A sala de conselhos no castelo estava mergulhada em uma atmosfera de tensão e suspeita. Carlos, sentado na ponta da longa mesa de carvalho, observava seus conselheiros com olhos afiados, tentando identificar algum sinal de deslealdade. Algo não estava certo. Nos últimos meses, informações confidenciais do reino haviam sido vazadas para inimigos, e as suspeitas de traição estavam se espalhando como fogo entre os nobres.
Carlos sabia que o perigo estava mais próximo do que imaginava, mas o que mais o perturbava era que a traição parecia vir de alguém que estava dentro do seu círculo mais íntimo — um dos seus conselheiros. Ele não podia confiar em ninguém até que a verdade fosse revelada.
"Precisamos tomar uma decisão imediata sobre o envio das tropas para a fronteira norte," disse Lorde Martius, um dos conselheiros mais antigos, sua voz firme mas calculada. "Os relatos de criaturas nas proximidades são preocupantes, e os aldeões estão com medo."
"Concordo," Lorde Hector, outro conselheiro, disse rapidamente. "Mas devemos priorizar os recursos aqui na capital. As Sombras estão se aproximando, e temos que garantir que nossos soldados estejam prontos para proteger o castelo."
Carlos assentiu, mas sua mente estava em outro lugar. Ele olhava cada movimento de seus conselheiros, tentando identificar alguma fraqueza ou hesitação. Foi então que seus olhos se fixaram em Lorde Alaric, o conselheiro que mais havia ganho sua confiança nos últimos anos. Alaric parecia inquieto, suas mãos tremiam levemente ao manusear os papéis à sua frente.
Algo está errado com ele, pensou Carlos.
"Alaric," Carlos finalmente disse, sua voz calma, mas firme. "Você está estranho hoje. Alguma coisa o incomoda?"
Lorde Alaric levantou o olhar rapidamente, como se tivesse sido pego de surpresa. "Majestade, não há nada de errado. Apenas... estou preocupado com as movimentações nas vilas ao sul. Pode ser uma distração enquanto nossos verdadeiros inimigos se aproximam do norte."
Carlos inclinou-se para frente, os olhos fixos em Alaric. "Você sempre foi muito preciso em suas observações, Alaric. E, no entanto, nos últimos meses, nossas operações foram comprometidas de maneiras que só quem tem acesso a informações confidenciais poderia causar. Diga-me, você tem alguma teoria sobre como isso está acontecendo?"
Alaric pareceu hesitar por um breve momento, o suficiente para fazer Carlos suspeitar ainda mais. "Majestade, essas são acusações sérias. Você está sugerindo que há um traidor entre nós?"
"Não estou sugerindo," Carlos respondeu, cruzando os braços. "Estou afirmando. E não descansarei até descobrir quem está traindo o reino."
Os outros conselheiros trocaram olhares desconfortáveis, claramente perturbados com a ideia de que um deles pudesse ser o culpado. Lorde Martius pigarreou, tentando aliviar a tensão. "Majestade, todos nós aqui servimos o reino com lealdade e dedicação. Tenho certeza de que se alguém tivesse conhecimento de qualquer atividade traiçoeira, já teria se apresentado."
"É mesmo?" Carlos disse, a desconfiança evidente em sua voz. "Então como você explica os segredos do reino sendo vendidos a nossos inimigos? Informações sobre nossas defesas, nossas estratégias, tudo vazando para aqueles que buscam nos destruir?"
Antes que Lorde Martius pudesse responder, um mensageiro entrou rapidamente na sala, parecendo preocupado. Ele entregou um pergaminho a Carlos, que rapidamente desenrolou e leu. Seus olhos ficaram sombrios ao terminar a leitura.
"Senhores," ele disse, levantando-se. "Parece que recebemos uma informação crucial. A pessoa responsável por vazar segredos do reino... está nesta sala."
