...Caros leitores,...
...Esta história foi escrita na minha infância, enquanto ainda estava no ensino fundamental. Ela foi criada seguindo as diretrizes de um concurso literário da escola, por isso não contém cenas de sexo ou beijos explícitos, como alguns talvez esperem. Se você procura uma história com grande foco em "intimidade", talvez esta não seja a mais adequada para você. Este é um conto mais simples e inocente, onde a confiança e a interação entre os personagens ganham destaque....
...Desde já, agradeço sua compreensão....
Capítulo 4: O Acordo Selado
O sol nascera radiante naquela manhã, projetando seus primeiros raios sobre a vasta extensão de terras que cercava a Mansão Ashford. Cada detalhe da propriedade parecia banhado em ouro, como se o próprio dia estivesse fazendo um esforço consciente para iluminar a escuridão que há muito pairava sobre aquela casa. Eleanor acordou com a luz do sol tocando suavemente seu rosto, uma carícia morna que a trouxe de volta de um sono sem sonhos. Pela primeira vez em dias, ela sentiu uma leve sensação de clareza e decisão.
Levantando-se da cama, Eleanor atravessou o quarto com passos firmes e seguros. Havia chegado a um ponto em que sabia que as incertezas precisavam dar lugar a decisões concretas. A conversa com Isabella, no dia anterior, havia plantado sementes de certeza em sua mente. Agora, era hora de agir. Não havia mais espaço para hesitação.
Ela chamou Martha e pediu que preparasse um banho. O vapor subiu suavemente das águas quentes, e Eleanor mergulhou lentamente, permitindo que o calor relaxasse seus músculos tensos. Enquanto se banhava, sua mente revisitou todas as questões que a atormentavam. Sir Thomas Wycliffe, a proposta de casamento, a ruína iminente de sua família – tudo parecia se encaixar em um quebra-cabeça complexo que, finalmente, começava a fazer sentido.
Ela sabia que estava prestes a tomar uma decisão que mudaria o curso de sua vida para sempre. Mas também sabia que, ao fazê-lo, estaria cumprindo seu dever, não apenas como filha dos Ashford, mas como uma mulher que compreendia a realidade imposta por sua posição. O casamento com Sir Thomas poderia não ser o conto de fadas que ela um dia imaginou, mas era uma escolha pragmática e, mais importante, uma escolha que garantiria a sobrevivência de sua família.
Após o banho, Eleanor escolheu um vestido de seda azul marinho, elegante e discreto. Martha trançou seus cabelos com cuidado, prendendo-os em um coque simples, mas refinado. A imagem que Eleanor viu refletida no espelho era de uma mulher preparada para enfrentar o que viesse, uma mulher ciente de suas responsabilidades e determinada a cumpri-las.
Quando estava pronta, Eleanor desceu as escadas em direção ao escritório de Henry. O corredor parecia mais longo do que de costume, cada passo ecoando como uma marcha solene em direção a um destino inevitável. Ao chegar à porta do escritório, ela respirou fundo antes de bater.
Henry estava sentado à sua mesa, envolto em papéis e documentos. As marcas de cansaço em seu rosto eram mais evidentes do que nunca. Ele levantou os olhos ao ver Eleanor entrar, e um breve sorriso de alívio cruzou seus lábios.
— Eleanor, bom dia. — Sua voz era suave, mas havia uma nota de ansiedade que ele não conseguia esconder.
— Bom dia, Henry. — Eleanor respondeu, aproximando-se e sentando-se na cadeira em frente a ele. Por um momento, ambos ficaram em silêncio, como se estivessem medindo as palavras que precisavam ser ditas.
Henry foi o primeiro a falar.
— Presumo que tenha chegado a uma decisão. — Ele olhou para ela com uma expressão que misturava esperança e preocupação.
Eleanor assentiu lentamente, sentindo o peso de suas próximas palavras.
— Sim, Henry. Eu decidi aceitar a proposta de Sir Thomas. — Sua voz era firme, mas havia uma suavidade nela que indicava a seriedade da decisão.
Henry pareceu exalar um suspiro de alívio, como se um fardo gigante tivesse sido retirado de seus ombros.
— Eleanor, não sei como agradecer. Sei que esta não é a vida que você imaginou, mas sua decisão salvará nossa família. — A gratidão em sua voz era genuína, mas também havia um toque de tristeza, como se ele lamentasse o sacrifício que sua irmã estava prestes a fazer.
— Henry, estou fazendo o que é necessário. — Eleanor respondeu, sua voz tranquila. — Sei que este não é um caminho fácil, mas acredito que é o certo. Sir Thomas é um homem de palavra, e acho que, com o tempo, poderemos construir uma vida respeitosa juntos. Mesmo que não seja por amor, será por respeito e responsabilidade. E isso é algo que também valorizo.
Henry se levantou e deu a volta na mesa, aproximando-se de Eleanor. Ele estendeu a mão e segurou a dela com firmeza.
