O peso das escolhas.

Capítulo 17 – O Peso das Escolhas

A madrugada era densa. O silêncio da casa parecia maior do que nunca, um vazio sufocante que se misturava à respiração trêmula de cada um ali dentro.

Dante estava sentado no sofá. As pernas afastadas, os cotovelos apoiados nos joelhos, as mãos entrelaçadas. Sua expressão era ilegível, mas o pequeno tremor nos dedos denunciava que, pela primeira vez em muito tempo, ele estava inquieto.

A porta da frente estava aberta. Do lado de fora, Alexander fumava em silêncio.

> Cada tragada era uma tentativa falha de controlar a raiva.

Cada baforada era um grito engolido à força.

Se entrasse naquela sala agora, seria um massacre.

Na cozinha, o choro baixo de Isabelle ecoava pelas paredes.

> — Não pode ser verdade… — a voz dela tremia, embargada. — Não o meu menino… não o meu Dante…

Rosângela tentava acalmá-la, segurando suas mãos frias e trêmulas.

> — Isabelle, bebe um pouco… vai te ajudar…

Ela ofereceu um copo d’água com açúcar, mas Isabelle mal conseguia segurar.

Milena dormia no quarto.

Inocente. Intocada por aquela tempestade.

E ali, na sala, Ethan estava diante de Dante.

Chorando silenciosamente.

Seus olhos estavam vermelhos, o rosto marcado pela angústia. Ele se lembrava da cena da festa como uma cicatriz recém-aberta.

FLASHBACK – A VERDADE CRUA

> A música alta. O cheiro de álcool. O riso solto de Dante.

E então… a droga nos lábios.

Ethan sentiu o mundo parar. Cada pedaço de sua alma implodiu ao ver seu irmão caindo tão fundo.

Ele queria arrancá-lo dali. Queria gritar, queria sacudi-lo, queria socá-lo até que entendesse.

Mas Dante só riu.

Aquela risada… Uma risada vazia, desafiadora.

> “Você não pode me salvar, Ethan. Eu escolhi isso.”

DE VOLTA AO PRESENTE

Ethan fechou os olhos, deixando mais lágrimas caírem.

Dante não disse nada. Não pediu desculpas, não tentou se explicar.

Ele apenas encarou o chão, perdido em sua própria mente.

O relógio da casa marcava 4h27 da madrugada.

A tempestade estava apenas começando.

Capítulo 17 – O Peso das Escolhas (Continuação)

O relógio marcava 4h30 da madrugada quando a tempestade dentro da casa explodiu de vez.

— SEU MOLEQUE DESGRAÇADO! — Alexander berrou, entrando na sala como um furacão.

Dante não se moveu.

Ele já sabia que isso ia acontecer. Era óbvio. Ele conhecia o pai.

Alexander não era um homem paciente. Nunca foi. E agora, com um cigarro amassado na mão e os olhos injetados de fúria, ele parecia pronto para despedaçar o filho.

— DROGAS, DANTE?! — a voz dele era um trovão. — VOCÊ TEM IDEIA DO QUE FEZ?!

Dante continuou sentado, impassível.

Sua mente já tinha calculado cada reação. Cada palavra que ouviria. Ele sabia que seria assim.

> "Mamãe vai tentar me defender."

"Alexander vai gritar, talvez me bater."

"E Ethan… vai…"

Ele desviou os olhos para o irmão.

Ethan estava parado.

O coração de Dante falhou uma batida.

Isabelle, desesperada, se jogou na frente dele.

— Alexander, por favor, não bate nele! — ela implorou, soluçando.

Rosângela estava logo atrás, segurando o choro, sem saber o que fazer.

— Não bate? — Alexander riu, mas era um riso sombrio, venenoso. — Esse moleque precisa aprender!

Ele avançou, e Isabelle o segurou pelos braços, tentando empurrá-lo para trás.

Dante nem piscou.

Ele sempre sabia o que esperar. Sempre.

Mas agora… algo estava errado.

> Ethan não se moveu.

Dante engoliu seco.

> "Por que você ainda tá parado?"

Isabelle gritava, segurando Alexander.

Rosângela tentava manter a calma.

Mas Ethan ficou ali, quieto.

> — O papai está certo. — A voz dele foi baixa, mas cortante como uma lâmina.

O coração de Dante afundou.

Seus olhos vacilaram por uma fração de segundo. Era um detalhe pequeno. Quase imperceptível. Mas real.

Ele olhou para Ethan, esperando uma reação diferente.

Nada.

O mundo de Dante sempre foi um tabuleiro de xadrez. Cada peça no lugar certo. Cada reação calculada.

Mas agora… a peça que sempre esteve ao lado dele tinha caído.

Ethan não o defendeu.

E foi aí que Dante percebeu.

Pela primeira vez em sua vida… ele estava sozinho.

Capítulo 17 – O Peso das Escolhas (Conclusão)

O silêncio na sala foi cortado pelo som seco dos passos de Ethan.

Ele se moveu sem hesitação, pegando Dante pelo braço.

— Levanta.

A voz dele era fria, sem traço algum do irmão carinhoso e protetor de antes.

