Capítulo 12: Conflito de Lealdades
A tensão que pairava sobre a Mansão Wycliffe era quase palpável, como o peso que se acumula antes de uma tempestade iminente. Desde que descobrira os documentos reveladores dos segredos sombrios dos Ashford, Eleanor vivia atormentada. Agora, a pressão aumentara exponencialmente com uma nova descoberta de Sir Thomas, algo que ameaçava não apenas sua própria segurança, mas também o bem-estar de todos a sua volta.
O dia começara como de costume, com Sir Thomas saindo cedo para resolver questões administrativas na cidade. Eleanor, tentando afastar os pensamentos que a assombravam, passara a manhã buscando distrações, mas a inquietação era impossível de ignorar. A cada momento em que considerava confrontar Thomas com o que sabia, uma onda de medo e incerteza a paralisava. E com a revelação de Thomas, esses sentimentos apenas se intensificaram.
Ao retornar à mansão, naquela tarde, Sir Thomas carregava um ar que Eleanor jamais havia visto. Seu andar estava rígido, e os olhos mostravam uma preocupação incomum. Quando Eleanor encontrou o olhar dele, soube que algo grave havia acontecido.
— Thomas, o que houve? — perguntou ela, a preocupação transparecendo em sua voz.
Ele hesitou, como se buscasse as palavras certas, e então falou.
— Eleanor, precisamos conversar. Diz respeito ao seu irmão, Henry.
O coração de Eleanor disparou. Desde o casamento, as interações com Henry haviam sido limitadas, mas o laço fraterno permanecia. A gravidade no olhar de Thomas indicava que o assunto era sério.
— O que aconteceu com Henry? — insistiu, sentindo o temor crescer em seu peito.
Thomas fez sinal para que o seguisse até o escritório. Quando entraram, ele fechou a porta e, com um olhar pesado, explicou:
— Descobri que Henry está envolvido em alianças políticas perigosas, Eleanor. Ele se aliou a figuras que desafiam diretamente o rei, homens dispostos a qualquer coisa para derrubar a ordem. Essa ligação não ameaça apenas a segurança dele... mas também a nossa.
Eleanor sentiu o chão desabar. Henry sempre fora impulsivo, mas jamais imaginara que ele pudesse se meter em algo tão arriscado. Medo e pânico se misturavam ao pensar que ele, e ela própria, corriam riscos incalculáveis.
— Não... Henry não faria isso. Deve haver algum engano — murmurou, a voz trêmula e insegura.
Thomas suspirou e aproximou-se, segurando-lhe a mão.
— Gostaria que fosse um engano, Eleanor. Mas os relatórios são claros. Ele tem se reunido com homens que buscam abertamente desafiar a coroa. Estão planejando algo de proporções perigosas, e Henry está no centro disso.
A incredulidade de Eleanor era evidente. Como Henry, seu amado irmão, poderia estar envolvido em uma conspiração tão arriscada? Olhou para Thomas, o rosto tomado pela dor e pelo medo.
— Thomas, ele é meu irmão... — murmurou, a voz embargada. — Não posso deixá-lo enfrentar isso sozinho. Ele precisa de ajuda, pode estar em perigo.
— Eu entendo que você queira protegê-lo — disse Thomas, a voz gentil, mas firme —, mas há mais em jogo aqui. Se ele continuar nesse caminho, não será apenas ele a sofrer. Se eu for vinculado a um traidor, a ameaça se estenderá a todos nós.
Eleanor sentiu as lágrimas brotarem. O dilema era esmagador: escolher entre a lealdade ao irmão e a segurança de seu casamento e sua própria vida.
— O que você espera que eu faça, Thomas? Como posso trair meu próprio irmão? — perguntou, quase sem fôlego, dominada pela incerteza.
Thomas segurou suas mãos firmemente, olhando-a nos olhos.