— Eu estou orgulhoso de você, Eleanor. Sei que não disse isso o suficiente, mas você sempre foi a força que manteve nossa família unida. — Sua voz falhou um pouco, e ele precisou respirar fundo antes de continuar. — Se nosso pai estivesse aqui, tenho certeza de que estaria tão orgulhoso quanto eu estou agora.
Eleanor sentiu uma onda de emoção ameaçar quebrar sua compostura, mas conseguiu se manter firme. Ela apertou a mão de Henry em resposta, sentindo uma conexão profunda com seu irmão, que parecia entender perfeitamente o que aquele momento significava.
— Obrigada, Henry. — disse ela suavemente. — Mas agora precisamos seguir em frente. Acredito que o próximo passo seja informar Sir Thomas da minha decisão.
Henry assentiu, soltando a mão dela com um último aperto antes de voltar para sua mesa.
— Vou providenciar uma reunião com ele ainda hoje. Precisamos formalizar tudo o quanto antes. — Ele fez uma pausa, observando Eleanor por um momento. — Tem certeza de que está pronta para isso?
Eleanor não hesitou.
— Sim, estou pronta.
***
A tarde chegou rápida, e com ela, a chegada de Sir Thomas Wycliffe à Mansão Ashford. O coche elegante parou na entrada principal, e Sir Thomas desceu com a mesma elegância fria que Eleanor havia observado anteriormente. Ele estava vestido em um traje formal, com detalhes em prata que destacavam sua posição, mas, ao mesmo tempo, evitavam qualquer ostentação desnecessária.
Eleanor esperava por ele no salão principal, onde a luz do fim da tarde banhava o ambiente em um brilho quente e acolhedor. A mesa de chá estava arrumada, mas intocada, pois a reunião que se seguiria não era uma ocasião social, mas um encontro para definir o futuro.
Sir Thomas entrou no salão, e seus olhos rapidamente encontraram os de Eleanor. Ele fez uma reverência formal antes de se aproximar.
— Lady Eleanor, obrigado por me receber. — Sua voz era cortês, mas havia um toque de curiosidade em seu tom, como se estivesse tentando decifrar a decisão que Eleanor havia tomado.
— Sir Thomas, obrigado por vir. — Eleanor respondeu, sua voz controlada, mas amigável. — Peço que se sente. Temos muito a discutir.
Ambos se sentaram, e um breve silêncio se seguiu, enquanto Sir Thomas esperava que ela iniciasse a conversa. Eleanor não prolongou o momento de incerteza.
— Sir Thomas, após muita consideração, decidi aceitar sua proposta de casamento. — As palavras saíram claras e decisivas, sem hesitação.
Sir Thomas manteve sua expressão controlada, mas Eleanor percebeu um leve relaxamento em seus ombros, como se estivesse aliviado com a resposta.
— Fico satisfeito em ouvir isso, Lady Eleanor. Sei que esta não foi uma decisão fácil, e aprecio a confiança que está depositando em mim. — Ele fez uma pausa antes de continuar. — Como mencionei anteriormente, desejo que este casamento seja baseado em respeito mútuo e honestidade. Acredito que podemos construir algo sólido e duradouro, mesmo que não seja o que a maioria chamaria de casamento ideal.
Eleanor assentiu, concordando com as palavras dele.
— Concordo, Sir Thomas. Ambos estamos cientes das circunstâncias que nos levaram a esta decisão, e acredito que, sendo honestos um com o outro, poderemos enfrentar o futuro com dignidade. — Ela fez uma pausa, escolhendo suas palavras com cuidado. — No entanto, gostaria de saber mais sobre suas expectativas para o futuro, além do aspecto financeiro. O que espera de mim, como sua esposa?
Sir Thomas a observou por um momento, como se ponderasse a profundidade da pergunta antes de responder.
— Lady Eleanor, espero que, como minha esposa, você traga consigo a mesma graça e dignidade que sempre demonstrou. Não espero que abdique de quem é, mas sim que se sinta livre para continuar a ser a mulher que admiro. — Ele fez uma pausa, os olhos fixos nos dela. — Quanto ao nosso relacionamento, como mencionei antes, sou um homem prático. Não busco um amor arrebatador, mas acredito que o respeito mútuo pode nos levar a uma convivência harmoniosa. Espero que possamos ser parceiros em todos os sentidos, compartilhando responsabilidades e enfrentando os desafios que possam surgir juntos.
Eleanor absorveu suas palavras, sentindo uma estranha sensação de alívio ao ouvir o tom franco e direto de Sir Thomas. Ele não fazia promessas vazias, mas sim oferecia uma visão clara e realista do que poderia ser o futuro deles juntos.
— Aprecio sua honestidade, Sir Thomas — respondeu ela, com sinceridade. — Também acredito que podemos construir algo sólido a partir dessa base. Se ambos estivermos comprometidos com essa parceria, estou confiante de que conseguiremos alcançar um entendimento que beneficie a ambos.
