uma má influência sempre está ao nosso lado e sabemos disso.

Capítulo 14 – Parte 1: O Menino que Encantava a Todos

O relógio na parede marcava 7h15 da manhã. A sala da 5ª série estava iluminada pela luz suave do sol matinal, que atravessava as janelas com cortinas finas, balançando levemente com o vento que entrava. As paredes eram decoradas com cartazes de incentivo à leitura e cálculos matemáticos rabiscados no canto do quadro-negro. O cheiro de giz misturava-se ao perfume suave de cadernos novos e lápis apontados.

As carteiras estavam alinhadas em filas organizadas, e a professora, uma mulher de meia-idade com óculos na ponta do nariz, escrevia a lição do dia no quadro. O som do giz riscando a lousa se misturava ao leve murmúrio dos alunos, que tentavam copiar as palavras sem perder o ritmo.

E então, no meio de tudo isso, havia ele.

Dante, agora com 9 anos, sentado na terceira fileira, próximo à janela. A luz natural tocava seu rosto de forma quase cinematográfica, destacando sua pele impecável, seus olhos hipnotizantes e a expressão serena de quem parecia estar sempre um passo à frente. Seu cabelo, levemente mais comprido do que nos anos anteriores, caía perfeitamente ao redor do rosto, e seus traços apenas se aprimoraram com o tempo.

Ele copiava a matéria com elegância, sem pressa, cada letra perfeitamente moldada como se tivesse sido desenhada à mão por um artista. Seu comportamento impecável e postura tranquila só aumentavam a aura de mistério ao seu redor.

Mas Dante já sabia.

Ele sabia que era admirado, tanto pelos professores quanto pelos colegas. Já havia percebido há muito tempo que, onde quer que fosse, os olhares se voltavam para ele. Os adultos viam um prodígio, os colegas viam um líder natural, e os que não gostavam dele… simplesmente não podiam ignorá-lo.

A professora terminou de escrever e virou-se para a turma.

— "Tudo certo aí, pessoal? Alguém precisa que eu repita alguma parte?"

Silêncio.

Dante já havia terminado de copiar antes mesmo que ela fizesse a pergunta.

A professora deu uma rápida olhada ao redor da sala e, inevitavelmente, seu olhar pousou em Dante. Ela sorriu de forma quase involuntária.

— "Dante, como sempre, impecável."

Alguns alunos reviraram os olhos discretamente, outros apenas suspiraram. Já era normal ouvir esse tipo de elogio vindo dos professores. Mas Dante apenas retribuiu o sorriso com um aceno sutil e voltou a folhear seu caderno, como se nada disso tivesse importância.

Por dentro, porém, ele analisava cada reação.

Ele sabia exatamente como seu talento afetava os outros. Sabia quem o invejava, quem o idolatrava, quem tentava se aproximar e quem queria desafiá-lo. Cada olhar lançado em sua direção era uma peça do tabuleiro.

E Dante? Ele apenas afiava sua arma.

Com cada dia que passava, ele se tornava mais hábil em manipular os outros sem que sequer percebessem.

Capítulo 14 – Parte 2: A Nova Influência

O pátio da escola estava cheio de crianças correndo de um lado para o outro, rindo, gritando, jogando bola, brincando de pega-pega. O cheiro de pão com manteiga e suco artificial enchia o ar, misturando-se com a poeira que subia do chão de cimento gasto.

Dante caminhava pelo pátio com sua postura confiante e descomplicada, rodeado por seu grupo de amigos. Onde quer que passasse, os olhares o seguiam – fosse pela sua beleza quase irreal, pela forma como falava ou pela presença magnética que parecia emanar sem esforço.

Mas, naquele dia, algo havia mudado.

Havia um novo integrante no grupo.

Seu nome era Rael, um garoto recém-chegado à escola, mas que já havia se tornado o melhor amigo de Dante. Não era como os outros garotos do bairro – sua vida era diferente, mais crua, mais real. Vindo de uma favela, cresceu em meio ao caos, com um pai que fora ex-presidiário e uma mãe envolvida em coisas que qualquer um preferiria não saber. Rael não se envergonhava disso – pelo contrário, contava com orgulho.

