Capítulo 10: O Baile de Máscaras
A noite do baile de máscaras na corte chegou envolta em um véu de mistério e antecipação. A cidade inteira parecia estar sob um encantamento, com as ruas pavimentadas brilhando sob a luz suave da lua, e as janelas das casas iluminadas por velas trêmulas que davam ao cenário uma aura quase mágica. As ruas estavam mais silenciosas, e a atmosfera carregava uma energia densa, como se todos aguardassem algo que se revelaria naquela noite. A própria mansão real, com suas torres góticas e suas paredes de pedra antiga, parecia respirar a atmosfera de segredos e promessas não ditas que pairavam no ar.
Eleanor estava em seus aposentos, sendo ajudada por Martha a se preparar para o evento. O vestido que escolhera para a noite era uma obra-prima de seda preta e dourada, adornado com finos bordados que capturavam a luz de maneira sutil, mas hipnotizante. As mangas eram longas e fluídas, caindo como uma cascata de luxo sobre seus braços, e o corpete justo acentuava sua figura esguia. A renda fina que formava o decote delicado parecia desenhar um véu de mistério sobre ela, uma mulher escondida e poderosa, pronta para enfrentar os segredos da noite. O detalhe mais intrigante, porém, era a máscara que cobriria metade de seu rosto – uma peça delicada, feita de renda dourada, com plumas negras que se erguiam como um toque final de mistério.
Enquanto Martha ajustava os últimos detalhes do vestido, Eleanor não conseguia afastar o nervosismo que se apossava de seu coração. O baile de máscaras era mais do que apenas um evento social; era uma arena onde as intrigas da corte se desenrolavam sob o disfarce das máscaras, onde alianças eram feitas e desfeitas, e onde os olhares mais cortantes podiam ser lançados sem serem vistos.
— A senhora está magnífica, milady — disse Martha, com um sorriso de aprovação enquanto terminava de ajeitar as plumas da máscara.
Eleanor devolveu o sorriso, mas havia uma preocupação que não conseguia esconder.
— Obrigada, Martha. Só espero que a noite seja... tranquila.
Martha, sempre atenta aos sentimentos de Eleanor, percebeu a hesitação em sua voz.
— Não se preocupe, milady. O senhor Thomas estará ao seu lado, e sei que ele a protegerá de qualquer mal.
Eleanor assentiu, tentando acalmar a inquietação que borbulhava dentro dela. Martha tinha razão. Desde a noite em que haviam conversado à beira do lago, Eleanor e Sir Thomas haviam desenvolvido uma conexão mais forte, um laço que, embora ainda delicado, começava a se solidificar em algo mais profundo.
Quando finalmente estava pronta, Eleanor desceu até o grande salão da Mansão Wycliffe, onde Sir Thomas a aguardava. Ele estava vestido de forma impecável, com um traje preto adornado com detalhes em ouro, que combinava perfeitamente com a máscara de veludo que cobria seus olhos. Ao vê-la descer as escadas, ele sorriu levemente, um sorriso que, embora sutil, carregava consigo uma aprovação silenciosa.
A intensidade do olhar dele, mesmo com a máscara, fez com que Eleanor sentisse seu rosto aquecer levemente. Aquele não era o olhar de um marido formal e distante; era o olhar de um homem intrigado, atraído, como se algo a respeito dela o envolvesse de maneira mais profunda.
— Lady Wycliffe — disse ele, oferecendo-lhe a mão quando ela chegou ao final da escadaria. — Você está deslumbrante.
Eleanor sentiu um calor suave subir-lhe às faces ao ouvir o elogio. Havia algo na maneira como Sir Thomas a olhava, como se estivesse vendo além das aparências, além do traje e da máscara.
— Obrigada, Sir Thomas. — respondeu ela, aceitando sua mão. — Você também está impressionante.
Ele inclinou a cabeça em agradecimento, e juntos, eles saíram da mansão e entraram na carruagem que os levaria até o palácio real. O caminho foi feito em silêncio, mas não era um silêncio desconfortável. Havia uma serenidade tranquila entre eles, um entendimento tácito de que, naquela noite, precisariam confiar um no outro mais do que nunca.
