Diana Malor- Saudade das aulas

Diana Malor

Andando de um lado para o outro, é como estou agora, o castelo está no mais completo silêncio, da sacada as luzes dos jardins iluminados seriam uma boa distração se fosse em outro momento, jamais imaginei que Anton faria algo do tipo.

— Tente descansar, logo amanhecerá

Rura, a serva que trocou com Carmelita tenta novamente me convencer a dormir, mas a ansiedade de me ver livre é grande

Meu coração está batendo tão rápido como se fosse uma contagem regressiva para um encontro indesejado, posso senti-lo reverberar em cada parte do meu corpo.

Eu costumava gostar deste castelo, das histórias que suas paredes carregavam, mas as circunstâncias atuais transformavam tudo em um cenário de angústia.

o céu começa a ser tomado pela luz do sol, e lentamente o dia foi nascendo, ouvimos passos próximo à porta, e nos deixa apreensivas, uma serva abre a porta, e faz reverência

— Alteza, a cerimônia de coração será no final da tarde, e o rei gostaria de lhe falar, ele virá tomar café da manhã

a serva olha para Rura, confusão permeia seus olhos, assusto e fico amedrontada, mas Rura, faz sinal de silêncio, e recebe uma confirmação da jovem, que faz uma reverência e fecha as portas duplas com maçanetas douradas

— Preciso me preparar, mas quero mesmo é ir para casa, quero meu pai

estou cansada e nervosa pela situação, a vontade de chorar é imensa, mas sou consolada por Rura, que me abraçou apertado

— A menina, tudo isso vai passar, a deusa não vai te abandonar

tomei banho e me preparei para a visita matutina de Anton, que chegou e se sentou a mesa, senti enojada com a situação

— Está bela, minha princesa, não vejo a hora de desposar-te, farei de ti a rainha mais feliz que já existiu

disse colocando sua mão por cima da minha, retirei de imediato, parecia brasa ardente.

E vendo meu desconforto refletido em seu rosto. Ele olhou para os cantos do quarto, e viu Rura, seus olhos se arregalaram e um misto de raiva e surpresa irradiou deles.

— Onde está a sua serva?

Ele se levantou num salto. Assustada, fiz o mesmo, me afastando dele em direção a Rura, que me abraçou.

— O que está dizendo? Essa é minha ama!

ele se aproximou de Rura, e a encarava com fúria

— Acha mesmo que não conheço cada servo do meu castelo? Essa é minha casa, meu reino, saia daqui, agora!

esbravejou apontando para as portas

— Não, eu não posso ficar sozinha, não em um reino que seja o meu, não com você!

A tensão consumida em seu ápice quando Anton se aproximou de mim, sua respiração quente tocando minha pele

— Aqui é o meu reino, e você vai ficar só, sim, porque eu quero!

tremendo de medo, fiquei estatística, e Rura não teve outra alternativa a não ser se retirar

— Vasculhem todo o castelo, quero a velha no calabouço antes da coroação. Saiam todos!

ele cuspiu as palavras ainda fitando meus olhos, ouvi os passos e as portas se fecharem

— Me beije, agora!

seu sorriso malicioso se abriu, e ele foi se aproximando de mim, enquanto eu me afastava sem ceder

— Está louco, nunca vou te dar o que quer!

disse sem demonstrar o que realmente sentia, que neste exato momento, é medo, estou sozinha, e eu nunca fiquei sozinha, ele não pareceu afetado pelo que eu disse

— Vou ter o que quero, se não me der, eu tomo. Se acostume.

segurou em meu queixo, apertou e forçou seus lábios nos meus

levantei meu joelho, e bati com força entre suas pernas, e acertei meu cotovelo em seu queixo, e o vi cair praguejando

Viko meu mentor, teria orgulho de mim agora, se pudesse me ver, as aulas de luta me vieram bem a calhar, derrubei um homem o dobro do meu tamanho, e muito mais forte que eu, em dois movimentos.

O homem que parecia tão poderoso estava agora caído aos meus pés, e a sensação de empoderamento era avassaladora. No entanto, eu sabia que a batalha estava longe de terminar.

— Vou adorar te domar, fera

e sentado no chão à minha frente, ele sorria, e eu, ainda estava pronta para me defender

— Agora, vou te deixar se preparando. Hoje ainda, você será minha!

se levantou e caminhou com passos afetados até a porta, assim que suas mãos alcançaram as maçanetas douradas virou seu rosto de lado. Sorriu.

— Meu irmão é um idiota!

abriu as portas e saiu, ouvi as mesmas serem trancadas

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