Capítulo 7: Sombras do Passado

Capítulo 7: Sombras do Passado

A manhã seguinte trouxe um céu claro e sem nuvens, mas a leveza do clima contrastava com a densidade dos pensamentos que ocupavam a mente de Eleanor. Ao acordar, ela sentiu uma inquietação familiar, uma sensação de que algo estava por vir, algo que a fazia lembrar das sombras misteriosas que frequentemente espreitam ao amanhecer. O dia anterior havia sido um passo importante em sua nova vida, mas agora, ao despertar novamente na Mansão Wycliffe, ela sentiu que a tranquilidade momentânea poderia ser apenas a calmaria antes da tempestade.

Após se arrumar, Eleanor decidiu explorar mais a mansão. Embora tivesse começado a se familiarizar com os principais cômodos, sabia que havia muito mais para descobrir, e algo dentro dela a incitava a buscar respostas. Havia um desejo crescente de entender não apenas a história da casa, mas também a do homem com quem agora compartilhava sua vida.

A mansão estava em silêncio quando Eleanor começou a andar pelos corredores. Os criados, sempre diligentes e discretos, passavam por ela com sorrisos educados, mas sem interromper suas tarefas. Ela se dirigiu à ala oeste, uma parte da mansão que ainda não explorara completamente. Ao caminhar por aqueles corredores menos frequentados, percebeu que a atmosfera ali era diferente, com um peso distinto que parecia antigo, quase sigiloso. As janelas eram menores, deixando entrar menos luz, e as tapeçarias, embora igualmente ricas, pareciam carregar histórias mais antigas, mais pesadas.

Foi então que Eleanor se deparou com uma porta no final de um corredor. Era uma porta simples, de madeira escura, sem adornos. Não havia nada de particularmente notável sobre ela, mas algo na simplicidade daquela porta a intrigava. Sem saber exatamente o que a motivava, ela se aproximou e, hesitante, empurrou a porta para abri-la.

O quarto que se revelou diante dela era muito diferente dos outros que ela havia visto na mansão. As paredes eram revestidas de painéis de madeira escura, e o teto era baixo, o que dava ao espaço uma sensação de aconchego, mas também de confinamento. O ar era pesado, como se o ambiente tivesse sido selado por anos, e o cheiro de mofo e madeira envelhecida era forte. Havia uma lareira apagada na parede oposta, e o único mobiliário no quarto consistia em uma velha escrivaninha e uma poltrona estofada, ambos cobertos por uma fina camada de poeira.

Eleanor entrou no quarto, fechando a porta atrás de si, e sentiu um arrepio correr por sua espinha. Havia uma atração quase inexplicável naquele espaço, como se o tempo ali tivesse parado propositalmente, algo que a atraía e a repelida ao mesmo tempo. Ela caminhou até a escrivaninha, seus passos levantando pequenas nuvens de poeira no chão de madeira. Os pés da escrivaninha estavam marcados no chão, como se ninguém a tivesse movido em décadas. Havia um velho candelabro de bronze sobre ela, e ao lado, um livro de capa de couro que parecia ter sido deixado ali há muito tempo.

Com uma curiosidade crescente, Eleanor pegou o livro e o abriu. As páginas estavam amareladas e frágeis, e a tinta, desbotada pelo tempo, tornava a leitura difícil. No entanto, o que mais a intrigou não foram as palavras que mal conseguia decifrar, mas as anotações que margeavam o texto, feitas em uma caligrafia fina e cuidadosa. Eram anotações pessoais, comentários e reflexões que pareciam pertencer a alguém que passara muito tempo naquele quarto, lendo e escrevendo.

Eleanor folheou as páginas, tentando entender o que aquele livro poderia significar. As anotações pareciam estar relacionadas a assuntos financeiros, contratos e acordos, mas também havia referências a eventos que ela não reconhecia, mencionando nomes e datas que não lhe eram familiares. O livro, no entanto, parecia conter mais do que registros comuns. A cada página, havia uma sensação crescente de que aqueles escritos guardavam um segredo, como se as palavras guardassem algo mais profundo, algo que ela ainda não conseguia compreender.

