Capítulo 4: Encontros e Constrangimentos
Depois de uma semana intensa no trabalho, minhas amigas insistiram que eu precisava relaxar. "Você está parecendo uma velhinha, Fernanda. Vamos ao bar novo que abriu perto do centro," disse Carol, minha melhor amiga desde a faculdade.
Relutei um pouco, mas no fundo sabia que elas tinham razão. Estava exausta e precisava distrair a mente. Então, naquela sexta-feira à noite, coloquei um vestido preto simples, mas elegante, e fui encontrá-las.
O bar estava cheio e animado, com luzes baixas e música ambiente agradável. Eu ria das histórias engraçadas de Carol e Joana, finalmente sentindo os ombros relaxarem após dias de tensão.
"Agora sim você está parecendo viva," brincou Joana, me cutucando.
Estávamos pedindo mais uma rodada de drinks quando, do outro lado do bar, notei uma figura familiar. Meu chefe, Paulo César, estava sentado em uma mesa reservada com três homens de aparência imponente, conversando com seriedade. Ele usava o habitual terno impecável, mas algo na sua postura denunciava que ele não estava totalmente confortável.
"Fernanda, você está aí?" Carol perguntou, me puxando de volta para a conversa.
"Desculpe, achei que vi alguém conhecido."
Curiosa, disfarcei e olhei novamente. Não tinha dúvidas. Era ele. Paulo César, o chefe frio e distante, estava no mesmo bar que eu, em pleno encontro profissional.
"Quem você viu?" insistiu Carol, percebendo meu olhar fixo.
"Ninguém importante," menti, desviando os olhos.
Mas a coincidência não terminou ali. Um dos homens da mesa dele se levantou e veio até o bar para pegar uma bebida. No caminho de volta, passou perto da nossa mesa e, de repente, seus olhos se fixaram em mim.
"Boa noite," disse ele, sorrindo de forma educada.
"Boa noite," respondi, sem entender muito bem a situação.
"Você trabalha na empresa do César?" ele perguntou, e eu imediatamente congelei.
"Sim, sou a secretária dele," respondi, tentando manter a calma.
Ele abriu um sorriso maior e gesticulou para a mesa onde Paulo estava sentado. "Venha se apresentar. Tenho certeza de que os outros gostariam de conhecê-la."
"Eu não sei se..." comecei, mas ele já estava me puxando suavemente.
"Vai lá, Fernanda," Carol sussurrou, mal conseguindo segurar a risada.
Meus passos foram inseguros enquanto me aproximava da mesa. Paulo ergueu os olhos quando me viu e, por um breve instante, algo que parecia surpresa passou por sua expressão.
"Senhores, esta é Fernanda Maia, a nova secretária do Paulo," disse o homem que me trouxe até ali.
"Prazer," murmurei, forçando um sorriso.
Os outros dois homens me olharam de cima a baixo, como se me analisassem.
"Paulo sempre sabe como escolher bem," comentou um deles, com um sorriso que me fez querer desaparecer.
"Realmente, uma mulher muito bonita," acrescentou outro, ainda me encarando.
Senti minhas bochechas queimarem de vergonha. Paulo permaneceu em silêncio, mas seu maxilar estava visivelmente tenso.
"Obrigada," murmurei, tentando parecer educada enquanto desejava sair dali o mais rápido possível.
"Ela é tão educada. César, você está escondendo essa pérola," brincou o homem que parecia ser o mais velho do grupo.
Antes que mais comentários fossem feitos, Paulo finalmente falou, com a voz firme e autoritária de sempre. "Fernanda, você não precisa se preocupar com isso. Volte para sua mesa e aproveite sua noite."
Assenti rapidamente, aliviada por ter uma desculpa para sair. "Foi um prazer conhecê-los," murmurei antes de me virar e praticamente correr de volta para a minha mesa.
Quando me sentei, Carol e Joana me bombardearam com perguntas. "O que foi aquilo? Quem era aquele cara?"
"Meus chefes," resmunguei, ainda sentindo o calor no rosto.
"E aquele bonitão sério? Era o Paulo César, né?" perguntou Joana, curiosa.
"Sim, ele mesmo."
"Uau, agora entendo por que você anda tão tensa. Ele parece do tipo que não perdoa erros."
Eu ri, tentando relaxar. "Ele é complicado, mas faz parte do trabalho."
O resto da noite passou sem maiores incidentes, mas não consegui deixar de pensar na expressão de Paulo. Ele parecia... incomodado. Não sabia se era com os comentários dos homens ou com minha presença ali, mas algo claramente o afetara.
Na segunda-feira, voltei ao trabalho com o mesmo profissionalismo de sempre, mas o ambiente parecia mais carregado. Paulo estava ainda mais sério do que o normal, e mal falou comigo o dia inteiro.
Quando finalmente tive coragem de perguntar sobre algo da agenda, ele me respondeu de forma curta e direta, sem nem me olhar nos olhos.
"Algo errado, senhor César?" arrisquei, tentando entender sua mudança de comportamento.
"Não," respondeu ele, seco.
Decidi não insistir, mas a tensão era palpável. Por mais que tentasse esquecer, o encontro no bar parecia ter alterado algo entre nós.
De volta à minha mesa, suspirei, decidindo que o melhor era focar no trabalho e evitar qualquer interação desnecessária. Afinal, se tem algo que aprendi em pouco tempo nessa empresa, é que Paulo César não gosta de distrações. E, claramente, eu era uma delas.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 60
Comments
Simone Silva
parabéns autora pelo seu livro ❤️
2025-01-23
0
IJBitt🧚
Bonita? 🤔🤔🤔
2025-02-28
1
bete 💗
❤️❤️❤️❤️❤️
2025-01-07
0