Diana Malor
— Como isso foi acontecer? Por que eles estão aqui?
indaguei minha amiga, confusa por ver meu noivo e o outro irmão, nos esperando ao lado de uma segunda carruagem.
Nossas amas nos seguiam apenas observando a nossa interação, que era reclamar e reclamar.
— Nem me pergunte, mas vamos focar nessa viagem, é meu presente de aniversário, e eu quero aproveitar. Não deixarei eles estragar esse final de semana.
diz segurando meu braço, seguimos para a outra carruagem, separadas deles
— Seus irmãos viajam sem os dragões?
nunca havia os visto separados, aonde eles vão geralmente estão juntos
— Se eles quiserem, podem chamá-los, é tipo uma conexão psíquica
Malu disse ao entrar na carruagem. Assenti, e olhei pela janela a paisagem, adoro as cores do nascer do sol, e fico encarando a paisagem, já com saudade de meus pincéis
após o primeiro dia de viagem decidimos parar em uma aldeia para descansar em uma estalagem;
Que foi fechada e ficamos cada um num quarto, um ao lado do outro, o dono da pousada ficou contente com o pagamento, preparou e serviu o jantar
— Estou satisfeita, agora quero mais vinho
Malu ergueu sua taça e balançando para o seu servo servi-la
— Já chega, você já bebeu demais, não tem nem costume de beber
Ziam repreendeu Malu, que era doce e meiga, mas de há um tempo sempre está zangada, não sei o motivo, só sei que não é comigo
— Você está aqui como espectador, é meu aniversário, e vou beber o quanto quiser
ela apontou o indicador para o servo, indicando para a taça, Anton riu, e eu apenas observo
— Deixe-a beber, não se faz dezoito anos duas vezes, e quero ver onde isso vai dar
Anton bebeu de sua taça sorrindo e me encarou, por cima da taça
— Não vai beber, Diana?
Anton indagou, eu peguei meu copo com água sorvi uns goles
— Não, não gosto muito do sabor doce do vinho, não me atrai, e não quero uma dor de cabeça
respondi e limpei minha boca com o guardanapo delicadamente, sentindo olhos em mim
Ziam fica apenas observando, eu o vejo de soslaio, é estranho saber que ano que vem essa hora será meu marido
Malu saiu da mesa, ela dançava e bebia ao som de seu guarda que tocava um instrumento de corda e cantava.
Como Malu bebeu demais, precisou ser amparada por seu irmão e eu, subimos as escadas com facilidade, Ziam é forte, ele a carregou simplesmente sozinho e assim que colocou Malu na cama, ele me encarou, estamos a sós no quarto, com sua irmã recém apagada.
— Você queria ir nessa viagem?
indaga falando baixo, me pegando de surpresa, não nos falamos a sós, nunca.
— Não, ela é insistente, acho que sabe disso, mas também fiquei curiosa para conhecer os magos da lua, dizem ser um lugar para jovens da nossa idade, e muito divertido
ele apertou os lábios e coçou sua barba por fazer, que o deixa bonito
— Ziam, eu...
Ele olhava diretamente em meus olhos, e meu coração acelerou, tanto que eu posso ouvir
— Estou ansioso para o dia do nosso casamento
Engoli em seco, e passei a língua nos lábios que ficaram sedentos, esse movimento o fez tocar meu rosto, fechei os olhos, sentindo seu toque e me fez arrepiar, seu polegar deslizou em meu lábio inferior.
Quando abri os olhos encontrei os seus, e sua boca entreaberta e tive vontade de sentir o gosto dela
— É tão inocente...
ele é interrompido pelo som de passos, deve ser nossas amas que estavam vindo atrás de nós, e ele se afastou de mim, ficando ereto
— Vá para seu quarto alteza, já está preparado o senhor precisa descansar
Muriel diz a ele, que assentiu
— Boa noite, Diana
sorrio observando quando ele sai do quarto fechando a porta atrás de si
— Vamos minha menina, para seu quarto, você precisa se trocar, para dormir
Carmelita disse a mim. Dei uma última olhada em Malu, e Muriel que estava tirando seus sapatos e a ajeitando na cama, e a acompanhei.
