O sol começava a se pôr, lançando um brilho dourado sobre o reino, enquanto Estela e Carlos retornavam ao castelo após a tensa missão na caverna. O grupo tinha encontrado indícios de que o culto estava se preparando para um grande ritual, e a tensão estava palpável no ar. No entanto, enquanto a gravidade da situação pairava sobre seus ombros, uma outra inquietação começou a se formar no coração de Estela. Ela não poderia ignorar o que Arion havia mencionado sobre os espiões infiltrados; a traição poderia estar mais próxima do que pensava.
Ao entrarem no castelo, Estela se sentiu um pouco perdida. Apesar de todos os desafios à frente, havia algo mais que a perturbava, uma sensação de que os segredos de sua mãe ainda não haviam sido totalmente desvendados. Após o enterro de seus pais, ela havia prometido a si mesma que exploraria cada canto do castelo, buscando respostas que nunca tiveram a chance de serem dadas.
"Eu vou para a biblioteca", Estela anunciou a Carlos. "Preciso olhar os livros e documentos da mãe. Quem sabe há algo lá que nos ajude a entender o que estamos enfrentando."
Carlos assentiu, seus olhos refletindo preocupação. "Tenha cuidado, Estela. Se você sentir que algo está errado, me chame."
Com um aceno de cabeça, Estela se afastou, subindo as escadas em direção à antiga biblioteca do castelo. A biblioteca era um local vasto e imponente, repleta de estantes que se estendiam até o teto, cheias de tomos empoeirados e pergaminhos. O cheiro do papel envelhecido envolvia o ar, trazendo uma sensação de nostalgia. Mas, além da familiaridade, havia uma sensação de mistério que a envolvia.
Ela começou a procurar nas prateleiras, suas mãos passando por volumes cobertos de poeira. O coração batia acelerado enquanto pensava sobre o que poderia descobrir. No fundo de sua mente, uma voz sussurrava que algumas verdades eram melhor deixadas enterradas, mas a curiosidade a impelia a seguir em frente.
Após algum tempo vasculhando, seus dedos se fixaram em um pequeno diário de couro, com a capa desgastada. O coração disparou quando ela percebeu que era um diário que pertencera à sua mãe, a Rainha Isadora. Com um leve tremor, ela puxou o diário da prateleira e sentou-se em uma das mesas, a luz da tarde iluminando suas páginas.
Abrindo-o com cuidado, as páginas amareladas revelaram a caligrafia delicada e elegante de sua mãe. As primeiras entradas falavam de sua infância, momentos de alegria e amor. Mas, conforme Estela folheava, as palavras se tornaram mais sombrias.
**"Hoje, os ventos do norte trouxeram algo estranho. Tenho visto figuras nas sombras, sussurros em meus sonhos. A sensação de que algo está prestes a acontecer é palpável. Sinto que estou sendo observada."**
Estela sentiu um arrepio. A descrição de sua mãe parecia ecoar as inquietações que sentia agora. As páginas seguintes traziam mais revelações.
**"Meu coração está pesado. O culto das Sombras está crescendo em força. Eles buscam algo que não posso entender completamente. Um artefato, uma relíquia antiga que pode mudar o destino de nosso reino. Não posso permitir que isso aconteça."**
As palavras a penetravam, cada frase revelando um mundo de segredos que sua mãe havia guardado. Estela se perguntava se havia algum tipo de ligação entre os eventos atuais e o que sua mãe havia enfrentado. As anotações de sua mãe tornaram-se cada vez mais angustiadas.
**"Minhas visões são intensas. Vejo uma sombra se aproximando de nossa casa, um mensageiro de escuridão. Não posso deixar que isso se aproxime de Carlos e Estela. Preciso protegê-los a todo custo."**
As lágrimas escorriam pelo rosto de Estela. Sua mãe tinha enfrentado medos que ela nunca soubera. A necessidade de proteger os filhos e o reino era um legado que agora pesava sobre seus ombros.
As páginas continuavam a revelar segredos obscuros sobre o culto. **"Eles acreditam que podem trazer de volta as forças antigas, aquelas que foram banidas. O artefato que procuram é uma chave para isso, um talismã escondido sob a árvore mais antiga da floresta de Eldergrove."**
A menção à floresta de Eldergrove fez o coração de Estela acelerar. Era um lugar que sua mãe sempre havia mencionado com reverência, mas também com cautela. As lendas sobre o poder da floresta eram conhecidas por muitos, mas poucos se atreviam a explorá-la.
Estela estava absorta em suas leituras quando uma nova anotação chamou sua atenção, marcada com um traço mais profundo, quase como se sua mãe estivesse desesperada ao escrevê-la. **"A escuridão se aproxima. Estou me preparando para o pior. Se algo acontecer comigo, Carlos e Estela devem saber da verdade. Eles devem encontrar o talismã antes que o culto o faça."**
O peso da responsabilidade esmagou Estela. Sua mãe sabia que o perigo estava se aproximando, e agora, com essas revelações, ela entendia que o destino de seu reino estava atrelado a um artefato perdido. Era mais do que um simples objeto; era uma peça chave na batalha contra a escuridão que ameaçava tudo o que amava.
Com as mãos tremendo, Estela virou a última página e encontrou um esboço do talismã. Era um desenho detalhado de um pingente em forma de rosa, com um centro de luz brilhante. **"Este é o coração da luz. Ele deve ser protegido a todo custo. A luz é a única coisa que pode repelir a escuridão."**
O que mais poderia haver escondido sob a superfície daquela floresta antiga? Estela fechou o diário e segurou-o contra o peito, o coração pesado com a gravidade das revelações. Ela não tinha mais tempo a perder. As palavras de sua mãe a guiariam agora, e a busca pelo talismã se tornara uma missão urgente.
Levantando-se, Estela decidiu que iria imediatamente encontrar Carlos. Precisava compartilhar tudo o que havia descoberto. Com um propósito renovado, ela saiu da biblioteca, a determinação pulsando em suas veias. O reino estava em perigo, e a sombra do culto se aproximava. Mas agora, ela tinha uma direção.
Ao encontrar Carlos nos corredores, ele notou a expressão intensa em seu rosto. “O que aconteceu, Estela? Você está pálida.”
Ela respirou fundo. “Eu encontrei o diário da mãe. Ela sabia sobre o culto, Carlos. E há um talismã escondido na floresta de Eldergrove. Precisamos encontrá-lo antes que o culto o faça.”
Carlos franziu a testa, e a preocupação cruzou seu olhar. “Então é verdade. A escuridão está mesmo se aproximando.”
“Sim, e precisamos agir rápido”, Estela disse, sua voz firme. “Devemos formar uma equipe e partir imediatamente. Não podemos esperar.”
“Vou reunir os cavaleiros e preparar tudo. Estamos com você, Estela”, Carlos respondeu, sua determinação refletindo a dela.
Com uma nova missão em mente e o legado de sua mãe como guia, Estela sentiu que estava finalmente começando a entender a verdadeira luta que enfrentava. O passado era mais profundo e mais complexo do que jamais imaginara, e as sombras estavam prestes a se revelar. Com o coração cheio de esperança e medo, Estela estava pronta para enfrentar os desafios que viriam, determinada a proteger seu reino e honrar a memória de sua mãe.
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Atualizado até capítulo 50
Comments
Cecilia geralda Geralda ramos
o que tinha na caverna autora fico vago ,e o Iron.
2025-02-07
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Cecilia geralda Geralda ramos
digo Arion.
2025-02-07
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