Eu estava sentada na sala de espera do hospital, tentando processar tudo o que tinha acontecido nas últimas 24 horas. O cansaço me pesava, mas o alívio de saber que minha avó estava estável, mesmo em recuperação, era o que me mantinha em pé. Meu celular vibrou, e ao olhar a tela, vi que era Paulo. A última coisa que eu queria agora era ter que lidar com ele, mas não pude evitar. Respirei fundo e atendi.
"Fernanda, como você está?" A voz de Paulo soou mais suave do que o normal, quase como se ele estivesse realmente preocupado.
"Estou bem, dentro do possível," respondi, tentando esconder o quanto estava cansada e ainda tensa com tudo o que tinha acontecido. "Minha avó passou pela cirurgia e está estável. Está em observação agora."
"Hmm... Eu fico aliviado em saber disso," ele disse, com um tom mais sério. "Posso passar aí para te ver?"
Eu hesitei por um momento. A última coisa que eu queria era uma visita dele, mas ao mesmo tempo, sabia que ele tinha me ajudado a salvar minha avó. Então, depois de um breve suspiro, eu concordei.
"Sim, pode vir. Eu estou na ala de recuperação. Vou te esperar aqui."
Cerca de meia hora depois, Paulo chegou ao hospital. Ele estava diferente. Não tinha a postura fria e implacável de sempre, e seu olhar parecia mais suave, como se a preocupação com minha avó tivesse afetado ele de alguma forma. Quando ele me viu, caminhou até onde eu estava e, antes de qualquer coisa, me olhou com uma intensidade que me fez sentir um desconforto estranho, mas também um certo alívio por vê-lo ali.
"Você está bem?" perguntou ele, com um olhar preocupado, os olhos intensos e sérios. "Eu fiquei preocupado quando soube que sua avó estava em risco."
"Eu... estou bem," respondi, tentando sorrir, embora meu corpo estivesse exausto. "É só que ainda estamos em um momento crítico. Ela está estável, mas o risco de complicações ainda existe."
Ele assentiu e se sentou ao meu lado na cadeira, mantendo uma distância respeitosa. A sala estava silenciosa, exceto pelo som suave dos monitores nos quartos ao redor. Durante alguns segundos, ficamos em silêncio, como se as palavras não fossem necessárias.
"Eu... queria perguntar uma coisa," ele começou, e eu o olhei curiosa. "O dinheiro que eu te dei... foi para salvar sua avó, não foi?"
Eu senti meu estômago revirar com a pergunta. Eu não queria pensar no fato de que minha decisão de aceitar o dinheiro de Paulo, de aceitar sua ajuda, ainda estava pesando sobre mim. Respirei fundo antes de responder, olhando para ele com uma honestidade que, em outros tempos, eu nunca teria sido capaz de mostrar.
"Sim," respondi, finalmente. "Foi para isso. Eu não tinha outra opção. Eu não queria aceitar o seu dinheiro, mas a situação era desesperadora."
Eu vi a expressão de Paulo mudar por um momento. Ele parecia surpreso com minha sinceridade, mas também havia um toque de algo mais em seu olhar. Um peso, talvez? Algo que se misturava entre a culpabilidade e a necessidade de seguir em frente com o que ele havia proposto. Ele se levantou da cadeira e caminhou até a janela, ficando de costas para mim. Quando voltou a me olhar, havia uma tensão no ar.
"Você sabe que eu espero que você cumpra sua palavra, Fernanda," ele disse, a voz mais firme agora. "Você concordou em se casar comigo. E, independentemente de como isso tenha acontecido, eu espero que você honre o que prometeu."
Eu sentia o peso das palavras dele. O que ele disse não era uma surpresa, mas naquele momento, o peso delas parecia ainda maior. Eu sabia o que estava em jogo agora, sabia que a minha vida estava prestes a mudar de uma maneira que eu não tinha planejado, e que as consequências disso eram imprevisíveis.
"Eu sei," respondi, com a voz mais baixa do que o normal. "Eu vou cumprir com o que prometi."
Paulo se aproximou novamente e se sentou ao meu lado. Sua presença era esmagadora, e eu não conseguia evitar sentir um misto de nervosismo e curiosidade sobre o que viria a seguir. Ele me olhou com uma intensidade quase dolorosa, como se estivesse me avaliando de uma forma que eu não entendia completamente.
"Eu não estou dizendo que você tenha que fazer isso por mim," ele disse, sua voz mais suave agora, como se estivesse tentando ser mais humano. "Eu entendo se você não quiser, mas você tem que saber que é a melhor coisa a fazer neste momento. E eu... eu preciso de você. Eu sei que você não me deve nada, mas espero que me dê essa chance."
Eu me sentia em um dilema. A parte de mim que sabia que estava fazendo a coisa certa, a parte de mim que amava minha avó e queria vê-la bem, estava em conflito com a parte de mim que não queria se submeter a um contrato de casamento, que não queria ser apenas um objeto nas mãos dele, mesmo que ele tivesse me ajudado.
"Eu sei," repeti, minha voz saindo quase em um sussurro. "Eu farei isso, Paulo. Eu prometo que vou cumprir com o que acordamos."
Paulo ficou em silêncio por um momento, e eu senti que havia algo mais não dito ali. Algo que ele queria dizer, mas não sabia como, ou talvez não quisesse.
"Eu não sou fácil de lidar, Fernanda," ele finalmente disse, com um sorriso amargo. "Mas espero que, ao menos, você possa ver isso como uma oportunidade para ambos. Para você, para sua avó, para todos."
Eu o olhei sem saber o que responder. O que eu podia dizer, afinal? Eu já havia feito a escolha, já estava dentro desse caminho. Não havia mais volta. Tudo o que eu podia fazer agora era seguir em frente.
"Eu entendo," disse eu, com um suspiro. "Eu farei o que for necessário."
Paulo parecia aliviado, mas a tensão ainda estava lá, suspensa entre nós. Ele se levantou e me olhou uma última vez antes de sair da sala.
"Eu te vejo amanhã, Fernanda. E não se esqueça do que você prometeu."
E com isso, ele se foi. Eu fiquei ali, sozinha, pensando nas consequências de tudo aquilo. Eu sabia que a partir daquele momento, nada seria como antes. O contrato estava assinado, de uma forma silenciosa, mas irremediável.
E a minha vida com Paulo César estava apenas começando.
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Atualizado até capítulo 60
Comments
bete 💗
oi amore cadê você com a continuação da sua história por favor ela está muito interessante por favor não nos deixe nessa expectativa ❤️❤️❤️❤️❤️
2025-01-13
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bete 💗
cadê você autora nos dá o doce depois tira
posta mais estamos curiosas para o desfecho
por favor ❤️❤️❤️❤️❤️
2025-01-18
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bete 💗
espero que ela consiga mudar ele
ele precisa ser amado
aguardando ansiosa ❤️❤️❤️❤️❤️
2025-01-09
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