— "Cês vivem num mundinho muito quadrado, mano." — Ele dizia, encostado em uma árvore enquanto girava uma moeda entre os dedos. — "Tem muita coisa que acontece por aí que vocês nem imaginam."

Os outros garotos escutavam com fascínio e um pouco de receio. Ele sabia sobre tudo daquele lado da vida que os meninos bem-criados nem sonhavam existir.

Ele falava sobre dinheiro fácil, sobre as leis da rua, sobre como conseguir coisas sem gastar um centavo, sobre quem mandava em quem na cidade, sobre como se virar sem depender de ninguém.

Dante apenas observava e absorvia.

Ele sabia distinguir o certo do errado. Sua inteligência extrema lhe dizia para não se envolver, para não cruzar a linha.

Mas havia algo ali que o intrigava.

Uma parte de sua mente – aquela que sempre buscava conhecimento, que sempre queria entender e experimentar tudo – dizia que talvez valesse a pena testar os limites.

Afinal, saber era poder.

Capítulo 14 – Parte 3: O Conhecimento Proibido

Em um canto mais afastado do pátio, onde poucos alunos se aventuravam, Dante e Rael estavam sentados em um banco de cimento desgastado pelo tempo. O sol da manhã batia forte, mas a sombra da grande árvore ao lado tornava o local mais fresco e discreto.

Rael segurava um palito de dente entre os lábios, girando-o com a língua enquanto falava com um tom casual, mas carregado de segredos. Seus olhos eram atentos e sagazes, sempre verificando se alguém estava por perto.

— “O mundo não é bonitinho igual vocês acham, Dante. O que mandam são as oportunidades. Você pega ou deixa passar.”

Dante escutava sem demonstrar qualquer emoção, apenas absorvendo cada palavra. Seu olhar analítico não perdia um detalhe sequer do que o amigo dizia.

— "Eu sei que você é esperto... esperto de verdade." — Rael inclinou-se ligeiramente para frente. — "A diferença entre um gênio e um otário é saber quando e como usar o que sabe."

Dante permaneceu em silêncio por um momento. Seus olhos brilhavam com algo entre curiosidade e cálculo.

— “E se eu quisesse saber mais?” — Sua voz saiu calma, controlada.

Rael abriu um sorriso malicioso e satisfeito.

— “Aí eu te ensino as regras do jogo.”

Ele começou a explicar como as coisas realmente funcionavam do lado de fora daquela escola.

Falou sobre quem controlava o quê, sobre como ganhar dinheiro sem precisar de ninguém, sobre como manipular pessoas ao seu favor sem que percebam, sobre favores que nunca são gratuitos, sobre como um simples erro pode acabar com alguém sem que a pessoa sequer perceba de onde veio o golpe.

Dante escutava tudo friamente, memorizando cada detalhe.

Não era ingenuidade que o fazia querer aprender. Era estratégia.

Ele não queria ser um criminoso, nem se envolver em nada que prejudicasse sua família. Mas... conhecimento era poder.

E ele nunca desperdiçaria um poder que poderia ser útil no futuro.

Final do Capítulo 14

O sino ecoou pelos corredores da escola, sinalizando o fim das aulas. O pátio começou a se encher de crianças, algumas correndo empolgadas, outras se despedindo dos amigos. Dante, com seu andar calmo e sua postura impecável, saiu da sala sem pressa. Seu olhar analítico percorria o pátio, registrando cada detalhe, cada expressão e cada pequeno comportamento das pessoas ao seu redor.

Ele avistou Ethan parado do lado de fora do portão da escola, encostado em um poste de madeira desgastado pelo tempo. O irmão mais velho estava com as mãos nos bolsos, vestia uma camisa social dobrada nos antebraços e calças jeans gastas, e o pequeno reflexo dourado do anel de noivado reluziu brevemente sob a luz do fim da tarde.

