Nos dias que se seguiram à assembleia, Estela e Carlos se dedicaram a revitalizar o reino. O povo, reenergizado pelas promessas dos novos governantes, começou a trabalhar ao lado deles, tentando restaurar a alegria que havia se perdido. Estela, com seu espírito incansável, visitava aldeias e se encontrava com os camponeses, ouvindo suas preocupações e buscando maneiras de ajudá-los. Carlos, por outro lado, se concentrava em fortalecer as alianças com os nobres e conselheiros do castelo.
Entretanto, em meio ao frenesi de atividades e compromissos, Estela não conseguia ignorar uma sensação estranha que a acompanhava. Era como se algo estivesse se agitando nas sombras, uma inquietação que ela não conseguia decifrar. À noite, enquanto se preparava para dormir, a sensação aumentava, quase como se um sussurro distante chamasse por ela. Com frequência, ela se pegava olhando pela janela, observando a escuridão que cercava o castelo.
Certa noite, enquanto contemplava o céu estrelado, um som a tirou de seus pensamentos. Um leve estalo, como se algo tivesse se movido na floresta ao pé da colina. Estela encolheu-se um pouco, mas a curiosidade a impulsionou a se levantar e olhar mais de perto. Ela vestiu um manto pesado e saiu de seu quarto, decidida a investigar.
Os corredores do castelo estavam silenciosos, e a luz da lua iluminava seu caminho enquanto ela descia as escadas em direção à saída. Assim que abriu a porta, o ar fresco da noite a envolveu, trazendo consigo o perfume da terra molhada e da vegetação ao redor. Estela seguiu na direção do som, seu coração batendo mais rápido a cada passo.
Quando chegou à borda da floresta, a escuridão se tornou mais densa. Ela hesitou por um momento, mas a determinação a impulsionou para dentro. As árvores estavam altas e imponentes, suas folhas sussurrando ao vento, como se estivessem compartilhando segredos antigos. Estela avançou com cautela, seus sentidos alertas para qualquer movimento.
Depois de caminhar por alguns minutos, o som se tornou mais claro — uma risada baixa e nervosa. Estela parou abruptamente, sentindo um frio na espinha. "Quem está aí?" ela chamou, tentando manter a voz firme.
A risada parou imediatamente, e um silêncio pesado caiu sobre a floresta. Estela olhou ao redor, tentando enxergar além das sombras. Em um momento de silêncio, algo se moveu à sua direita. Ela se virou rapidamente, seu coração acelerado.
Um homem apareceu, emergindo das sombras. Seus cabelos eram escuros e desgrenhados, e seus olhos brilhavam com uma intensidade inquietante. "Não tenha medo, minha rainha", ele disse com um sorriso enigmático. "Estou aqui para ajudá-la."
"Quem é você?" Estela perguntou, tentando esconder a apreensão em sua voz. "O que você quer?"
"Meu nome é Dorian", ele respondeu, dando um passo à frente. "Sou um viajante e conheço segredos que podem ajudar você e seu irmão a governar este reino."
Estela franziu a testa, seu instinto lhe dizendo que algo não estava certo. "Que segredos? Como você chegou aqui?"
"Eu tenho ouvido os sussurros do reino. As vozes do povo. E também ouvi o lamento das sombras", Dorian disse, sua expressão tornando-se séria. "Você não pode ignorar o que se esconde nas trevas, minha rainha. Há forças em jogo que você ainda não compreendeu."
"Que forças?" Estela questionou, sentindo uma mistura de curiosidade e desconfiança. "Estamos fazendo tudo o que podemos para restaurar a paz. Não precisamos de mais problemas."
"Mas esses problemas estão se aproximando", ele insistiu. "Forças que querem desestabilizar seu governo e mergulhar o reino em trevas mais profundas. Você e Carlos devem estar preparados."
Estela sentiu uma onda de ansiedade. "O que você quer de nós?"
"Quero que você me ouça", Dorian respondeu, seus olhos penetrando os dela. "Eu sei como você pode proteger seu reino e seu povo. Mas isso exigirá coragem e sacrifício."
Ela hesitou. "E o que exatamente você sugere?"
"Uma aliança com as sombras", ele disse, as palavras pairando no ar como uma brisa sombria. "Você não pode lutar contra algo que não compreende totalmente. A escuridão também pode ser uma aliada, se você souber como utilizá-la."
Estela sentiu um arrepio percorrer sua espinha. "E você espera que eu confie em você? Um estranho que aparece no meio da noite falando sobre sombras?"
"Confiança é um ato de coragem, minha rainha", Dorian respondeu. "Mas você não pode fazer isso sozinha. A história de seu reino está repleta de alianças feitas em tempos de necessidade. O que você prefere: lutar na ignorância ou compreender a verdadeira batalha que está prestes a começar?"
As palavras dele a atingiram com força. Embora Estela soubesse que a ideia de formar uma aliança com algo sombrio era perigosa, ela também reconhecia que estava em uma posição vulnerável. Se havia uma verdade nas palavras de Dorian, ignorá-lo poderia custar caro.
"Eu não posso decidir isso agora", ela disse, sua voz firme, mas com uma hesitação subjacente. "Preciso pensar sobre o que você disse."
"Eu entendo", Dorian respondeu, seu tom mais suave. "Mas saiba que o tempo está passando. Se você quiser evitar um desastre, deve agir rapidamente. Eu estarei aqui, nas sombras, esperando por sua decisão."
Com isso, ele se afastou, perdendo-se nas árvores como se nunca tivesse estado ali. Estela ficou sozinha na floresta, seus pensamentos girando em uma confusão de sentimentos. A ideia de formar uma aliança com as sombras a perturbava, mas a urgência de sua situação era inegável.
Ela voltou ao castelo, seu coração pesado com a revelação. Carlos já estava dormindo, e o silêncio do castelo parecia refletir a tumultuada tempestade em seu interior. Deitou-se em sua cama, mas o sono não veio. A imagem de Dorian e suas palavras ecoavam em sua mente. O que ela deveria fazer?
Na manhã seguinte, enquanto o sol nascia, Estela decidiu que não poderia ignorar a possibilidade de se preparar para o que estava por vir. As palavras de Dorian reverberavam, e, mesmo que parecessem perigosas, ela sabia que deveria considerar todas as opções para proteger seu reino.
Com a determinação renovada, ela se levantou e preparou-se para o dia. A assembleia com os nobres e conselheiros estava agendada para aquela manhã, e ela precisava estar pronta para discutir os próximos passos do reino. Antes de entrar na sala, ela se lembrou do que seus pais sempre diziam: a liderança exigia coragem, não apenas na luz, mas também na escuridão.
Estela tomou um profundo fôlego e entrou na sala, decidida a enfrentar os desafios à frente, ciente de que a verdadeira batalha ainda estava por vir. Ela precisaria de toda a força que pudesse reunir, até mesmo das sombras. A luta pelo futuro do reino havia começado, e ela estava pronta para fazer o que fosse necessário para proteger seu povo.
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Atualizado até capítulo 50
Comments
Cecilia geralda Geralda ramos
aliança com as trevas e muito perigoso, vão querer algo em troca o que será.
2025-02-06
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