Na Estrada

Estava frio naquela manhã, com o céu encoberto por nuvens densas que davam ao dia uma luz pálida, quase surreal. Enquanto colocava minha mochila no porta-malas do carro, sentia uma mistura de ansiedade e empolgação. A viagem que estávamos prestes a fazer parecia ao mesmo tempo um salto no escuro e uma chance de descobrir algo sobre mim mesma. Liam estava ao meu lado, organizando algumas coisas no banco de trás. Ele parecia tão empolgado quanto eu, embora estivesse menos tenso.

- Então, Ashley, hein? • disse ele, com um sorriso enquanto ajeitava a mochila no carro.

Sorri para ele, um pouco envergonhada. Ainda não me acostumara completamente ao nome, mas, ao mesmo tempo, era bom ouvir alguém me chamando por ele. Como se aquele nome finalmente preenchesse o vazio que eu carregava desde o acidente.

- Sim, Ashley. Eu precisava de um nome, e esse pareceu certo para o momento. – Respondi, com um encolher de ombros. • Foi uma escolha meio impulsiva, mas acho que combina comigo... pelo menos por enquanto.

Ele me lançou um olhar compreensivo.

- Gosto do nome. Tem algo de misterioso nele. E, além disso, acho que é um pouco simbólico. Escolher o nome da autora que te inspirou na pesquisa... é como se ela estivesse deixando uma pequena parte dela em você.

Assenti, considerando suas palavras.

- Eu nunca havia pensado nisso, mas faz sentido. De algum jeito, parece que ela me deu um ponto de partida. Sem os textos dela, talvez eu nunca tivesse percebido o quanto quero descobrir a história desses distritos.

Liam riu e, enquanto fechava o porta-malas, olhou para a estrada que se estendia à frente, sinuosa e cercada por árvores cada vez mais densas.

- E agora estamos aqui, prontos para explorar o próximo mistério. Está preparada para se aventurar?

Olhei ao redor, sentindo o frio do ar contra minha pele. A estrada, coberta de folhas secas, parecia se estreitar à medida que entrava mais na floresta. A cada quilômetro, a paisagem tornava-se mais selvagem, como se estivesse nos conduzindo para um passado distante, um lugar que o tempo parecia ter esquecido. Tomei uma respiração profunda, deixando que o ar gélido acalmasse meu coração acelerado.

- Estou tão pronta quanto posso estar • disse, com um sorriso hesitante.

Liam assentiu, parecendo satisfeito com minha resposta. Ele então abriu a porta do carro, e nós entramos, prontos para iniciar a jornada.

**

A estrada serpenteava por entre as montanhas, e as árvores cresciam em densidade a cada quilômetro. Os galhos curvavam-se sobre a pista, quase como se tentassem encobrir a passagem. As folhas secas voavam ao nosso redor, criando uma sinfonia natural que parecia aumentar à medida que avançávamos. A estrada era antiga, com marcas de asfalto desgastado e buracos que apareciam sem aviso. Era como se estivéssemos nos afastando do mundo real, pouco a pouco, entrando em uma dimensão em que o tempo não passava.

Por alguns minutos, ficamos em silêncio, apenas observando a paisagem e absorvendo a atmosfera que nos cercava. Era como se a própria estrada contivesse segredos e histórias. Eu sentia uma presença quase tangível, algo que parecia observar cada passo de nossa jornada.

Liam quebrou o silêncio, sua voz calma contrastando com a intensidade do ambiente.

- Eu sempre achei fascinante como essas cidades estão ligadas por essa estrada. A maioria das pessoas nem se dá ao trabalho de explorar até o final, mas cada uma dessas cidades guarda uma parte da história local que parece esquecida, escondida entre as árvores e montanhas.

Olhei para ele, surpresa.

- O que quer dizer?

Ele deu um sorriso enigmático.

- Bem, é como se a estrada em si quisesse manter algumas partes da história longe de olhares curiosos, quase como se estivesse escondendo segredos. Sinto que, ao seguir por aqui, estamos entrando em um território de memórias antigas, de coisas que foram abandonadas.

Minhas mãos, repousadas no colo, apertaram-se involuntariamente. Cada pedaço de informação que ele compartilhava parecia me puxar ainda mais fundo nessa busca.

- E quanto ao símbolo da minha tatuagem? • perguntei, depois de um tempo em silêncio. • – Você acha que pode ter alguma conexão com essa história?

Liam respirou fundo, ponderando.

-;Não é fácil dizer. Esse símbolo é antigo, e não encontrei muita coisa sobre ele. Só que era usado em rituais de sacrifício. Talvez tenha alguma relação com a igreja, ou com algo ainda mais antigo, mas isso é apenas especulação. Precisamos de mais informações.

A sensação de que algo obscuro rondava essa história me deixou inquieta, mas eu sabia que recuar agora não era uma opção.

Continuamos em silêncio, absorvendo o cenário à medida que a estrada nos conduzia. O tempo parecia desacelerar, e a cada curva que tomávamos, o isolamento aumentava, até que eu sentia que estávamos completamente sozinhos naquela jornada. A ideia era ao mesmo tempo assustadora e estranhamente confortante.

Após algum tempo, Liam virou-se para mim com um sorriso animado.

- Então, Ashley, preparada para descobrir o que nos espera na sexta cidade?

Encarei o horizonte, onde a estrada parecia se fundir com as sombras das montanhas.

- Preparada • respondi, sabendo que, de alguma forma, aquela viagem era mais do que uma simples exploração.

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