O sol nasceu lentamente sobre a Mansão Wycliffe, suas primeiras luzes douradas infiltrando-se pelas janelas e lançando um brilho suave sobre os campos ao redor. No interior da residência, tudo estava silencioso, como se o mundo ainda estivesse hesitante em começar o dia. Eleanor acordou com o leve toque da brisa que entrava pelas frestas das cortinas, uma carícia delicada que a fez abrir os olhos lentamente, ainda envolta em um torpor tranquilo.
Ao despertar, Eleanor precisou de alguns momentos para lembrar onde estava. O quarto elegante, com suas paredes de seda creme e cortinas de veludo azul, era um contraste marcante com o que ela estava acostumada na Mansão Ashford. Tudo ali parecia novo, desconhecido, e por um breve instante, ela se sentiu entre dois mundos, navegando entre o passado e o presente.
Mas então, as memórias do dia anterior voltaram à tona, e com elas, a realidade de seu papel como Lady Wycliffe. Este era o seu lar agora, e a mansão Wycliffe abrigaria seus dias futuros. O peso da responsabilidade voltou a pressionar seus ombros, mas ela afastou a sensação de inquietação que ameaçava dominá-la. Havia aceitado este caminho com determinação e o seguiria com a dignidade que prometera a si mesma.
Após se levantar e chamar a criada para ajudá-la a se vestir, Eleanor olhou ao redor do quarto mais uma vez, tentando se familiarizar com o ambiente. A cama de dossel, com seu tecido ricamente bordado, parecia convidativa, mas havia uma formalidade no espaço que ainda a mantinha em alerta. Cada peça de mobiliário, cada adorno, parecia ter sido cuidadosamente escolhido para transmitir um senso de ordem e poder, refletindo a personalidade do homem que agora era seu marido.
Vestida em um vestido de dia simples, porém elegante, Eleanor desceu as escadas em direção à sala de jantar. Ao passar pelos corredores, suas mãos roçaram levemente as tapeçarias que decoravam as paredes, cada uma contando uma história diferente, cada uma um lembrete de que ela estava em um lugar repleto de história e tradição. A Mansão Wycliffe era, sem dúvida, uma fortaleza de poder, mas também era uma casa que carregava os fardos e segredos de gerações.
Ao entrar na sala de jantar, Eleanor encontrou Sir Thomas já à mesa, envolto em um jornal e com uma xícara de chá ao lado. Ele levantou o olhar ao vê-la entrar e ofereceu-lhe um sorriso educado, mas contido.
— Bom dia, Lady Wycliffe — cumprimentou ele, com uma leve inclinação de cabeça.
— Bom dia, Sir Thomas — respondeu Eleanor, devolvendo o sorriso com a mesma cortesia.
Ela se sentou à mesa, e uma criada aproximou-se rapidamente para servir-lhe uma xícara de chá e um prato com frutas frescas e pães. O café da manhã era um banquete, uma variedade de opções dispostas de maneira impecável sobre a mesa de mogno polido. No entanto, Eleanor não estava com muita fome. Havia uma certa ansiedade rondando seu estômago, uma sensação de que este era apenas o começo de um dia que traria muitas mudanças.
O silêncio entre eles era confortável, mas Eleanor sentia a necessidade de preenchê-lo. Sabia que precisava começar a estabelecer uma rotina, uma nova normalidade dentro daquela casa. E para isso, precisavam conversar.
— Como está sua manhã até agora, Sir Thomas? — perguntou ela, quebrando o silêncio enquanto tomava um gole de chá.
Sir Thomas baixou o jornal e olhou para ela com uma expressão ponderada.
— Está sendo produtiva, obrigado por perguntar. Há sempre muito a fazer, como você deve imaginar. E a sua? — perguntou ele, claramente interessado em saber como Eleanor estava se adaptando.
Eleanor sorriu suavemente, sentindo-se um pouco mais à vontade.
— Estou me ajustando, ainda conhecendo a casa e os criados. Mas devo dizer que é um lugar impressionante, Sir Thomas. Tenho certeza de que com o tempo, encontrarei meu lugar aqui.
Sir Thomas assentiu, satisfeito com a resposta.
— Isso me deixa contente. Espero que se sinta à vontade para fazer qualquer ajuste que achar necessário. Esta casa é sua tanto quanto minha, e quero que sinta que pode transformá-la em um lugar confortável para você.
Eleanor apreciou a oferta, mas sabia que precisaria de tempo para realmente se sentir em casa ali.
— Obrigada, Sir Thomas. Vou levar isso em consideração. Gostaria de aprender mais sobre as rotinas da casa, os compromissos que precisamos cumprir e como posso ser útil.
Sir Thomas sorriu ligeiramente, como se tivesse antecipado essa atitude proativa de Eleanor.
