Capítulo 11: Segredos Revelados
Os primeiros raios de sol da manhã penetravam suavemente pelas janelas altas da Mansão Wycliffe, pintando os pisos de madeira com manchas douradas de luz. No entanto, a beleza da manhã parecia estranhamente distante para Eleanor. A descoberta que fizera na noite anterior, ao seguir Sir Thomas até o quarto secreto na ala oeste, não saía de sua mente. O pequeno baú de madeira, os documentos antigos e a expressão perturbada de Sir Thomas haviam plantado uma semente de inquietação dentro dela, uma sensação de que algo sombrio e significativo estava prestes a ser revelado.
Eleanor sabia que não podia ignorar o que havia visto. O comportamento evasivo de Sir Thomas, a maneira como ele ocultava certos aspectos de sua vida, indicavam que o segredo era mais profundo do que ela imaginava. Se ela queria entender completamente sua nova vida e seu lugar nela, precisava descobrir a verdade, por mais dolorosa que pudesse ser.
Com uma determinação renovada, Eleanor esperou até que Sir Thomas saísse para um compromisso na cidade. Ela sabia que aquela era sua chance de investigar o quarto secreto sem interrupções. Quando ouviu a carruagem partir, sentiu uma mistura de medo e excitação. Embora estivesse ciente de que estava cruzando uma linha ao entrar no quarto sem o conhecimento de Sir Thomas, a necessidade de saber superava qualquer sentimento de culpa.
Eleanor percorreu os corredores da ala oeste com passos leves, sentindo o frio das paredes de pedra. O silêncio da mansão era opressor, como se aguardasse o que estava prestes a acontecer. Quando chegou à porta do quarto secreto, hesitou, permitindo que o peso de sua decisão recaísse sobre ela.
Empurrou a porta e entrou. O quarto estava do jeito que ela o deixara na noite anterior, o ar ainda denso com o cheiro de madeira envelhecida e poeira. O cofre estava novamente fechado, mas ela não se intimidou. Aproximou-se da escrivaninha e começou a procurar, os dedos passando rapidamente pelos documentos que Sir Thomas não havia tido tempo de esconder.
Após alguns minutos de busca, Eleanor encontrou um maço de papéis amarelados, enrolados e selados com cera vermelha. Seu coração acelerou ao perceber que estava diante de algo importante, algo que Sir Thomas havia tentado esconder. Com mãos trêmulas, quebrou o selo e desenrolou os papéis, os olhos correndo pelas palavras que pareciam gritar para ela.
O que Eleanor leu a deixou gelada. Os documentos eram correspondências antigas, trocas entre o avô de Sir Thomas e um homem cujo nome ela não reconhecia de imediato. As cartas revelavam um segredo obscuro, um acordo feito décadas atrás envolvendo a família Ashford. Não era um simples escândalo, mas uma revelação que poderia destruir tudo o que ela conhecia sobre sua família e seu casamento.
As cartas contavam como a fortuna dos Ashford fora construída sobre uma base corrupta. O avô de Sir Thomas havia descoberto que o patriarca dos Ashford, na época, estava envolvido em um esquema ilícito de fraude e extorsão de outros nobres. Em troca de seu silêncio, o avô de Sir Thomas exigira uma parcela significativa da fortuna dos Ashford, mascarando o ato como um investimento legítimo.
Eleanor sentiu-se doente ao pensar que a riqueza que deveria garantir seu futuro e sua posição era manchada por um crime do passado. Pior ainda, as cartas indicavam que seu casamento com Sir Thomas era, de certa forma, uma forma de solidificar essa união profana, uma maneira de assegurar que o segredo permaneceria enterrado para sempre.
Ela se deixou cair em uma das poltronas do quarto, segurando os papéis nas mãos trêmulas. Seu mundo parecia desmoronar. Como poderia enfrentar Sir Thomas agora, sabendo o que sabia? Como entender seu casamento se ele estivesse ciente desse segredo o tempo todo?
Por fim, sentindo que não poderia mais permanecer naquele quarto sombrio, Eleanor levantou-se e, com os documentos ainda em mãos, saiu, fechando a porta atrás de si, como se estivesse tentando deixar para trás os horrores que descobrira.
De volta ao seu quarto, Eleanor se sentou à beira da cama, os olhos fixos nos papéis em suas mãos. Ela sabia que precisava tomar uma decisão difícil. Poderia confrontar Sir Thomas e exigir uma explicação, ou poderia manter o segredo e tentar lidar com as revelações sozinha. Ambas as opções pareciam impossíveis.
Foi então que Eleanor percebeu que não poderia resolver tudo sozinha. Precisava de alguém em quem confiasse, alguém que pudesse ajudá-la a compreender o que descobrira e a enfrentar as consequências do segredo. Alguém de fora da Mansão Wycliffe.
