...Caros leitores,...
...Esta história foi escrita na minha infância, enquanto ainda estava no ensino fundamental. Ela foi criada seguindo as diretrizes de um concurso literário da escola, por isso não contém cenas de sexo ou beijos explícitos, como alguns talvez esperem. Se você procura uma história com grande foco em "intimidade", talvez esta não seja a mais adequada para você. Este é um conto mais simples e inocente, onde a confiança e a interação entre os personagens ganham destaque....
...Desde já, agradeço sua compreensão....
_______________________________________
O dia da cerimônia chegou mais rápido do que Eleanor poderia imaginar. Em meio aos preparativos e às despedidas na Mansão Ashford, ela sentiu o tempo escorregar pelos dedos como areia fina. A cerimônia foi simples, porém digna, refletindo o acordo prático que ela e Sir Thomas haviam estabelecido. As velas bruxuleantes da capela lançavam sombras nas paredes de pedra, e o ambiente era impregnado com o leve perfume das flores que decoravam o altar. Eleanor repetiu os votos que, embora estivessem impregnados de formalidade, carregavam a promessa silenciosa de respeito e parceria.
Agora, a noite caía sobre a propriedade Wycliffe, e o coche que a trouxera estava se afastando lentamente pela longa estrada de cascalho. Eleanor observou as luzes da mansão se aproximarem à medida que a carruagem avançava, e um misto de ansiedade e resignação tomou conta de seu coração. Pela primeira vez desde que aceitara a proposta de Sir Thomas, ela se sentiu realmente sozinha.
A Mansão Wycliffe era impressionante, imponente, mas sem o calor que Eleanor associava à sua antiga casa. Ela sentiu uma pontada de saudade da mansão Ashford, onde até os corredores mais escuros lhe eram familiares e acolhedores. A construção, situada no coração de uma vasta propriedade, erguia-se como uma fortaleza. As paredes de pedra eram grossas e intransponíveis, refletindo a personalidade de seu novo marido. Grandes janelas arqueadas ofereciam uma vista panorâmica das terras ao redor, mas de alguma forma, a casa parecia afastada, desconectada do mundo exterior.
Quando o coche parou na entrada principal, Eleanor foi recebida por criados alinhados em perfeita ordem, uma visão que só reforçava a disciplina e a organização que Sir Thomas parecia prezar. Um mordomo, um homem idoso com uma expressão séria e profissional, aproximou-se dela e fez uma reverência.
— Lady Wycliffe, bem-vinda à sua nova casa. — Sua voz era respeitosa, mas sem qualquer indício de calor. — Permita-me acompanhá-la ao salão principal.
Eleanor acenou com a cabeça e seguiu o mordomo, seus passos ecoando no chão de mármore frio do vasto corredor que levava ao salão. As paredes estavam adornadas com tapeçarias ricamente bordadas, representando cenas de caça e paisagens bucólicas. As cores eram vibrantes, mas havia algo de austero em toda a decoração, algo que fazia o lugar parecer mais uma exibição de poder do que um lar.
Quando chegaram ao salão principal, Eleanor foi recebida por Sir Thomas, que estava de pé junto à lareira, observando as chamas que dançavam em uma coreografia hipnotizante. Ele se virou ao ouvir os passos dela, e por um breve momento, seus olhos se encontraram. Eleanor tentou ler algo em sua expressão, mas como sempre, Sir Thomas mantinha aquele ar de controle absoluto, uma fachada que nunca parecia desmoronar.
— Lady Wycliffe — cumprimentou ele, com uma leve inclinação de cabeça. — Espero que a viagem tenha sido confortável.
Eleanor esboçou um leve sorriso, ciente da formalidade que envolvia aquele primeiro encontro como marido e mulher.
— Sim, Sir Thomas, foi tranquila. A mansão é... impressionante.
— Fico feliz que tenha gostado — respondeu ele, com um tom que, embora educado, parecia faltar algo. Talvez fosse emoção, ou talvez fosse o calor que Eleanor tanto desejava encontrar. — Espero que você se sinta em casa aqui.
Ela olhou ao redor do salão, tentando se familiarizar com o ambiente. O salão era grandioso, com tetos altos e candelabros de cristal que lançavam uma luz suave sobre os móveis de mogno polido. Um grande retrato de um dos ancestrais de Sir Thomas pendia acima da lareira, observando o ambiente com uma expressão severa. Era tudo muito bonito, mas também muito distante.
— É um belo salão, Sir Thomas — comentou Eleanor, enquanto se aproximava de uma das poltronas próximas à lareira. — Mas devo admitir que ainda me sinto um pouco... deslocada.