— Fico feliz que tenha mencionado isso. Hoje à tarde, eu gostaria de discutir nossas responsabilidades conjuntas e as expectativas para os próximos meses. Mas antes disso, quero que você se familiarize mais com a propriedade. Talvez um passeio pelos jardins? Eles são especialmente bonitos nesta época do ano.
Eleanor assentiu, aceitando a sugestão com prazer.
— Acho uma excelente ideia. Gostaria muito de conhecer melhor os jardins.
Após terminarem o café da manhã, Sir Thomas chamou um dos criados e instruiu-o a guiar Eleanor em um passeio pelos terrenos da propriedade. Eleanor notou como Sir Thomas era cuidadoso em manter a ordem e a disciplina entre seus empregados, mas também viu um toque de consideração nas suas palavras e ações, algo que a fez perceber que ele levava a sério seu papel como senhor da mansão.
O criado, um homem de meia-idade com um semblante sério e respeitoso, guiou Eleanor para fora da casa e em direção aos jardins. À medida que caminhavam, ele explicou com detalhes as diferentes áreas da propriedade, desde o jardim de rosas até o pomar e a estufa. Eleanor ficou impressionada com a diversidade e a beleza do lugar. Cada canto dos jardins parecia ter sido planejado meticulosamente, e as flores estavam em plena floração, criando um cenário deslumbrante de cores e fragrâncias.
Enquanto passeava, Eleanor não pôde deixar de se sentir atraída pela estufa, uma estrutura de vidro elegante que abrigava plantas exóticas e delicadas. Ela entrou na estufa, sentindo o ar quente e úmido que contrastava com a brisa fresca do lado de fora. As plantas, muitas delas de lugares distantes, pareciam prosperar naquele ambiente controlado, e Eleanor ficou encantada com a variedade de flores, cada uma mais vibrante do que a outra.
— Esta é uma das joias da propriedade, milady — explicou o criado, enquanto ela admirava as orquídeas que floresciam em um canto. — Sir Thomas tem um grande interesse em botânica, e muitas dessas plantas foram trazidas de suas viagens ao exterior.
Eleanor ficou surpresa ao saber disso. Sir Thomas parecia ser um homem de muitos interesses, algo que ela ainda não conhecia bem. A estufa, com toda a sua beleza e excentricidade, parecia ser um reflexo de um lado mais íntimo e menos formal dele, algo que a intrigava.
— É realmente impressionante — comentou ela, tocando levemente uma das folhas verdes e brilhantes. — Eu não sabia que Sir Thomas tinha esse interesse. É um lado dele que eu gostaria de conhecer melhor.
O criado sorriu, mas não comentou mais nada. Eleanor sabia que os empregados eram discretos e que não compartilhariam muito sobre o patrão, mas sentiu-se satisfeita por ter aprendido algo novo sobre seu marido. Talvez houvesse mais em Sir Thomas do que ele deixava transparecer, e ela estava disposta a descobrir.
Após o passeio pelos jardins, Eleanor retornou à mansão, sentindo-se mais conectada ao lugar. Havia algo reconfortante em estar cercada pela beleza da natureza, e isso a ajudou a acalmar parte da ansiedade que sentia desde sua chegada. Estava começando a ver a Mansão Wycliffe não apenas como uma casa, mas como um lugar com potencial para se tornar um lar.
De volta ao interior da mansão, Eleanor decidiu visitar a biblioteca, um cômodo que havia chamado sua atenção desde a noite anterior. A biblioteca era um espaço grandioso, com prateleiras que se estendiam do chão ao teto, cheias de livros encadernados em couro. Havia uma escada de madeira que permitia alcançar os volumes mais altos, e uma mesa central onde manuscritos e mapas estavam cuidadosamente dispostos.
Eleanor passou os dedos pelas lombadas dos livros, lendo os títulos enquanto caminhava lentamente pela sala. Havia volumes de história, filosofia, ciência e literatura, todos organizados meticulosamente. Sentiu-se atraída por um livro sobre viagens, com descrições de terras distantes e exóticas. Ela se acomodou em uma das poltronas confortáveis perto da lareira e começou a folhear as páginas, perdendo-se nas descrições detalhadas de lugares que ela só podia imaginar.
Enquanto lia, Eleanor sentiu uma leveza que não experimentava há algum tempo. A familiaridade dos livros, o silêncio da biblioteca e o calor da lareira proporcionavam uma sensação de conforto que começava a preencher o vazio que sentia desde que deixara a Mansão Ashford. Havia uma paz naquele ambiente que a reconectava com um lado de si mesma que temia ter perdido.
Foi nesse estado de serenidade que Sir Thomas a encontrou mais tarde naquela manhã. Ele entrou na biblioteca em silêncio, observando-a por um momento antes de falar. Eleanor levantou o olhar do livro e viu a sombra
de um sorriso nos lábios dele, como se estivesse satisfeito em vê-la confortável ali.
