Capítulo 15: A Queda de Henry

Capítulo 15: A Queda de Henry

A manhã surgiu carregada de uma neblina espessa, como se o mundo estivesse escondendo os segredos que o dia estava prestes a revelar. Na Mansão Wycliffe, o clima estava tenso, pesado com a incerteza que pairava no ar. Eleanor acordou envolta nos braços de Thomas, sentindo a segurança e o calor do toque dele ao seu lado, uma sensação que era ao mesmo tempo nova e confortante. Eles haviam se entregado um ao outro na noite anterior, e agora ela podia sentir o bater constante do coração dele ao ritmo do seu. Era um alívio momentâneo, uma pausa antes de tudo o que estava por vir.

Ainda assim, uma inquietação profunda pulsava no peito de Eleanor, como se ela soubesse que algo terrível estava prestes a acontecer. Após os primeiros minutos nos braços do marido, a mente de Eleanor começou a vagar para além do quarto, voltando aos acontecimentos de dias antes e à situação de Henry. Os últimos dias haviam sido um turbilhão de emoções – o momento íntimo com Thomas, a confissão de seus sentimentos, a sensação de que, finalmente, algo estava se encaixando em suas vidas. Mas agora ela temia que essa tranquilidade pudesse ser apenas o prelúdio de uma tempestade, uma calma que mascarava o caos prestes a explodir.

Eleanor estava se vestindo para o café da manhã quando Thomas, sempre atento às mudanças em seu humor, a abraçou por trás, seus braços ao redor de sua cintura. Ele inclinou a cabeça e a observou no espelho, seus olhos refletindo a mesma preocupação que ela sentia.

— Você parece preocupada, Eleanor — disse ele, a voz suave e profunda. — Sei que Henry ainda a preocupa. Nós ainda vamos lidar com isso juntos, seja o que for.

Eleanor assentiu, apertando de leve a mão dele, grata pelo apoio. Mas antes que ela pudesse responder, ouviu-se uma batida apressada na porta. Quando o criado entrou no salão de jantar, onde eles estavam sentados para o café da manhã, seu rosto perturbado deixou claro que trazia uma notícia urgente.

— Senhor, senhora... há rumores vindos da cidade. — O criado hesitou, parecendo incerto sobre como continuar, mas, com um aceno firme de Thomas, prosseguiu. — Dizem que as alianças políticas de Sir Henry falharam. Ele foi exposto como parte de uma conspiração contra o rei, e agora está em desgraça. Parece que um de seus próprios aliados o traiu, e que soldados reais estão a caminho para prendê-lo.

As palavras pairaram no ar como um trovão distante, deixando Eleanor paralisada. Horrorizada e incrédula, ela sentiu a própria respiração se tornar irregular ao processar a notícia. Henry, seu amado irmão, estava agora marcado como um traidor, e a queda dele não apenas o destruiria, mas traria desgraça para toda a família.

— Isso não pode ser verdade... Henry... ele não faria isso. — Ela murmurou, tentando convencer a si mesma.

Thomas, sempre controlado e racional, franziu a testa enquanto absorvia a informação. A intensidade no olhar dele revelava uma preocupação que ele raramente mostrava.

— Precisamos agir rápido, Eleanor — disse ele, a voz firme, mas carregada de uma gravidade que Eleanor sentiu como uma lâmina. — Se Henry foi realmente exposto, ele pode estar vindo para cá em busca de refúgio. Se o rei descobrir que o estamos acobertando, estaremos todos em perigo.

O pânico começou a invadi-la, e Eleanor olhou para Thomas em desespero. A lealdade ao irmão, que sempre havia estado ao lado dela, travava uma batalha cruel com o dever que sentia de proteger seu marido e a segurança da própria casa.

— O que devemos fazer? — perguntou, tentando manter a voz firme enquanto seus dedos tremiam ao redor da taça de chá.

Thomas respirou fundo, como se reunisse forças. Ele segurou a mão dela e, olhando profundamente em seus olhos, disse:

— Eleanor, se Henry aparecer, teremos que decidir. — A firmeza na voz dele suavizou-se levemente. — Se o escondermos, enfrentaremos as consequências juntos. Mas você precisa ter certeza do que está disposta a arriscar.

Um silêncio pesado pairou entre eles enquanto Eleanor tentava processar o significado daquelas palavras. Ela sabia que proteger Henry poderia significar o fim de tudo o que haviam construído juntos, mas como poderia trair seu irmão, alguém que sempre cuidara dela, apesar de seus defeitos?

Antes que pudesse responder, ouviram a porta da mansão se abrir de forma brusca, e Eleanor soube, antes mesmo de olhar, que era Henry. O irmão entrou como uma tempestade, trazendo consigo o caos e o perigo que Eleanor tanto temia. Ao vê-lo, ela viu não apenas o irmão que amava, mas um homem destroçado, quebrado pela traição e pela própria ambição.