Ao chegarem ao palácio, Eleanor ficou impressionada com a grandiosidade do cenário. O edifício, já imponente em qualquer outra ocasião, agora parecia uma visão saída de um conto de fadas. Os candelabros de cristal refletiam mil cores no teto do salão, enquanto as danças fluíam suavemente em meio ao espaço iluminado. O som da música e das conversas abafadas dava ao ambiente um toque de encantamento. As tochas acesas nas paredes externas lançavam uma luz cálida sobre as pedras antigas, enquanto as escadarias de mármore que levavam ao salão principal estavam adornadas com flores e tapeçarias ricamente coloridas. Os convidados, todos trajados com suas máscaras elaboradas e roupas suntuosas, pareciam fantasmas de outro mundo, movendo-se com graça e mistério por entre as sombras.
Eleanor sentiu uma onda de nervosismo ao entrar no salão de baile. A vastidão do espaço, com seu teto abobadado e seus candelabros de cristal que brilhavam como estrelas, era ao mesmo tempo deslumbrante e intimidadora. A música que preenchia o ar era suave e envolvente, uma melodia que parecia sussurrar segredos antigos nos ouvidos de quem a ouvisse.
Sir Thomas, percebendo a hesitação de Eleanor, apertou suavemente a mão dela em um gesto de apoio.
— Não se preocupe, Eleanor. Esta é apenas mais uma noite na corte. — disse ele, com uma voz calma que parecia tranquilizá-la. — Lembre-se, ninguém sabe quem está por trás das máscaras. Isso lhe dá poder.
Eleanor respirou fundo e assentiu, sentindo a tensão diminuir um pouco. Havia uma verdade nas palavras de Sir Thomas. Com a máscara, ela estava protegida, oculta de olhares penetrantes e julgadores. Poderia ser quem quisesse naquela noite, e isso lhe dava uma certa liberdade.
Eles foram recebidos com as devidas formalidades pelos anfitriões, e logo se encontraram circulando pelo salão, cumprimentando os outros nobres que também estavam mascarados. Embora as identidades fossem conhecidas por alguns, havia um jogo implícito de mistério, onde as palavras eram medidas com cuidado, e cada gesto, cada sorriso, carregava um significado oculto.
A cada passo, Eleanor sentia que seus movimentos eram observados, cada gesto estudado. Mas quando ela olhava para Sir Thomas, sentia-se novamente forte, sabendo que ele estava ao seu lado como seu aliado naquela noite.
Enquanto caminhavam, Eleanor não pôde deixar de sentir os olhares que lhes eram lançados. Havia curiosidade, admiração, mas também havia inveja e desconfiança. Ela sabia que, como nova Lady Wycliffe, estava sob escrutínio, especialmente por aqueles que viam seu casamento com Sir Thomas como uma união estratégica.
Foi então que Eleanor avistou Sir William de Montfort, parado perto de uma das lareiras, conversando com um pequeno grupo de nobres. Ele estava vestido de forma elegante, sua máscara adornada com penas negras que lhe davam uma aparência quase sinistra. Quando ele a viu, um sorriso se formou em seus lábios, mas era um sorriso que não tinha nada de amistoso.
— Lady Wycliffe — chamou ele, aproximando-se. — Que prazer vê-la novamente. E tão encantadora em sua máscara. Realmente, um verdadeiro mistério.
Eleanor sentiu o frio de sua voz e a tensão nas palavras, mas manteve a compostura.
— Sir William — respondeu ela, com um leve aceno de cabeça. — O prazer é meu. Este baile é realmente um espetáculo.
Sir William inclinou a cabeça, ainda com aquele sorriso que não chegava aos olhos.
— Sim, um espetáculo, de fato. — disse ele, antes de se virar para Sir Thomas. — Sir Thomas, devo parabenizá-lo. Sua esposa realmente se destaca entre as flores da corte. Ela é... uma joia rara.
Eleanor percebeu o tom sutilmente condescendente nas palavras de Sir William e sentiu um desconforto crescente. Havia algo nas suas palavras que parecia esconder uma armadilha, algo que a deixava em alerta.
Sir Thomas, porém, não se deixou abalar.
— Agradeço, Sir William — disse ele, com um tom firme. — Concordo que minha esposa é uma joia rara, e é por isso que estou ao seu lado para garantir que nada a ofusque.
O desafio nas palavras de Sir Thomas era claro, e Sir William ergueu uma sobrancelha, como se estivesse surpreso pela resposta afiada. Mas, em vez de recuar, ele deu um passo à frente, a máscara escondendo qualquer expressão que pudesse trair suas intenções.
