11

Era quase a hora de eu ir embora do escritório quando o celular de Paulo começou a tocar na minha mesa. Ele estava em sua sala, provavelmente terminando algum trabalho ou apenas se preparando para a noite, então o telefone que tocava parecia um pouco fora do normal. Fui até a mesa dele e olhei para o visor do celular. O número não era salvo, e curiosamente, eu não sabia de quem poderia ser.

Antes que eu pudesse decidir o que fazer, a chamada caiu. Um segundo depois, o celular de Paulo tocou novamente, e, dessa vez, resolvi atender.

— Escritório de Paulo César, quem fala? — disse com uma voz firme, mas curiosa.

Do outro lado da linha, a voz de uma mulher parecia apressada, quase desesperada.

— Olá, eu sou a garçonete do bar onde o senhor Paulo está. Ele está bastante bêbado e, aparentemente, não consegue sair sozinho. Este é o número de emergência dele, certo? Eu não sei mais o que fazer. Ele está aqui, e eu não posso deixá-lo sozinho assim. Você pode vir buscá-lo?

Meu estômago virou. Bêbado? Paulo nunca parecia perder o controle, ele era sempre tão controlado, tão firme. Não conseguia imaginar o que havia acontecido para ele chegar naquele estado. Antes que eu pudesse processar muito, a mulher já havia desligado. O peso da situação caiu sobre mim, e eu fiquei parada por um momento, sem saber como reagir.

Eu estava prestes a sair para casa, já havia trocado de roupa para um jantar com algumas amigas, mas agora tudo parecia ter mudado. Paulo estava em apuros. Mesmo com todas as nossas diferenças, eu não poderia simplesmente ignorar o pedido de ajuda. Ele era meu chefe, e, de alguma forma, ele confiava em mim para situações como essa. Se ele estava bêbado a ponto de precisar de ajuda, quem mais poderia ajudá-lo, senão eu?

Com um suspiro, peguei a bolsa e saí rapidamente do escritório. Não dava para esperar muito. A última coisa que eu queria era que ele ficasse ainda mais vulnerável naquela situação.

No caminho para o bar, eu não conseguia parar de pensar sobre o que havia acontecido para ele acabar ali, tão fora de si. Ele sempre parecia tão infalível, tão inacessível. Nunca pensei que o veria em um estado tão frágil. Mas agora, eu teria que enfrentá-lo assim, e, de alguma forma, isso me deixou mais ansiosa do que eu esperava.

O trânsito estava tranquilo naquela noite, o que me deu alguma esperança de que eu chegaria a tempo. Quando finalmente estacionei perto do bar, a primeira coisa que notei foi o som animado e animado vindo do local. A música estava alta, e havia pessoas indo e vindo, rindo e conversando. A garçonete havia dito que Paulo estava lá, mas eu não sabia exatamente onde ele estava.

Entrei no bar, tentando parecer casual enquanto minha mente estava em um turbilhão. Eu caminhei pela pista de dança, tentando localizar qualquer sinal de Paulo. Quando avistei o grupo de homens em uma das mesas mais afastadas, meu coração deu um salto. Lá estava ele, com a cabeça jogada para trás, rindo alto demais para algo que não fazia sentido. Ele estava com dois outros homens, mas parecia perdido em sua própria mente. A expressão no rosto dele estava distante, e seus olhos estavam um tanto vidrados, sem foco.

Quando ele me viu, algo no seu olhar mudou. Havia uma mistura de surpresa, confusão e talvez vergonha. Ele tentava se manter firme na cadeira, mas era óbvio que seu corpo não respondia como ele queria. Ele estava realmente bêbado.

— Fernanda… — Ele disse o meu nome com uma voz baixa, quase arrastada, como se estivesse tentando manter alguma compostura. — Você veio…?

Eu fiquei parada na entrada da mesa, observando-o por um momento. Ele estava tão fora de si que, pela primeira vez, parecia humano, vulnerável. Mas isso não mudava o fato de que ele era meu chefe, e ele não tinha o direito de se colocar nessa situação, especialmente sabendo do poder que tinha sobre todos ao seu redor.

— Paulo, o que você está fazendo aqui? — Perguntei com uma mistura de frustração e preocupação. Eu não queria parecer brava, mas ele havia me colocado em uma situação desconfortável.

Ele apenas olhou para mim e soltou uma risada fraca, sem conseguir manter os olhos em mim por muito tempo.

— Eu… eu só… — Ele pareceu ter dificuldade para formar palavras. — Não consigo mais… não consigo mais controlar nada, Fernanda.

Eu sabia que ele estava tentando dizer algo mais, mas seu estado não permitia muita clareza. Os outros homens à mesa pareciam desconfortáveis, mas nenhum deles se ofereceu para ajudar. Eu olhei para eles, esperando algum tipo de atitude, mas todos pareciam alheios, com seus próprios copos na mão, sem querer envolver-se mais.

Suspirei e caminhei até ele, colocando minha bolsa sobre a cadeira ao lado. Não era o que eu tinha planejado para aquela noite, mas não podia deixá-lo ali, exposto.

— Vamos, Paulo. Você precisa sair daqui — disse, tentando ser firme, mas também com um toque de suavidade. Ele não reagiu de imediato, mas olhou para mim com aqueles olhos cansados, como se tivesse desistido de alguma luta interna.

Fui até ele e coloquei a mão em seu braço, tentando ajudar. Ele não resistiu. Ele parecia desmoronar quando tentei levantá-lo, e eu precisei usar mais força do que imaginei para guiá-lo até a porta.

Quando finalmente saímos para a calçada, a brisa fresca da noite parecia um choque contra o calor do bar. Paulo ainda estava tentando se manter em pé, mas seus movimentos estavam lentos e descoordenados.

— Eu… eu não sou fraco, Fernanda… — ele murmurou, e eu podia perceber a vergonha na sua voz. Ele estava tentado esconder isso de mim, mas não havia como.

Eu apenas o olhei por um momento, meu coração apertando. Eu sabia que ele não gostava de mostrar fraqueza, mas a realidade era que ele não estava bem. E eu, por algum motivo, não podia ignorar isso.

— Vamos lá, Paulo. Vamos para casa — disse, ajudando-o a caminhar até o carro.

Eu nunca imaginei que a noite terminaria assim. Mas quando Paulo finalmente se acomodou no banco do carro, exalando uma mistura de álcool e cansaço, eu percebi que essa era uma faceta dele que eu nunca tinha visto. E, por mais desconfortável que fosse, eu sabia que o Paulo que eu conhecia não era apenas aquele homem distante e insensível. Havia muito mais sob a superfície. E talvez fosse esse o lado de Paulo que eu ainda estava começando a entender.

Mais populares

Comments

Yamagutte Maria

Yamagutte Maria

O problema do Paulo é a tia a família faz ele agir dessa forma fria e arrogante são muitas coisas escondidas.

2025-03-31

0

bete 💗

bete 💗

ele quer sempre ser forte mais chega uma hora que tudo desmorona
❤️❤️❤️❤️❤️

2025-01-08

0

Ver todos

Baixar agora

Gostou dessa história? Baixe o APP para manter seu histórico de leitura
Baixar agora

Benefícios

Novos usuários que baixam o APP podem ler 10 capítulos gratuitamente

Receber
NovelToon
Um passo para um novo mundo!
Para mais, baixe o APP de MangaToon!