Sir Thomas pareceu considerar as palavras dela por um momento antes de responder.
— Entendo. Esta casa pode parecer intimidante à primeira vista, mas com o tempo, creio que você encontrará conforto aqui. — Ele fez uma pausa, como se estivesse buscando algo mais a dizer. — Se precisar de qualquer coisa, não hesite em pedir. Os criados estão à sua disposição.
Eleanor assentiu, mas por dentro sentia uma pontada de tristeza. Embora soubesse que Sir Thomas não era um homem dado a grandes demonstrações de afeto, ela não podia deixar de desejar que ele ao menos tentasse criar um ambiente mais acolhedor para ela naquela primeira noite.
— Agradeço sua gentileza, Sir Thomas. — disse ela, tentando manter a voz firme e controlada.
Eles ficaram em silêncio por alguns minutos, o crepitar das chamas na lareira sendo o único som no vasto salão. Eleanor sentiu uma onda de cansaço se abater sobre ela, mas sabia que a noite ainda não havia acabado. Eles estavam apenas começando a conhecer a vida que construiriam juntos, e o caminho à frente ainda era incerto.
— Tenho certeza de que você deve estar cansada após um dia tão longo — disse Sir Thomas, interrompendo o silêncio. — Se desejar, posso pedir a uma criada que a acompanhe até seus aposentos.
Eleanor hesitou por um momento antes de responder.
— Na verdade, gostaria de conhecer um pouco mais da mansão antes de me retirar. Acho que isso me ajudaria a me sentir mais à vontade aqui.
Sir Thomas pareceu surpreso, mas não desaprovou a ideia.
— Claro. Posso acompanhá-la, se desejar.
Eleanor ficou aliviada com a oferta. Embora Sir Thomas mantivesse uma distância emocional, havia algo reconfortante na presença dele. Talvez fosse a seriedade com que ele encarava o papel de marido, ou o respeito evidente que demonstrava em cada gesto e palavra.
— Eu gostaria disso, Sir Thomas — respondeu ela, com um leve sorriso.
Eles deixaram o salão e começaram a caminhar pelos corredores da mansão. Sir Thomas apontava para cada detalhe arquitetônico, explicando a história de cada parte da casa. Ele mencionou como seu avô havia expandido a mansão, adicionando as alas oeste e leste, e como sua mãe havia supervisionado a decoração do salão de baile, que ele logo mostraria a ela.
A cada passo, Eleanor sentia um pouco mais do peso da situação que agora carregava. Esta era sua nova vida, uma vida que estava apenas começando, mas que já parecia carregada de expectativas e responsabilidades. À medida que caminhavam pelos corredores, ela não pôde deixar de perceber como cada detalhe da mansão refletia o caráter de Sir Thomas – a precisão, a ordem, a ausência de qualquer extravagância desnecessária. Tudo estava em seu lugar, e tudo servia a um propósito.
Quando chegaram ao salão de baile, Eleanor parou por um momento, admirando o vasto espaço. O teto era adornado com frescos detalhados que retratavam cenas mitológicas, e o chão de mármore polido refletia a luz dos candelabros de cristal. Havia algo de majestoso naquele lugar, mas também algo de solitário. Era difícil imaginar o salão cheio de convidados, com música e risadas preenchendo o espaço. Parecia mais uma obra de arte, admirada à distância, do que um lugar para celebração.
— Este salão foi palco de muitos eventos importantes ao longo dos anos — comentou Sir Thomas, como se tivesse lido os pensamentos dela. — Mas, nos últimos tempos, tem sido pouco utilizado. Talvez, com o tempo, possamos mudar isso.
Eleanor olhou para ele, tentando decifrar se havia uma sugestão velada em suas palavras. Pela primeira vez, Sir Thomas parecia indicar, ainda que sutilmente, o desejo de uma parceria que pudesse tornar a mansão um lar vibrante.
— Gostaria disso, Sir Thomas — respondeu ela, sua voz calma, mas com um toque de esperança. — Acho que este salão merece ser vivido, não apenas admirado.
Ele a observou por um momento, como se estivesse ponderando as palavras dela, antes de assentir.
— Concordo. E acho que, com o tempo, podemos trabalhar juntos para tornar esta casa um lar para ambos.
Eleanor sentiu uma pequena chama de esperança acender-se dentro de si. Talvez, apesar de todas as circunstâncias, houvesse a possibilidade de encontrar algum grau de felicidade naquela nova vida.
