A cada passo na floresta, uma certa inquietação crescia. O chão úmido afundava sob meus pés, e a escuridão entre as árvores parecia ter peso.
O silêncio absoluto era pior do que qualquer som. Nenhum inseto, nenhum pássaro. Apenas o vento, que sussurrava entre os galhos retorcidos como uma voz antiga tentando contar um segredo esquecido.
Minha capa roçou contra meu tornozelo, e um arrepio subiu por minha espinha. Havia algo errado. Muito errado.
— Não gosto disso…
murmurei, abraçando a capa ao redor do corpo.
Eledhor caminhava à minha frente, cada movimento fluido e atento, como um predador que sentia a presença de outro predador.
Seu olhar percorria as sombras, a mão pousada sobre a espada presa ao cinto.
— Eu disse pra ficar perto, princesa.
Sua voz era baixa, mas carregada de tensão.
Abaixei o tom instintivamente.
— E eu disse que isso é uma péssima ideia.
Ele soltou um suspiro curto, sem desviar os olhos da trilha da cabeça dele. A mata fechada, não nos dava o vislumbre de nenhum resquício humano.
— Concordamos, mas não há nada que possamos fazer quanto a isso.
Tentei me concentrar nos passos, no caminho imaginário. Mas havia algo… uma sensação estranha. Algo no ar, me atingindo em ondas, cada vez maiores, uma vibração sutil, como se algo me chamasse.
Parei.
— Diana?
Ignorei Eledhor e virei o rosto na direção do chamado invisível.
Minha pele formigava, como se um fio invisível me puxasse para frente. O vento soprou de repente, levantando fios soltos do meu cabelo e carregando um cheiro estranho. Como terra molhada, pedra antiga e algo doce, parecia familiar.
Meu coração acelerou.
— O que foi?
A voz de Eledhor soou mais urgente agora.
Engoli em seco.
— Eu…
Fechei os olhos por um segundo. O formigamento ficou mais forte, um chamado mudo ecoando dentro de mim.
— Tem algo lá.
Eledhor se virou na minha direção com uma expressão dura.
— Não. Vamos continuar.
— Você nem sabe pra onde. Parece perdido!
— Sei que não é pra lá.
Seu olhar perfurou o meu, severo.
— Você sente isso não é?
Eu assenti e ele franziu o cenho.
— Então escute o que eu vou dizer. O Reino de Pedra não é um lugar que se deve explorar, e muito menos seguir um chamado invisível. Isso nunca termina bem.
O medo em sua voz era raro, e me atingiu como um soco no estômago.
— Você já esteve lá antes.
Ele desviou os olhos.
— Isso não importa. O que importa é que vamos atravessar essa floresta sem chamar atenção. Orcs são ruins, princesa, mas o que vive no Reino de Pedra é muito pior.
Minhas mãos tremiam levemente. O vento soprou de novo, trazendo aquele cheiro de terra e algo antigo, adormecido.
Dei um passo involuntário para frente.
Eledhor se moveu rápido como um raio. Em um instante, sua mão forte envolveu meu pulso, segurando-me firme.
— Diana.
Seu tom era sério, quase sombrio.
Meu coração batia descompassado.
— Você não entende. Parece que… algo está me esperando.
Ele me puxou mais perto, seu olhar segurando o meu com firmeza.
— Eu entendo muito bem. E é exatamente por isso que estou dizendo: não siga essa sensação. Não olhe para trás. Apenas continue andando.
O frio da noite pareceu se aprofundar. Algo na floresta pareceu se mexer, um farfalhar leve demais para ser o vento.
Os lycans devem estar nos seguindo, mas porque não atacam de novo?
Engoli em seco e assenti.
Eledhor me soltou, mas manteve-se ao meu lado. Seu corpo inteiro estava tenso, como uma mola prestes a se soltar.
Caminhamos.
Mas a sensação não foi embora.
E, no fundo, eu sabia. Aquilo estava chamando meu coração.
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Atualizado até capítulo 30
Comments
Jane Silva
curiosidade a mil
2025-03-19
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