Quando entrei no café, Liam já estava sentado em uma mesa próxima à janela, com um notebook e vários livros ao seu redor. O ambiente era aconchegante, com o cheiro de café recém-passado e o leve murmúrio de conversas ao fundo. Assim que me viu, ele acenou, com aquele sorriso familiar e descontraído no rosto.
- Ei! Que bom que você veio • disse ele, levantando-se brevemente enquanto eu me aproximava. • – Já pedi café pra gente, espero que goste forte.
Sentei-me e sorri, aceitando a xícara que ele me ofereceu. O café era amargo, mas reconfortante, aquecendo-me rapidamente no clima frio da cidade.
- Então, o que tem descoberto? • perguntei, curiosa para saber mais sobre a pesquisa que ele estava fazendo.
Liam se ajeitou na cadeira, parecendo empolgado. Ele tinha uma energia contagiante, e o entusiasmo em seus olhos revelava que ele estava prestes a me contar algo que o deixava animado.
- Bem, estive cavando mais fundo na história dos distritos, e achei algo que você pode achar interessante. Tudo começou em meados de 1700, com pequenos acampamentos fixos de trabalhadores • começou ele • – Essas pessoas foram contratadas para construir a estrada que conecta as sete cidades. Na época, essas cidades nem existiam, claro. Eram apenas pequenos pontos de apoio para quem trabalhava na construção.
Tomei um gole de café, absorvendo a informação. Era curioso pensar que os distritos haviam começado como acampamentos temporários, e que, com o tempo, se transformaram em cidades permanentes.
- Esses trabalhadores fixavam seus acampamentos em lugares estratégicos ao longo da estrada. E, com o passar dos anos, essas comunidades cresciam e se estabilizavam • ele continuou, os olhos brilhando com a história. • – Foi assim que as sete cidades surgiram. O quinto distrito, onde estamos agora, era o maior ponto de apoio, por isso cresceu mais rápido. Já o sexto, onde aconteceu o seu acidente, era um pouco mais afastado e isolado, o que explica por que continua tão pequeno até hoje.
Assenti, sentindo uma leve pontada ao lembrar do acidente, mas deixei passar. Estava mais interessada no que ele ainda tinha para dizer.
- E a sétima cidade? • perguntei, inclinando-me levemente para frente. • - O que sabe sobre ela?
Liam suspirou, parecendo um pouco mais sério agora. Ele tomou um gole de seu café antes de responder.
- Ah, a sétima cidade... Ela é um mistério maior ainda. Sempre foi a menor, a mais compacta. Enquanto as outras cidades cresceram e se tornaram mais estruturadas, a sétima cidade permaneceu quase intocada. Era uma comunidade pequena, de poucas famílias. Mas tinha algo que a diferenciava das outras: era a única que tinha uma igreja.
- Uma igreja? • repeti, intrigada. Não havia lido sobre isso nos livros.
- Uhum • ele confirmou. • – E não era uma igreja qualquer. Dizem que era o centro da vida na cidade. Todas as atividades giravam em torno dela, e até pessoas de outras cidades viajavam para lá para participar das missas e eventos religiosos. A estrada, de certa forma, sempre levava àquela igreja.
Algo sobre isso me deixou inquieta, e não conseguia achar dentro de mim mesmo um motivo para isso. Apenas me incomodou profundamente.
- Mas aí vem a parte estranha • disse Liam, inclinando-se mais para perto, quase como se fosse compartilhar um segredo. • – O último relato registrado sobre a sétima cidade foi o incêndio da igreja.
- Um incêndio? • perguntei, surpresa. • – O que aconteceu?
Ele balançou a cabeça, com uma expressão pensativa.
- Ninguém sabe ao certo. O incêndio foi repentino e destruiu a igreja por completo. Não há muitos detalhes sobre o que causou o fogo, mas depois disso, a cidade praticamente desapareceu. As poucas pessoas que ainda moravam lá simplesmente desapareceram, e a cidade se tornou fantasma. Desde então, não houve mais registros oficiais sobre ela
Eu me recostei na cadeira, processando a informação. Uma igreja que pegou fogo e desapareceu junto com a cidade... Isso explicava por que a sétima cidade parecia um mistério tão grande. Mas, ao mesmo tempo, deixava muitas perguntas sem resposta.
- E ninguém nunca investigou isso? • perguntei, ainda surpresa com o quanto essa história parecia desconhecida.
- Algumas tentativas foram feitas • respondeu Liam. • – Mas a verdade é que o local é de difícil acesso e, com o tempo, as pessoas pararam de se importar. As outras cidades continuaram crescendo, e a sétima foi deixada para trás. Agora, é praticamente um mito. Quase ninguém vai até lá, e o pouco que restou está em ruínas.
Houve um silêncio entre nós por alguns momentos, enquanto cada um de nós refletia sobre o que isso significava. Era como se a história estivesse nos puxando para mais perto de um mistério que estava adormecido há anos.
- Eu estava pensando em visitar o local • Liam disse, quebrando o silêncio. • – Ainda não sei como vou chegar até lá, mas estou curioso demais para deixar isso pra lá. E... bom, pensei que talvez você quisesse ir comigo.
Levantei as sobrancelhas, surpresa com a proposta.
- Ir até lá? Você quer dizer, na sétima cidade?
- Exato • ele respondeu, com um sorriso desafiador no rosto. • – Eu sei, parece uma loucura, mas acho que pode ser interessante. Claro, eu não ia te arrastar para uma aventura dessas sem perguntar antes, mas pensei que você poderia querer descobrir mais também.
Eu hesitei. A ideia de ir até a sétima cidade, especialmente sabendo do incêndio e do abandono, era ao mesmo tempo tentadora e assustadora. Havia algo naquele lugar que me chamava, algo que parecia conectado de alguma forma à minha própria história, embora eu não conseguisse explicar por quê.
- Eu... vou pensar sobre isso • respondi, depois de alguns segundos. • – Ainda estou processando toda essa história.
Liam sorriu, como se soubesse que essa resposta era o máximo que ele conseguiria de mim por enquanto.
- Sem pressa. Podemos ir quando você se sentir pronta.
Ficamos mais alguns minutos no café, conversando sobre detalhes menores das cidades e outras curiosidades históricas que ele havia encontrado. Liam era bom em manter a conversa leve, mas ao mesmo tempo profunda o suficiente para me deixar intrigada. E, quando nos despedimos, com a promessa de nos encontrar na biblioteca no dia seguinte, eu sabia que essa parceria estava apenas começando.
Enquanto caminhava de volta para o meu apartamento, as palavras de Liam ecoavam na minha mente. A história dos distritos, a igreja na sétima cidade, o incêndio... Tudo parecia estar se encaixando, mas de uma maneira que ainda não fazia sentido completo. Havia algo mais, algo nas entrelinhas que eu ainda não conseguia ver.
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Atualizado até capítulo 21
Comments
Maria Socorro Netos
nossa tô curiosa pra saber o ouvi lá
2024-12-09
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