Henry estava pálido e desolado, com os olhos arregalados de medo e um semblante que revelava sua luta interna. Ignorando Thomas, ele foi direto a Eleanor, segurando suas mãos com desespero.

— Eleanor... por favor, preciso da sua ajuda. Eles vão me pegar. Fui traído, eles me denunciaram. Por favor, preciso de um lugar para me esconder.

O pedido de Henry esmagou Eleanor. Ela viu o pavor nos olhos do irmão e quis garantir-lhe que ficaria tudo bem. Mas, ao mesmo tempo, sentia o peso da responsabilidade que tinha agora como esposa de Thomas.

Thomas, vendo o conflito interno de Eleanor, deu um passo à frente, e seu tom de voz carregava uma calma fria.

— Henry... você entende o que isso significa? — A voz de Thomas era firme, e ele mantinha um controle calculado, apesar do desespero que transparecia no olhar de Eleanor. — Se ficar aqui, todos nós pagaremos o preço por sua escolha. Se for encontrado, nos condenará junto com você.

Henry olhou para Thomas, cheio de dor e raiva.

— Então sugere que eu me entregue? Que aceite a morte sem lutar? — gritou, a voz tremendo de frustração.

Eleanor deu um passo à frente, tentando acalmar a tensão crescente entre os dois homens. Ela sabia que precisava encontrar uma solução, uma saída que salvasse Henry sem destruir tudo o que ela e Thomas haviam construído.

— Henry, eu nunca vou pedir que se entregue... mas, por favor, tente entender... se você ficar, não poderemos protegê-lo. O risco é imenso.

Henry olhou para ela com um olhar de dor profunda, mas seus olhos suavizaram um pouco ao ver o estado da irmã.

— Eu sei, Eleanor... nunca quis colocar você nessa posição. — Sua voz estava repleta de culpa e angústia. — Mas... eu não tenho para onde ir. Não tenho ninguém.

O coração de Eleanor se apertou, enquanto lágrimas se formavam em seus olhos. A situação era insuportável: ela queria proteger o irmão, mas também sabia que estava pondo tudo a perder.

Thomas, percebendo o desespero de Eleanor, finalmente sugeriu:

— Podemos tentar tirá-lo daqui, levá-lo a um lugar seguro antes que os soldados do rei o encontrem. Mas será arriscado, e se eles descobrirem, ainda estaremos em perigo. — Ele olhou para Eleanor, e ela viu nele o compromisso de enfrentar qualquer coisa ao lado dela.

Com uma nova onda de confiança nas palavras do marido, Eleanor sentiu-se determinada.

— Vamos tentar. Mas precisamos agir rápido. Cada segundo conta.

Juntos, Eleanor e Thomas montaram um plano. Thomas chamou seus homens de confiança, explicando a situação, e juntos eles garantiram que Henry pudesse partir sem levantar suspeitas. A ideia era levá-lo para uma casa segura, onde ele poderia ficar escondido até que tudo esfriasse. Era uma aposta arriscada, mas Eleanor sabia que era sua única esperança de salvá-lo.

Quando Henry estava pronto para partir, Eleanor se aproximou dele. Ele parecia frágil e derrotado, o rosto marcado pelo medo e pelo remorso. Ela segurou a mão dele com força.

— Henry, você precisa sobreviver. Não vou suportar perder você.

Henry apertou a mão dela em resposta, os olhos cheios de tristeza.

— Eleanor, se algo acontecer com você por minha causa... eu nunca me perdoarei. — Sua voz estava trêmula, e Eleanor soube que ele realmente se arrependia do que fizera.

Ela sorriu, tentando esconder a dor.

— Não vou deixar que nada me aconteça. E você vai sobreviver a isso. Apenas... confie em nós.

Após uma despedida rápida e silenciosa, Henry foi levado sob o manto da noite. Eleanor e Thomas observaram da janela, seus corações pesados, sabendo que aquele momento poderia ser o fim de tudo para Henry. Mas ao menos haviam tentado.

De volta ao salão, Eleanor se voltou para Thomas, a expressão séria, mas também cheia de gratidão. A força dele, sua disposição em ajudá-la, significavam o mundo para ela.

— Obrigada, Thomas. — Ela disse suavemente, os olhos brilhando com gratidão e algo mais, algo mais profundo.

Ele a puxou para um abraço longo e reconfortante, envolvendo-a com a força protetora que ela tanto amava.

— Eu faria qualquer coisa por você, Eleanor. Qualquer coisa.

Eleanor percebeu, naquele abraço, o quanto ele era a âncora dela, o apoio em um mar de incertezas.

Baixar agora

Gostou dessa história? Baixe o APP para manter seu histórico de leitura
Baixar agora

Benefícios

Novos usuários que baixam o APP podem ler 10 capítulos gratuitamente

Receber
NovelToon
Um passo para um novo mundo!
Para mais, baixe o APP de MangaToon!