Algumas Descobertas

Os dias se passaram em um ritmo lento, quase como se o tempo tivesse decidido parar enquanto eu e Liam afundávamos em nossas pesquisas. Cada página que virávamos parecia nos aproximar um pouco mais da verdade, ou de algo parecido com ela, sobre os distritos, a estrada e o estranho passado que rondava aquelas cidades.

Nos encontrávamos quase todos os dias na biblioteca, cada um carregando livros antigos e fazendo anotações. Liam mantinha seu entusiasmo e curiosidade, sempre com um comentário divertido para aliviar a tensão, mas eu notava que, conforme ele avançava nas leituras sobre minha tatuagem, seu semblante mudava. Era como se ele estivesse tentando resolver um quebra-cabeça complicado demais.

Naquela tarde, ele estava especialmente calado, focado em um dos livros antigos que conseguira emprestado da universidade. Ele franziu o cenho, os olhos verdes deslizando pelas páginas, enquanto eu tentava concentrar minha atenção em um mapa desbotado da região. Mas minha curiosidade estava começando a se tornar insuportável.

- Alguma novidade? • perguntei, em um tom de voz baixo, quase como se estivesse temendo a resposta.

Ele suspirou, fechando o livro com cuidado e olhando para mim com uma expressão que eu ainda não conseguia interpretar.

- Sim, encontrei algo... Mas é bem estranho • disse ele, parecendo escolher cuidadosamente as palavras.

Meu coração acelerou, e senti um arrepio percorrer minha espinha. Ele hesitou por um momento antes de continuar, como se quisesse me preparar para o que viria a seguir.

- Pelo que consegui descobrir, o símbolo da sua tatuagem... • ele disse, apontando para o meu pulso. • – É muito antigo. Ele aparece em alguns registros religiosos e, ao que parece, representa sacrifício. É um símbolo que indica entrega ou renúncia, mas não consegui encontrar muitos detalhes específicos.

Sacrifício. A palavra pareceu ecoar dentro de mim, reverberando no silêncio da biblioteca. Sacrifício. Isso tinha uma conotação sombria, pesada, algo que me fazia sentir um certo desconforto, mesmo sem entender completamente o motivo.

- Sacrifício? • murmurei, tentando processar a informação. • – Isso significa que alguém... que eu... fiz parte de algum tipo de ritual?

Liam balançou a cabeça, rapidamente.

- Não necessariamente • disse ele, num tom tranquilizador. • – Pode ser apenas um símbolo de devoção, algo que indica uma espécie de juramento ou compromisso. Mas, é claro, estamos lidando com registros antigos e fragmentados. Não há nada muito claro, só esse significado geral.

Eu tentei absorver a informação, mas a palavra sacrifício continuava a ressoar em minha mente. Era como se estivesse conectada a algo profundo, algo que talvez eu ainda não estivesse pronta para entender.

- Isso é tudo o que você encontrou? – perguntei, sentindo um peso decepção.

Liam assentiu, parecendo frustrado.

- Sim, infelizmente, os registros são muito escassos. Esse símbolo parece estar ligado a uma tradição religiosa que foi esquecida, ou ao menos mantida em segredo por muito tempo. O que me faz pensar... • ele parou, hesitando em continuar.

- Pensar o quê? • incentivei, curiosa.

Ele olhou para mim, os olhos brilhando com uma intensidade que eu ainda não havia visto.

- Talvez devêssemos ir até lá. Até o local onde tudo isso começou • sugeriu, em um tom firme. • – A sexta cidade. Se o seu acidente aconteceu próximo dela, e considerando o histórico sombrio que cerca a sétima cidade, talvez encontremos mais informações. Mais do que essas páginas estão dispostas a nos dar.

O convite pegou-me de surpresa, mas também me fez sentir um estranho alívio. Eu queria respostas, e, em algum nível, sabia que não as encontraria apenas lendo sobre o passado de cidades abandonadas e símbolos religiosos.

- Você acha que seria seguro? • perguntei, com um misto de ansiedade e excitação.

Ele deu de ombros, sorrindo um pouco.

- Talvez não seja o lugar mais acolhedor, mas posso te garantir que não estarei sozinho. Além disso, estamos apenas indo para a sexta cidade, não a sétima. E mesmo que não saibamos muito sobre ela, sei que foi o lugar onde você sofreu o acidente. Talvez isso signifique algo.

Meu coração batia acelerado. Parte de mim hesitava, pensando nos riscos e na incerteza que envolvia essa ideia. Mas outra parte, a que estava sedenta por respostas, me impulsionava a aceitar.

- Quando vamos? • perguntei, com um toque de determinação na voz.

Liam sorriu, parecendo aliviado com minha resposta.

- Podemos ir no fim de semana, se você quiser. É uma boa época para explorar, e se ficarmos o dia todo lá, temos tempo de sobra para procurar algo sem nos preocuparmos em voltar tarde.

Concordei com um aceno de cabeça. Passar o dia todo explorando uma cidade que me era completamente desconhecida parecia assustador e empolgante ao mesmo tempo. Não sabia o que encontraria, mas, de alguma forma, estava pronta para enfrentar o que fosse necessário.

- Então está combinado • disse ele, fechando o livro e guardando suas anotações. – Nos encontramos aqui no sábado de manhã e partimos para a sexta cidade. Quem sabe o que vamos descobrir?

Eu sorri de volta, sentindo uma onda de coragem. O símbolo no meu pulso parecia queimar levemente, como se soubesse que estávamos cada vez mais próximos da verdade.

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