Capítulo 13: Declarações Veladas

Capítulo 13: Declarações Veladas

O dia amanheceu com um céu cinzento e carregado de nuvens, como se o clima estivesse refletindo a tensão emocional que pairava sobre todos os envolvidos. Na Mansão Wycliffe, as angústias das horas recentes ainda repercutiam na mente de Eleanor, pesando sobre ela como uma tempestade iminente. A conversa com Henry, as revelações sombrias e as decisões difíceis que precisariam ser tomadas a deixaram à beira da exaustão. Contudo, ela sabia que o dia não lhe permitiria descanso, pois outras verdades estavam prestes a vir à tona.

Naquela manhã, Eleanor recebeu uma visita inesperada. Isabella havia enviado uma mensagem pedindo para vê-la com urgência, e Eleanor, ainda abalada pela situação com Henry, imediatamente concordou em recebê-la. Sentia que precisava do conforto da amiga, mas também temia o que poderia ouvir.

Isabella chegou pouco tempo depois, sua expressão mais preocupada do que Eleanor jamais havia visto. Assim que entrou na sala de estar da mansão, Isabella foi direta ao ponto, como era de seu feitio.

— Eleanor, precisamos conversar sobre Henry — disse ela, a voz carregada de emoção.

Eleanor sentiu um aperto aflitivo no coração. Sabia que Isabella estava ciente da situação perigosa de Henry, mas não estava preparada para o que viria a seguir.

— O que houve, Isabella? — perguntou Eleanor, tentando manter a voz firme.

Isabella manteve os olhos fixos nos de Eleanor, como se estivesse buscando coragem para confessar algo que há muito guardava.

— Eleanor, eu... — começou ela, a voz falhando levemente. — Eu preciso lhe dizer algo que tenho guardado dentro de mim por muito tempo. Algo que diz respeito a Henry.

O silêncio que se seguiu foi pesado e incômodo. Eleanor tentou acalmar-se e se forçou a manter a calma.

— Diga, Isabella. Você sabe que pode confiar em mim.

Isabella respirou fundo antes de falar, as palavras saindo com dificuldade.

— Eleanor, eu... estou apaixonada por Henry. Sempre estive, mas ele nunca me viu assim. Agora, com tudo o que está acontecendo, sinto que ele se afastará de vez, e isso me assombra.

Eleanor ficou momentaneamente sem palavras. Embora sempre tivesse percebido a amizade especial entre Isabella e Henry, nunca imaginara que Isabella nutria sentimentos tão profundos por seu irmão. Agora, no entanto, tudo fazia sentido – as pequenas gentilezas, os olhares prolongados, a forma como Isabella sempre se preocupava com Henry mais do que o normal.

— Isabella... — começou Eleanor, sem saber ao certo como continuar. — Eu... não sabia. Nunca imaginei.

Isabella sorriu com tristeza, os olhos brilhando de emoção contida.

— Eu sei. Eu escondi isso por tanto tempo, com medo de que, se ele soubesse, se afastasse de mim. E agora, com tudo o que está acontecendo, com Henry se envolvendo nesses perigos... não sei o que fazer. Tenho tanto medo de perdê-lo.

Eleanor segurou a mão de Isabella com firmeza, tentando oferecer algum conforto.

— Isabella, eu sinto muito que você tenha carregado isso sozinha por tanto tempo — disse Eleanor, sinceramente. — Eu gostaria de poder ajudar de alguma forma.

Isabella balançou a cabeça, tentando conter as lágrimas.

— Não há nada que você possa fazer, Eleanor. Henry está tão obcecado em salvar a família, em lutar por algo maior, que ele nem percebe os sentimentos de quem está ao lado dele. Eu me sinto invisível.

Eleanor apertou ainda mais a mão de Isabella, compartilhando do sofrimento da amiga.

— Ele pode não perceber agora, Isabella, mas isso não significa que você seja invisível para ele. Henry está passando por um momento difícil, e talvez esteja tão focado em seus problemas que não consegue ver o que está bem diante dele. Mas isso não diminui o valor do que você sente, nem do que você é.

Isabella sorriu através das lágrimas, grata pelas palavras de Eleanor.

— Obrigada, Eleanor. Eu só precisava dizer isso a alguém. Mesmo que Henry nunca retribua meus sentimentos, pelo menos agora você sabe.

Eleanor envolveu-a em um abraço, sentindo uma nova onda de empatia por sua amiga. Ambas estavam presas em dilemas de coração, lutando para encontrar um equilíbrio entre seus sentimentos e as realidades duras da vida.

Enquanto as duas amigas compartilhavam aquele momento de sinceridade e dor, do outro lado da mansão, Thomas estava em seu escritório, perdido em pensamentos sombrios. A revelação sobre Henry e a posição em que ele e Eleanor se encontravam haviam pesado sobre ele mais do que gostaria de admitir. E, para piorar, havia algo mais, algo que Thomas estava lutando para controlar – um sentimento crescente por Eleanor, algo que ele não conseguia mais ignorar.

