Uma Noite Inquieta

A noite no pequeno hotel do sexto distrito parecia mais silenciosa do que o normal. Mesmo com o cansaço acumulado, eu não conseguia pregar os olhos. Liam, por outro lado, dormia profundamente na cama ao lado, respirando em um ritmo calmo e constante. A descoberta do artigo e a imagem de Adam Westbrook, tão perturbadoramente parecido com ele, continuavam rondando minha mente. Algo naquela coincidência me incomodava profundamente.

O ambiente do quarto era abafado, e o velho ventilador de teto girava preguiçosamente, sem aliviar o calor sufocante. Levantei-me com cuidado para não acordar Liam e fui até a mesa onde havíamos deixado os documentos e o notebook. Talvez, se usasse a internet, encontraria algo que esclarecesse a conexão entre o misterioso Adam Westbrook, o sétimo distrito e aquele símbolo que parecia onipresente.

Eu liguei o notebook, esperando pacientemente enquanto ele inicializava. A conexão Wi-Fi era precária, mas ainda funcionava. Respirei fundo antes de começar a digitar o nome "Adam Westbrook" na barra de pesquisa.

A princípio, os resultados não trouxeram nada relevante. Havia algumas menções a pessoas com o mesmo nome, mas nenhuma parecia estar relacionada ao homem da fotografia. Ajustei os termos da pesquisa, incluindo "igreja" e "reforma", e continuei a procurar.

Após alguns minutos frustrantes, uma notícia antiga chamou minha atenção. Era de um site de arquivos históricos locais, com um artigo datado de 1974, o mesmo período em que o sétimo distrito parecia ter sido "esquecido".

"Adam Westbrook, empresário e filantropo, anuncia financiamento de igreja em área rural"

Abri a página ansiosamente. O texto era curto, mas trazia informações importantes. Adam era descrito como um homem influente na região, conhecido por suas doações generosas para causas religiosas. Havia menções ao financiamento da reforma da igreja no sétimo distrito, além de uma citação direta dele:

"A fé une as pessoas e as fortalece. Essa reforma é um passo importante para a purificação e redenção da comunidade."

As palavras soaram estranhas para mim, carregadas de um peso que não conseguia explicar. O tom parecia mais autoritário do que inspirador. Continuei lendo, mas o artigo não mencionava nada sobre seu destino após 1974. Era como se Adam Westbrook tivesse desaparecido do mapa.

Lancei um olhar para Liam, que continuava dormindo. A semelhança dele com Adam era perturbadora. Seria possível que eles fossem parentes? Talvez Liam soubesse mais do que admitia, ou talvez estivesse tão no escuro quanto eu.

Afastei esses pensamentos por um momento e voltei minha atenção ao símbolo da minha tatuagem. Ele aparecia em quase tudo que encontrávamos: nos documentos, nas paredes da igreja, até no porão sinistro. Precisava descobrir seu significado.

Comecei a descrever o símbolo na barra de pesquisa: círculo com linhas cruzadas, marcação religiosa, símbolo de culto. Depois de algumas tentativas, encontrei um fórum obscuro de estudos sobre simbologia antiga. Um dos tópicos mencionava algo que parecia familiar:

"O símbolo da purificação"

Cliquei no link, e uma página carregou lentamente. A explicação detalhava o uso de um símbolo semelhante em rituais religiosos extremistas. Segundo o texto, ele era usado para marcar indivíduos escolhidos para um propósito "sagrado", muitas vezes relacionado a práticas de sacrifício ou obediência incondicional a uma figura de autoridade.

Meu estômago revirou ao ler isso. Era essa a razão de tantas pessoas nas fotografias terem o mesmo símbolo em seus pulsos? E o que isso significava para mim, que também carregava a mesma marca?

Continuei lendo, sentindo um frio na espinha. O símbolo também era associado a um conceito chamado "consagração pela dor". Os marcados seriam testados até seus limites para provar sua devoção. A maioria dos rituais descritos era brutal e desumana, mas não havia informações sobre quem teria usado o símbolo nos tempos modernos.

Afastei o notebook por um momento, sentindo a respiração acelerar. Meu pulso parecia arder sob a luz fraca do abajur. Instintivamente, passei os dedos sobre a tatuagem, como se pudesse apagá-la de alguma forma.

Meus pensamentos foram interrompidos por um movimento vindo da cama. Liam se mexeu, murmurando algo em seu sono antes de voltar a ficar imóvel. Observei-o por um instante, tentando decidir se deveria contar a ele o que havia descoberto. Mas algo me impediu. Talvez fosse o olhar que ele deu para a foto de Adam Westbrook, ou a maneira como evitou perguntas sobre seu passado.

Por enquanto, decidi manter as informações para mim. Precisava de mais peças desse quebra-cabeça antes de confiar plenamente nele.

Voltei ao computador e tentei buscar por mais menções ao símbolo, mas não encontrei nada além do que já havia lido. Era como se ele tivesse sido apagado da história, deixado apenas nas sombras para ser descoberto por aqueles corajosos — ou tolos — o suficiente para procurá-lo.

Fechei o notebook com um suspiro e olhei para o relógio. Já passava das três da manhã, mas eu sabia que o sono não viria tão cedo. As perguntas em minha mente eram altas demais para me permitir descansar.

Por que eu tinha essa marca? Quem era realmente Adam Westbrook?

Enquanto a noite avançava, prometi a mim mesma que encontraria as respostas. Mesmo que significasse voltar àquele lugar maldito, enfrentar a neblina e encarar os fantasmas do passado. Eu precisava saber.

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