Capítulo 17: O Confronto com Sir William

Capítulo 17: O Confronto com Sir William

A tarde caía sobre Londres com uma luz dourada que pintava as ruas e edifícios com um brilho quente e reconfortante. No entanto, o clima dentro da Mansão Wycliffe estava longe de refletir a tranquilidade do exterior. Eleanor, ainda repleta de emoções confusas e preocupações sobre o afastamento de Henry e as pressões que enfrentava ao lado de Thomas, passava os dias em um estado de ansiedade latente, tentando encontrar um equilíbrio entre a dor de ter se distanciado de seu irmão e a necessidade de proteger o que estava construindo com Thomas. Já fazia cerca de três semanas desde que tinham consumado seu casamento, e o tempo parecia ter adquirido uma nova intensidade – uma mistura de inquietação e esperança.

Thomas, por sua vez, estava mais determinado do que nunca a proteger Eleanor e o que haviam construído juntos. Ele percebia a delicadeza da situação e os desafios que o tempo à frente poderia trazer, especialmente com a presença constante de Sir William de Montfort em suas vidas. Desde o começo, Sir William havia demonstrado desdém pelo casamento deles, tratando Eleanor com condescendência, quase esperando que ela falhasse e provasse, assim, que não estava à altura da posição que ocupava.

A tarde avançava e Thomas recebeu uma carta que havia sido esperada, mas que, ainda assim, fez seu coração acelerar. Sir William havia organizado um jantar em sua propriedade, enviando o convite formal. No entanto, Thomas sabia que aquilo não seria apenas um evento social, mas sim uma armadilha cuidadosamente preparada para testar a força de seu casamento e tentar abalar sua posição.

Thomas leu a carta em silêncio, absorvendo cada palavra e planejando a resposta que daria a Sir William. Ele sabia que o confronto com Sir William era inevitável, e decidiu enfrentar a situação diretamente. Não apenas para defender a honra dele e de Eleanor, mas para provar que eles eram, de fato, fortes juntos.

— Eleanor, preciso falar com você. — disse ele, encontrando-a na biblioteca, onde ela passara boa parte do dia, com o semblante pensativo.

Eleanor olhou para ele, a expressão carregada de preocupação.

— O que houve, Thomas? — perguntou ela, levantando-se da poltrona, o livro em suas mãos esquecido.

Thomas segurou a carta entre os dedos, como se ela representasse um resumo de tudo que precisavam enfrentar juntos.

— Recebi um convite de Sir William para um jantar esta noite. — disse ele, a voz marcada pela seriedade. — Tenho certeza de que ele está tramando algo, algo que pode ser prejudicial para nós.

Eleanor sentiu uma onda de preocupação crescer dentro de si. Sir William sempre fora uma figura ameaçadora em suas vidas, uma sombra constante que nunca deixava de lembrá-los de que seu casamento, aos olhos dele, era uma ameaça.

— Você acha que ele tentará algo esta noite? — perguntou ela, tentando manter a calma.

Thomas assentiu, com uma expressão grave.

— Não tenho dúvidas. Ele quer nos desestabilizar, Eleanor. Quer provar para a nobreza que nosso casamento é uma fachada, que não estamos à altura das responsabilidades que assumimos. — Ele fez uma pausa, os olhos suavizando enquanto olhava para ela. — Mas eu não vou permitir isso. Não vou deixar que ele tire de nós o que estamos construindo.

Eleanor sentiu uma onda de gratidão e amor por Thomas ao ouvir suas palavras. Ele estava disposto a enfrentar qualquer coisa para protegê-la, e isso a fez sentir-se mais forte, mais confiante.

— Estarei ao seu lado, Thomas. — disse ela, com determinação na voz. — Não importa o que aconteça.

Ele sorriu suavemente, e pela primeira vez em semanas, ela viu nele um olhar de ternura.

Quando a noite finalmente chegou, Thomas e Eleanor estavam prontos para o que quer que viesse. Eleanor escolheu um vestido de cetim azul escuro, que acentuava sua figura esguia e trazia um brilho discreto aos seus olhos. Ela sabia que esta noite não seria apenas uma questão de aparência, mas também de postura. Por mais que soubesse que o jantar representava um perigo, também carregava algo mais, um pressentimento de que aquele momento seria decisivo.

Thomas, por sua vez, vestia-se com uma elegância impecável, seu traje preto com detalhes prateados refletindo a aura de poder e controle que ele sempre exibia. Mas Eleanor sabia que, por trás daquela fachada calma, havia uma tempestade de emoções – a raiva por Sir William, o desejo de protegê-la e o peso das expectativas.

