Capítulo 7: Segredos de Família
O dia começou como qualquer outro no escritório. Paulo chegou cedo, como sempre, com sua postura rígida e olhar frio. Eu, por outro lado, ainda me recuperava da noite anterior. A festa de trabalho havia deixado um clima estranho entre nós, mas ele, como esperado, fingia que nada tinha acontecido.
Estava revisando um relatório em minha mesa quando uma movimentação incomum começou na recepção. Murmúrios e olhares curiosos percorriam o escritório, e percebi que algo fora do comum estava acontecendo.
"É a mãe do senhor César," comentou Carol, que trabalhava em um departamento próximo. Ela passou apressada, claramente tentando chegar mais perto para ver o que estava acontecendo.
Levantei-me, intrigada. A figura que havia chamado tanta atenção era uma mulher elegante, com cabelos grisalhos perfeitamente penteados e um olhar determinado. Mesmo à distância, sua semelhança com Paulo era evidente. Ela entrou na sala dele sem pedir permissão, como se tivesse total direito de estar ali.
Poucos minutos depois, a curiosidade tomou conta do escritório. Todos estavam tentando descobrir o motivo da visita, e logo os rumores começaram. Carol, que sempre sabia de tudo, aproximou-se da minha mesa com um sorriso travesso.
"Você sabia que Paulo é adotado?" perguntou ela, baixando a voz como se estivesse revelando um segredo de estado.
"Adotado?" repeti, chocada.
Ela assentiu, parecendo satisfeita por ter minha atenção. "Sim. Aquela mulher que você viu agora é, na verdade, a tia dele, não a mãe biológica."
"Mas por que ele foi adotado?"
"Ninguém sabe ao certo," respondeu ela, dando de ombros. "Há muitos boatos, mas ninguém conhece a história completa. A mãe verdadeira dele é um mistério. Ninguém sabe quem é ou por que ela o deixou com a irmã."
Fiquei em silêncio, processando aquela informação. Paulo era um homem tão fechado, tão controlado, que era difícil imaginar algo tão pessoal sobre sua vida sendo discutido abertamente.
"Por que você acha que ela o abandonou?" perguntei, incapaz de conter minha curiosidade.
Carol deu de ombros novamente. "Talvez fosse jovem demais, ou tivesse problemas. Quem sabe? Mas olha só... nem sempre o poderoso Paulo César teve uma vida perfeita."
Aquela conversa ficou na minha mente o resto do dia. Olhei várias vezes para a porta fechada de Paulo, imaginando o que ele estaria discutindo com sua... mãe? Tia? A dinâmica entre eles parecia complexa, mas eu não tinha como saber o que realmente estava acontecendo.
Durante o almoço, sentei-me com algumas colegas, e o assunto continuou. Uma delas, chamada Ana, que era conhecida por ser um pouco invejosa, acrescentou mais detalhes à história.
"Todo mundo sabe que a tia dele sempre foi dura com ele. Criou Paulo como se fosse o filho dela, mas com regras muito rígidas. É por isso que ele é tão frio hoje em dia," comentou, enquanto mexia na salada.
"Você já viu alguém saber tanto sobre a vida do chefe?" ironizou Carol, lançando um olhar a Ana.
"Eu só presto atenção," retrucou Ana, dando de ombros. "E quer saber? Ele não era ninguém até assumir a empresa da família. Ele só está onde está por causa dela."
Voltei ao trabalho com a cabeça cheia de perguntas. Enquanto revisava documentos, não conseguia evitar imaginar como deveria ser crescer em uma família como a de Paulo. Ele sempre fora tão controlado e fechado, mas talvez isso fosse resultado de sua criação.
Quando finalmente a porta do escritório dele se abriu, a mulher saiu com o mesmo ar altivo com que havia entrado. Paulo a acompanhou até a saída, mantendo sua expressão séria. Assim que ela se foi, ele voltou para sua sala sem sequer olhar para ninguém.
Não consegui conter minha curiosidade e fui atrás dele com um pretexto profissional. Bati na porta e esperei.
"Entre," respondeu ele, em seu tom habitual.
Entrei e fechei a porta atrás de mim. Ele estava sentado à sua mesa, parecendo mais tenso do que de costume.
"Está tudo bem, senhor César?" perguntei, tentando parecer apenas preocupada com o trabalho.
"Por que não estaria?" respondeu ele, levantando os olhos para me encarar.
"Bom, só achei que... a visita da sua mãe, ou tia, talvez... pudesse ter sido um pouco... intensa."
Os olhos dele se estreitaram levemente, e por um momento achei que ele fosse me expulsar dali. Mas, em vez disso, ele suspirou, um gesto raro vindo dele.
"Minha família não é da sua conta, Fernanda," disse ele, com um tom mais frio do que o habitual.
"Entendido, senhor," murmurei, recuando.
Enquanto saía de sua sala, senti um misto de frustração e curiosidade. Paulo era um homem tão complexo, e parecia que quanto mais eu descobria sobre ele, menos eu entendia.
Mais tarde, no fim do expediente, as conversas sobre a visita continuavam. Algumas pessoas pareciam fascinadas com o mistério, enquanto outras, como Ana, pareciam gostar de fofocar por pura maldade.
"Você acha que ele sabe quem é a mãe dele?" perguntou Carol, enquanto pegávamos nossas coisas para ir embora.
"Não sei," respondi, sinceramente. "Mas acho que ele tem bons motivos para guardar isso para si."
No fundo, eu sabia que a curiosidade não me levaria a lugar nenhum. Mas algo sobre Paulo me fazia querer entender mais, saber mais. Havia uma vulnerabilidade nele que ele escondia a todo custo, mas que eu, de alguma forma, conseguia perceber.
E, enquanto saía do escritório naquele dia, não pude evitar pensar: quem era a mulher que o havia deixado? E por que ele parecia carregar tanta mágoa e frieza como resultado disso?
A resposta, eu sabia, não viria facilmente. Mas algo me dizia que, cedo ou tarde, os segredos de Paulo César seriam revelados – e talvez mudar tudo entre nós.
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Atualizado até capítulo 60
Comments
IJBitt🧚
Concordo com ele.
Fui secretaria em uma multinacional e nunca, nunca mesmo agi dessa maneira.
Tempos atrás a hierarquia era mantida do primeiro ao último posto.
Hoje, as secretárias, primeira coisa que fazem é transar com o (agora) CEO antes eram presidente e vice - presidente.
É muita vulgaridade e ganância.😠😠😠
2025-03-01
1
IJBitt🧚
E você,adora bisbilhotar a vida alheia, não é? 🤔🙄😏
2025-03-01
1
Simone Silva
parabéns autora pelo seu livro
2025-01-23
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