Capítulo 8: Intrigas na Corte

Capítulo 8: Intrigas na Corte

O sol da manhã brilhava intensamente sobre a Mansão Wycliffe, refletindo em suas paredes de pedra com um calor que contrastava com o clima de tensão que pairava no coração de Eleanor. Os dias passados desde que descobrira o quarto secreto na ala oeste foram marcados por uma crescente sensação de inquietação. Embora Sir Thomas tivesse oferecido algumas explicações, Eleanor sentia que muito havia sido deixado de fora. E agora, com a chegada de um convite para comparecer à corte, essa sensação de desassossego apenas se intensificava.

O convite era para um baile na corte real, um evento que marcaria o início da temporada social. Como Lady Wycliffe, Eleanor sabia que sua presença era não apenas esperada, mas essencial. Ela e Sir Thomas representavam uma aliança poderosa, e a corte era o lugar onde essas alianças eram reforçadas ou submetidas a testes discretos. No entanto, a ideia de se lançar nesse mundo de intrigas e política lhe causava uma certa apreensão.

Enquanto Martha a ajudava a se vestir para a ocasião, Eleanor não pôde evitar a sensação de que algo estava para acontecer naquela noite. O vestido que escolhera era um elaborado traje de seda verde escura, bordado com fios de ouro que brilhavam suavemente sob a luz das velas. A cor realçava seus olhos e a fazia parecer ainda mais imponente, um reflexo da nova posição que ocupava como Lady Wycliffe. No entanto, por dentro, Eleanor sentia-se pequena, insegura sobre o que a aguardava.

Quando finalmente desceu as escadas, encontrou Sir Thomas esperando por ela no saguão. Ele estava impecável em seu traje formal, cada detalhe cuidadosamente planejado para transmitir poder e controle. Ao vê-la, seus olhos brilharam com uma aprovação silenciosa, e ele ofereceu-lhe o braço com um sorriso contido.

— Está deslumbrante, Lady Wycliffe — disse ele, com um tom de voz que, embora respeitoso, parecia carregado de alguma admiração contida. — A corte certamente ficará impressionada.

Eleanor retribuiu o sorriso, embora soubesse que suas palavras eram mais uma formalidade do que um verdadeiro elogio.

— Agradeço, Sir Thomas. Estou pronta para a noite.

O caminho até a corte foi feito em silêncio, ambos perdidos em seus próprios pensamentos. A carruagem os levou através de ruas estreitas e movimentadas até o grande palácio real, que se erguia como um símbolo de poder e grandiosidade. As tochas acesas ao longo da entrada lançavam sombras vivas nas paredes de pedra, e o som de música e risadas já podia ser ouvido à distância.

Quando chegaram, foram recebidos por um séquito de criados e guardas, que os conduziram pelo vasto salão de entrada até o salão de baile. A grandiosidade do lugar era impressionante: candelabros de cristal pendiam do teto alto, refletindo a luz em mil facetas, enquanto tapeçarias ricamente bordadas adornavam as paredes. O salão já estava cheio de convidados, todos vestidos com suas melhores roupas, suas risadas e conversas enchendo o ar com um murmúrio quase hipnotizante.

Eleanor sentiu um leve aperto no peito enquanto entrava no salão ao lado de Sir Thomas. Embora estivesse acostumada a eventos sociais, havia algo diferente naquela noite, algo que a fazia sentir como se estivesse pisando em território desconhecido. Talvez fosse a consciência de que agora, como Lady Wycliffe, cada palavra, cada gesto seu seria observado e avaliado.

Enquanto caminhavam pelo salão, Eleanor não pôde deixar de notar os olhares que lhes eram lançados. Alguns eram de curiosidade, outros de respeito, mas havia também aqueles que eram velados por uma máscara de indiferença, mas que carregavam uma ponta de inveja ou desconfiança. Era evidente que sua presença estava causando um impacto, e ela sabia que precisaria estar preparada para lidar com as farpas sutis que isso implicava.

Sir Thomas a conduziu até um grupo de nobres que conversava perto de uma das lareiras. Eleanor reconheceu alguns rostos, figuras importantes na corte, pessoas cujas influências moldavam as decisões do reino. Entre eles estava Sir William de Montfort, um nobre conhecido tanto por sua riqueza quanto por suas intrigas. Ele era um homem alto, com uma expressão atenta e calculista que nunca deixava seus olhos, e ao ver Sir Thomas e Eleanor se aproximarem, ele sorriu, mas o sorriso não chegou aos olhos.

— Sir Thomas, Lady Wycliffe, que prazer vê-los aqui — disse Sir William, inclinando-se ligeiramente em um gesto de cortesia. — O baile ganha ainda mais brilho com sua presença.

Eleanor sorriu educadamente, sentindo o peso das palavras dele. Havia uma formalidade excessiva no tom de Sir William, como se ele estivesse escondendo algo por trás de sua fachada de gentileza.

— O prazer é nosso, Sir William — respondeu Sir Thomas, com uma cortesia igual, mas com uma nota de cuidado em sua voz. — A corte está em pleno esplendor esta noite.

Sir William pareceu perceber o tom de Sir Thomas, mas não deixou transparecer nada além de uma leve mudança em sua expressão.

