Ziam Jocar
Malu diz enquanto sobem as escadas, ambas de braços dados. Elas vão para o quarto se arrumar.
Malu, com seus cabelos ruivos e olhos azuis, e Diana, com seus cabelos prateados que se destacam onde quer que esteja. Seus olhos azuis brilhantes e inocentes atraem olhares por onde passam.
Mais tarde, elas descem as escadas, seguidas por suas amas. Seus guardas estão à espera, enquanto Anton e eu aguardamos ao pé da escada. Meu olhar se fixa em Diana quando a vejo. Ela está deslumbrante, usando sua gargantilha de Dragão, a que eu lhe dei de presente de noivado.
Caminhamos até o local escolhido por Malu, que está repleto de pessoas.
As luzes coloridas piscam, tornando todos quase irreconhecíveis. Sinto uma preocupação crescente pela segurança de minha irmã e de Diana.
Anton parece relaxado, indo até o bar e pedindo uma bebida exótica e azul. Fumaça sai das taças. Uma garçonete entrega as bebidas à mesa que escolheu, e Anton pega uma taça, entregando-a às mãos de Diana. Ela olha ao redor, reconhecendo raças como Elfos, Grifos e ciclopes. A atmosfera harmoniosa parece acalmá-la.
— Você também precisa relaxar, experimentar. Não é tão doce como o vinho
ela parece hesitar, mas acaba aceitando. Dá um gole e olha para mim, depois para Anton.
— É bom, obrigada
ela colocou a taça de volta na mesa e olha ao redor. A música está alta, tocando melodias que ela certamente nunca ouviu. Malu vira a taça inteira de uma vez e se levanta, dando a entender que vou ter problemas.
— Vou dançar
ela diz, e dois guardas disfarçados a acompanham até a pista. Malu começou a dançar com um deles.
É evidente o nervosismo dele, que lança olhares à mesa, temendo minha reação. Pobre coitado.
— Você não quer dançar?
Anton pergunta a Diana, que o encara mas depois desvia o olhar para mim.
— Eu nunca dancei e nem ouvi esse tipo de música, nem saberia por onde começar
ela sorriu timidamente e olha para suas próprias mãos, nem parece a menina que me estapeou quando coloquei um sapo em sua mão.
— Vem, vou te mostrar, cunhadinha
Anton segurou sua mão e ela lançou seu olhar para mim, que assenti a tranquilizando.
Anton começou a dançar, segurando uma das mãos de Diana e tentando guiá-la. Ela começa a sorrir, revelando um lado mais descontraído e alegre.
Anton parecia satisfeito com sua conquista momentânea, guiando Diana para a pista de dança com um sorriso brincalhão.
Observei enquanto ela hesitava no começo, movendo-se com a rigidez de quem não sabia muito bem o que fazer, mas então algo mudou. Quando Anton girou sua mão no ar e fez uma leve reverência exagerada, Diana riu.
Foi um som leve, cristalino, e percebi que não a ouvia rir daquele jeito desde… bem, talvez quando criança.
Me recostei na cadeira, mantendo um olhar atento sobre minha irmã, que já girava pelo salão, e sobre Diana, que começava a entrar no ritmo. Malu estava sob a supervisão dos guardas disfarçados, mas eu sabia que ela encontraria um jeito de se meter em confusão. Ela sempre encontrava.
— Você está parecendo um pai preocupado.
A voz de Anton me trouxe de volta. Ele girou Diana mais uma vez e olhou para mim, zombeteiro.
— Alguém tem que estar alerta.
Respondi, sem humor.
Diana ergueu os olhos para mim naquele momento, os brilhos azulados refletindo as luzes da festa.
Havia algo curioso ali, como se tentasse entender por que eu permanecia distante enquanto todos ao redor se entregavam ao momento.
— Você nunca dança, Ziam?
Ela perguntou, parando de seguir os passos de Anton por um segundo.
Ele revirou os olhos e a puxou para mais perto.
— Boa sorte fazendo essa estátua se mover, cunhadinha. Ziam não dança. Ele vigia.
Diana sorriu de canto.
— Parece cansativo.
— Alguém tem que fazer isso.
Retruquei, meu olhar deslizando novamente para Malu, que agora conversava com um grupo de elfos.
Diana pareceu considerar minhas palavras, mas Anton não a deixou pensar muito. Ele a girou outra vez, rindo de sua falta de coordenação, e ela finalmente desistiu de tentar acertar os passos, entregando-se à diversão da forma que conseguia.
Meu peito apertou. Era estranho ver Diana tão despreocupada. Eu estava acostumado com sua postura atenta, a maneira como ela sempre parecia medir o ambiente e escolher as palavras certas.
Aqui, sob as luzes coloridas e ao som daquela música vibrante, ela parecia diferente. Mais jovem. Mais viva.
Talvez Anton estivesse certo. Talvez eu devesse relaxar. Eles estavam um pouco mais afastados agora
Mas então vi um homem de vestes escuras observando Diana com interesse demais.
E, como sempre, a diversão teve que esperar.
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Atualizado até capítulo 30
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