Eles continuaram a explorar a mansão, passando pelos aposentos da ala leste, que incluíam a biblioteca, um estúdio de música e um pequeno oratório. Cada cômodo parecia refletir a história e o prestígio da família Wycliffe, mas também havia um toque pessoal em cada um deles, como se a mão de Sir Thomas tivesse moldado cada detalhe com cuidado.
Quando finalmente chegaram ao quarto que Eleanor ocuparia, ela sentiu uma mistura de nervosismo e expectativa. O quarto era espaçoso, com paredes forradas de seda creme e móveis de mogno escuro. Uma grande cama de dossel ocupava o centro do cômodo, e cortinas de veludo azul caíam suavemente dos lados. Havia uma lareira na parede oposta à cama, onde as chamas dançavam preguiçosamente, projetando sombras aconchegantes ao redor.
Sir Thomas parou à porta, permitindo que Eleanor entrasse primeiro. Ela caminhou lentamente pelo quarto, observando cada detalhe, tentando se familiarizar com o que agora seria seu espaço pessoal. Sentia-se como uma intrusa em um lugar onde deveria ser a dona. Havia uma dualidade estranha em seu coração – o desejo de se sentir em casa e, ao mesmo tempo, a sensação de estar pisando em território desconhecido.
— Espero que encontre conforto aqui, Lady Wycliffe — disse Sir Thomas, rompendo o silêncio que pairava entre eles. — Se houver algo que não esteja a seu gosto, por favor, avise-me, e farei os ajustes necessários.
Eleanor virou-se para ele, tentando interpretar a expressão controlada que ele exibia. Talvez houvesse mais ternura naquelas palavras do que ela imaginava; havia, ao menos, uma consideração genuína, envolta na formalidade que ele mantinha.
— Obrigada, Sir Thomas. O quarto é lindo, e estou certa de que me adaptarei com o tempo.
Ele assentiu, parecendo satisfeito com a resposta.
— Deixarei que descanse agora. Sei que o dia foi longo e que deve estar exausta. — Ele hesitou por um breve momento antes de continuar. — Amanhã, gostaria de discutir alguns detalhes sobre nossas responsabilidades conjuntas. Mas isso pode esperar. Boa noite, Lady Wycliffe.
Eleanor sentiu uma leve onda de alívio ao perceber que Sir Thomas respeitava seu espaço e não pretendia apressar nenhum aspecto da nova dinâmica que estavam começando a estabelecer.
— Boa noite, Sir Thomas — respondeu ela, com um leve sorriso. — E obrigada por tudo.
Com um aceno de cabeça, Sir Thomas saiu do quarto, fechando a porta suavemente atrás de si. Eleanor ficou ali por um momento, sentindo o peso do silêncio que agora preenchia o cômodo. Estava sozinha, mas de alguma forma, aquela solidão não parecia tão esmagadora quanto temera.
Ela caminhou até a cama e sentou-se na beira, observando as chamas na lareira. O calor do fogo era reconfortante, e pela primeira vez desde que chegara à Mansão Wycliffe, Eleanor permitiu-se relaxar. Sabia que ainda havia um longo caminho a percorrer, que a vida ao lado de Sir Thomas seria repleta de desafios e ajustes. Mas também sabia que, de alguma forma, havia encontrado uma nova força dentro de si, uma força que a ajudaria a enfrentar o que quer que viesse.
Enquanto se preparava para dormir, Eleanor não pôde deixar de refletir sobre a jornada que a havia levado até ali. Ela pensou na mansão Ashford, com suas paredes familiares e o calor de Henry e Martha, sentindo uma leve saudade. Havia se despedido de uma vida que conhecia, de um lar que amava, para embarcar em uma nova vida cheia de incertezas. Mas, ao mesmo tempo, sentia que essa jornada a estava moldando, fazendo-a crescer de maneiras que ela jamais imaginara.
Quando finalmente se deitou, puxando as cobertas macias sobre si, Eleanor fechou os olhos e permitiu que o cansaço do dia finalmente a envolvesse. O fogo na lareira ainda brilhava suavemente, e a mansão, com todos os seus segredos e histórias, a acolhia em seu seio.
Eleanor adormeceu, sabendo que o amanhecer traria novos desafios, mas também novas possibilidades. E com essa certeza, ela se preparava para enfrentar o que quer que estivesse por vir, com coragem e determinação, como Lady Wycliffe, a nova senhora da Mansão Wycliffe.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 27
Comments
Val Silva
e cadê a noite de núpcias vai cada um pro seu quarto como se fosse dois conhecidos não gostei
2024-11-01
0
Elizabete Rolins
gostando muito,amo história de época
2024-10-18
2