Capítulo 3: "Entre Dever e Desejo

...Caros leitores,...

...Esta história foi escrita na minha infância, enquanto ainda estava no ensino fundamental. Ela foi criada seguindo as diretrizes de um concurso literário da escola, por isso não contém cenas de sexo ou beijos explícitos, como alguns talvez esperem. Se você procura uma história com grande foco em "intimidade", talvez esta não seja a mais adequada para você. Este é um conto mais simples e inocente, onde a confiança e a interação entre os personagens ganham destaque....

...Desde já, agradeço sua compreensão....

Capítulo 3: "Entre Dever e Desejo

A madrugada avançava lentamente, tingindo o céu de tons rosados enquanto o sol começava a despontar no horizonte. A luz tênue e dourada filtrava-se pelas cortinas de linho do quarto de Eleanor, lançando sombras suaves nas paredes adornadas com tapeçarias antigas. Eleanor não havia conseguido dormir bem. Suas pálpebras estavam pesadas, mas sua mente permanecia em alerta, incapaz de descansar verdadeiramente desde o encontro com Sir Thomas. O oferecimento ainda pairava sobre ela como uma nuvem de tempestade, sombria e carregada de incerteza.

Ela se levantou cedo, antes mesmo que Martha viesse chamá-la, e caminhou em silêncio pelo quarto, com a intenção de se vestir sozinha naquela manhã. O quarto, um espaço amplo com móveis esculpidos em carvalho e tapetes espessos que abafavam seus passos, parecia mais vazio do que nunca. Cada objeto parecia carregado de memórias, um lembrete constante das gerações que haviam passado por ali antes dela, vivendo vidas de luxo e poder que agora pareciam tão distantes.

Eleanor parou diante de um espelho alto, seus dedos traçando o contorno do vidro frio enquanto ela olhava para sua própria imagem refletida. Seus longos cabelos castanhos caíam soltos sobre os ombros, e seus olhos azuis, geralmente tão expressivos, estavam apagados, carregando o peso das decisões que se avizinhavam. Ela não conseguia evitar a pergunta que ecoava em sua mente desde que Sir Thomas saíra: "É este o destino que quero para mim?"

Enquanto se vestia, escolhendo um vestido simples de musselina azul claro que realçava a suavidade de sua pele, Eleanor não conseguia afastar os pensamentos sobre o pedido de Sir Thomas. Estava dividida. De um lado, havia o dever que sentia para com sua família, o desejo de salvar os Ashford da ruína e garantir que o legado de seus antepassados continuasse. De outro, havia seus próprios sonhos e desejos, a esperança de um dia encontrar alguém que a amasse verdadeiramente, com quem pudesse compartilhar uma vida de cumplicidade e afeto.

O casamento com Sir Thomas, ela sabia, não traria essa realização emocional. Ele havia sido claro quanto às suas intenções: um casamento baseado em conveniência, respeito mútuo e honestidade, mas sem o calor do amor ou da paixão. Eleanor compreendia as razões por trás do compromisso, mas isso não tornava a decisão mais fácil.

Ao sair de seu quarto, Eleanor decidiu ir até a capela da mansão, um lugar que sempre lhe trouxera paz em momentos de dúvida. A capela era pequena, mas grandiosamente decorada, com vitrais coloridos que filtravam a luz do sol em um caleidoscópio de cores vibrantes. Os bancos de madeira escura, usados por gerações de Ashfords, ainda estavam impecáveis, apesar do desuso nos últimos tempos.

Eleanor ajoelhou-se diante do altar, inclinando a cabeça enquanto suas mãos se uniam em oração. Não era uma mulher particularmente religiosa, mas acreditava que havia uma força maior que guiava o destino das pessoas, e naquele momento, ela precisava de orientação. Seus lábios se moveram em uma prece silenciosa, pedindo clareza de pensamento e força para tomar a decisão certa, não apenas para sua família, mas para si mesma.

Ela permaneceu ali por um tempo, sentindo a serenidade do lugar envolvê-la, mas a paz que procurava ainda estava fora de alcance. Quando finalmente se levantou, sentia-se um pouco mais leve, mas o peso da decisão ainda a acompanhava, como uma sombra que se recusava a desaparecer.

Enquanto caminhava de volta pelos corredores da mansão, Eleanor foi surpreendida pela visão de Henry vindo em sua direção. Seu irmão parecia cansado, com olheiras profundas sob os olhos e a expressão dura que ele vinha carregando desde a morte do pai. Ele sorriu levemente ao vê-la, mas o sorriso não chegou a iluminar seus olhos.

— Bom dia, Eleanor — cumprimentou ele, com uma voz que soava mais rouca do que de costume.

— Bom dia, Henry — respondeu ela, tentando parecer mais animada do que realmente estava.

