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Capítulo 2: O Primeiro Dia

Entrar naquele prédio era como mergulhar em um mundo completamente diferente. Tudo ali exalava elegância e sofisticação. O saguão de entrada era amplo, com pisos de mármore brilhante e um lustre deslumbrante pendurado no teto. Cada passo que eu dava parecia ecoar, e eu me sentia minúscula diante de tamanha grandiosidade.

Apertei a alça da bolsa no ombro, tentando ignorar o nervosismo que fazia minhas mãos tremerem. O segurança na recepção me cumprimentou com um olhar indiferente e indicou o caminho para os elevadores. Meu crachá provisório brilhava em letras prateadas: "Fernanda Maia - Secretaria do CEO". Só de olhar para aquelas palavras, um arrepio percorria minha espinha.

"Você consegue, Fernanda," sussurrei para mim mesma enquanto esperava o elevador.

Ao chegar no 25º andar, onde ficava o escritório do Paulo César, fui recebida por uma mulher alta e bem vestida, provavelmente na casa dos 40 anos. Seu sorriso era educado, mas distante.

"Você deve ser Fernanda," disse ela, me avaliando de cima a baixo. "Sou Clara, a assistente administrativa. Venha comigo, vou te mostrar sua estação de trabalho."

Segui Clara pelo corredor impecavelmente decorado, com paredes de vidro que deixavam tudo ainda mais intimidador. No fundo, pude avistar a porta dupla que levava à sala de Paulo.

"Aqui está o seu espaço," disse ela, parando em frente a uma mesa organizada com um computador, telefone e uma pilha de papéis que pareciam gritar "urgente". "Seu trabalho é gerenciar a agenda do senhor César, atender às ligações e, acima de tudo, não cometer erros."

Assenti rapidamente, sentindo o peso da responsabilidade antes mesmo de começar.

"Ele é exigente, como você deve imaginar," Clara continuou, ajustando os óculos. "Não gosta de atrasos, improvisos ou desculpas. Faça o que ele pede, da maneira que ele pede, e talvez você sobreviva."

A palavra "talvez" ecoou na minha mente como um alerta.

"Entendido," murmurei.

Clara deu um sorriso breve e se afastou, deixando-me sozinha para enfrentar meu novo mundo. Sentei-me à mesa e respirei fundo, tentando me familiarizar com o sistema no computador. Minutos depois, o telefone tocou, e eu quase derrubei o aparelho ao atender.

"Escritório do senhor César," disse, tentando soar profissional.

"Preciso que traga café na minha sala, agora," a voz dele soou fria do outro lado.

"Sim, senhor," respondi rapidamente.

Levantei-me apressada, tentando lembrar onde ficava a cozinha. Após alguns minutos de procura, finalmente encontrei o espaço, preparei o café e voltei para sua sala. Com as mãos trêmulas, empurrei as portas e entrei.

Paulo César estava sentado atrás de uma mesa enorme, digitando algo no computador. Ele nem levantou os olhos quando coloquei a xícara na frente dele.

"Demorou," foi tudo o que ele disse.

"Desculpe, senhor. Eu ainda estou me familiarizando," respondi, minha voz falhando levemente.

Ele finalmente me olhou, seus olhos gelados analisando cada detalhe meu. "Familiarize-se rápido. Eu não tenho paciência para incompetência."

Assenti, sentindo minhas bochechas queimarem. Saí rapidamente da sala, mas ao fechar a porta, deixei que ela fizesse mais barulho do que pretendia.

Voltei para minha mesa, tentando me concentrar nas tarefas, mas o nervosismo parecia tomar conta de mim. As horas passaram, e eu fiz o possível para organizar sua agenda, responder e-mails e atender às ligações, sempre com medo de cometer algum erro.

Por volta das três da tarde, Clara apareceu novamente. "Ele pediu que você levasse esses documentos para ele assinar," disse, entregando-me uma pasta.

Peguei a pasta e fui até sua sala, batendo levemente na porta antes de entrar.

"Entre," ele disse, sem desviar os olhos da tela do computador.

"Estes são os documentos que pediu, senhor," disse, colocando a pasta sobre a mesa.

Ele estendeu a mão, e ao pegar a pasta, sua expressão endureceu. "Você verificou isso antes de trazer para mim?"

"Eu... Clara disse que eram para o senhor assinar..."

"Clara não é minha secretária. Você é. Então, da próxima vez, verifique."

"Entendido, senhor. Vou corrigir agora mesmo," murmurei, pegando a pasta de volta.

"Certifique-se de que não vai acontecer de novo," ele disse, voltando ao trabalho como se eu já não estivesse mais ali.

Saí da sala sentindo como se tivesse levado um soco no estômago. Passei o resto da tarde revisando cada detalhe daqueles documentos, com medo de errar novamente.

Quando o relógio marcou seis horas, senti um pequeno alívio. Meu primeiro dia estava chegando ao fim. Peguei minhas coisas e estava prestes a sair quando ouvi sua voz atrás de mim.

"Senhorita Maia."

Virei-me rapidamente, encontrando Paulo parado na porta de sua sala, o semblante tão frio como sempre.

"Sim, senhor?"

"Espero que amanhã seja mais eficiente. E, por favor, não se atrase."

"Não vou me atrasar, senhor," prometi.

Ele não respondeu, apenas voltou para sua sala, deixando-me ali.

Enquanto descia no elevador, suspirei profundamente. Meu primeiro dia havia sido um caos, mas de alguma forma, eu havia sobrevivido. Sabia que trabalhar com Paulo César não seria fácil, mas algo nele, além de sua frieza, me intrigava. Por trás daquela máscara impenetrável, havia um homem quebrado, alguém que parecia carregar uma dor invisível.

E, por mais que não fosse minha intenção, eu não conseguia evitar me perguntar: quem era Paulo César além do chefe cruel? E por que, mesmo me tratando com tanta indiferença, parecia tão solitário?

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Comments

bete 💗

bete 💗

espero que ela o ajude melhorar ❤️❤️❤️❤️❤️

2025-01-07

2

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