Os conselheiros começaram a murmurar entre si, as expressões de choque e confusão tomando conta. Carlos observou as reações de cada um, procurando por sinais de culpa. Finalmente, ele se voltou diretamente para Alaric.
"Lorde Alaric," ele começou, sua voz firme como pedra. "Você tem algo a nos dizer?"
Alaric ficou visivelmente tenso, suas mãos se apertando em punhos, mas ele tentou manter a compostura. "Majestade, o que está sugerindo? Eu servi o reino fielmente durante anos. Não ousaria trair a coroa."
Carlos deu alguns passos em direção a ele, seus olhos nunca deixando os de Alaric. "Tenho provas, Alaric. Provas de que você esteve em contato com agentes dos inimigos de nosso reino. Há registros de reuniões secretas que você manteve com espiões das Sombras."
Alaric empalideceu, mas tentou se recompor. "Essas acusações são falsas. Alguém está tentando me incriminar."
"Não adianta negar," Carlos respondeu, tirando de seu manto um outro pergaminho. "Aqui está uma carta que foi interceptada. Uma carta onde você detalha o envio de informações confidenciais em troca de promessas de poder. Uma traição pura e simples."
O silêncio que se seguiu foi quase sufocante. Todos os conselheiros olhavam para Alaric, chocados e indignados. Alaric parecia ter sido atingido por um golpe invisível, seus olhos arregalados, incapaz de encontrar uma resposta imediata.
"Isso... isso não pode ser..." Alaric gaguejou, mas sua voz falhou.
Carlos, impiedoso, continuou: "Você vendeu sua lealdade, Alaric. Traiu a confiança do reino, a confiança da coroa. Como você pode justificar isso?"
Alaric, agora desesperado, deu um passo para trás, erguendo as mãos em um gesto de rendição. "Majestade, por favor, eu... fui forçado! Eles me ameaçaram! As Sombras... elas me prometeram que destruiriam minha família se eu não cooperasse. Eu não tinha escolha!"
A expressão de Carlos endureceu. "Sempre há uma escolha, Alaric. Mas você escolheu a covardia. Escolheu a traição em vez de buscar ajuda."
O ar estava carregado com o peso da revelação. Os outros conselheiros permaneciam em silêncio, chocados e incertos sobre como reagir à confissão de Alaric.
"Guardas!" Carlos chamou.
Dois guardas entraram rapidamente na sala, prontos para agir.
"Prendam-no," Carlos ordenou, sem hesitação.
Os guardas avançaram, agarrando Alaric pelos braços enquanto ele lutava inutilmente. "Por favor, Majestade! Eu fiz isso para proteger minha família! Você tem que entender!"
"Entendo perfeitamente," Carlos disse friamente, sua voz firme. "Mas isso não desculpa sua traição. Será julgado pelo que fez e enfrentará as consequências."
Enquanto Alaric era arrastado para fora da sala, seus gritos de súplica ecoando pelos corredores, Carlos voltou-se para o restante dos conselheiros.
"Que isso sirva de lição para todos," ele disse, sua voz baixa, mas cheia de autoridade. "O reino está sob ataque de todos os lados, e não podemos nos dar ao luxo de tolerar traições internas. Qualquer um que ousar trair o reino sofrerá o mesmo destino que Alaric."
Os conselheiros assentiram em silêncio, seus rostos pálidos de medo. Carlos sabia que isso não acabava com as ameaças ao reino, mas pelo menos, por agora, uma serpente havia sido desmascarada.
Quando a sala esvaziou, Carlos sentiu o peso da solidão cair sobre seus ombros. Ele havia vencido uma batalha interna, mas a guerra pelas almas de seu povo ainda estava apenas começando. E ele não poderia se permitir fraquejar — não enquanto as Sombras continuassem rondando seu reino.
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Atualizado até capítulo 50
Comments
Cecilia geralda Geralda ramos
que bom que o traidor foi desmascarado.
2025-02-07
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