Sem hesitar, Eleanor decidiu procurar sua amiga de confiança, Isabella, que sempre fora uma voz de razão e sabedoria em sua vida. Se havia alguém capaz de aconselhá-la, era ela.
Determinada, Eleanor chamou um criado e ordenou que preparasse a carruagem. Sabia que cada minuto que passava tornava a situação mais complicada. Precisava conversar com Isabella antes que Sir Thomas retornasse e percebesse o que ela havia descoberto.
A viagem até a propriedade de Isabella foi silenciosa e carregada de tensão. Com os documentos bem guardados, Eleanor segurava as rédeas de suas emoções, ciente de que estava prestes a enfrentar um abismo de dúvidas e incertezas.
Quando finalmente chegou à propriedade de Isabella, Eleanor desceu da carruagem e foi recebida com a habitual hospitalidade. Ao vê-la, Isabella percebeu imediatamente que algo estava errado.
— Eleanor, o que aconteceu? — perguntou Isabella, com a voz cheia de preocupação.
Eleanor mal conseguiu conter as lágrimas enquanto entregava os documentos a Isabella.
— Isabella, eu... eu descobri algo terrível sobre minha família e sobre o meu casamento. Não sei o que fazer.
Isabella, sempre prática e ponderada, pegou os papéis e começou a lê-los, o rosto ficando cada vez mais sério à medida que lia. Quando terminou, olhou para Eleanor, seus olhos refletindo a gravidade da situação.
— Isso é... é muito sério, Eleanor. Se o que está nesses documentos for verdade, então a posição de sua família e a legitimidade de seu casamento estão em risco. Mas precisamos ser cautelosas. Sir Thomas sabe que você encontrou isso?
Eleanor balançou a cabeça, ainda tentando conter a emoção.
— Não, ele não sabe. Não posso continuar como se nada tivesse acontecido, mas também não posso confrontá-lo sem pensar nas consequências.
Isabella segurou a mão de Eleanor, tentando oferecer algum conforto.
— Primeiro, precisamos pensar com clareza. Esses documentos representam uma ameaça, mas também uma oportunidade. Se você abordar Sir Thomas da maneira certa, ele talvez seja honesto e ajude a encontrar uma solução. Mas, se ele ocultou tudo isso de você, será preciso pensar em como se proteger.
Eleanor assentiu, sentindo-se mais forte ao ouvir as palavras da amiga.
— Você acha que ele sabia de tudo isso desde o começo? — perguntou, ainda incerta.
Isabella suspirou, os olhos fixos nos de Eleanor.
— Não sei, Eleanor. Sir Thomas é reservado, mas parece que ele realmente nutre um sentimento por você. Talvez ele queira protegê-la e esteja em conflito entre as obrigações familiares e seus sentimentos por você. Precisamos ter certeza.
Eleanor sabia que Isabella estava certa. Não poderia continuar com esse segredo sozinha. Precisava enfrentar Sir Thomas, mas de maneira que lhe desse controle sobre a situação.
— O que devo fazer? — perguntou ela, determinada a encontrar uma solução.
Isabella pensou por um momento antes de responder.
— Volte para a mansão e guarde esses documentos em um local seguro. Quando Sir Thomas voltar, observe-o. Veja como reage, se diz algo. E então, quando se sentir preparada, converse com ele. Mas, lembre-se, Eleanor, você não está sozinha. Estou aqui para ajudar, aconteça o que acontecer.
Eleanor sentiu uma onda de gratidão por sua amiga. Sabia que a jornada à frente seria difícil, mas com o apoio de Isabella, estava mais preparada para enfrentá-la.
Após se despedir de Isabella, Eleanor retornou à Mansão Wycliffe. O caminho de volta parecia mais longo, como se cada quilômetro a aproximasse de uma tempestade inevitável. Ao chegar, foi direto ao seu quarto, onde escondeu os documentos em um compartimento secreto.
Agora, tudo o que restava era esperar. Esperar por Sir Thomas, esperar pela conversa que poderia mudar sua vida.
Naquela noite, ao se preparar para o jantar, Eleanor sentiu o peso da expectativa. Sabia que a verdade estava prestes a ser revelada, mas não sabia se estava pronta para enfrentá-la. Tudo o que sabia era que, qualquer que fosse o resultado, precisaria de coragem.
Quando Sir Thomas finalmente retornou, entrando no salão com seu habitual ar de controle e confiança, Eleanor soube que o momento havia chegado. Com o coração disparado, Eleanor sabia que precisava descobrir se o homem com quem havia se casado era realmente um aliado... ou um inimigo.
E, com essa determinação, Eleanor se preparou para enfrentar a verdade, custe o que custasse.
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Atualizado até capítulo 27
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