A viagem até a propriedade de Sir William foi feita em silêncio, ambos perdidos em seus próprios pensamentos. Quando finalmente chegaram, foram recebidos com a devida formalidade, mas Eleanor sentiu a tensão no ar. Os outros convidados, todos membros da nobreza, lançavam olhares curiosos e avaliadores na direção deles, como se estivessem esperando algo.

Sir William estava à porta, vestido de maneira luxuosa e com um sorriso que, aos olhos de Eleanor, parecia mais uma ameaça do que uma saudação.

— Sir Thomas, Lady Wycliffe, que prazer tê-los aqui esta noite. — disse ele, com uma inclinação ligeira da cabeça que mal escondia o desdém.

Thomas retribuiu a saudação com um sorriso controlado.

— O prazer é nosso, Sir William. Agradecemos o convite.

Sir William assentiu, mas com o olhar que mostrava o verdadeiro propósito daquela noite.

A sala de jantar, decorada com tapeçarias luxuosas e candelabros de cristal, contrastava com o clima tenso entre os convidados. Eleanor e Thomas se sentaram, e a conversa começou de forma cortês, mas ela notou que os olhares de Sir William estavam cravados nela e em Thomas, à espera de uma brecha.

Foi durante o segundo curso que Sir William finalmente fez sua jogada.

— Sir Thomas, ouvi dizer que sua família tem passado por algumas... dificuldades recentemente. — disse ele, em um tom que parecia inocente, mas carregado de insinuações. — Certamente deve ser um grande fardo, especialmente com as questões políticas que nos rodeiam.

Thomas levantou os olhos do prato, os olhos escurecendo ligeiramente.

— Toda família enfrenta desafios, Sir William. — respondeu ele, com calma. — Mas acredito que somos mais fortes por superá-los juntos.

Sir William sorriu, mas era um sorriso que Eleanor sabia que carregava uma ameaça oculta.

— Sem dúvida, Sir Thomas. No entanto, rumores circulam. E, no nosso meio, a percepção é tudo. Se as pessoas começarem a acreditar em algo, não importa se é verdade ou não... isso pode se tornar uma verdade. E uma aliança frágil pode se romper muito facilmente.

Eleanor sentiu uma onda de indignação. Ela não era apenas uma peça no jogo de Sir William, e estava farta de suas insinuações.

— Sir William - disse ela, a voz firme - Com todo o respeito, sugiro que não subestime a força de uma aliança construída em algo mais profundo do que aparências. Meu marido e eu estamos unidos por algo que vai além das conveniências sociais, e nenhum rumor ou insinuação pode mudar isso.

Os presentes ficaram em silêncio por um momento, surpreendidos pela determinação em suas palavras. Sir William pareceu momentaneamente desconcertado, mas recuperou-se, com um sorriso calculado.

— Lady Wycliffe, parece que subestimei sua determinação. Espero que estejam preparados para lidar com as consequências de certas escolhas.

Thomas levantou-se então, a postura emanando poder.

— Sir William, permita-me ser claro. Não tolerarei ataques à honra de minha esposa ou ao nosso casamento. — disse ele, com intensidade. — Quem questionar a integridade de nossa aliança lidará diretamente comigo.

O silêncio que se seguiu foi denso. Os presentes percebiam a seriedade nas palavras de Thomas e de Eleanor.

Ao deixarem a propriedade de Sir William, Eleanor sentiu uma mistura de alívio e exaustão. Durante o trajeto de volta, Eleanor se aconchegou junto a Thomas, sentindo um cansaço que ia além do físico.

Enquanto olhava para ela com um carinho tranquilo, Thomas não pôde deixar de notar algumas mudanças em Eleanor nos últimos dias – pequenas, mas claras: o cansaço, os enjoos esporádicos e uma palidez que ela não costumava ter.

— Eleanor, me perdoe a indiscrição, mas tenho notado alguns sintomas... diferentes. Você tem se sentido bem? Alguma náusea, fadiga? — perguntou, hesitante, segurando suavemente sua mão.

Eleanor olhou para ele, surpresa, e percebeu que nunca havia cogitado a possibilidade, mas os sinais faziam sentido. Ela não soube ao certo se sentiu medo ou esperança, mas o sorriso contido de Thomas acalmou seu coração.

— Talvez seja apenas o cansaço, Thomas, mas... há algo em mim que também me faz pensar nessa possibilidade.

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