Capítulo 6: Um Jogo Perigoso de Aparências
A festa de trabalho era um evento anual da empresa, um momento de celebração e, para muitos, uma oportunidade de fortalecer conexões profissionais. Para mim, significava uma noite inteira tentando parecer confortável em um ambiente que não era meu habitat natural. Vestir-me para a ocasião foi um desafio à parte. Acabei optando por um vestido preto simples, de tecido acetinado, que caía até pouco acima dos joelhos. Nada chamativo, mas elegante o suficiente para evitar julgamentos.
Quando cheguei ao evento, Paulo já estava lá, parado perto do bar, conversando com alguns diretores. Ele usava um terno preto impecável, e seu olhar penetrante atravessava a multidão, analisando tudo com a seriedade que era sua marca registrada.
Me aproximei dele, hesitante. Ele havia deixado claro que eu deveria acompanhá-lo, mas não parecia muito entusiasmado com minha presença.
"Boa noite, senhor César," disse, formalmente.
Ele assentiu, olhando-me de cima a baixo de forma quase imperceptível. "Fernanda, tente aproveitar a noite. Não se esqueça de que isso também é trabalho."
"Entendido," murmurei, sentindo o peso da expectativa.
Os primeiros minutos foram relativamente tranquilos. Fiquei perto de Paulo enquanto ele cumprimentava executivos e investidores. Como sua assistente, meu papel era sutil: anotar mentalmente nomes, interações e detalhes que poderiam ser úteis mais tarde.
Foi quando um grupo de homens que eu reconheci do restaurante entrou no salão. Eles eram investidores importantes, e Paulo parecia saber disso, pois imediatamente se dirigiu a eles. Eu o acompanhei, tentando manter uma postura profissional, embora meu estômago estivesse embrulhado de nervosismo.
"Senhor César!" exclamou um deles, um homem robusto de meia-idade. "Que bom vê-lo novamente. E vejo que trouxe sua encantadora assistente."
Todos os olhares se voltaram para mim, e senti meu rosto corar.
"Boa noite," disse, educadamente, tentando esconder o desconforto.
"Ah, Fernanda, certo?" outro homem perguntou, sorrindo. "Você é ainda mais bonita do que me lembrava."
Aquele comentário foi suficiente para quebrar a compostura de Paulo. Ele apertou os lábios e desviou o olhar, claramente irritado, embora não dissesse nada.
"De fato," continuou outro, ignorando a tensão crescente. "Se eu tivesse uma assistente tão bonita, seria difícil me concentrar no trabalho."
Eu ri sem graça, tentando desviar o foco. "Obrigada pelos elogios, senhores. Mas prefiro que foquemos nos méritos do trabalho."
"Ah, modesta também," comentou um deles, rindo.
Paulo finalmente interveio, sua voz fria como gelo. "Fernanda, por que não busca algo para beber enquanto discutimos os projetos mais recentes?"
Entendi aquilo como uma forma educada de me tirar dali. "Claro, senhor César," respondi, recuando rapidamente para o bar.
Enquanto esperava pelo meu drink, observei à distância Paulo interagir com os homens. Ele mantinha a expressão séria, mas sua linguagem corporal traía sua irritação. Ele não era o tipo de homem que apreciava distrações, especialmente em um contexto profissional.
"Você está bem?" perguntou uma voz familiar ao meu lado. Era Carol, uma colega de outro setor que eu conhecia vagamente.
"Sim, só tentando sobreviver à noite," respondi com um sorriso cansado.
"Você está linda, aliás," comentou ela. "Mas cuidado com os tubarões. Eles estão famintos hoje."
Ri do comentário, mas sabia que havia um fundo de verdade. A atenção indesejada era desconfortável, mas o que realmente me incomodava era a reação de Paulo. Ele parecia tão tenso, tão... possessivo.
Depois de um tempo, decidi voltar ao grupo, agora um pouco mais confiante. Os homens ainda estavam lá, mas a conversa parecia ter se tornado mais técnica. Paulo me lançou um olhar breve quando me aproximei, mas não disse nada.
"Ah, ela voltou!" exclamou um dos investidores. "Então, Fernanda, o que acha de trabalhar com este homem aqui? Ele é tão rígido quanto parece?"
Engoli em seco, ciente de que todos os olhos estavam sobre mim. "O senhor César é um chefe excelente," respondi, escolhendo as palavras com cuidado. "Ele exige muito, mas isso nos faz crescer."
"Bem diplomática," comentou outro, rindo.
Paulo finalmente falou, sua voz carregada de autoridade. "Fernanda é uma assistente extremamente competente. Agora, se me dão licença, precisamos falar sobre os contratos."
O tom dele não deixava espaço para discussão. Os homens recuaram, e eu fiquei ali, sentindo-me deslocada.
"Fernanda," disse ele, virando-se para mim. "Por que não verifica se a sala de conferências está pronta para mais tarde?"
Entendi a indireta. Ele queria me afastar novamente, e desta vez não contestei.
Enquanto caminhava pelo salão, tentando parecer ocupada, não conseguia parar de pensar no que havia acontecido. Paulo estava claramente incomodado, mas eu não sabia exatamente por quê. Era porque os homens me elogiavam? Ou porque eu estava chamando atenção que, na visão dele, deveria estar voltada para a empresa?
Passei o restante da noite tentando evitá-lo, interagindo com outros colegas e fazendo pequenas anotações sobre o evento. Mas, sempre que cruzava seu caminho, sentia seu olhar fixo em mim, avaliando cada movimento.
Quando finalmente chegou a hora de ir embora, Paulo veio até mim. "Fernanda, preciso que esteja no escritório mais cedo amanhã para revisar os relatórios deste evento."
"Claro, senhor César," respondi, mantendo a neutralidade.
"Boa noite," disse ele, antes de sair sem mais uma palavra.
A noite havia terminado, mas o peso de sua presença permanecia. Enquanto pegava um táxi para casa, minha mente girava com perguntas que eu sabia que nunca teria coragem de fazer.
Paulo César era um enigma, e, mesmo que me frustrasse, parte de mim sabia que estava começando a gostar do desafio de desvendá-lo.
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Atualizado até capítulo 60
Comments
IJBitt🧚
Certeza que gosto não se discute.
2025-03-01
1
bete 💗
cada capítulo um mistério ❤️❤️❤️❤️❤️
2025-01-07
0