Capítulo 3: Atritos e Primeiras Antipatias
Meu segundo dia de trabalho começou um pouco menos caótico. Com o mapa mental que criei na cabeça, já sabia onde ficava cada setor e as áreas que precisaria acessar. Ainda assim, um nó de ansiedade apertava meu estômago enquanto organizava a agenda do Paulo César. Ele ainda não tinha chegado, mas isso não diminuía a tensão.
Por volta das nove da manhã, enquanto eu terminava de revisar uns relatórios, ouvi um par de saltos ecoando pelo corredor. Quando levantei o olhar, vi uma mulher impecavelmente vestida, usando um tailleur vermelho que parecia feito sob medida. Seus cabelos loiros estavam perfeitamente presos em um coque, e o perfume caro parecia dominar o ambiente.
Ela parou ao lado da minha mesa, me lançando um olhar que misturava curiosidade e desdém.
"Você é a nova secretária do senhor César?" ela perguntou, com a sobrancelha arqueada.
"Sim, sou Fernanda Maia," respondi, tentando soar educada.
"Sou Priscila. Diretora de marketing," disse ela, como se fosse óbvio. "Espero que você saiba o quão exigente ele é. Não é fácil agradar o Paulo."
"Estou me esforçando," murmurei, um pouco desconfortável com seu tom de superioridade.
"Bom, isso veremos."
Antes que eu pudesse dizer algo, ela simplesmente virou as costas e caminhou em direção à sala do Paulo.
Pouco depois, ele chegou, e o ambiente ficou ainda mais tenso. Enquanto eu revisava mais documentos, percebi Priscila entrando e saindo da sala dele com frequência. Toda vez que ela passava por mim, lançava um olhar que parecia dizer: "Você não pertence aqui."
À tarde, a situação escalou. Eu estava na copa preparando café para Paulo quando Priscila entrou. Ela se posicionou ao meu lado, olhando-me pelo canto do olho.
"Então, Fernanda," começou ela, com um tom condescendente. "O que te fez achar que era qualificada para trabalhar aqui?"
Surpresa pela pergunta, hesitei antes de responder. "Eu tenho experiência como secretária e... acredito que posso aprender rápido."
Ela soltou uma risada curta, que mais parecia um deboche. "Sabe, o Paulo é muito exigente. Ele não tem paciência para... amadores."
"Estou ciente disso," respondi, tentando manter a calma.
Priscila inclinou-se um pouco mais perto, o sorriso desaparecendo de seu rosto. "Deixe-me dar um conselho, querida. Se você não quer se queimar aqui dentro, mantenha-se no seu lugar. E, acima de tudo, não tente chamar atenção do Paulo."
"Eu não estou tentando chamar atenção de ninguém," respondi, sentindo o sangue ferver.
"Ótimo. Porque ele não tem espaço para distrações."
Sem esperar uma resposta, ela virou as costas e saiu, deixando-me sozinha com minha raiva.
Quando voltei à mesa, Paulo me chamou em sua sala para discutir a agenda da semana. Enquanto eu ajustava os compromissos, Priscila entrou sem bater, carregando uma pasta.
"Paulo, aqui estão os relatórios da campanha," disse ela, ignorando completamente minha presença.
"Deixe sobre a mesa," respondeu ele, sem levantar os olhos.
Priscila, no entanto, não parecia satisfeita. Ela se aproximou, parando ao lado dele. "Se precisar de algo mais detalhado, posso explicar pessoalmente."
"Se precisar, aviso," disse ele, num tom cortante.
Ela hesitou, lançando um olhar rápido na minha direção antes de sair da sala, visivelmente contrariada.
Quando fiquei sozinha novamente com ele, Paulo olhou para mim com a testa franzida. "Algum problema, senhorita Maia?"
"Não, senhor," menti.
Ele pareceu analisar minha expressão por alguns segundos antes de voltar ao trabalho.
Os dias seguintes continuaram no mesmo ritmo. Priscila fazia questão de tornar minha vida mais difícil, seja com comentários ácidos ou pequenas humilhações disfarçadas de "conselhos". Era óbvio que ela queria algo mais com Paulo, mas ele parecia completamente alheio às suas tentativas.
Numa tarde, enquanto eu organizava uma pilha de documentos, ouvi Priscila conversar com outra colega no corredor.
"Não entendo como alguém como ela conseguiu esse trabalho," disse Priscila, sem se preocupar em abaixar o tom. "É tão... deslocada."
Fechei os olhos, tentando ignorar as palavras, mas elas me atingiam como pequenas farpas.
Na sexta-feira, o inevitável confronto aconteceu. Estava no meio de uma reunião com Paulo, tomando notas, quando Priscila entrou novamente sem bater. Dessa vez, ela trouxe um tablet e começou a explicar uma campanha, interrompendo o que estávamos discutindo.
"Senhor César, precisamos alinhar os próximos passos para o lançamento. Não podemos deixar isso para depois," disse ela, aproximando-se da mesa.
"Agora não, Priscila. Estou em outra reunião," disse ele, claramente irritado.
"Mas é urgente," insistiu ela, ignorando a tensão no ar.
Paulo suspirou profundamente, olhando para mim. "Fernanda, pode nos dar um minuto?"
"Claro," murmurei, levantando-me rapidamente.
Enquanto saía, ouvi Priscila dizer, com um tom quase triunfante: "Sabe, Paulo, você merece alguém mais competente ao seu lado. Essa garota parece tão perdida..."
Eu parei do lado de fora da porta, sentindo as lágrimas ameaçarem cair. Mas, antes que pudesse me mover, ouvi a resposta de Paulo.
"Priscila, meu time é minha responsabilidade. Se não está satisfeita, concentre-se no seu trabalho e deixe minha equipe em paz."
Meu coração acelerou. Não era exatamente uma defesa calorosa, mas foi suficiente para calá-la.
Voltei à minha mesa, sentindo uma mistura de alívio e nervosismo. Priscila saiu da sala pouco depois, lançando-me um olhar furioso antes de desaparecer pelo corredor.
Paulo chamou-me de volta, e continuamos a reunião como se nada tivesse acontecido. Ele era frio como sempre, mas algo na maneira como lidou com Priscila me deu forças para continuar.
Eu sabia que aquela não seria a última vez que enfrentaria problemas com ela, mas naquele momento, pela primeira vez, senti que talvez pudesse resistir. Trabalhar ali não seria fácil, mas desistir nunca foi uma opção para mim.
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Atualizado até capítulo 60
Comments
bete 💗
em todo lugar tem sempre alguém para nós humilhar ❤️❤️❤️❤️❤️
2025-01-07
1
Iraci Zay
sempre tem uma 🐍
2025-01-06
0