A assembleia do povo estava marcada para o dia seguinte, e Estela passou a noite em claro, revirando-se em pensamentos. O que dizer? Como se apresentar? Ela havia herdado uma coroa que parecia pesadíssima, não apenas pela sua natureza física, mas pelo significado que carregava. O peso das expectativas e da responsabilidade era esmagador, e ela se perguntava se estava realmente pronta para o que estava por vir.
As primeiras luzes da manhã a encontraram de pé, observando a cidade de seu quarto no castelo. As ruas que antes eram cheias de vida agora pareciam sombrias, com o luto ainda evidente nas expressões dos cidadãos. Como líder, Estela sabia que precisava trazer esperança, mas a ideia de enfrentar uma multidão de rostos preocupados e desiludidos a deixava nervosa.
O aroma do pão fresco começou a invadir o ambiente, e ela decidiu que era hora de buscar seu irmão. Ele sempre fora seu porto seguro, e, apesar de suas próprias inseguranças, a presença dele a confortava. Ao sair de seu quarto, encontrou Carlos na sala de jantar, com um olhar distante enquanto olhava pela janela.
"Bom dia", Estela disse, forçando um sorriso. Carlos virou-se, e a tristeza em seu olhar a fez sentir um nó na garganta. "Você conseguiu descansar?"
"Um pouco", ele respondeu, mas sua voz não carregava a certeza que ela esperava. "E você?"
"Eu não consegui dormir." Estela se sentou à mesa e começou a comer, mas o alimento parecia sem gosto. "Estou preocupada com a assembleia. O que devemos dizer a eles?"
Carlos hesitou antes de responder. "Devemos ser honestos, Estela. O povo precisa saber que estamos aqui para eles, mas também precisam entender que não temos todas as respostas."
"Mas o que se eles não confiarem em nós? E se eles não acreditarem que somos capazes?" As palavras saíram apressadas, refletindo sua ansiedade.
"Precisamos mostrar a eles que somos um time", Carlos disse, finalmente encontrando um brilho de determinação em seu olhar. "Temos que nos apoiar mutuamente. O que nossos pais sempre nos ensinaram?"
Estela respirou fundo, lembrando-se das lições que seus pais haviam compartilhado. Eles sempre enfatizavam a importância da união e da confiança. "Eles nos ensinaram que a verdadeira força vem da colaboração. Nós somos mais fortes juntos."
Com uma nova sensação de determinação, Estela e Carlos começaram a planejar o que diriam na assembleia. Eles discutiram a importância de lembrar o legado de seus pais, mas também de oferecer um novo caminho para o reino. Enquanto falavam, Estela começou a sentir um fio de esperança se entrelaçar em seus pensamentos.
Depois do café da manhã, a dupla se dirigiu ao grande salão do castelo para rever o espaço em que iriam se apresentar ao povo. A sala era grandiosa, com tetos altos e candelabros que reluziam à luz do sol que entrava pelas janelas. No entanto, a beleza do ambiente parecia desprovida de alegria naquele momento. O salão, normalmente repleto de risos e celebrações, agora parecia sombrio.
"Você se lembra do nosso último baile aqui?" Carlos perguntou, seus olhos vagando pelo espaço. "Aquela noite estava cheia de vida."
"Sim", Estela disse, um sorriso nostálgico surgindo em seu rosto. "Nossos pais dançavam e todos estavam tão felizes. Eles queriam que nós sempre nos lembrássemos da alegria que o reino podia trazer."
"Precisamos trazer essa alegria de volta", Carlos declarou, sua voz se fortalecendo. "Para eles, e para nós também."
O dia da assembleia finalmente chegou, e Estela sentiu a ansiedade aumentar à medida que se aproximava da hora marcada. A cidade estava cheia de cidadãos reunidos na praça em frente ao castelo, e a atmosfera estava carregada de expectativa. Os olhares dos habitantes se voltaram para os portões do castelo enquanto Estela e Carlos emergiam, vestidos em trajes que simbolizavam sua nova posição. Estela usava um vestido de veludo azul profundo, adornado com bordados que refletiam a riqueza de sua linhagem. A coroa, que antes parecia um fardo, agora lhe parecia um símbolo de esperança e resiliência.
Ao pisar no chão de pedra, Estela sentiu a energia da multidão ao seu redor. Algumas faces eram familiares, enquanto outras eram estranhas, mas todas carregavam a mesma preocupação em seus olhos. Ela se aproximou do púlpito improvisado, e Carlos se posicionou ao seu lado. A princípio, o silêncio era palpável, e a pressão do momento quase a fez hesitar.
"Boa tarde a todos!" Estela começou, sua voz ecoando no ar frio da manhã. "Estamos aqui hoje para honrar a memória de nossos pais, que tanto amaram este reino e seu povo. Eles nos deixaram um legado de força e amor, e é com o coração pesado que falamos a vocês."
As palavras começaram a fluir naturalmente, como um rio que finalmente encontrava seu caminho. "Sabemos que a perda de nossos pais deixou um vazio imenso em nossas vidas e em nosso reino. A dor é profunda, e nós sentimos isso com vocês." Estela viu algumas lágrimas se formando nos olhos de seus súditos, e isso a encorajou a continuar.
"Nós, Carlos e eu, não somos eles, mas prometemos que faremos o nosso melhor para guiá-los e protegê-los. Estamos aqui para ouvir suas preocupações, para lutar ao lado de vocês e para garantir que este reino continue a prosperar."
Carlos se virou para a multidão. "Precisamos da força de cada um de vocês. Juntos, somos mais poderosos. Juntos, podemos enfrentar qualquer desafio. O futuro é incerto, mas a unidade nos tornará invencíveis."
Os aplausos começaram a ressoar na praça, e Estela sentiu seu coração se aquecer. A conexão que estava se formando entre eles e o povo era palpável. "Vamos trabalhar juntos, com transparência e honestidade, para garantir que a memória de nossos pais viva através de nossas ações. Precisamos de vocês tanto quanto vocês precisam de nós."
Ouvindo as palavras de Estela, a multidão começou a reagir. O murmúrio cresceu em um clamor de apoio, e ela podia sentir a esperança se reacender. Havia ainda um longo caminho pela frente, mas aquele momento significava um novo começo.
À medida que a assembleia chegava ao fim, Estela olhou para Carlos e viu que ele também estava emocionado. A sensação de unidade que havia se formado era uma luz em meio à escuridão que ainda os cercava. "Nós conseguimos", ele sussurrou, um sorriso se formando em seu rosto.
"Sim, nós conseguimos", Estela respondeu, o peso da coroa começando a parecer mais leve. Com o apoio de seu irmão e do povo, ela sabia que poderia enfrentar qualquer desafio que estivesse por vir. O futuro era incerto, mas juntos eles poderiam moldá-lo. E assim, com os corações aquecidos pela esperança e pela determinação, Estela e Carlos se prepararam para o que o destino tinha reservado para eles.
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Atualizado até capítulo 50
Comments
Cecilia geralda Geralda ramos
ótimo começo
2025-02-06
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