Desde que Eleanor havia entrado em sua vida, Thomas se surpreendera com a força e a graça que ela demonstrava em meio às adversidades. O casamento, que inicialmente fora um arranjo conveniente, estava lentamente se transformando em algo mais. Thomas se viu pensando nela de maneiras que não esperava, desejando uma proximidade que ia além das formalidades. Ele começava a perceber que estava apaixonado por ela, mas não sabia como lidar com isso. A revelação de sentimentos tão profundos, especialmente em meio a crises tão perigosas, parecia um risco que ele não estava disposto a correr.

Naquela tarde, enquanto Eleanor ainda estava com Isabella, Thomas decidiu sair de seu escritório e caminhar pelos jardins da mansão. O ar fresco e o som suave das folhas ao vento ofereciam um alívio temporário para sua mente tumultuada.

Eleanor, após a conversa com Isabella, decidiu também ir para os jardins, na esperança de clarear seus pensamentos. Quando os dois se encontraram por acaso, seus olhares se cruzaram, e por um momento, a tensão entre eles foi palpável. Thomas tentou disfarçar o turbilhão de emoções que sentia, enquanto Eleanor tentava fazer o mesmo.

— Thomas — disse ela, se aproximando lentamente, como se algo invisível a estivesse impedindo de se aproximar totalmente. — Eu... estava apenas tentando me distrair um pouco. A situação com Henry tem sido... difícil.

Thomas assentiu, compreendendo perfeitamente.

— Eu imagino. Henry é importante para você, e sei o quanto isso a afeta — ele fez uma pausa, lutando para manter a compostura. — Mas você tem lidado com tudo isso com muita força, Eleanor. Eu admiro isso em você.

As palavras de Thomas, tão simples, mas cheias de sinceridade, tocaram algo dentro de Eleanor. Ela sentiu uma onda de calor espalhar-se por seu corpo, uma sensação que há muito tentava suprimir. Havia algo naquele momento, na maneira como Thomas a olhava, que fazia seu coração acelerar, algo que a fazia querer baixar a guarda, apenas por um instante.

— Thomas... — começou ela, hesitando, sem saber exatamente o que dizer. — Eu... também admiro você. Desde que tudo isso começou, você tem sido um pilar para mim. Não sei o que faria sem você.

Os dois ficaram em silêncio por um momento, o peso das palavras não ditas pairando entre eles. Thomas deu um passo à frente, os olhos refletindo um desejo contido, mas então parou. Ele sabia que se cruzasse aquela linha, não haveria volta.

Eleanor, percebendo a hesitação de Thomas, sentiu-se dividida. Parte dela queria se aproximar, abrir-se para ele, confessar o que sentia. Mas a outra parte, a parte que estava aterrorizada com a incerteza do futuro, a manteve firme em seu lugar.

— Eu... acho que deveríamos voltar para dentro — disse Thomas, finalmente, quebrando o momento de tensão. — Ainda temos muito a discutir sobre Henry e as próximas ações.

Eleanor assentiu, sentindo uma pontada de decepção.

— Sim, claro — respondeu ela, com um sorriso forçado. — Vamos.

Enquanto caminhavam de volta para a mansão, o silêncio entre eles era carregado de palavras não ditas, cheio de coisas que ainda precisavam ser ditas, mas que, por ora, ficariam guardadas. Ambos sabiam que a tempestade que se aproximava em suas vidas exigiria toda a sua atenção, e que qualquer confissão de sentimentos teria que esperar.

Mas, mesmo enquanto recuavam para suas respectivas responsabilidades, ambos sabiam que algo havia mudado. A proximidade que quase resultara em uma confissão estava agora presente em todos os gestos, em todos os olhares trocados. E, em algum lugar profundo dentro deles, tanto Thomas quanto Eleanor sabiam que aquele sentimento, por mais reprimido que estivesse, não poderia ser contido para sempre.

Enquanto o dia chegava ao fim, e a noite caía sobre a Mansão Wycliffe, tanto Eleanor quanto Thomas se encontravam em seus respectivos quartos, refletindo sobre o que quase fora dito. Ambos sabiam que, embora o momento tivesse passado, ele deixara uma marca, uma promessa velada de algo mais, algo que, eventualmente, teria que ser confrontado.

Por ora, no entanto, eles se concentrariam nas crises que precisavam ser enfrentadas – a segurança de Henry, as ameaças à família, e as lealdades que estavam sendo testadas a cada dia. Mas, no fundo de seus corações, ambos sabiam que a verdadeira batalha estava apenas se iniciando, onde o desejo crescente confrontava as duras realidades que os cercavam.

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Comments

Ione barbosa

Ione barbosa

eles precisam concretizar o casamento

2024-10-28

0

Ione barbosa

Ione barbosa

EU ACHO QUE ELE NAO SABE O QUE TEM NAQUELE PAPEL NAO POIS ANTES ELE NAO TIROU O LACRE FOI ELA QUEM TIROU

2024-10-28

0

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