— Ah, a corte... sempre cheia de mistérios e artimanhas, não é? — disse ele, lançando um olhar furtivo para Eleanor. — E como está Lady Wycliffe se adaptando à vida em sua nova posição?

Eleanor sentiu o olhar de Sir William como uma provocação disfarçada, mas manteve a compostura.

— Estou me adaptando bem, obrigada. A Mansão Wycliffe é um lugar fascinante, com muita história. Ainda estou aprendendo, mas estou determinada a cumprir meu papel da melhor forma possível.

Sir William assentiu, mas havia algo em seus olhos que sugeria uma curiosidade mal-intencionada.

— Acredito que Sir Thomas tem muito a lhe ensinar — comentou ele, casualmente. — A história de sua família é rica e... complexa.

Eleanor sentiu um leve arrepio ao ouvir essas palavras. Havia algo na maneira como Sir William falava que indicava que ele sabia mais do que estava dizendo, como se estivesse insinuando segredos que ela ainda não conhecia.

Sir Thomas, percebendo o desconforto de Eleanor, interveio antes que a conversa pudesse se aprofundar.

— Lady Wycliffe é uma mulher inteligente e perspicaz. Tenho certeza de que ela descobrirá tudo o que precisa saber com o tempo. — Sua voz era firme, marcando um limite claro nas intenções de Sir William.

Sir William sorriu, mas havia uma sombra de algo mais sombrio por trás daquele sorriso.

— Claro, claro. O tempo revela todas as coisas, não é mesmo? — disse ele, levantando sua taça em um brinde. — Às revelações que o futuro nos reserva.

Eleanor ergueu sua própria taça, sentindo o peso das palavras de Sir William, mas mantendo a expressão serena. Sabia que estava sendo puxada para um jogo de poder sutil, um jogo de intrigas e segredos que ela mal começava a entender. Mas também sabia que não estava sozinha. Sir Thomas estava ao seu lado, e juntos, eles enfrentariam o que viesse.

A conversa continuou, mas Eleanor estava apenas parcialmente presente, seus pensamentos ainda girando em torno das palavras de Sir William. O que ele sabia? E o que ele estava insinuando? Havia muito mais naquela corte do que festas e danças, e Eleanor começava a perceber que, como Lady Wycliffe, ela precisaria navegar por essas águas traiçoeiras com muito cuidado.

Mais tarde naquela noite, enquanto a música tocava e os convidados dançavam sob os candelabros brilhantes, Sir Thomas conduziu Eleanor para uma área mais tranquila do salão. Ele estava visivelmente tenso, mas sua voz manteve a compostura ao falar.

— Preciso que esteja ciente de que Sir William não é um homem confiável — disse ele, em um tom baixo, mas firme. — Ele é astuto e ambicioso, e não hesitará em usar qualquer informação que obtenha contra nós. Esteja sempre atenta ao que ele diz e faça, e nunca revele mais do que o necessário.

Eleanor assentiu, sentindo o peso das palavras de Sir Thomas. Ela já havia percebido que Sir William era um homem perigoso, mas ouvir isso de seu marido tornava a ameaça ainda mais real.

— Entendido, Sir Thomas. Estarei atenta — respondeu ela, com seriedade.

Ele olhou para ela, e por um momento, Eleanor viu algo mais profundo em seus olhos, uma preocupação discreta mas genuína.

— Sei que este mundo pode ser difícil de navegar, especialmente para alguém novo na corte — continuou ele. — Mas tenho confiança de que você tem a força e a inteligência para lidar com isso. Se houver algo que precise, não hesite em me procurar.

Eleanor sentiu uma onda de gratidão pelas palavras dele, e por um breve momento, sentiu uma afinidade inesperada com Sir Thomas. Apesar da formalidade que ainda permeava seu relacionamento, havia um entendimento mútuo crescendo entre eles.

— Obrigada, Sir Thomas. Aprecio seu apoio — disse ela, com um sorriso sincero.

A noite continuou, mas Eleanor permaneceu vigilante. Enquanto os outros dançavam e riam, ela observava e ouvia, tentando captar qualquer fragmento de informação que pudesse ajudá-la a entender melhor as dinâmicas da corte e os perigos sutis que a cercavam. Ela sabia que a vida que havia escolhido não seria fácil, mas também sabia que não estava disposta a ser uma simples espectadora.

Ao final do baile, enquanto a carruagem os levava de volta à Mansão Wycliffe, Eleanor sentiu-se exausta, mas também determinada. Havia muito que precisava descobrir, tanto sobre a corte quanto sobre a história de sua nova família. E com cada revelação, ela estava mais convencida de que o futuro que a esperava seria cheio de desafios, mas também de oportunidades.

Naquela noite, ao deitar-se, Eleanor não conseguia afastar da mente as palavras de Sir William e a tensão que percebera em Sir Thomas. Sabia que havia segredos profundos e perigosos naquele mundo, segredos que poderiam moldar o destino de muitos. Mas também sabia que estava pronta para enfrentá-los, com coragem e determinação.

Enquanto a lua brilhava sobre a Mansão Wycliffe, Eleanor adormeceu, sabendo que a jornada que havia começado estava longe de terminar. Ela estava apenas no início de uma longa e complexa estrada, e estava pronta para trilhar cada passo, independentemente dos obstáculos que surgissem em seu caminho.

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