A noite estava escura, e o silêncio que pairava sobre o castelo era pesado, quebrado apenas pelo som do vento que uivava nas janelas. Carlos estava em seu quarto, sentado à mesa, observando a luz fraca da vela que tremeluzia à sua frente. Seus pensamentos estavam em desordem. A revelação do coração do reino e as palavras da oráculo ainda ecoavam em sua mente. Ele sabia que o tempo estava se esgotando.
O peso do que ele precisava fazer o esmagava. O destino de Estela e do reino dependia de uma escolha que ele nunca imaginou ter que fazer.
"Um sacrifício para salvar o reino", ele pensou, as palavras parecendo ainda mais reais e terríveis agora que estavam prestes a se tornar uma realidade. Desde que eram crianças, Carlos sempre havia protegido Estela. Como irmão mais velho, ele sentia que era seu dever. Mas agora, esse dever exigia mais do que ele jamais imaginou ser possível.
Um leve bater na porta interrompeu seus pensamentos. Antes que ele pudesse responder, a porta se abriu lentamente, revelando Estela, com o rosto cansado, mas determinado. Ela entrou no quarto, fechando a porta atrás de si, e olhou para o irmão por alguns instantes antes de falar.
— Carlos... precisamos conversar.
Ele olhou para ela, seus olhos refletindo a mesma exaustão. Ele sabia o que ela iria dizer, mas não queria ouvir.
— Sei que precisamos falar, Estela — respondeu ele com a voz grave. — Mas talvez não esteja pronta para o que tenho a dizer.
Ela caminhou até a janela, observando o céu estrelado por um momento, antes de se virar para ele.
— Nada do que vamos enfrentar pode ser pior do que o que já enfrentamos — disse ela, tentando soar confiante. — Mas você está diferente, Carlos. Desde o baile, desde que descobrimos sobre o coração do reino... você está guardando algo.
Carlos desviou o olhar, lutando para encontrar as palavras certas. Como poderia contar a ela? Como poderia revelar o que tinha que fazer?
— Estela — começou ele, sua voz baixa e hesitante. — Há coisas que você não deveria saber. Pelo menos não agora.
Ela cruzou os braços, sentindo a tensão no ar. — Não me proteja, Carlos. Eu já sou forte o suficiente para enfrentar qualquer coisa. Se você sabe de algo, precisa me contar.
Carlos suspirou e, finalmente, levantou-se da cadeira. Ele andou até a lareira, observando as chamas que dançavam, como se tentasse encontrar alguma resposta nelas.
— A profecia — ele começou, com um peso na voz. — A oráculo falou sobre um sacrifício. Alguém da nossa família precisa fazer isso para proteger o reino. E eu... eu entendi o que isso significa.
Estela o observou atentamente, seu coração começando a acelerar. — O que você está dizendo?
Carlos se virou para ela, sua expressão agora marcada pela dor. — O sacrifício... sou eu, Estela. Eu sou aquele que precisa ser oferecido ao coração do reino.
Estela recuou, seus olhos arregalados em choque. — Não... Não, Carlos, isso não pode ser verdade. Há outra maneira, precisamos encontrar outra solução!
— Não há outra maneira — ele disse firmemente, seus olhos presos aos dela. — O coração do reino exige esse sacrifício, e não vou permitir que seja você. O reino depende de nós, mas você tem um futuro. Você tem mais a oferecer. Eu... fiz minha escolha.
Ela balançou a cabeça, recusando-se a aceitar o que ouvia. — Não! Não é justo! Não posso perder você também, Carlos! Já perdemos nossos pais, e agora você quer que eu fique sozinha?
Carlos deu alguns passos até ela e segurou suas mãos com força. — Você nunca estará sozinha, Estela. Eu sei que vai superar isso, e vai governar este reino com sabedoria e força. Mas eu não posso permitir que você se sacrifique. Eu sou o irmão mais velho. Esse é o meu dever.
As lágrimas começaram a brotar nos olhos de Estela, e ela puxou as mãos dele, recuando um passo. — Não vou aceitar isso! Há outras maneiras! Podemos encontrar uma solução juntos, podemos lutar contra essa profecia!
Carlos a observou por um momento, seus olhos refletindo tanto amor quanto dor. Ele sabia o quanto ela estava sofrendo, mas também sabia que não havia outra escolha. O destino estava selado, e o tempo estava acabando.
— Eu gostaria que houvesse outra saída — ele disse suavemente. — Mas o coração do reino não espera. Se não fizermos algo, as Sombras irão consumir tudo. Eu não posso arriscar isso.
— E eu não posso arriscar perder você! — ela gritou, sua voz quebrando. — Carlos, por favor! Deve haver uma outra maneira!
Carlos a abraçou com força, sentindo o desespero dela. Ele desejava poder fazer algo, encontrar uma alternativa. Mas no fundo, ele sabia que essa era a única maneira de salvar o reino e a irmã que ele tanto amava.
— Estela, você sempre será minha maior preocupação. Tudo o que faço é para garantir que você possa viver e prosperar. Eu prometi a nossos pais que protegeria você, e essa é a minha última chance de cumprir essa promessa.
Estela soluçava em seus braços, seu corpo tremendo. — Eu não quero que você vá... não quero que isso aconteça.
— Eu sei — sussurrou Carlos. — Mas essa é a única maneira. Não há nada que eu não faria por você, Estela. Nem mesmo isso.
Ela se afastou, com os olhos cheios de lágrimas e dor, mas também de determinação. — Então... se isso é o que deve ser feito, vamos juntos. Não vou deixá-lo enfrentar isso sozinho.
Carlos sorriu tristemente. — Não, Estela. Este é um caminho que eu devo trilhar sozinho. Você tem seu próprio papel a desempenhar no futuro deste reino. E sei que você será uma rainha forte. Mais forte do que qualquer um pode imaginar.
Ela tentou encontrar as palavras para convencê-lo, para fazê-lo mudar de ideia, mas sabia que ele estava decidido. E, no fundo, sabia que ele estava certo. O sacrifício tinha que ser feito. Mas isso não tornava a despedida menos dolorosa.
— Carlos... — ela sussurrou, segurando a mão dele com força. — Eu nunca vou esquecer o que você fez por mim. Pelo reino.
Ele a abraçou novamente, dessa vez com mais suavidade. — E eu sempre estarei com você. De alguma forma, sempre estarei aqui.
***
Naquela mesma noite, Carlos caminhou sozinho até o coração do reino, o cristal pulsante que guardava o poder mágico que protegia aquelas terras. Ele sabia o que precisava fazer. Sabia que essa era a única maneira de garantir que as Sombras não destruíssem tudo o que ele e Estela amavam.
Com um último olhar para o castelo, onde sua irmã agora dormia, ele fez o sacrifício.
O coração do reino aceitou sua oferenda, e com isso, o destino de todos mudou para sempre.
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Atualizado até capítulo 50
Comments
Cecilia geralda Geralda ramos
não gostei ,Carlos vai morrer.
2025-02-07
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