— Parece que encontrou um lugar para se refugiar — comentou ele, aproximando-se.
Eleanor fechou o livro com um sorriso suave.
— A biblioteca é encantadora. Eu sempre me senti em casa entre os livros, e este lugar tem uma coleção impressionante.
Sir Thomas assentiu, sentando-se em uma poltrona oposta à dela.
— Fico feliz que tenha gostado. Esta biblioteca foi criada por meu avô, que era um grande amante da leitura. Ele acreditava que o conhecimento era o maior tesouro que alguém poderia possuir, e eu compartilho desse sentimento.
Eleanor sentiu uma nova onda de curiosidade sobre Sir Thomas. Quanto mais o conhecia, mais percebia que ele era um homem complexo, com camadas que ainda estavam ocultas para ela.
— Eu concordo — disse ela, genuinamente. — Há algo reconfortante em estar cercada por livros. Eles são como portas para outros mundos, para diferentes perspectivas. Espero passar muitas horas aqui.
Sir Thomas observou-a por um momento, como se estivesse considerando suas palavras.
— Você é sempre bem-vinda aqui, Eleanor. A biblioteca é sua tanto quanto minha. — Ele fez uma pausa antes de continuar. — Agora, se não se importa, gostaria de discutir alguns assuntos relativos à administração da casa e nossas responsabilidades conjuntas.
Eleanor assentiu, sentindo-se pronta para a conversa. Sabia que esse momento chegaria e estava preparada para assumir seu papel na administração da casa.
Sir Thomas começou a explicar as diferentes áreas da mansão e da propriedade que exigiam atenção constante. Ele falou sobre os arrendatários que trabalhavam nas terras, sobre as questões financeiras que precisavam ser monitoradas e sobre os compromissos sociais que eles teriam que cumprir juntos. Eleanor ouviu atentamente, absorvendo cada detalhe. Embora fosse um mundo novo para ela, estava determinada a aprender rapidamente e a desempenhar seu papel com eficácia.
Enquanto discutiam, Eleanor percebeu que Sir Thomas era um homem meticuloso e organizado, alguém que planejava cada passo com cuidado. Isso era tranquilizador, pois significava que ela teria um guia experiente para ajudá-la a se ajustar à nova vida. Ao mesmo tempo, ela sentia que havia espaço para que pudesse influenciar e contribuir, algo que a motivava.
— Tenho confiança de que, juntos, podemos garantir que tudo funcione perfeitamente — disse Sir Thomas, concluindo sua explicação. — Sua presença aqui é importante, Eleanor, e estou feliz por você estar disposta a assumir essas responsabilidades ao meu lado.
Eleanor sentiu-se encorajada pelas palavras dele.
— Estou pronta para isso, Sir Thomas. Quero fazer o melhor que posso, tanto para a mansão quanto para nós.
Ele sorriu levemente, um gesto que, embora pequeno, parecia significativo.
— Estou certo de que fará um excelente trabalho. E saiba que sempre estarei aqui para ajudá-la no que precisar.
A conversa continuou, abordando os planos para os próximos meses e como eles pretendiam lidar com os desafios que surgiriam. Eleanor sentiu uma sensação crescente de propósito, algo que começava a substituir a incerteza que sentia desde sua chegada. Havia um caminho claro diante dela, e, com Sir Thomas ao seu lado, sentia que poderia trilhar esse caminho com confiança.
Quando a tarde começou a se aproximar do fim, Sir Thomas sugeriu que eles se retirassem para descansar antes do jantar. Eleanor concordou, sentindo que havia muito em que pensar e assimilar. Despediu-se dele com um leve sorriso e retornou ao seu quarto, onde se permitiu relaxar por um momento, refletindo sobre tudo o que havia acontecido naquele dia.
Enquanto o crepúsculo se instalava, Eleanor percebeu que, embora a Mansão Wycliffe fosse um lugar de mudanças e desafios, também era um lugar de novas possibilidades. Ela estava começando a se sentir parte daquela casa, e, mais importante, estava começando a ver seu futuro ali, ao lado de Sir Thomas. Embora a jornada estivesse apenas começando, ela estava determinada a torná-la significativa.
E assim, ao anoitecer, Eleanor se preparou para o jantar, sentindo-se mais conectada ao seu novo papel e à vida que estava construindo. Sabia que ainda havia muito a descobrir, tanto sobre a mansão quanto sobre seu marido, mas estava pronta para enfrentar o que viesse. Afinal, esta era sua nova vida, e ela estava determinada a vivê-la plenamente, com coragem, dignidade e, quem sabe, um dia, com Amor
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Atualizado até capítulo 27
Comments
Rosemeire Fontoura
Eu gosto muito de história de época!
2025-01-28
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Vanda Valdea Souza
tô gostando 🌹🌹🌹🌹🌹
2024-10-18
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