Diana Malor
Após um mês sem notícias de Malu, decidi ir visitá-la. Ansiosa, mandei mensageiros que voltaram sem resposta, sentindo-me preocupada com a minha amiga.
Para garantir minha visita, enviei uma carta informando sobre minha chegada.
Quando cheguei ao palácio, fui recebida por Anton, que sorriu ao me ver.
No entanto, imediatamente senti um frio na espinha. Mantive uma certa distância dele, mas tamanho era o meu anseio por ver minha amiga.
— Olá, Anton, como vai? Onde está Malu? Preciso vê-la
disse, mal me aproximando, tal era minha apreenssão para encontrá-la.
— Olá, Diana, tudo bem, mas Malu não está aqui. Ela foi para o norte, meu querido irmão foi acompanhá-la
Anton sorriu sem mostrar os dentes, seus olhos fixos em mim. Suas sobrancelhas grossas se estreitaram enquanto pareciam olhar para algo atrás de mim.
— Diana, sem pressa. Não consigo acompanhá-la como antes, minha querida
Carmelita, minha ama, apareceu ao meu lado, ofegante.
— Diana, venha comigo. Meu pai saiu para caçar ontem e já deve estar voltando. Ele ficará feliz em vê-la
Anton disse enquanto nos dirigimos para dentro o majestoso castelo. Os vitrais adornados eram impressionantes, retratando batalhas travadas pelos antepassados da família real.
As gárgulas gigantes guardavam o castelo, rumores diziam que elas se moviam à noite, até voavam em sua guarda. As bandeiras ostentavam o símbolo do Dragão. O dia estava lindo, com o céu sem nuvens.
— Ainda me impressiono com toda essa magia nas paredes
comentei enquanto observava os detalhes dos vitrais, incluindo um que mostrava uma batalha épica entre Dragões e Orcs.
— Os Orcs não são tão perigosos. O verdadeiro perigo está nos magos que os controlam
Anton desviou minha atenção para ele, e o olhei perplexa por sua expressão aparentemente tranquila.
— Na minha opinião, ambos são perigosos. Orcs se alimentam de tudo que respira
Retruquei, sentindo que estava em um terreno perigoso.
— Não disse que não são perigosos. Apenas que quem domina e comanda uma horda deles, tem o poder de usá-los como quiser. Na história, só conhecemos magos, que usaram magia proibida para fazer o que bem quisessem.
ele explicou, e apesar de não concordar plenamente, entendi um pouco de sua perspectiva. Não queria prolongar o debate.
— Venha comigo até o jardim. Está um dia tão bonito para ficarmos dentro dessas paredes
Anton indicou um corredor que reconheci imediatamente. Era o caminho que eu e Malu costumávamos tomar quando assistíamos aos treinos dos jovens elfos aprendizes.
Carmelita me seguia atentamente, a apenas alguns passos atrás de nós.
À medida que caminhávamos pelo corredor de pedra, meus olhos percorriam as tapeçarias que contavam a história da dinastia real.
Cavaleiros de armaduras reluzentes empunhavam espadas encantadas, protegendo a fortaleza contra criaturas das trevas. O brasão do Dragão dourado pairava sobre nossas cabeças, um símbolo de poder e mistério.
Minha ansiedade aumentava a cada passo. A ausência de Malu me incomodava profundamente. Anton sempre fora uma figura enigmática, e sua presença hoje parecia ainda mais inquietante. O brilho contido em seus olhos e a forma como sorria, me davam a sensação de que ele escondia algo.
Carmelita, que andava um pouco atrás, pigarreou baixinho, como se quisesse me alertar sem chamar muita atenção. Tentei não demonstrar que percebia seu nervosismo, mas meus sentidos estavam aguçados.
— Você disse que seu irmão a acompanhou ao norte?
perguntei, tentando parecer casual enquanto o observava de soslaio.
— Sim, Ziam partiu com ela. Assuntos importantes a levaram para lá.
Anton respondeu, sem se aprofundar.
— Que tipo de assuntos?
Ele parou abruptamente e virou-se para mim, inclinando levemente a cabeça.
— Assuntos que não posso compartilhar, minha querida. Malu saberá explicar quando voltar.
Seus olhos escuros estavam cravados em mim, avaliando minha reação. Um frio percorreu minha espinha, mas me obriguei a sorrir levemente, fingindo aceitar sua resposta.
Atravessamos um arco de pedra que nos levou ao jardim. O perfume das rosas encantadas pairava no ar, e as videiras mágicas enroscavam-se ao longo dos pilares, florescendo à medida que passávamos por suas folhas. O som da fonte cristalina ecoava ao fundo, criando um contraste com a tensão que sentia.
— É realmente um belo dia
murmurei, desviando o olhar para a paisagem.
— Sim, perfeito para uma boa conversa.
Anton parou ao lado de um banco de mármore, oferecendo-me um lugar com um gesto elegante.
Eu hesitei.
Carmelita se aproximou ainda mais, seus olhos transmitindo um alerta silencioso. Ela não confiava em Anton. E, naquele momento, percebi que eu também não deveria. Me lembrei de suas palavras naquele dia na taverna dos magos.
— Talvez devêssemos esperar por seu pai. Gostaria de cumprimentá-lo antes de qualquer coisa.
Anton sorriu novamente, dessa vez exibindo os dentes.
— Ah, Diana… não precisa ter pressa. Afinal, temos tempo de sobra.
Meu coração acelerou. Algo estava errado. E eu precisava descobrir o que era antes que fosse tarde demais.
Anton Jocar
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Atualizado até capítulo 30
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