— Não peço que o traia. Peço que me ajude a impedir que todos nós sejamos arrastados para o perigo. Precisamos convencê-lo a desistir antes que o risco seja fatal.
Eleanor fechou os olhos, tentando absorver as palavras dele. Sabia que ele estava certo. Precisavam agir rapidamente, mas confrontar Henry era doloroso demais.
Quando abriu os olhos, uma nova determinação emergia neles.
— O que devemos fazer?
Thomas pareceu aliviado pela disposição dela em colaborar.
— Precisamos encontrar Henry. Sei onde ele tem se reunido com esses homens. Podemos interceptá-lo, mas precisaremos de cautela. Qualquer deslize e eles podem reagir violentamente.
Eleanor assentiu, sentindo o peso da decisão. Sabia que estava traindo, de certa forma, o irmão a quem sempre quis proteger. Mas precisava salvar Henry e os que amava.
— Eu vou com você. Ele precisa ouvir isso de mim. Talvez, se ele ainda tiver consideração por mim, eu possa convencê-lo.
Thomas hesitou, preocupado, mas vendo a resolução no olhar dela, assentiu.
— Muito bem. Vamos juntos. Mas devemos ser rápidos e discretos.
Eles começaram os preparativos. Thomas chamou seus homens de confiança, enquanto Eleanor vestiu-se de forma simples, abandonando os trajes luxuosos em favor de algo prático.
A viagem sob o manto da noite foi silenciosa. Ambos estavam absorvidos pelos próprios pensamentos, conscientes do confronto iminente. Ao chegarem à casa isolada, Thomas organizou a segurança ao redor do local e então, voltando-se para Eleanor, fitou-a com um misto de preocupação e confiança.
— Lembre-se, precisamos ser rápidos. Se algo parecer errado, sairemos imediatamente.
Eleanor assentiu, com o coração acelerado e o olhar fixo na missão.
— Entendido, Thomas. Vamos acabar com isso.
Thomas bateu à porta. Após alguns momentos, a porta se abriu, e Henry apareceu, surpreso.
— Eleanor... Thomas... O que fazem aqui?
Eleanor adiantou-se, encarando-o.
— Precisamos conversar. Agora.
Henry hesitou, mas viu a determinação dela e os convidou a entrar. Na sala, uma mesa coberta de mapas e documentos revelava a profundidade de seu envolvimento.
— O que sabem? — perguntou, a voz carregada de desconfiança.
Thomas respondeu com calma.
— Sabemos que está envolvido com homens que querem derrubar o rei. Isso é perigoso não só para você, mas para todos nós. Se seguir com esse plano, pode trazer destruição para nossa família.
Henry olhou para Thomas, o rosto endurecido por um misto de raiva e convicção.
— Faço isso pelo futuro. Alguém precisa agir.
Eleanor se aproximou, a voz embargada.
— Henry, sei que quer justiça, mas o que está fazendo é um risco alto demais. Você coloca todos nós em perigo. Por favor, como sua irmã, pense nas consequências.
Ele olhou para ela, conflito e dor refletindo em seus olhos. Após um momento de silêncio, murmurou:
— Vou pensar, Eleanor... Preciso de tempo.
Eleanor sentiu um breve alívio, embora o receio ainda estivesse ali.
— É tudo que peço. Pense no que pode acontecer.
Henry assentiu, mais calmo, embora ainda profundamente perturbado.
— Prometo, Eleanor. Vou pensar.
Thomas concluiu:
— Confiamos em você, Henry. Mas esteja ciente de que qualquer passo em falso será definitivo.
Eleanor e Thomas despediram-se, deixando Henry com seus pensamentos. A viagem de volta foi silenciosa, com ambos cientes da incerteza que ainda pairava, mas também com uma pequena chama de esperança.
Naquela noite, Eleanor refletiu sobre a lealdade dividida entre seu irmão e seu marido. Sabia que precisaria de toda sua força para enfrentar o que ainda estava por vir.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 27
Comments