Foi então que um nome saltou à vista em uma das páginas: "Thomas Wycliffe". O coração de Eleanor deu um salto ao ver o nome de seu marido ali, em um livro que parecia pertencer a uma época muito anterior à sua chegada à mansão. Ela leu a anotação com atenção renovada, tentando entender o que aquilo significava. As palavras eram vagas, mas havia menção a um "acordo" e a "dívidas", e a sensação de mistério que pairava sobre o livro aumentou ainda mais.

Sentindo que havia mais a descobrir, Eleanor colocou o livro de volta na escrivaninha e começou a examinar o restante do quarto. Foi então que seus olhos se fixaram em um pequeno cofre embutido na parede ao lado da lareira. Era um cofre antigo, com uma fechadura de combinação desgastada, e parecia estar fora de uso há muito tempo. Ela se aproximou, passando a mão pela superfície fria e metálica, e tentou girar a fechadura. Estava trancado, é claro, e Eleanor sabia que seria impossível abri-lo sem a combinação.

No entanto, a presença do cofre apenas aumentou sua curiosidade. O que poderia estar guardado ali? E por que esse quarto, aparentemente abandonado, continha um livro com anotações que mencionavam seu marido? Eleanor sentiu uma urgência crescente em desvendar os enigmas que aquele quarto guardava, mas sabia que precisaria ser cuidadosa. Sir Thomas era um homem reservado, e ela não queria correr o risco de invadir sua privacidade de maneira imprudente.

Com o coração ainda acelerado pelas descobertas, Eleanor deixou o quarto e fechou a porta atrás de si. Enquanto caminhava de volta pelos corredores da mansão, sua mente fervilhava com perguntas. Quem havia usado aquele quarto? E por que ele estava tão escondido? O que o livro e o cofre significavam?

Decidida a descobrir mais, Eleanor foi em busca de Sir Thomas. Se havia algo que ela precisava saber sobre a história daquela casa, ele era a pessoa mais indicada para responder. Mas ao mesmo tempo, ela sabia que precisaria abordar o assunto com cuidado, para não despertar desconfianças ou gerar mal-entendidos.

Encontrou Sir Thomas em seu escritório, um cômodo espaçoso com paredes forradas de livros e janelas que davam vista para os jardins. Ele estava inclinado sobre a mesa, revisando alguns documentos, mas levantou o olhar ao vê-la entrar. Havia uma leve surpresa em sua expressão, mas ele logo a escondeu com um sorriso educado.

— Lady Wycliffe — cumprimentou ele, erguendo-se da cadeira. — Como posso ajudá-la?

Eleanor se aproximou, sentindo um leve nervosismo crescer dentro de si. Decidiu começar de forma casual, sem mencionar diretamente suas descobertas.

— Estive explorando a mansão esta manhã — começou ela, tentando manter o tom leve. — E encontrei um quarto interessante na ala oeste. Parece que não é usado há algum tempo.

Sir Thomas manteve a expressão neutra, mas Eleanor notou um breve relance de apreensão em seu rosto, quase imperceptível.

— Ah, sim. A ala oeste contém alguns cômodos que não são usados com frequência. Algumas partes da mansão ficaram desocupadas depois que meus pais faleceram. — Ele fez uma pausa, como se estivesse escolhendo cuidadosamente suas próximas palavras. — Há algo em particular que chamou sua atenção?

Eleanor hesitou por um breve momento, mas decidiu continuar.

— Encontrei um livro na escrivaninha, com algumas anotações antigas. Mencionava seu nome, Sir Thomas, e também fazia referência a alguns acordos. Fiquei curiosa sobre a história por trás disso.

Sir Thomas permaneceu em silêncio por um instante, seu olhar fixo em Eleanor, como se estivesse avaliando a situação. Quando ele finalmente falou, sua voz era controlada, mas seu tom carregava uma cautela velada.