Dante, por um momento, não conseguiu reagir.

Alexander o encarava com a fúria de sempre. Isso não era novo.

Mas Ethan…

Ethan sempre foi o escudo. Sempre esteve entre ele e o pai.

Só que agora… ele estava ao lado do pai.

> "Isso não está certo."

Dante piscou, confuso.

— Ethan… — Isabelle murmurou, trêmula.

Mas Ethan não a olhou.

— Não se mete, mãe.

As palavras foram diretas, cortantes.

Isabelle ficou pálida.

— Ethan, você tá ouvindo o que tá falando?! — Rosângela interveio, segurando o braço do marido.

Ele a soltou.

— Dessa vez, o pai tá certo.

Foi quando Isabelle viu.

Nos olhos de Ethan… não havia mais o garoto que ela criou.

O olhar dele era exatamente igual ao de Alexander no passado.

A mesma frieza.

O mesmo peso de um homem quebrado que já desistiu da esperança.

— Não se mete nisso. — Ethan repetiu, sem emoção.

Isabelle estremeceu.

Era como se tivesse voltado no tempo. Só que agora, era Ethan quem segurava Dante.

> "Não… isso não pode estar acontecendo…"

Dante sentiu o aperto do irmão se intensificar.

Ele sorriu.

Mas não era um sorriso divertido. Era vazio.

— Você virou igual a ele.

Os olhos de Ethan se estreitaram.

Dante gargalhou baixo, sem humor.

— Parabéns, mano. — ele zombou. — Agora você é o novo Alexander.

Ethan não reagiu.

— Me leva logo. — Dante murmurou, sarcástico. — Acho que hoje é meu dia de apanhar.

Ethan o puxou para o porão.

O destino de Dante estava selado.

Capítulo 17 – O Peso das Escolhas (Conclusão – Parte 2)

Ethan soltou o braço de Dante.

O irmão mais novo cambaleou um pouco, mas não reagiu. Apenas olhou para ele, um olhar impossível de decifrar.

Ethan evitou encará-lo por muito tempo.

Seu coração já estava pesado o bastante.

Alexander estava parado na entrada do porão, impaciente.

— Saia, Ethan. Eu cuido disso agora.

A voz do pai era seca.

Ethan fechou os olhos por um segundo.

Aquela frase…

"Eu cuido disso agora."

Quantas vezes ele mesmo já não ouviu isso antes?

Mas desta vez era Dante quem estava ali.

Ele engoliu em seco.

— Sai daqui logo. — Dante murmurou. — Você já fez sua parte.

Havia um tom de ironia na voz dele.

Mas também… de resignação.

Ethan hesitou por um segundo.

Era agora.

Se ele dissesse alguma coisa… qualquer coisa…

Mas não disse.

Virou-se e subiu as escadas.

Antes que pudesse se permitir olhar para trás.

Antes que o peso da culpa o esmagasse.

Ele fechou a porta do porão atrás de si.

E, enquanto caminhava pela casa, ouviu.

Cada esporro.

Cada grito de Alexander.

Cada vez que a voz de Dante se tornava mais desafiadora.

Cada impacto seco que indicava um castigo que ele conhecia bem.

Ethan fechou os olhos.

O nó na garganta ficou mais forte.

> "Isso não devia estar acontecendo."

Dante nunca deveria estar naquele porão.

Ethan passou a vida inteira protegendo-o para evitar exatamente isso.

Mas agora…

Ele mesmo o colocou ali.

> "Talvez se eu tivesse prestado mais atenção..."

> "Se eu tivesse feito algo diferente..."

> "Se eu tivesse protegido mais..."

Não.

Ethan apertou os punhos.

Ele fez tudo que podia.

Tudo.

Mas… então por que ainda parecia que falhou?

Capítulo 17 – O Peso das Escolhas (Conclusão – Parte 3)

Ethan estava do lado de fora da casa, parado, completamente imóvel.

A noite estava fria, mas ele não sentia nada.

O vento balançava as folhas das árvores, as luzes da rua tremeluziam fracamente, e o cheiro de terra molhada anunciava uma chuva que logo chegaria.

Mas nada disso importava.

Nada disso fazia diferença.

Porque, do porão…

Ele ouvia.

Os sons abafados dos castigos sendo aplicados.

A voz severa de Alexander.

A teimosia de Dante, recusando-se a ceder.

A dor disfarçada de desafio.

E então…

Os primeiros gemidos de dor.

O coração de Ethan se partiu.

Ele fechou os olhos, mordendo o lábio até sentir gosto de sangue.

Cada som era uma lâmina atravessando seu peito.

Cada segundo era um peso esmagando sua alma.

Dante estava sofrendo.

Dante estava pagando o preço.

E ele não estava lá para protegê-lo.

Ethan cobriu o rosto com as mãos.

Os pensamentos começaram a atormentá-lo.

Flashbacks…

Memórias de Dante ainda pequeno, escondido atrás dele.

"Ethan, me ajuda..."

A primeira vez que ele o defendeu de um valentão na rua.

"Fica atrás de mim, Dante."

