Capítulo 5: O Silêncio de um Homem Frio
O som irritante do despertador me arrancou de um sono superficial. A noite passada no bar ainda rondava minha mente, misturando-se aos ecos dos olhares e comentários dos homens na mesa de Paulo. Levantei com preguiça, sentindo as pernas pesadas, mas determinada a começar o dia como sempre: profissional e focada.
Escolhi uma blusa branca de seda e uma saia lápis preta, minha combinação infalível para dias em que eu precisava de confiança extra. Peguei minha bolsa, revisei a agenda mentalmente e saí para o trabalho.
O prédio da empresa parecia maior e mais intimidador naquela manhã. Talvez fosse o cansaço ou a lembrança do olhar impassível de Paulo na noite anterior, mas, ao passar pela recepção, senti um frio na barriga.
Cheguei à minha mesa, organizada e impecável como deixei no dia anterior. Abri o computador e comecei a revisar os compromissos do dia de Paulo. Ele tinha reuniões em sequência e um almoço com investidores importantes. Tomei nota de tudo, como sempre fazia, e esperei ele chegar para confirmar os horários.
O som da porta do elevador se abrindo indicou sua chegada. Paulo César, como sempre, estava impecável em seu terno cinza, com a expressão séria que parecia parte de sua identidade. Ele passou por mim sem sequer me olhar.
"Bom dia, senhor César," arrisquei, mantendo a formalidade.
"Bom dia," respondeu ele, seco e distante, já entrando em sua sala.
Fiquei ali, parada por alguns segundos, tentando decifrar sua indiferença. Ele estava exatamente como no primeiro dia: frio, inabalável e completamente impenetrável. A interação no bar parecia um sonho distante, algo que ele decidira enterrar sem vestígios.
Respirei fundo, ajustando minha postura. Se ele não queria abordar o assunto, quem era eu para insistir? Retomei meu trabalho, focando nos e-mails e nos relatórios que precisava revisar.
Pouco antes da primeira reunião, Paulo saiu da sala, com uma pilha de documentos em mãos. "Preciso disso digitalizado e enviado para a equipe até o fim da manhã," disse, colocando os papéis na minha mesa.
"Entendido," respondi, começando imediatamente.
Ele voltou para sua sala, sem um único olhar ou comentário além do necessário. A frieza com que ele lidava comigo era desconcertante, mas ao mesmo tempo me fazia questionar por que eu me importava tanto. Não era como se eu quisesse proximidade com ele, certo?
Enquanto trabalhava, as memórias da noite anterior voltavam. Os homens elogiando minha aparência, o maxilar tenso de Paulo, sua ordem clara para que eu voltasse para minha mesa... Será que ele estava incomodado com os comentários? Não fazia sentido. Ele era meu chefe, não tinha motivos para se importar com o que os outros diziam sobre mim.
No entanto, a maneira como ele me ignorava agora parecia... calculada. Como se estivesse tentando reforçar uma barreira que por algum motivo quase foi derrubada.
A manhã passou rapidamente, e às 11h Paulo me chamou à sua sala para revisar os pontos principais da reunião com os investidores. Entrei com meu caderno de anotações, mantendo o tom profissional.
Ele estava sentado à mesa, revisando alguns documentos. Não levantou o olhar quando comecei a falar, mas ouvia com atenção.
"Os investidores estão interessados em revisar os números do último trimestre. Já preparei os relatórios e enviei ao senhor por e-mail. Também agendei uma sala de reunião maior para acomodar todos," expliquei, tentando soar confiante.
"Ótimo," foi tudo o que ele disse, ainda sem me olhar.
"Mais alguma coisa em que eu possa ajudar?" perguntei, esperando talvez um sinal de que ele estava satisfeito com meu trabalho.
"Não, isso é tudo," respondeu, dispensando-me com um aceno.
Saí da sala com uma sensação estranha, como se algo estivesse fora do lugar. Mas a realidade era que Paulo César sempre fora assim. Eu que, por algum motivo, estava esperando algo mais.
Durante o almoço, sentei-me sozinha na copa, revendo mentalmente minhas tarefas. Carol me mandou uma mensagem, perguntando como estava o trabalho e brincando sobre a noite no bar. "Seu chefe não ficou com ciúmes, não?" escreveu, com um emoji rindo.
"Claro que não," respondi, revirando os olhos. Mas algo na pergunta dela me incomodou. Ele não era do tipo que demonstrava emoções, muito menos algo como ciúmes. Ainda assim, a tensão da noite passada e seu comportamento distante hoje me deixavam com uma pulga atrás da orelha.
À tarde, Paulo voltou para sua sala após a reunião com os investidores, parecendo mais tenso do que de costume. Bati na porta para entregar um relatório atualizado, e ele apenas acenou para que eu entrasse.
"Como foi a reunião?" perguntei, tentando quebrar o gelo.
"Produtiva," respondeu, curto, sem desviar os olhos do computador.
"Ótimo," murmurei, colocando o relatório sobre sua mesa antes de sair.
Por mais que tentasse, não conseguia penetrar sua muralha. Talvez fosse melhor assim. Ele era meu chefe, e qualquer tentativa de aproximação pessoal seria imprudente.
No entanto, enquanto eu organizava minha mesa no fim do expediente, não conseguia evitar o desconforto que aquela barreira me causava. Algo havia mudado, mesmo que ele se esforçasse para fingir que não.
Quando deixei o escritório naquela noite, olhei para o céu escuro e respirei fundo. Era apenas meu terceiro mês ali, mas parecia que já estava há anos lidando com a complexidade de Paulo César.
Minha mente insistia em revisitar cada interação nossa, cada olhar, cada palavra não dita. Ele era um mistério, e eu não sabia se queria desvendá-lo ou simplesmente me afastar do enigma que ele representava.
A única coisa certa era que trabalhar com ele nunca seria simples. E, de alguma forma, eu sabia que isso era só o começo.
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Atualizado até capítulo 60
Comments
IJBitt🧚
Ciúme? De quem?Por qual motivo?
Começou a trabalhar ontem e acha que o patrão tem interesse nela?
2025-02-28
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IJBitt🧚
Trabalhar e ser subordinada dele é teu papel,apenas isso.
2025-02-28
1
IJBitt🧚
Obra narrada na primeira pessoa é bem cansativa.🙄🙄
2025-02-28
1