Diana Malor- sensações

Órion pousou diante de nós com um rugido grave, suas escamas douradas reluzindo sob a luz da lua.

Ziam me estendeu a mão sem dizer uma palavra. Seu olhar amarelado está mais sombrio do que de costume, a frustração queimando em suas íris como brasas vivas.

Segurei sua mão, e ele me puxou para cima com facilidade. O calor de Órion vibra sob mim, e eu solto um suspiro contido. Não me lembrava dele ter o corpo tão quente.

Anton já está em Torve, um contraste de sombras contra a noite. Seu dragão negro ergueu voo primeiro, e Órion o segue logo atrás, suas asas cortando o ar com força.

— Acha que o mago pode voltar a atacar malu?

 pergunto a Ziam, mantendo a voz firme, apesar da sensação incômoda no estômago ao subirmos rapidamente.

— Ele já estava no limite.

Ziam resmunga, seus olhos fixos no horizonte.

— Da próxima vez, ele não escapa.

Eu mordo o lábio, não tão convencida.

Abaixo de nós, o território neutro se estende como um manto escuro, pontilhado por luzes dispersas de vilarejos que ainda ousam existir fora das influências dos reinos. Mas logo adiante, a escuridão se adensa, e a floresta amaldiçoada se desenha como um monstro adormecido.

— Você sente isso?

murmuro, e Ziam finalmente desvia o olhar do horizonte para mim.

Ele não precisa perguntar do que estou falando. O ar aqui é pesado, carregado com algo mais do que sombras. Não é apenas um lugar ou uma noite comum. É a presença antiga e sufocante da maldição do Reino de Pedra.

Estremeci, me agarrando a Ziam, com mais força .

— Não gosto desse lugar

Minha voz saiu fraca, quase um sussurro.

— Nem eu!

Ele murmurou de volta.

Anton, se aproxima de nós, ficando um pouco acima

— Relaxem, estamos só passando. Não é como se o Reino de Pedra fosse se erguer e nos engolir.

Ziam não responde, mas eu vejo seus dedos se apertarem ao redor das rédeas da estranha cela de Órion. Ele também sente. Alguma coisa ali embaixo está se movendo.

Órion solta um rosnado baixo, seus músculos se retesando.

— Seja o que for, não se aproxime do solo

Ziam ordena a tensão era nítida em sua voz.

E então, uma sombra se estende da floresta, algo que não deveria se mover daquele jeito... e eu percebo que estamos sendo observados.

A sombra se move.

Não como algo vivo, mas como se a própria noite estivesse se moldando, assumindo uma forma impossível de definir. Um calafrio sobe pela minha espinha, e minha respiração vacila.

— Ziam

minha voz sai tensa, baixa.

— Ali, no meio da floresta. Tem alguma coisa se erguendo...

Ele vira a cabeça na direção que indico, os olhos afiados varrendo a escuridão. Órion continua rosnando baixo, os músculos retesados sob mim.

— Eu não vejo nada, mas Órion está sentindo algo.

Ziam murmura, franzindo a testa.

Eu me agarro mais forte a ele, minha pele formigando como se algo me observasse lá embaixo.

Anton, que sobrevoa um pouco acima, percebe a tensão e nos encara com uma sobrancelha arqueada.

— Agora vão me dizer que estão vendo fantasmas na floresta?

Ziam ignora a provocação e puxa levemente as rédeas de Órion, afastando-nos da área.

— Se Diana viu algo, não vamos esperar para descobrir o quê.

Torve solta um bafo quente de fumaça, como se estivesse desafiando qualquer coisa que possa estar nos espreitando. Anton apenas suspira, mas não discute.

Órion bate as asas com mais força, nos elevando mais alto. Agora vejo tudo de um ângulo ainda mais amplo, e meus olhos se fixam em algo que me faz prender o fôlego.

O castelo.

A antiga fortaleza de Eldoria se ergue no coração do Reino de Pedra como um esqueleto reluzente sob a lua. Mesmo à distância, sua grandiosidade ainda impressiona — torres que tocam o céu, muralhas que um dia devem ter sido impenetráveis. Mas agora... agora ele está coberto por um brilho opaco, uma camada fina de pedra que o faz parecer uma escultura.

Imagino como deveria ter sido antes da maldição. Salões cheios de vida, mercados prósperos, risos ecoando pelas ruas de paralelepípedo. Um reino que florescia, onde a deusa Liora ainda era adorada como uma promessa de esperança.

Agora, tudo o que resta é uma terra imóvel, um povo petrificado.

— Como algo assim pôde acontecer?

murmuro, mais para mim mesma do que para Ziam.

Mas ele ouve.

— Você conhece as histórias

ele responde, a voz baixa e séria.

— Um rei orgulhoso. Uma deusa traída. A maldição foi a resposta para sua ambição.

— Mas e os inocentes?

retruco, sentindo um nó na garganta.

— Crianças, famílias inteiras...

Ziam não responde de imediato. Quando o faz, sua voz carrega algo quase parecido com cansaço.

— Maldições não escolhem vítimas.

Abaixo de nós, a floresta permanece inerte. Mas eu ainda sinto.

Seja lá o que estava nos observando... ainda está lá. Eu sentia em meus ossos.

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