Cada passo que dávamos parecia arrastar-se em direção a algo desconhecido e perigoso.
As árvores retorcidas ao nosso redor se erguem como gigantes petrificados, suas formas deformadas pelas eras, tornando o ambiente ainda mais opressor. Minha respiração se tornou mais pesada, e eu não podia deixar de sentir a sensação de ser observada.
— Eledhor...
murmurei, a voz quase falhando.
Ele não respondeu, mas pude ver sua postura tensa. Algo não estava certo.
Foi então que ouvi o som. Um farfalhar baixo, quase como um roçar de garras contra a terra. Um estalo, seguido de outro, e mais um. O som de passos rápidos. Eu congelei.
— O que é isso?
perguntei, sentindo meu corpo ficar tenso.
— Não estamos sozinhos, princesa. Eu já te disse isso.
A maneira como ele disse "princesa" agora soava como um lembrete da minha fragilidade, mas também de um vínculo que se formava entre nós.
. Mas isso não impedia o fato de que ele carregava seus próprios segredos.
Antes que eu pudesse reagir, uma sombra passou rapidamente pela periferia da minha visão. Um vulto, alto e sombrio, com olhos vermelhos que brilhavam como brasas. Eu só tive tempo de ver um licantropo enorme, com pelagem negra como a escuridão, quase engolido pelas sombras, antes que ele saltasse em nossa direção.
Meu coração disparou. A criatura era imensa, seus dentes afiados pareciam capazes de rasgar até a carne mais densa. Sem pensar, instintivamente, puxei a adaga da minha cintura, preparando-me para o impacto.
Mas antes que eu pudesse atacar, Eledhor foi mais rápido. Ele se atirou na frente de mim, com um movimento ágil, e empurrou a fera para longe com um soco tão forte que o animal foi jogado para trás, caindo no chão com um rugido de dor.
— Fique atrás de mim!
gritou ele, com um tom feroz em sua voz, que, pela primeira vez, soava carregado de autoridade.
O licantropo se levantou rapidamente, seus olhos fixos em mim, e em um instante, ele atacou novamente.
Mas Eledhor não hesitou. Ele pegou uma espada que estava presa à sua cintura e, com uma habilidade impressionante, cortou o ar, a lâmina brilhando sob a luz da lua. O lobo tentou esquivar-se, mas Eledhor foi mais rápido, cravando a espada no flanco da criatura, que uivou de dor.
Eu estava paralisada, incapaz de me mover, assistindo ao espetáculo de força e destreza de Eledhor. O lobo, agora ferido, recuou para longe de nós, mas seus olhos vermelhos ainda brilhavam com raiva.
Eledhor se virou para mim, com uma expressão de preocupação mais séria do que eu já o tinha visto.
A criatura, ainda com raiva, deu um último grunhido, mas recuou lentamente, desaparecendo na escuridão da floresta. Eu senti a tensão desaparecer com ela, mas o medo ainda me deixava apreensiva.
— Você... você está bem?
perguntei, tentando recuperar o fôlego. Meu coração batia com tanta força que parecia que iria sair pela minha garganta.
Ele assentiu, embora visivelmente irritado, e limpou a terra das mãos, uma na outra.
— Não foi nada. Só... fique alerta. Eles não estão sozinhos aqui.
Eu senti um calafrio percorrer minha espinha ao ouvir isso. Ele estava certo. Aquela floresta era conhecida por engolir qualquer um que tenta a sorte nela.
— Eledhor... eu... Droga, pare ia que ele estava atrás de mim.
quisesse dizer algo, mas então, com um sorriso que parecia mais cansado do que zombador, ele respondeu:
— Não se preocupe. Eu não vou deixar nada te acontecer. Vamos sair logo daqui, princesa.
E, assim, seguimos em frente, a tensão ainda pairando no ar, mas com um pouco mais de confiança agora. Eu sabia que, apesar de tudo, Eledhor estava ali, e isso fazia toda a diferença.
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Atualizado até capítulo 30
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