Dante sabia o que aquele anel significava. Ele já havia assimilado a informação há tempos, mas naquele dia, com seus pensamentos mergulhados em novas perspectivas, algo a respeito daquela joia simples e discreta o fez refletir. Ethan estava prestes a construir uma vida própria, a herdar o mercadinho da Dona Sônia e se tornar um homem de negócios respeitável. Interessante...

O alfa mais jovem ajeitou a mochila nos ombros e atravessou os portões. Assim que chegou perto, Ethan ergueu a cabeça e sorriu, batendo de leve no topo da cabeça do irmão.

— E aí, pirralho? Como foi a aula?

Dante ergueu uma sobrancelha, um meio sorriso brincando em seus lábios.

— Tranquila. Mas acho que estou começando a enjoar da mesmice.

Ethan riu de leve, começando a caminhar ao lado dele pela calçada de paralelepípedos, onde o sol projetava sombras compridas.

— Desde quando escola tem graça? Só serve pra gente aprender e seguir em frente.

Dante manteve os olhos à frente, as mãos nos bolsos da calça da farda.

— "Seguir em frente" tem significados diferentes para cada um, Ethan.

O irmão mais velho lançou um olhar breve e desconfiado para ele.

— Tá falando bonito demais pra uma criança de nove anos. O que andou aprontando?

Dante riu suavemente, como se soubesse algo que Ethan nunca entenderia.

— Nada. Só... aprendendo mais sobre a vida.

Ethan franziu o cenho, mas preferiu não aprofundar a conversa.

O caminho para casa era longo, passando por vielas estreitas e casas simples, algumas com roupas estendidas nos varais improvisados. A vizinhança era viva, com crianças brincando na rua e senhoras sentadas nas calçadas, conversando sobre o dia. O cheiro de pão recém-assado da padaria próxima se misturava ao aroma distante de café vindo de alguma cozinha.

Ethan soltou um suspiro leve, observando Dante de canto de olho.

— Você tem pensado muito ultimamente.

Dante desviou o olhar para o irmão, seus olhos afiados e cheios de algo que nem mesmo Ethan conseguia decifrar.

— E você tem vivido muito ultimamente.

Ethan soltou uma risada baixa.

— Você fala como se fosse um velho de quarenta anos refletindo sobre a vida.

Dante deu de ombros, um meio sorriso se formando.

— Talvez eu só esteja aprendendo mais rápido do que os outros.

O silêncio pairou entre eles por um instante, apenas os passos ecoando pelo chão de pedra da rua. O céu começava a se tingir de tons alaranjados, anunciando que logo a noite cairia.

Ethan passou a mão pelos cabelos, respirando fundo antes de mudar de assunto.

— Então... tá sabendo que, depois que eu casar com a Rosângela, a Dona Sônia vai me passar o mercadinho?

Dante assentiu levemente, sem desviar os olhos do caminho.

— Sim. Você vai se tornar um comerciante respeitável.

Ethan riu.

— "Respeitável" parece um elogio muito sofisticado pra quem só vende arroz e feijão.

Dante manteve o olhar analítico, seu tom de voz quase despreocupado.

— Mas é um começo.

Ethan parou por um momento, fitando o irmão com uma expressão curiosa.

— Você anda pensando demais pro meu gosto, moleque.

Dante sorriu de leve.

— E você anda se preocupando demais.

Eles seguiram o restante do caminho em silêncio, mas Ethan não conseguia afastar a sensação de que, de alguma forma, Dante estava um passo à frente dele.

O que exatamente passava na cabeça daquele garoto?

O capítulo se encerra com os dois chegando em casa, onde Isabelle já os esperava na porta com um sorriso acolhedor, pronta para receber os filhos após mais um dia comum. Ou, pelo menos, aparentemente comum.

