As chamas da lareira lançavam sombras longas e dançantes pelas paredes de pedra do quarto de Carlos. Ele estava deitado na cama, mas o sono parecia não vir. A noite estava estranhamente silenciosa, como se o próprio ar estivesse à espera de algo sombrio. Nos últimos dias, Carlos vinha sendo atormentado por sonhos perturbadores. Cada vez que fechava os olhos, caía em um pesadelo tão vívido que acordava com o coração disparado e o corpo coberto de suor.
Ele virou-se na cama mais uma vez, tentando encontrar uma posição confortável, mas seu corpo permanecia tenso. Tentava afastar as lembranças das imagens terríveis que surgiam em sua mente sempre que cochilava: campos devastados, o castelo em ruínas, o som de gritos que ecoavam no vazio. As visões eram tão reais que ele começava a acreditar que não se tratavam de meros sonhos.
Finalmente, o cansaço o venceu, e seus olhos se fecharam. No instante em que adormeceu, foi transportado de volta ao pesadelo.
***
Carlos se viu correndo por um campo devastado. As árvores estavam retorcidas, como se tivessem sido queimadas por dentro, e o céu estava coberto por uma espessa camada de nuvens escuras, que escondiam a lua. O cheiro de morte e destruição enchia o ar. Ele correu, desesperado, sentindo o peso da perda apertar seu peito.
De repente, à sua frente, surgiu a silhueta de uma figura encapuzada, envolta em sombras. Não era possível ver o rosto sob o capuz, mas a presença daquela figura o enchia de pavor.
“Quem é você?” Carlos gritou, tentando manter a coragem. “O que quer de mim?”
A figura não respondeu. Em vez disso, apontou para o horizonte, onde o castelo se erguia à distância, mas estava em ruínas, suas torres desmoronadas, e as bandeiras queimadas.
“Isso é o que espera o seu reino, príncipe,” disse uma voz baixa e grave, que parecia vir de todos os lados ao mesmo tempo. “As sombras estão se aproximando.”
“Não!” Carlos gritou, sua voz ecoando no vazio. “Eu não permitirei que isso aconteça!”
A figura se moveu um pouco mais perto, as sombras ao seu redor parecendo se expandir, como se quisessem engolir Carlos. “Você não pode impedir o que está por vir. A rainha será tomada. E você cairá junto com ela.”
Antes que pudesse reagir, a figura levantou a mão, e de seus dedos saíram tentáculos negros de sombra, que avançaram sobre Carlos, agarrando seu corpo. Ele tentou lutar, mas as sombras eram mais fortes. Em um segundo, o mundo ao seu redor desmoronou, e ele foi engolido pela escuridão.
***
Carlos acordou com um grito sufocado, o corpo encharcado de suor. Respirava com dificuldade, como se tivesse acabado de escapar de uma batalha. Seu coração batia forte, e ele levou alguns segundos para perceber que estava seguro em seu quarto, longe das sombras de seus pesadelos.
“Carlos!” A voz de Estela soou pela porta. Ela entrou no quarto rapidamente, o rosto preocupado. “Eu ouvi você gritar. O que aconteceu?”
Carlos se sentou na cama, esfregando o rosto com as mãos. “Foi só... um pesadelo.”
Estela se aproximou, sentando-se ao lado dele. “Esse não é o primeiro, não é? Tem acontecido com frequência.”
Ele assentiu, ainda tentando recuperar o fôlego. “Sim. São sempre os mesmos. Sombras, destruição... E sempre essa figura encapuzada. Ela me diz que o reino está condenado, que você... que você será tomada pelas sombras.”
Estela franziu a testa. “Por que não me contou antes? Eu sabia que algo estava o perturbando, mas pensei que fosse o peso de todas as responsabilidades que temos carregado.”
Carlos olhou para ela, seu rosto marcado pela preocupação. “Eu não queria te assustar, Estela. Mas estou começando a achar que esses sonhos não são apenas fruto da minha imaginação. Eles parecem tão reais. Como se fossem um aviso.”
Estela respirou fundo, absorvendo as palavras dele. “Você acha que eles podem ser premonições?”
Carlos hesitou. “Eu não sei. Mas o fato de estarem se repetindo tantas vezes, e com tanta clareza... Não posso ignorar a sensação de que há algo mais.”
A jovem rainha ficou em silêncio por um momento, tentando processar o que o irmão estava dizendo. A ideia de que os pesadelos de Carlos pudessem ser algum tipo de aviso sobrenatural a preocupava. Especialmente considerando tudo o que eles já sabiam sobre as Sombras e as forças que ameaçavam o reino.
“Então precisamos investigar isso”, disse ela, decidida. “Se há algo real por trás desses sonhos, precisamos entender o que é.”
Carlos a observou, grato pela calma com que ela lidava com a situação. “Eu pensei em procurar por respostas, mas... não sei por onde começar. As visões são confusas, mas sempre têm o mesmo final: destruição.”
Estela se levantou e começou a andar pelo quarto, os pensamentos correndo em sua mente. “Talvez haja algo no diário da mamãe. Ou talvez os anciãos da corte possam nos ajudar. Temos que estar prontos para qualquer ameaça.”
Antes que Carlos pudesse responder, bateram à porta. Era Arion, o cavaleiro de confiança de Estela, que tinha se tornado uma presença constante ao seu lado.
“Majestade”, disse ele com sua voz firme e calma. “Perdão pela interrupção, mas algo aconteceu nos portões. Um viajante misterioso chegou e pede audiência com a rainha. Ele diz que traz notícias importantes sobre as Sombras.”
Estela e Carlos trocaram um olhar preocupado. A menção das Sombras no contexto dos pesadelos de Carlos era uma coincidência assustadora. Ela olhou para Arion, que esperava pacientemente a resposta.
“Leve-o para a sala do conselho. Eu estarei lá em breve”, disse Estela, decidida.
Arion assentiu e saiu do quarto, deixando os dois irmãos sozinhos.
“Isso não pode ser uma coincidência”, disse Carlos, sua voz carregada de apreensão. “Os sonhos, o viajante, as Sombras... Algo está acontecendo.”
“Eu sei”, concordou Estela. “E precisamos estar prontos para o que for. Vamos ver o que esse viajante tem a dizer. Talvez ele possa nos ajudar a entender melhor o que você tem visto nos sonhos.”
Carlos se levantou, ainda se sentindo abalado pelas visões perturbadoras, mas determinado a enfrentar o que estava por vir. “Se há uma chance de proteger o reino, farei o que for preciso.”
Estela assentiu. “Não estamos sozinhos, Carlos. Juntos, vamos encontrar uma forma de impedir que essas Sombras destruam nosso lar.”
Os dois irmãos saíram do quarto e caminharam lado a lado pelo corredor, prontos para descobrir as respostas que precisavam. As sombras que rondavam o reino poderiam ser assustadoras, mas Estela e Carlos estavam determinados a enfrentá-las, não importa o quão sombrias fossem as previsões.
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Atualizado até capítulo 50
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