O cheiro da madeira envelhecida da pousada misturava-se ao aroma adocicado do vinho. Carmelita já roncava baixinho na cama ao meu lado, mas minha mente estava longe, vagando entre a lembrança do toque de Ziam e a perspectiva do que nos esperava na viagem.
Na manhã seguinte, o sol mal havia despontado no horizonte quando ouvimos batidas firmes na porta.
— Diana, precisamos partir.
A voz de Anton soou do lado de fora. Eu já estava de pé, Carmelita havia ido a cozinha ver o que estava sendo preparado para o café da manhã.
Esperei que seus passos o levassem para longe e sai, para o quarto de Malu, bati apenas uma vez e Muriel abriu.
—Ela ainda está dormindo?
Malu resmungou algo incompreensível, enterrando o rosto no travesseiro.
— Por que ele já está irritante a essa hora?
Murmurou, a voz ainda sonolenta. E creio que seu irmão bateu em sua porta também.
— Porque alguém bebeu demais e agora está pagando o preço.
Respondi, puxando as cobertas dela. Muriel riu.
— Vou ver alguma coisa para ela tomar para dor de cabeça.
Ela soltou um gemido dramático, mas se levantou, esfregando os olhos.
Depois dela se arrumar, descemos para o salão principal, onde Ziam e Anton já estavam de pé, ao lado das amas e dos guardas. Ziam cruzou os braços ao nos ver e arqueou uma sobrancelha.
— Dormiu bem?
perguntou, e eu soube que ele se referia ao momento da noite anterior.
— Como uma pedra.
Mentira. Eu mal preguei os olhos.
Anton riu e tomou um gole de seu café.
— É mesmo? Achei que tinha se divertindo, irmã
— Engraçado, você é hilário!
Malu estava sentada ao meu lado, mas Anton estava olhando para mim. Peguei e bebi um gole do meu chá, ignorando o olhar que ele lançou.
Saímos pouco depois, com os cavalos já preparados e as carruagens esperando. Eu e Malu entramos na nossa, e logo a estrada se estendia diante de nós, serpenteando entre colinas e bosques.
O silêncio se instalou por um momento, apenas o ranger das rodas ecoando no ar.
— Sobre ontem…
Malu começou, olhando pela janela.
— Você e meu irmão... Aconteceu alguma coisa?
Meu corpo enrijeceu.
— O quê?
— Ele está te olhando diferente.
— Ele é meu noivo, Malu. Não deveria ser estranho ele me olhar?
Ela suspirou e se ajeitou no banco.
— É diferente. Ele parece... curioso.
Fiz uma careta.
— Você está vendo coisas.
Malu apenas riu e voltou a observar a paisagem.
Quando fizemos uma parada para os cavalos descansarem, saí para esticar as pernas. Caminhei um pouco mais adiante, afastando-me do grupo. As folhas secas estalavam sob meus pés.
— Você gosta de caminhar sozinha?
A voz de Ziam veio de trás, e eu me virei para encontrá-lo parado ali, os braços cruzados.
— Às vezes. Gosto do silêncio.
Dei de ombros.
Ele se aproximou, o olhar atento.
— Você disse que estava curiosa sobre os Magos da Lua. O que espera encontrar lá?
Pensei por um instante.
— Algo novo. Algo que me faça... sentir.
Ele franziu o cenho.
— Você não sente nada agora?
O modo como perguntou fez algo em meu peito se apertar. Ele estava tão perto que eu podia sentir o calor que emanava dele.
— Eu...
Minhas palavras sumiram quando ele ergueu a mão, tocando levemente um fio solto do meu cabelo.
— Espero que encontre o que procura.
Ele disse, antes de se afastar.
Fiquei ali por alguns segundos, tentando recuperar o fôlego.
O resto da viagem seguiu tranquila, mas algo havia mudado. Eu só não sabia exatamente o quê.
Diana Malor
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Atualizado até capítulo 30
Comments
Jane Silva
lindos
2025-03-19
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