— Claro, claro — disse Sir William, com uma suavidade que parecia desprovida de qualquer sinceridade. — No entanto, às vezes, as joias mais preciosas podem ser postas à prova, não é mesmo? Afinal, um baile de máscaras é o lugar perfeito para testar os limites do que é verdadeiro e o que é ilusório.
Antes que Eleanor ou Sir Thomas pudessem responder, Sir William se aproximou mais, estendendo a mão para Eleanor em um gesto que parecia inofensivo, mas carregava uma insinuação perigosa.
— Milady, posso ter a honra desta dança? — perguntou ele, com uma voz que soava como um desafio.
Eleanor hesitou por um momento, sentindo-se encurralada. Ela sabia que recusar poderia ser interpretado como uma fraqueza, mas aceitar parecia abrir caminho para algo que poderia fugir do controle. Sir Thomas, percebendo seu desconforto, deu um passo à frente, colocando-se entre ela e Sir William.
— Receio que minha esposa já esteja comprometida com outra dança, Sir William — disse ele, com uma calma que escondia a tensão latente. — Talvez outra ocasião.
Sir William manteve o sorriso, mas havia uma ponta de frustração em seus olhos.
— Uma pena — disse ele, recuando com um gesto cortês, mas Eleanor podia sentir a ameaça velada em suas palavras. — Talvez na próxima, então.
Com isso, Sir William se afastou, desaparecendo entre a multidão de mascarados, deixando uma sensação de inquietação no ar. Eleanor sentiu o alívio imediato ao ver Sir Thomas ao seu lado, a mão dele ainda segurando a sua, como se a conexão física pudesse protegê-la das intrigas que circulavam no salão.
Sir Thomas ergueu a mão de Eleanor e a levou lentamente aos lábios, deixando um beijo discreto, mas profundo, que a fez perder o fôlego por um breve instante.
— Você nunca estará sozinha, Eleanor — disse ele, sem afastar o olhar do dela, a voz carregada de uma emoção que ia além da formalidade. — Estou aqui para você, sempre.
O momento entre eles foi interrompido por uma nova música que começou a tocar, uma melodia lenta e hipnotizante que parecia convidar os casais a se unirem na pista de dança. Sir Thomas não hesitou e, sem soltar a mão de Eleanor, a conduziu até o centro do salão.
A música os envolveu, e logo estavam girando suavemente pela pista de dança, os passos de Sir Thomas firmes e seguros, guiando-a com a mesma precisão com que guiava sua vida. Eleanor sentiu a tensão que havia se acumulado começar a derreter, substituída por uma sensação de segurança que crescia a cada movimento.
Enquanto dançavam, Eleanor não pôde deixar de notar como tudo ao seu redor parecia desaparecer. As outras pessoas, as intrigas, as ameaças veladas de Sir William – tudo parecia distante, irrelevante. Havia apenas a música, o movimento e a presença de Sir Thomas, que, de alguma forma, tornava tudo mais suportável.
Foi nesse momento que Eleanor percebeu algo que mudaria sua percepção sobre seu casamento. Por trás de toda a formalidade, de todo o controle que Sir Thomas exercia sobre sua vida e suas emoções, havia um homem que estava começando a abrir espaço para algo mais. Talvez fosse um sentimento ainda incipiente, talvez fosse apenas uma semente de algo maior, mas estava lá, presente nos gestos, nas palavras, na maneira como ele a protegia.
A certa altura da dança, Sir Thomas a puxou para mais perto, e Eleanor sentiu o calor de seu corpo, o toque de suas mãos e o perfume suave que emanava dele. Ela mal conseguia respirar ao perceber o quanto seu coração acelerava.
— Sempre, Eleanor — murmurou ele, aproximando-se mais, os lábios quase tocando os dela. Eleanor fechou os olhos, e o toque de seus lábios foi delicado, um beijo que era ao mesmo tempo hesitante e cheio de promessas.
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Atualizado até capítulo 27
Comments
Ione barbosa
E ele tem raiva por causa disto acho que Leonora vai ajuda_ lo a apaziguar com muitas pessoas
2024-10-28
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Ione barbosa
E acho que o papel do cofre a um recibo que o avô dele tem em mãos ou procuração de terras ou bens de sr william
2024-10-28
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Ione barbosa
Eu tbm queria saber se não vão consumar o casamento uai
2024-10-28
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