo, sentindo os olhos arderem.
Talvez…
Talvez tivesse chegado a hora de parar de confiar em Ethan.
Talvez tivesse chegado a hora de se virar sozinho.
Capítulo 18 – O Distanciamento
Os dias passavam como sombras, e cada um na casa sentia o peso do silêncio que agora pairava sobre o lar de Isabelle e Alexander. Mesmo com o mercadinho da dona Sônia sendo perto, Ethan começara a evitar a casa dos pais.
Era como se, mesmo vivendo tão perto, algo entre eles tivesse se quebrado de maneira irreparável.
A visita a Dante já não acontecia com a frequência de antes.
Ethan estava em sua própria vida agora, com sua esposa Rosângela e sua filha Milena, e ele tentava, de alguma forma, seguir em frente, como se as correntes do passado, com tudo que acontecera na noite fatídica, não o estivessem prendendo mais.
Na casa dos pais, a atmosfera se tornava cada vez mais pesada.
Dante sentia o olhar severo de seu pai em cada canto da casa.
A autoridade de Alexander não passava mais despercebida. Cada passo de Dante era vigiado, e a sensação de ser observado o oprimia, apertando seu peito como se fosse uma mão fria.
Toda vez que algo não agradava a Alexander, o castigo se fazia presente.
Mesmo que os ânimos estivessem mais tranquilos durante o dia, à noite, a tensão aumentava. Dante sabia que um movimento errado, um olhar desafiador ou até mesmo um resmungo poderia colocar ele de volta no porão.
Isabelle, a mãe que sempre o amparara, agora parecia mais fria e distante. Ela via que, com o distanciamento de Ethan, algo havia mudado também nela.
Ela sentia falta dele, mas não podia negar que entendia o motivo de sua frustração.
Ethan tinha feito tudo o que podia, e de certa forma, ele tinha razão em se afastar. Ele já havia protegido Dante de muitas maneiras, e agora ele precisaria seguir sua própria vida. Isabelle também compreendeu que o que acontecia com Dante não era apenas responsabilidade deles, mas também dele mesmo.
Com cada olhar diferente de Ethan que ela recebia, ela tentava se convencer de que tudo tinha um motivo. Mesmo sendo difícil, ela começou a acreditar que Ethan e Alexander estavam certos em suas decisões.
Dante, por sua vez, não conseguia entender o que acontecera. Ele se sentia perdido, como se a única forma de lutar por si mesmo fosse continuar desafiando todos, desde seu pai até a si próprio.
E o tempo, como sempre, não parava.
Mas a cada dia que passava, ele ficava mais claro para Dante que, mesmo com todas as brigas, dores e distâncias, ele ainda precisava de algo… ainda precisava de alguém.
E, enquanto isso, ele tentava se esconder atrás de máscaras e escolhas erradas, como se o escapismo fosse a única solução.
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Atualizado até capítulo 65
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