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Eu estava no hospital desde a madrugada, sem conseguir descansar. Cada minuto parecia uma eternidade, e a tensão que dominava meu corpo era imensurável. As horas passavam, mas a sensação de estar em um pesadelo interminável só aumentava. A cirurgia de minha avó era um risco, e eu não sabia ao certo o que esperar. A única coisa que me mantinha de pé era a esperança de que ela sobrevivesse.

Os médicos tinham sido claros: a cirurgia era urgente. A falta de recursos, a escassez de profissionais capacitados, tudo parecia um pesadelo que eu estava vivendo, mas não podia parar. Minha avó era tudo para mim, e eu sabia que precisava lutar por ela, custasse o que custasse.

Quando finalmente me chamaram para assinar os papéis necessários, meu corpo estava tremendo. A sensação de que estava fazendo tudo errado, de que tudo estava fora do meu controle, me consumia por dentro. Mas ao olhar para ela, deitada na cama do hospital com aquele sorriso frágil e cansado, tudo o que eu queria era vê-la bem. Era isso que importava. Era a única coisa que eu precisava.

Os enfermeiros me pediram para esperar fora da sala de cirurgia. Fiquei em um canto do corredor, observando as portas fechadas, sem saber o que fazer com minha mente. Eu não conseguia pensar em mais nada além de minha avó, da cirurgia, da possibilidade de perdê-la. E, em meio ao turbilhão de pensamentos, eu não podia evitar a sensação de que a vida estava me cobrando de uma forma brutal.

Liguei para o hospital particular novamente, para garantir que todos os procedimentos estivessem sendo seguidos à risca. O receio de algo dar errado me assolava, mas eu não tinha outra escolha senão confiar. Paulo havia feito o pagamento, e sem ele, talvez minha avó nem sequer tivesse essa chance. Mas a verdade é que, mesmo com o pagamento, a incerteza me consumia. Eu sabia que, apesar de todo o dinheiro e da ajuda que ele me deu, o que realmente importava era a competência dos médicos e a força de minha avó.

O tempo parecia se arrastar. Eu já não conseguia mais contar as horas, mas sabia que a cirurgia havia começado. O zumbido constante no meu ouvido e o peso do medo me tornavam incapaz de me concentrar. Apenas andava de um lado para o outro, tentando me manter calma, esperando que, logo, logo, tudo isso fosse acabar, e minha avó estivesse bem novamente.

Por fim, depois de uma eternidade, a porta da sala de cirurgia se abriu. Um dos médicos se aproximou, o rosto sério, mas, ao menos, não havia a tristeza que eu temia ver. Ele parecia cansado, mas ainda assim, havia uma leve esperança em seu olhar.

“Ela está estável”, disse ele, com um suspiro de alívio. “A cirurgia foi um sucesso. Ainda há riscos, mas conseguimos remover o que precisava ser feito. Ela estará em observação nas próximas horas.”

Eu não sabia se conseguia respirar. Finalmente, algo que parecia uma vitória, uma pequena luz no fim do túnel. A sensação de alívio foi avassaladora, e por um momento, meus pés não tocavam o chão. Eu queria gritar, abraçar o médico, agradecer a todos ali por terem dado minha avó de volta. Mas, ao invés disso, apenas fechei os olhos, e as lágrimas começaram a cair.

Quando fui levada para ver minha avó em sua recuperação, eu a encontrei com os olhos fechados, conectada a diversos aparelhos. Ela estava frágil, mas ainda ali. Eu podia sentir a paz que finalmente começava a tomar conta do ambiente. Eu a segurei pela mão, respirando fundo, sabendo que ainda havia uma longa recuperação pela frente, mas que, pelo menos, ela teria a chance de lutar.

Sentada ao lado de sua cama, com o coração batendo mais tranquilo, eu deixei que minha mente se acalmasse um pouco. A pressão da noite anterior, os dilemas e os acordos com Paulo, tudo parecia tão distante naquele momento. O que importava agora era que minha avó estava viva, e isso era tudo o que eu precisava.

Ao sair da sala, eu olhei para os corredores do hospital, absorvendo a realidade ao meu redor. A sensação de que tinha cumprido minha parte na batalha, de que finalmente tinha conseguido algo, me trouxe um alívio momentâneo. Mas eu sabia que isso não significava que tudo estivesse resolvido. A pressão de minha vida pessoal, os compromissos que ainda tinha com Paulo, tudo voltaria em algum momento.

Por ora, no entanto, eu estava disposta a deixar esses pensamentos de lado. Eu tinha que ser forte para minha avó, tinha que estar ali para ela e me concentrar no que realmente importava. Eu sabia que ainda havia muito a enfrentar, mas, ao menos por enquanto, eu tinha o que mais queria: minha avó viva, com a chance de uma recuperação.

Mas a sensação de que a vida estava me testando, me empurrando para um caminho que eu não escolhera, nunca me deixou de lado. Eu sabia que o que fizera para salvar minha avó tinha um preço. E esse preço, eu ainda não sabia qual seria.

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Comments

Yamagutte Maria

Yamagutte Maria

Não vejo como comentar muito cansativa a história mas estou lendo

2025-03-31

0

marlene morais

marlene morais

A estória é boa mas pouco diálogo. Fica um pouco cansativo.

2025-01-29

2

bete 💗

bete 💗

complicado ❤️❤️❤️❤️❤️

2025-01-09

0

Ver todos

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