Estela caminhava pelos corredores do castelo em uma noite fria e silenciosa. O encontro com a oráculo e a profecia ainda a perturbavam. As palavras sobre o sacrifício e o destino do reino ecoavam em sua mente, e o peso de suas responsabilidades parecia mais denso a cada momento.
Ela sabia que havia muito sobre o reino e sobre sua própria história que ainda não conhecia. Sentia que a chave para desvendar tudo estava mais perto do que imaginava, mas os segredos do castelo e de sua linhagem continuavam a se esconder nas sombras.
A brisa que soprava pelas janelas abertas trouxe consigo um sussurro quase inaudível, como se o próprio castelo estivesse chamando por ela. Seguindo esse chamado, Estela caminhou sem rumo pelos corredores, guiada por uma força invisível que ela não conseguia explicar. As tochas nas paredes lançavam sombras distorcidas, e as pedras do chão pareciam vibrar sob seus pés.
Ao virar um corredor que raramente frequentava, algo chamou sua atenção. Uma parede antiga, coberta por tapeçarias gastas pelo tempo, parecia ter algo diferente. Ela se aproximou lentamente, estendendo a mão e sentindo a textura áspera do tecido. De repente, seus dedos tocaram algo sólido e irregular por baixo da tapeçaria.
Curiosa, ela puxou o tecido e revelou uma porta de pedra, oculta há muito tempo. Era pesada e coberta por runas que Estela não reconhecia, mas que pareciam familiares de alguma forma. Seus olhos se estreitaram enquanto tentava decifrar o que via.
— O que é isso? — murmurou para si mesma, sentindo uma estranha energia emanando da porta.
Ela sabia que não poderia ignorar essa descoberta. Estela colocou ambas as mãos sobre a pedra fria e empurrou com força. A porta abriu lentamente, rangendo, como se não tivesse sido movida por séculos. Do outro lado, um corredor escuro e estreito se revelou, iluminado apenas por um brilho fraco que parecia vir do fundo.
Respirando fundo, ela entrou.
***
O corredor parecia interminável, e o som de seus passos ecoava nas paredes. Estela avançou, com o coração acelerado, sem saber o que encontraria. O brilho no fim do corredor aumentava à medida que ela se aproximava, até que, finalmente, chegou a uma sala circular escondida nas profundezas do castelo.
No centro da sala, flutuando sobre um pedestal de pedra, havia um cristal de tamanho considerável, pulsando com uma luz suave e constante. Era de um tom vermelho intenso, quase como sangue, e ao redor dele, gravuras antigas cobriam o chão e as paredes, como se contassem uma história esquecida.
Estela parou na entrada da sala, hipnotizada pela visão. O cristal parecia vivo, sua luz vibrando em sintonia com algo dentro dela.
— O que é isso...? — murmurou, dando alguns passos incertos em direção ao pedestal.
— O coração do reino — uma voz familiar ecoou atrás dela.
Ela se virou bruscamente, surpresa ao ver Elias, o jovem misterioso que havia se tornado uma presença constante em sua vida. Ele estava parado na entrada, observando-a com uma expressão séria.
— Elias, o que você está fazendo aqui? — Estela perguntou, sua voz carregada de desconfiança e curiosidade.
Ele caminhou até ela, seus olhos fixos no cristal. — Eu sabia que você o encontraria eventualmente. Faz parte de quem você é. O coração do reino é ligado à linhagem real... à sua família.
Estela franziu o cenho, tentando entender o que Elias estava dizendo. — Como você sabe disso? O que mais está escondido aqui que eu não sei?
Elias suspirou, e por um momento, hesitou antes de responder. — Há coisas que você não foi preparada para saber, Estela. Coisas que foram mantidas em segredo por gerações. Mas agora que encontrou o coração, tudo começa a se revelar.
Ela deu mais um passo em direção ao cristal, sentindo sua pulsação. — Então isso... é uma fonte de poder?
— Sim — Elias assentiu. — O coração do reino é a essência da magia que protege estas terras. Foi criado por seus antepassados para garantir que o reino sobrevivesse às trevas que o cercam. Mas também... carrega um fardo.
Estela voltou seu olhar para Elias, confusa. — Que tipo de fardo?
— Ele é ligado ao sacrifício — explicou ele, sua voz sombria. — O reino e sua linhagem estão conectados ao coração. Para manter o equilíbrio, para garantir que o poder permaneça forte e as Sombras não dominem, alguém da sua família precisa ser sacrificado a ele.
As palavras de Elias atingiram Estela como um golpe. A profecia da oráculo ecoou em sua mente. O sacrifício. O coração do reino. Tudo começava a se encaixar.
— Então é isso? — ela perguntou, tentando manter a voz firme. — Para que o reino sobreviva, alguém da minha família deve morrer?
Elias abaixou a cabeça por um momento, como se não quisesse confirmar, mas sabia que não podia mentir. — Sim. Sua mãe sabia disso. Ela tentou impedir, tentou proteger você e Carlos, mas o destino não pode ser evitado.
Estela olhou para o cristal, agora sentindo o peso de sua presença de forma mais intensa. O brilho vermelho parecia mais forte, quase agressivo. Ela se aproximou, estendendo a mão para tocá-lo, mas antes que seus dedos pudessem alcançar a superfície brilhante, Elias a segurou pelo pulso.
— Não toque, Estela — ele avisou, sua voz baixa, mas urgente. — O coração pode sentir sua presença. Ele sabe quem você é. E se você o tocar, pode selar seu destino mais cedo do que deveria.
Estela olhou para Elias, seu rosto agora repleto de dúvidas e medo. — E o que eu devo fazer? Como posso proteger o reino sem ter que sacrificar alguém?
Elias a soltou, mas manteve seu olhar fixo no dela. — Há sempre uma escolha, Estela. Mas nenhuma delas é fácil. O coração exige um sacrifício, mas talvez haja outra maneira. Algo que ainda não descobrimos.
Ela deu um passo para trás, sentindo-se dividida entre seu dever para com o reino e o desejo de encontrar uma saída para essa profecia terrível.
— Eu não quero seguir esse caminho, Elias — ela disse, com a voz embargada. — Eu não quero ser a responsável por mais mortes. Já perdi tanto...
— Eu sei — ele respondeu suavemente, aproximando-se novamente. — E é por isso que eu vou ajudá-la. Vamos encontrar um jeito de mudar isso. Juntos.
Estela respirou fundo, tentando controlar a ansiedade. Olhou mais uma vez para o cristal, sabendo que seu destino estava inevitavelmente ligado a ele. Mas com Elias ao seu lado, pelo menos havia a esperança de que uma nova solução pudesse ser encontrada.
— Obrigada, Elias — ela sussurrou, seus olhos se encontrando com os dele. — Eu vou lutar por este reino. Mas não vou seguir cegamente esse destino. Não sem tentar mudar as regras desse jogo.
Elias assentiu, determinado. — E eu estarei com você, Estela. Até o fim.
Ela se afastou do pedestal, levando consigo o peso do conhecimento que havia adquirido. O coração do reino pulsava atrás dela, uma lembrança constante de que o tempo estava se esgotando e que, em breve, ela teria que tomar decisões que moldariam o destino de todos.
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Atualizado até capítulo 50
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