O Caminho Proibido

O silêncio pairava pesado enquanto Liam dirigia pela estrada deserta. O vento soprava frio através das montanhas, e o céu estava encoberto por nuvens densas que quase escondiam o sol. Era como se a própria natureza conspirasse para tornar aquela estrada mais sombria, e o clima carregado parecia refletir a seriedade do que estávamos prestes a enfrentar.

Depois de duas horas intermináveis, a estrada começou a mudar. O asfalto ficou mais esburacado, e os galhos das árvores se fechavam cada vez mais sobre nós, como se estivessem tentando barrar nossa passagem. Até que, subitamente, a estrada terminou abruptamente em um enorme portão de arame enferrujado, coberto por uma camada de musgo e ervas daninhas que indicavam anos de abandono. No centro do portão, uma placa oxidada balançava com o vento, pendendo de um lado como se estivesse à beira de se soltar.

...ÁREA INTERDITADA...

Liam diminuiu a velocidade e encostou o carro, em silêncio. Ficamos observando o portão, tentando compreender a estranha mistura de sentimentos que essa barreira nos causava. Havia algo de inegavelmente inquietante naquela estrutura. O aviso parecia mais uma ameaça, um alerta de que a partir daquele ponto, o desconhecido se tornava proibido.

Ele saiu do carro, e eu fiz o mesmo, sentindo o vento frio cortar meu rosto. Nos aproximamos do portão, enquanto ele examinava o cadeado velho e enferrujado que o mantinha fechado. Havia sinais de desgaste, como se alguém, em algum momento, tivesse tentado abri-lo à força, mas não havia marcas recentes.

- Parece que eles realmente queriam garantir que ninguém passasse por aqui • comentou Liam, virando-se para mim. • – Talvez seja só o governo tentando prevenir acidentes.

Dei um sorriso de canto, embora a tensão dentro de mim aumentasse a cada segundo. Parte de mim queria recuar, respeitar aquele aviso e voltar para a segurança do sexto distrito. Mas outra parte, a que me empurrava para essa jornada desde o começo, recusava-se a ceder. Eu não podia voltar agora. Esse portão, essa estrada abandonada, pareciam ser o próximo passo inevitável para descobrir as respostas que tanto buscava.

- Acho que não vamos descobrir nada se formos embora • murmurei, tentando disfarçar o nervosismo.

Liam assentiu, como se estivesse esperando que eu dissesse isso. Ele voltou ao carro e pegou uma ferramenta para cortar o arame. Um estrondo metálico ecoou quando o arame finalmente cedeu, e ele empurrou o portão para o lado, abrindo um caminho estreito para o carro passar.

- Pronta? • perguntou ele, me lançando um olhar de cumplicidade.

Engoli em seco e acenei, tentando ignorar o medo que crescia em meu peito.

Voltamos ao carro, e ele engatou a primeira marcha. Passamos devagar pelo portão, e eu observei pelo retrovisor enquanto ele se fechava parcialmente atrás de nós, escondendo a estrada principal. Era como atravessar uma fronteira invisível, um ponto sem retorno.

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A estrada que se estendia à nossa frente era estreita e coberta de buracos, a cada curva os pneus do carro reclamavam da irregularidade do terreno. O silêncio da floresta era interrompido apenas pelo barulho dos galhos secos estalando sob o peso do carro. A vegetação parecia cada vez mais densa, com árvores altas que se inclinavam sobre a estrada, bloqueando a luz do céu e mergulhando o caminho em uma penumbra fria.

Depois de alguns minutos, uma leve neblina começou a surgir ao nosso redor, cobrindo o chão em um manto acinzentado que tornava a visão mais difícil. A umidade fazia as árvores e o chão parecerem ainda mais vivos e, ao mesmo tempo, assustadoramente silenciosos. Tudo ali parecia estagnado, como se o tempo tivesse parado ao longo daquela estrada esquecida.

- Isso está começando a parecer o cenário de um filme de terror • comentou Liam, soltando uma risada nervosa.

Tentei sorrir, mas a verdade é que meu coração batia acelerado. Havia algo de inexplicavelmente inquietante naquele lugar, algo que fazia minha pele arrepiar e minha mente questionar cada passo que dávamos.

- Eu sei – murmurei. • - É como se... tudo aqui estivesse nos observando.

Ele me lançou um olhar rápido, e por um segundo, o medo em seus olhos refletiu o meu.

Continuamos dirigindo, e a estrada só ficava mais fechada. A vegetação parecia nos engolir a cada quilômetro, enquanto a neblina se adensava. Aos poucos, o chão ficou mais esburacado, e Liam teve que reduzir a velocidade, desviando com cuidado de pedras e galhos caídos. A sensação de estarmos indo na direção errada só aumentava, mas algo dentro de mim, uma intuição que eu não sabia explicar, me impulsionava a continuar.

Em determinado momento, Liam parou o carro. A estrada parecia se afunilar ainda mais, e quase não era possível distinguir onde terminava o chão e começavam as raízes das árvores que invadiam o caminho.

- Talvez seja melhor ir a pé daqui em diante • sugeriu ele, desligando o carro.

Assenti, sentindo um frio percorrer minha espinha. Saímos do carro e pegamos apenas o essencial: uma lanterna, nossos celulares, e o documento que Dona Emília havia nos entregado. A sensação de desconforto aumentava a cada passo que dávamos. O chão úmido absorvia nossos passos, e a floresta parecia respirar ao nosso redor, como se nos observasse com olhos invisíveis.

- Sabe, Ashley... – Liam começou, mantendo a voz baixa, quase sussurrando. • - Talvez seja melhor ficarmos atentos a qualquer coisa incomum. Esse lugar... me dá uma sensação horrível.

Olhei para ele, tentando encontrar conforto em sua presença. Mas, por mais que soubéssemos estar juntos naquela jornada, a sensação de isolamento era esmagadora.

- Eu sinto a mesma coisa – murmurei. – É como se tudo aqui estivesse nos observando.

Por alguns momentos, caminhamos em silêncio, nossos passos lentos e cuidadosos. Cada ruído, cada movimento das folhas, fazia nossos corações saltarem. A neblina se tornava ainda mais espessa, criando sombras que dançavam entre as árvores e nos forçavam a nos aproximar um do outro.

Então, algo chamou minha atenção. Ao lado do caminho, parcialmente coberto pela folhagem, estava um pequeno marco de pedra, coberto por musgo e quase imperceptível. Ajoelhei-me, afastando as folhas secas que o cobriam, revelando o que parecia ser uma inscrição antiga.

- Olha isso, Liam.

Ele se abaixou ao meu lado, observando a pedra. As palavras estavam desgastadas, mas conseguimos decifrar algumas letras.

"Bem-vindo... a quem ousa... que sacrifício..."

Liam e eu trocamos um olhar. Aquelas palavras, embora fragmentadas, soavam como um aviso. Um frio intenso se espalhou pelo meu corpo, e eu me perguntei até onde essa estrada nos levaria.

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