— Esse quarto pertenceu ao meu avô. Ele era um homem de negócios, muito rigoroso em seus acordos e finanças. O livro que você encontrou provavelmente contém alguns de seus registros antigos. — Ele fez uma pausa, antes de continuar. — Meu avô tinha uma maneira muito particular de lidar com seus negócios, e nem todos os aspectos de sua vida foram transmitidos a mim de forma direta. Há coisas que ele manteve para si, segredos que nunca compartilhou com ninguém.

Eleanor sentiu uma ponta de decepção ao perceber que Sir Thomas não estava disposto a revelar mais detalhes. No entanto, ela também compreendia que estava lidando com uma parte delicada da história da família, e que talvez precisasse de tempo e paciência para desvendar tudo.

— Entendo, Sir Thomas. — disse ela, mantendo a voz tranquila. — Não quero invadir sua privacidade, apenas fiquei curiosa sobre a história da mansão e da sua família. Parece que há muito a descobrir aqui.

Sir Thomas relaxou um pouco, como se apreciasse a abordagem cuidadosa de Eleanor.

— Há, de fato, muito para descobrir, Lady Wycliffe. Esta mansão carrega consigo muitas histórias, algumas das quais eu mesmo ainda estou tentando entender. — Ele fez uma pausa, e Eleanor percebeu uma sutil vulnerabilidade em seu tom, algo raro de se ouvir. — Mas se há algo que você gostaria de saber, estarei à disposição para ajudar no que puder.

Eleanor sorriu, grata pela oferta, mesmo que soubesse que havia limites para o que ele estava disposto a compartilhar.

— Agradeço, Sir Thomas. Vou continuar explorando a mansão e, se tiver dúvidas, procurarei por você.

Com isso, a conversa chegou ao fim, e Eleanor deixou o escritório, sentindo que havia obtido algumas respostas, mas também que muitas perguntas permaneciam sem resposta. Ela sabia que precisaria de paciência e perspicácia para desvendar os segredos que a Mansão Wycliffe guardava, e estava determinada a fazê-lo.

Nos dias que se seguiram, Eleanor continuou a explorar a mansão e a observar seu marido com atenção renovada. Cada vez mais, notava traços de uma complexidade em Sir Thomas que ele raramente deixava transparecer, e ela estava determinada a descobrir quem ele realmente era, além da fachada controlada e do comportamento formal.

Ao mesmo tempo, Eleanor começou a estabelecer uma rotina na mansão, familiarizando-se com os criados e as tarefas diárias. Ela assumiu o controle de alguns aspectos da administração da casa, e sua presença começou a ser sentida de forma mais palpável. Os criados passaram a respeitá-la como a nova senhora da mansão, e ela começou a sentir-se mais à vontade em seu papel.

Mas, mesmo enquanto se ocupava com as responsabilidades do dia a dia, o mistério do quarto na ala oeste e do livro com as anotações não saía de sua mente. Eleanor sabia que estava apenas arranhando a superfície do que havia por trás das paredes da Mansão Wycliffe, e que mais segredos esperavam para ser revelados.

A cada dia, ela sentia-se mais conectada à casa e à história da família Wycliffe, mas também mais consciente das sombras que pairavam sobre eles. Havia uma presença ancestral ali, um legado que parecia entrelaçar o passado e o presente, e Eleanor estava determinada a descobrir tudo o que pudesse sobre ele.

Assim, enquanto a Mansão Wycliffe continuava a sua rotina diária, Eleanor seguia Com sua busca, sabendo que cada passo a levava mais perto da verdade. E, à medida que os dias passavam, ela sentia que estava começando a desvendar o mistério que envolvia seu novo lar – um mistério que, de alguma forma, estava intimamente ligado a ela e ao futuro que agora compartilhava com Sir Thomas.

Baixar agora

Gostou dessa história? Baixe o APP para manter seu histórico de leitura
Baixar agora

Benefícios

Novos usuários que baixam o APP podem ler 10 capítulos gratuitamente

Receber
NovelToon
Um passo para um novo mundo!
Para mais, baixe o APP de MangaToon!