Capítulos
1 Céu cinzento e risos de criança.
2 Laços e Fendas
3 O Começo das Mudanças.
4 A Rotina Antes da Tempestade.
5 O amanhecer e o conflito
6 a noite silenciosa e o pesadelo no porão
7 Um novo dia, Uma nova esperança.
8 Sorvete e Laços Fraternos
9 Caminhos e Desabafos
10 Um vislumbre de Normalidade
11 cada peça, leva a perfeição.
12 o aniversário de Ethan está perto.
13 o aniversário de Ethan
14 uma má influência sempre está ao nosso lado e sabemos disso.
15 Março de 1994
16 Dois mundos, dois irmãos.
17 O peso das escolhas.
18 Silêncios e Feridas
19 o reflexo do controle.
20 Esperança? não existe... não mais...
21 Flashback de 2001
22 flashback de 2001 (parte 2)
23 Flashback de 2001 (parte 3)
24 flashback de 2002
25 flashback de 2003...
26 flashback início de 2004
27 O Peso do Silêncio
28 O Fardo do Silêncio
29 ...
30 A Verdade.
31 o Novo Começo.
32 o equilíbrio (ou a falta dele)
33 o drama da marmita
34 caos no telemarketing
35 um novo ritmo e um novo sentimento.
36 a descoberta
37 corrida contra o tempo
38 o caminho para a mudança.
39 um novo começo.
40 fragmentos do passado.
41 uma manhã caótica e uma surpresa
42 Sob a Chuva, Entre Sorrisos e Promessas
43 ecos do passado
44 um novo começo.
45 acolhendo o novo.
46 A nova rotina.
47 o passado bate à porta
48 o passado, o presente e o futuro.
49 o retorno para casa
50 o sábado de reencontro
51 O Primeiro Sinal.
52 A Febre Não Baixa
53 Internação.
54 O Peso da Culpa
55 Resgate
56 Reconstrução.
57 O Caminho de Volta
58 Novos Caminhos e Velhos Medos
59 O Peso da Realidade.
60 O Peso da Esperança.
61 A Esperança Renascente
62 Caminhos Divergentes.
63 Uma Nova Onda
64 Reconstruindo Pontes
65 De Volta Para Casa
Capítulos

Atualizado até capítulo 65

1
Céu cinzento e risos de criança.
2
Laços e Fendas
3
O Começo das Mudanças.
4
A Rotina Antes da Tempestade.
5
O amanhecer e o conflito
6
a noite silenciosa e o pesadelo no porão
7
Um novo dia, Uma nova esperança.
8
Sorvete e Laços Fraternos
9
Caminhos e Desabafos
10
Um vislumbre de Normalidade
11
cada peça, leva a perfeição.
12
o aniversário de Ethan está perto.
13
o aniversário de Ethan
14
uma má influência sempre está ao nosso lado e sabemos disso.
15
Março de 1994
16
Dois mundos, dois irmãos.
17
O peso das escolhas.
18
Silêncios e Feridas
19
o reflexo do controle.
20
Esperança? não existe... não mais...
21
Flashback de 2001
22
flashback de 2001 (parte 2)
23
Flashback de 2001 (parte 3)
24
flashback de 2002
25
flashback de 2003...
26
flashback início de 2004
27
O Peso do Silêncio
28
O Fardo do Silêncio
29
...
30
A Verdade.
31
o Novo Começo.
32
o equilíbrio (ou a falta dele)
33
o drama da marmita
34
caos no telemarketing
35
um novo ritmo e um novo sentimento.
36
a descoberta
37
corrida contra o tempo
38
o caminho para a mudança.
39
um novo começo.
40
fragmentos do passado.
41
uma manhã caótica e uma surpresa
42
Sob a Chuva, Entre Sorrisos e Promessas
43
ecos do passado
44
um novo começo.
45
acolhendo o novo.
46
A nova rotina.
47
o passado bate à porta
48
o passado, o presente e o futuro.
49
o retorno para casa
50
o sábado de reencontro
51
O Primeiro Sinal.
52
A Febre Não Baixa
53
Internação.
54
O Peso da Culpa
55
Resgate
56
Reconstrução.
57
O Caminho de Volta
58
Novos Caminhos e Velhos Medos
59
O Peso da Realidade.
60
O Peso da Esperança.
61
A Esperança Renascente
62
Caminhos Divergentes.
63
Uma Nova Onda
64
Reconstruindo Pontes
65
De Volta Para Casa

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