Henry parou ao lado de uma janela que dava vista para os jardins da mansão, e Eleanor o acompanhou, ambos olhando para fora, em silêncio, por um momento. O jardim, que havia sido o orgulho de sua mãe, agora estava em declínio, as flores murchando e as plantas crescendo desordenadamente. Era um reflexo triste da situação em que a família Ashford se encontrava.

— Tenho pensado muito desde nossa conversa ontem — disse Henry finalmente, quebrando o silêncio. — E sei que pedi para que você considerasse o oferecimento de Sir Thomas. Mas quero que saiba que, independentemente do que decidir, eu a apoiarei.

Eleanor virou-se para ele, surpresa pela sinceridade em sua voz.

— Henry, eu sei o quanto isso é importante para a nossa família. Se eu aceitar o compromisso, farei isso por nós, por nosso futuro.

Henry balançou a cabeça, ainda olhando para os jardins.

— Sei disso, Eleanor. Mas também sei que esta não é a vida que você sonhou. E, como seu irmão, quero que seja feliz, não importa o que aconteça com a nossa fortuna. — Ele finalmente olhou para ela, seus olhos cansados, mas cheios de afeto fraternal. — Não quero que se sacrifique por algo que, no final, pode não valer a pena.

As palavras de Henry tocaram Eleanor profundamente. Ela sabia que ele estava lutando tanto quanto ela para manter a família de pé, mas ouvir essas palavras de apoio a fez sentir que, de alguma forma, estava menos sozinha em sua luta interna.

— Obrigada, Henry — respondeu ela, sua voz suave. — Suas palavras significam muito para mim. Mas preciso de um pouco mais de tempo para pensar.

Henry assentiu, e, depois de um breve aperto de mão, deixou-a sozinha novamente. Eleanor continuou a olhar para os jardins, perdida em pensamentos. As palavras de seu irmão ecoavam em sua mente. Ele queria que ela fosse feliz, mas Eleanor se perguntava se a felicidade ainda era uma opção realista para alguém em sua posição.

Ao longo da manhã, Eleanor continuou a refletir, tentando encontrar uma solução que equilibrasse seus deveres com seus anseios pessoais. Sua mente voltou-se para Isabella, sua amiga de longa data e confidente. Se havia alguém com quem ela pudesse discutir a situação de forma honesta, sem medo de julgamento, era ela.

Eleanor decidiu ir até a propriedade de Lady Westfield, localizada a algumas milhas de distância, para buscar conselhos. Sabia que, mesmo que não encontrasse uma resposta definitiva, ao menos teria a chance de conversar com alguém que a compreendia e poderia oferecer uma perspectiva diferente.

A viagem até a propriedade dos Westfield foi tranquila. O caminho que atravessava as terras rurais era cercado por campos de trigo dourados e árvores frondosas que balançavam suavemente com a brisa. O cavalo de Eleanor trotava ritmicamente, e ela aproveitou aquele breve momento de paz para tentar ordenar seus pensamentos.

Quando finalmente chegou à propriedade de Isabella, foi recebida com entusiasmo. Isabella, sempre calorosa e acolhedora, a levou imediatamente para o salão principal, onde uma lareira acesa afastava o frescor da manhã. O salão, decorado com móveis elegantes e tapeçarias exuberantes, era um reflexo do gosto refinado de Isabella e de sua família.

— Eleanor, querida, é tão bom vê-la! — exclamou Isabella, abraçando-a calorosamente. — Já faz muito tempo desde nossa última conversa. Como você está?

Eleanor sorriu, embora o sorriso não tivesse a usual vivacidade. Isabella percebeu imediatamente que algo a preocupava e, sem hesitar, conduziu-a a um confortável sofá próximo à lareira.

— Algo está incomodando você, não é? — perguntou Isabella, sua voz cheia de preocupação. — Pode me contar tudo, você sabe disso.

Eleanor sentiu uma onda de alívio ao ouvir a voz reconfortante de Isabella. Era exatamente o que precisava naquele momento: alguém com quem pudesse ser completamente honesta.

— Isabella, estou enfrentando uma decisão muito difícil — começou Eleanor, suas mãos nervosamente brincando com a barra do vestido. — Sir Thomas Wycliffe me fez uma oferta de casamento por contrato. Ele ofereceu-se para salvar minha família da ruína financeira em troca de uma aliança matrimonial.

Isabella arregalou os olhos, surpresa com a revelação.

— Oh, Eleanor... Isso é sério. E o que você pensa sobre isso?

Eleanor suspirou, sentindo-se novamente esmagada pelo peso da situação.