Sir Thomas assentiu, parecendo satisfeito com a resposta dela.
— Então, creio que estamos de acordo. — Ele fez uma pausa, como se houvesse algo mais que
ele quisesse dizer, mas hesitasse por um momento. — Lady Eleanor, gostaria de formalizar este acordo o quanto antes. Sei que as circunstâncias exigem rapidez, mas gostaria de respeitar seu tempo e espaço também. Podemos marcar a cerimônia para daqui a duas semanas, se isso for adequado para você.
Eleanor considerou a proposta por um breve momento antes de concordar.
— Duas semanas é um prazo razoável. Isso nos dará tempo para organizar tudo de maneira adequada. — Ela fez uma pausa antes de continuar. — Sir Thomas, embora este casamento seja, em grande parte, um acordo de conveniência, espero que possamos encontrar algum grau de companheirismo e compreensão ao longo do tempo. Acredito que, apesar das circunstâncias, podemos construir uma vida juntos que seja, de alguma forma, satisfatória para ambos.
Sir Thomas pareceu apreciar a franqueza de Eleanor, e ele inclinou a cabeça em assentimento.
— Compartilho desse sentimento, Lady Eleanor. Farei tudo o que estiver ao meu alcance para garantir que nossa união seja o mais harmoniosa possível. — Ele fez uma pausa antes de se levantar. — Acredito que estamos prontos para formalizar o contrato. Vou instruir meus advogados a prepararem os documentos necessários, e assim que estiverem prontos, enviarei para o seu irmão revisar.
Eleanor também se levantou, sentindo que a conversa havia chegado a uma conclusão satisfatória.
— Obrigada, Sir Thomas. Estarei aguardando os documentos. — Ela hesitou por um momento antes de continuar. — Sei que esta é uma situação pouco convencional, mas espero que, com o tempo, possamos nos entender e construir algo que, se não for amor, ao menos seja respeito e apoio mútuos.
Sir Thomas sorriu levemente, um sorriso que, pela primeira vez, pareceu genuíno.
— Acredito que podemos, Lady Eleanor. Estou ansioso para ver o que o futuro nos reserva.
Com essas palavras, Sir Thomas fez uma última reverência e deixou o salão, seguido por Eleanor, que o acompanhou até a porta. Ao vê-lo partir, ela sentiu um misto de alívio e ansiedade. A decisão estava tomada, e agora não havia mais volta.
Eleanor ficou ali, na entrada da mansão, por um longo tempo, observando enquanto o coche de Sir Thomas desaparecia na estrada que levava de volta à sua propriedade. O vento suave da tarde tocava seu rosto, e ela respirou fundo, sentindo o ar fresco encher seus pulmões. O acordo estava selado, e em duas semanas ela seria Lady Wycliffe.
Ao retornar para dentro da mansão, Eleanor encontrou Henry à sua espera no corredor. Ele a observava com uma expressão que misturava alívio e uma pontada de tristeza.
— Está feito? — perguntou ele, embora já soubesse a resposta.
Eleanor assentiu.
— Sim, está feito. Em duas semanas, serei a esposa de Sir Thomas Wycliffe.
Henry se aproximou e segurou as mãos de Eleanor nas suas.
— Você fez a coisa certa, Eleanor. Sei que isso não é fácil, mas você está garantindo o futuro dos Ashford. E por isso, sou eternamente grato.
Eleanor sorriu, um sorriso que carregava consigo a aceitação de sua nova realidade.
— Obrigada, Henry. Vamos seguir em frente, com a cabeça erguida. E juntos, enfrentaremos o que vier.
Com essas palavras, os dois irmãos se abraçaram, compartilhando um momento de conexão silenciosa e compreensão mútua. Estavam prestes a entrar em uma nova fase de suas vidas, e embora o futuro fosse incerto, sabiam que poderiam contar um com o outro.
Eleanor passou o restante do dia em uma calma resoluta. Havia muitas preparações a serem feitas, muitos detalhes a serem acertados, mas ela se sentia em paz com a decisão tomada. Sabia que, ao aceitar a proposta de Sir Thomas, havia feito o que era necessário, e estava pronta para enfrentar o que o futuro lhe reservasse, com coragem e determinação.
Ao cair da noite, Eleanor retirou-se para seus aposentos, sentindo-se exausta, mas estranhamente aliviada. Enquanto se preparava para dormir, seus pensamentos ainda estavam focados no que estava por vir, mas havia uma nova serenidade em seu coração. Ela sabia que a estrada à frente não seria fácil, mas estava determinada a caminhar por ela com dignidade e força.
Quando finalmente deitou-se, as sombras do passado pareciam menos ameaçadoras, e a escuridão do quarto parecia um pouco menos densa. Eleanor adormeceu, sabendo que, por mais difícil que fosse o caminho, estava pronta para enfrentá-lo. E com essa certeza, ela se permitiu descansar, com a confiança de que estava trilhando o caminho certo.
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Atualizado até capítulo 27
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