A Tatuagem

Os dias passavam lentamente desde meu encontro com Liam no café. Eu continuava mergulhada nas leituras sobre as cidades, tentando compreender suas histórias. Mesmo assim, minha mente ainda vagava de volta para aquele símbolo tatuado no meu pulso. Era uma marca que, por algum motivo, eu sentia que guardava mais do que eu podia ver. Talvez algo do meu passado, talvez apenas um enigma.

Quando voltei à biblioteca, Liam já estava por lá, mais uma vez cercado de livros. Ele parecia imerso em seus estudos, mas assim que me aproximei, ele levantou o olhar, seus olhos verdes brilhando sob a luz suave do lugar. Seu sorriso fácil sempre parecia desarmar qualquer tensão que eu estivesse carregando.

- Achei que você tinha me abandonado • ele brincou, fechando um dos livros à sua frente.

Sorri, puxando uma cadeira e sentando ao lado dele.

- Não sou de abandonar as pessoas • respondi, tentando parecer mais leve do que realmente me sentia. • – Só estava... processando algumas coisas.

- Alguma novidade no seu processo de escolha do nome? • perguntou ele, com o tom sempre acolhedor.

Suspirei, ainda frustrada com a questão do nome, mas decidi que havia algo mais importante que precisava perguntar naquela noite.

- Na verdade, ainda não • confessei, mexendo nervosamente no livro à minha frente. • – Mas tem outra coisa que eu queria falar com você.

Liam inclinou-se um pouco na cadeira, sempre atento quando eu falava sobre algo mais pessoal. Havia uma confiança crescente entre nós, algo que fazia com que eu me sentisse mais à vontade para compartilhar pequenos fragmentos de quem eu era, ou pelo menos, de quem eu estava tentando descobrir que era.

Olhei ao redor, certificando-me de que estávamos sozinhos o suficiente, antes de puxar a manga da blusa, revelando a tatuagem no meu pulso. O símbolo pequeno, quase imperceptível para qualquer um que não prestasse atenção, estava ali. Eu ainda não fazia ideia do que significava, mas a curiosidade estava começando a me consumir.

- Queria te perguntar sobre isso • disse, estendendo o braço para que ele pudesse ver melhor.

Liam se aproximou, os olhos fixos no meu pulso. Ele não tocou a tatuagem, mas a observou com uma concentração intensa, como se estivesse tentando decifrar algum enigma oculto.

- É uma tatuagem? • perguntou.

Assenti.

- Sim. Eu não lembro quando ou onde fiz isso. Faz parte do que eu perdi na minha memória. Mas... tenho a sensação de que é importante. E, como você é um pesquisador, achei que talvez pudesse me ajudar a descobrir se já viu algo parecido em algum lugar.

Ele se afastou levemente, pensativo, como se estivesse passando por todas as referências que já havia encontrado em seus estudos.

- Não sei dizer de imediato • confessou, após alguns segundos. • – Mas já vi alguns símbolos semelhantes, principalmente em registros antigos. Pode ser algo relacionado a uma crença, a algum tipo de ritual... mas ainda é muito vago para eu te dar uma resposta concreta.

Fiquei em silêncio, tentando não me desapontar com a falta de respostas imediatas. Claro, eu sabia que ele não teria todas as respostas, mas a incerteza que rondava o símbolo me deixava inquieta.

- E o que isso significa para você? • perguntou Liam, em um tom mais cuidadoso.• – Quer dizer, você sente que esse símbolo tem algo a ver com... seu passado?

Eu segurei o pulso com a outra mão, sentindo a textura da pele sob meus dedos, como se de algum jeito a resposta pudesse surgir.

- Não sei •admiti, baixando o olhar. • – Só sei que não consigo parar de pensar nisso. É como se fosse a única pista que eu tenho sobre quem eu realmente sou.

Liam ficou em silêncio por um momento, talvez refletindo sobre o que eu havia dito. Quando ele falou de novo, sua voz era tranquila, mas séria.

- Eu posso tentar te ajudar a descobrir mais sobre isso • ofereceu ele, gentilmente. • – Vou procurar nos meus arquivos e ver se encontro algo que possa estar relacionado. Mas... você precisa estar preparada para o que quer que seja...

Essas palavras me atingiram de uma forma inesperada. Estava eu realmente preparada para saber a verdade sobre esse símbolo, sobre o meu passado? Eu não tinha certeza. Mas algo dentro de mim dizia que não podia fugir disso.

- Eu sei • respondi, tentando mostrar uma confiança que ainda não tinha. • – Mas acho que preciso saber, de qualquer forma.

Liam assentiu, seus olhos fixos nos meus por um momento, como se quisesse transmitir alguma espécie de segurança. Era estranho como, em tão pouco tempo, ele se tornara uma âncora em meio à tempestade que era minha vida.

- Então vamos descobrir isso juntos • disse ele, sorrindo de leve. •– Se existe algo para ser desvendado, vamos descobrir.

Fiquei em silêncio por alguns segundos, absorvendo a gentileza das palavras dele. Havia algo reconfortante na ideia de não estar sozinha nessa busca.

- Obrigada, Liam – disse, finalmente, com sinceridade.

Ele sorriu, mas não falou mais nada, voltando-se para os livros espalhados à sua frente. Continuamos nossas leituras em silêncio, mas dessa vez eu sentia que havia uma nova camada de conexão entre nós. Eu estava mais disposta a abrir partes de mim que até então eu não havia compartilhado com ninguém. Mesmo que fosse apenas um fragmento da minha história, sentia que contar a ele sobre o símbolo era um passo importante.

Enquanto voltávamos ao trabalho, minha mente ainda vagava para aquela marca no meu pulso. O que ela representava? Por que era tão importante? E, mais importante ainda, o que ela significava para o meu futuro?

Eu sabia que, mais cedo ou mais tarde, encontraria as respostas que tanto procurava. Mas, por enquanto, estava aliviada em saber que, pelo menos nessa parte da minha jornada, eu não estava sozinha.

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