— Eu não sei, Isabella. Parte de mim sabe que essa pode ser a única maneira de salvar os Ashford. Mas outra parte de mim... — Ela hesitou, tentando encontrar as palavras certas. — Outra parte de mim se pergunta se estou disposta a sacrificar minha própria felicidade por isso. Um casamento sem amor, sem afeto... Eu sempre sonhei com algo diferente.

Isabella pegou a mão de Eleanor, apertando-a suavemente em um gesto de apoio.

— Eu entendo, querida. Mas também sei que, às vezes, os sonhos precisam se adaptar à realidade. Se você aceitar esse compromisso, poderá salvar sua família, garantir o futuro dos Ashford. Mas, ao mesmo tempo, entendo o que você está sentindo. Ninguém deveria ter que se casar sem amor.

Eleanor sentiu as lágrimas se acumularem em seus olhos, mas lutou para mantê-las sob controle.

— Isabella, estou com tanto medo de tomar a decisão errada. E se eu aceitar e acabar infeliz? E se isso destruir o pouco que resta da minha esperança?

Isabella olhou para ela com seriedade, mas também com carinho.

— Eleanor, não há garantias em nenhuma escolha que você faça. Mas uma coisa é certa: seja qual for a sua decisão, você é uma mulher forte e corajosa. Se escolher casar-se com Sir Thomas, tenho certeza de que encontrará uma maneira de fazer isso funcionar. E se decidir recusar, você ainda terá o apoio de quem ama você, como seu irmão e eu. O importante é que você faça a escolha que sente ser a certa para você.

As palavras de Isabella trouxeram um pouco de clareza para a mente de Eleanor. Ela sabia que a decisão ainda seria difícil, mas sentia-se um pouco mais confiante de que, qualquer que fosse sua escolha, teria o apoio de sua amiga e de seu irmão.

— Obrigada, Isabella. Sua amizade significa muito para mim — disse Eleanor, sentindo-se grata por ter alguém tão compreensivo ao seu lado.

— Sempre estarei aqui para você, Eleanor — respondeu Isabella, com um sorriso encorajador. — E lembre-se, não importa o que aconteça, você não está sozinha.

Eleanor passou o resto da tarde conversando com Isabella, discutindo suas preocupações e ouvindo os conselhos sábios de sua amiga. Elas falaram sobre o passado, riram de memórias compartilhadas e até mesmo planejaram o futuro, mesmo que de maneira incerta. Quando chegou a hora de partir, Eleanor sentiu-se um pouco mais leve, como se parte de seu fardo tivesse sido aliviado pela presença de Isabella.

Enquanto voltava para casa, Eleanor sabia que ainda tinha muito em que pensar. Mas, pela primeira vez em dias, sentiu que havia uma luz no fim do túnel. Ela ainda precisava tomar uma decisão, mas agora sabia que não precisava carregar esse peso sozinha. Tinha o apoio de Henry e de Isabella, e isso fazia toda a diferença.

Ao chegar à Mansão Ashford, o sol já estava se pondo, lançando um brilho dourado sobre a propriedade. Eleanor desceu do cavalo e olhou para a mansão, sentindo um novo senso de determinação crescer dentro de si. Sabia que a decisão não poderia ser adiada por muito mais tempo, mas agora sentia-se mais preparada para enfrentá-la.

Entrou na mansão, onde Martha a aguardava com um sorriso caloroso e uma refeição leve. Eleanor agradeceu, sentando-se à mesa da sala de jantar, que parecia grande demais para uma única pessoa. Enquanto comia em silêncio, seus pensamentos continuavam a girar em torno do oferecimento de Sir Thomas.

Mas agora, havia algo diferente. Eleanor não se sentia mais tão presa, tão desesperada. Sabia que a decisão que tomaria em breve mudaria sua vida para sempre, mas também sabia que tinha a força e o apoio necessários para enfrentá-la, qualquer que fosse o resultado.

Naquela noite, enquanto se preparava para dormir, Eleanor olhou para o espelho e viu seu próprio reflexo. Havia uma determinação em seus olhos que antes não estava lá. Ela não sabia exatamente o que o futuro reservava, mas sabia que estava pronta para enfrentá-lo. E, com isso em mente, deitou-se na cama, permitindo-se finalmente adormecer com a certeza de que, qualquer que fosse sua escolha, ela estaria em paz consigo mesma.

E assim, com a mente e o coração mais tranquilos do que estiveram nos últimos dias, Eleanor Ashford adormeceu, sabendo que o amanhecer traria a resposta que tanto buscava.

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Comments

Ione barbosa

Ione barbosa

ela
poderia conversar com ele antes pr eles fazerem dar certo esse casamento ter carinho cumplicidade respeito até quem sabe amor

2024-10-27

1

Vanda Valdea Souza

Vanda Valdea Souza

é legal, vamos ver se melhora 😸

2024-10-18

2

Ver todos

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