As vezes em que Dante segurou sua mão, confiando nele para tudo.

"Eu quero ser forte como você, Ethan!"

O som da risada infantil de Dante…

Os olhos brilhando de admiração.

A promessa silenciosa que Ethan fez para si mesmo:

"Eu nunca vou deixar nada acontecer com ele."

"Eu sempre vou proteger meu irmão."

E agora…

Dante estava gritando de dor.

E Ethan não fazia nada.

Ele tremeu dos pés à cabeça.

As lágrimas vieram antes que pudesse impedir.

Grossas.

Pesadas.

Implacáveis.

Caíram no chão sem som, enquanto Ethan enterrava o rosto nas mãos.

Ele amava Dante mais do que qualquer coisa.

Queria o melhor para ele.

Queria que ele tivesse um futuro.

Mas será que essa era a melhor forma de mostrar isso?

Será que, ao virar as costas…

Ele estava salvando Dante?

Ou apenas o traindo?

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Comments

abc_fee

abc_fee

Véi eu tô chorando eu entrei a que atrás de romance e achei trauma

2025-03-06

1

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Capítulos
1 Céu cinzento e risos de criança.
2 Laços e Fendas
3 O Começo das Mudanças.
4 A Rotina Antes da Tempestade.
5 O amanhecer e o conflito
6 a noite silenciosa e o pesadelo no porão
7 Um novo dia, Uma nova esperança.
8 Sorvete e Laços Fraternos
9 Caminhos e Desabafos
10 Um vislumbre de Normalidade
11 cada peça, leva a perfeição.
12 o aniversário de Ethan está perto.
13 o aniversário de Ethan
14 uma má influência sempre está ao nosso lado e sabemos disso.
15 Março de 1994
16 Dois mundos, dois irmãos.
17 O peso das escolhas.
18 Silêncios e Feridas
19 o reflexo do controle.
20 Esperança? não existe... não mais...
21 Flashback de 2001
22 flashback de 2001 (parte 2)
23 Flashback de 2001 (parte 3)
24 flashback de 2002
25 flashback de 2003...
26 flashback início de 2004
27 O Peso do Silêncio
28 O Fardo do Silêncio
29 ...
30 A Verdade.
31 o Novo Começo.
32 o equilíbrio (ou a falta dele)
33 o drama da marmita
34 caos no telemarketing
35 um novo ritmo e um novo sentimento.
36 a descoberta
37 corrida contra o tempo
38 o caminho para a mudança.
39 um novo começo.
40 fragmentos do passado.
41 uma manhã caótica e uma surpresa
42 Sob a Chuva, Entre Sorrisos e Promessas
43 ecos do passado
44 um novo começo.
45 acolhendo o novo.
46 A nova rotina.
47 o passado bate à porta
48 o passado, o presente e o futuro.
49 o retorno para casa
50 o sábado de reencontro
51 O Primeiro Sinal.
52 A Febre Não Baixa
53 Internação.
54 O Peso da Culpa
55 Resgate
56 Reconstrução.
57 O Caminho de Volta
58 Novos Caminhos e Velhos Medos
59 O Peso da Realidade.
60 O Peso da Esperança.
61 A Esperança Renascente
62 Caminhos Divergentes.
63 Uma Nova Onda
64 Reconstruindo Pontes
65 De Volta Para Casa
Capítulos

Atualizado até capítulo 65

1
Céu cinzento e risos de criança.
2
Laços e Fendas
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O Começo das Mudanças.
4
A Rotina Antes da Tempestade.
5
O amanhecer e o conflito
6
a noite silenciosa e o pesadelo no porão
7
Um novo dia, Uma nova esperança.
8
Sorvete e Laços Fraternos
9
Caminhos e Desabafos
10
Um vislumbre de Normalidade
11
cada peça, leva a perfeição.
12
o aniversário de Ethan está perto.
13
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14
uma má influência sempre está ao nosso lado e sabemos disso.
15
Março de 1994
16
Dois mundos, dois irmãos.
17
O peso das escolhas.
18
Silêncios e Feridas
19
o reflexo do controle.
20
Esperança? não existe... não mais...
21
Flashback de 2001
22
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23
Flashback de 2001 (parte 3)
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26
flashback início de 2004
27
O Peso do Silêncio
28
O Fardo do Silêncio
29
...
30
A Verdade.
31
o Novo Começo.
32
o equilíbrio (ou a falta dele)
33
o drama da marmita
34
caos no telemarketing
35
um novo ritmo e um novo sentimento.
36
a descoberta
37
corrida contra o tempo
38
o caminho para a mudança.
39
um novo começo.
40
fragmentos do passado.
41
uma manhã caótica e uma surpresa
42
Sob a Chuva, Entre Sorrisos e Promessas
43
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44
um novo começo.
45
acolhendo o novo.
46
A nova rotina.
47
o passado bate à porta
48
o passado, o presente e o futuro.
49
o retorno para casa
50
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51
O Primeiro Sinal.
52
A Febre Não Baixa
53
Internação.
54
O Peso da Culpa
55
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56
Reconstrução.
57
O Caminho de Volta
58
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